quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Saúde eleitoral

A presidente Dilma foi ontem à televisão para falar sobre a saúde pública no Brasil.
Em primeiro lugar, por que o pronunciamento repentino? Porque o índice de popularidade do senhor Lula deve ter caído ao rés do chão depois de o tratamento imediato, com cura e tudo, de um câncer na laringe. O movimento de defesa a esta provável rejeição popular, ou a vacina, como se diz em marketing político, foi muito rápida, ou deu bandeira, como se diz nas esquinas.
Em segundo lugar, o texto que dona Dilma leu foi um insulto à inteligência das pessoas. Não é possível que este governo só saiba desfiar bravatas e demagogias. Não é possível que o redator oficial só manipule dados estatísticos, só tente se apropriar de obras alheias e de circunstâncias econômicas internacionais para inflar “realizações” que não existem ou são meras promessas eleitorais. Não é possível que o rapaz que escreveu aquela seqüência de asneiras acredite que pode mesmo convencer alguém que depende da saúde pública de que tudo isso que aí está é uma maravilha e vai ficar ainda muito melhor. Seria melhor o governo ter ficado calado do que dar esta triste demonstração de desfaçatez e cinismo.
Não é minimamente aceitável que a presidente da República vá a televisão tratar as pessoas como idiotas. A saúde pública no Brasil é um caos, uma tragédia diária para pessoas que não têm plano de saúde. Esse é o fato. Essa é a verdade que não muda com sorrisos forçados e palavrório enganoso e animações gráficas fantasiosas.
O mais triste e até patético disso tudo é ver que o discurso tem a mesma base diversionária do usado pelos ministros flagrados com as mãos no dinheiro público. Eles nunca assumem qualquer responsabilidade e sempre se apresentam como verdadeiros heróis. E foi exatamente isso que dona Dilma fez ontem.      

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