quarta-feira, 14 de março de 2012

Bye, bye


Laerte, na Ilustrada. Saudações da gaiola...
Aproveito para anunciar uma breve parada deste blog. Questões particulares. Volto quando possível, espero que seja breve. E avisarei por e-mail meus 12 leitores. Enquanto isso, desconfie de tudo que a Presidente da República disser, não acredite no clima de mundo perfeito dos telejornais, leia apenas autores de língua portuguesa ou espanhola, não ouça música baiana em hipótese alguma e torça pelo Grêmio.
Abração, obrigado, e até mais...

sábado, 10 de março de 2012

O carnaval continua

Notícias palacianas nesta manhã fervente de sábado:
O ministro do Desenvolvimento Agrário foi demitido pela Presidência da República. É o 12º ministro a cair em pouco mais de um ano do governo Dilma. Ele era indicado pelo governador Jaques Wagner. E foi demitido por incompetência.
O PDT está dando discretos passinhos para trás em sua relação “institucional” com o Governo Federal, ou mais exatamente o PT. O partido fundado por Brizola está se articulando em vários Estados, principalmente em São Paulo, para ampliar sua participação partidária nos próximos governos municipais. Paulinho da Força está com votos e bagagens prontos para embarcar na candidatura de José Serra. Seria uma bala de prata contra o PT.   
José Dirceu voltou à cena política nacional. Reapareceu ontem na cerimônia de posse de José Sérgio Gabrieli, ex-Petrobrás, na secretaria de Planejamento do governo Wagner. Justo na Bahia. E a Bahia já tem o axé music, não precisava de outro enganador para enfeitar a vitrine.

sexta-feira, 9 de março de 2012

De olho na bola

Transcrito do jornal Estado de S. Paulo, coluna do escritor Ignácio de Loyola Brandão, lido e premiado aqui, lá e acolá. Nada entende de futebol, mas sabe de outros mistérios da vida.

Não levo meus netos para ver esse futebol
Sei que o mundo mudou e, se querem minha opinião, ficou chato. Sei que o futebol mudou e se posso opinar, ficou muito chato. Não sou cronista esportivo, nunca fui. Também não sou daqueles que olham um jogo e ficam sabendo que os zagueiros deveriam avançar, que a tática usada foi 4.3.3 ou 5. 2.4 ou 1.9. 1. Vou ao campo ver a bola correr, ver dribles, defesas, gols, lançamentos, passes, grande jogadas, beleza. Quando leio ou ouço os comentaristas descreverem as partidas, fico com a sensação de que vi outro jogo e me sinto humilhado pela minha falta de conhecimentos. Será que por causa de minha ignorância estou achando tudo entediante, monótono, aborrecido, rotineiro? Ou o futebol definhou?
(...)
Vale algum sacrifício ir ver o Adriano, o Valdivia, o Luis Fabiano, o Lucas, e outros celebrados em campo? Por Deus! Por mais que procure, e procurei até em livros de filosofia, de física quântica, de lógica e, vejam só, até em teologia, e juro que não entendi por que se contrata a peso de ouro certos "craques". Por que meu time foi buscar esse imperador? Qual é o império dele? Não o de Júlio César, nem o de Alexandre, nem o de Gêngis Khan. Pagam a esse moço a quantia de R$ 400 mil para quê? Quantos jogos ele jogou? Com esses 400 mil poderíamos acertar a minha Ferroviária lá em Araraquara, à qual permaneço fiel, ainda que a veja flácida, sem músculos, sofrendo de Alzheimer, sem forças, como a maioria dos times do interior.
E esse Corinthians líder que agora é humilhado por todos que brincam, zoam, gozam com suas goleadas "arrasadoras" de 1 x 0? Acabou o orgulho, o destemor, o querer dar espetáculo. Sabe por que não dão espetáculo? Porque não têm talento. O futebol que já foi Cirque Du Soleil hoje é um barracão coberto por lona podre, furada. Qualquer um que entre em campo e passe o pé sobre a bola três vezes é um craque procurado por empresários, agentes, assessores, treinadores, dirigentes, e um mundo de gente que quer fazer dinheiro.
(...)
Os técnicos são as grandes estrelas. Só que se juntarmos todos em campo, orientando uma partida, não darão a estatura de um Guardiola. Pegue o dedo do Scolari, o joelho do Mano Meneses, a boca do Leão, a arrogância do Luxemburgo, a apatia do Tite, a mudez do Muricy e tentem formar um técnico Frankenstein (este é para quem conhece literatura e cinema, tem certa cultura). Esse técnico não ganhará de ninguém. Está aí a seleção brasileira, inglória, sem provocar orgulho, sem nos fazer bater no peito. Batemos, sim, de raiva.
Sinto, não levei meus netos a um só jogo. Nem vou levar. Não tem por quê. Não quero deformá-los. Adoraria que crescessem dizendo: meu avô me mostrou a beleza do futebol! Não darei esse legado a Pedro, Lucas e Felipe, infelizmente. Ver o futebol que está aí é o mesmo que assistir ao BBB, A Fazenda, Mulheres Ricas, Zorra Total e pensar que se está vendo televisão. Nem esse campeonato é futebol nem esses programas e muitos outros são televisão pelo baixo nível, pela indigência, ausência de talentos, categoria, inteligência. São arremedos. E basta.

Ignácio de Loyola Brandão

Dilma Karlof

Enfim, Brasília se transformou num bazar a céu aberto. Bem, não tão aberto assim, as melhores ofertas ainda se encontram nos corredores, nos gabinetes, nos auditórios, nos plenários, etc., mas já se fazem negócios até nos estacionamentos e parques. Compra-se o que o dinheiro pode comprar e se vende inclusive os jardins da consciência.
A senha para a orgia geral do poder compartilhado foi dada a público na fragorosa derrota do Governo no Senado Federal. A presidente Dilma não conseguiu emplacar uma indicação pessoal. Isso era impensável até dias atrás, tanto pelos ritos litúrgicos das relações entre os poderes da República quanto pelo dito apoio da maioria dos senadores ao Governo Federal. Na realidade dos fatos, a partir de agora, vale dedo nos olhos, puxão de cabelos e até o terrível chute no saco.
A governabilidade do Governo Federal sob dona Dilma está na boléia do caminhão do desenvolvimento. Os companheiros da base aliada já ensaiam o corinho no Congresso Nacional:
- Ou dá ou desce.
Acredito que dona Dilma preferiria descer, mas deverá ser aconselhada a dar. O circo continuará esfuziante, iluminado, de lonas coloridas e retretas musicais e bichinhos amestrados, tudo pronto e animado para a matinê das 10, mas o público já está desconfiando que lá dentro o espetáculo, na verdade, virou um filme de terror.  

Oi, internautas...

A Presidente da República falou ontem à nação por conta do Dia Internacional da Mulher. Podia ter nos poupado de mais um recital de demagogias e oportunismos eleitorais. E principalmente devia respeitar a inteligência do povo brasileiro. Ela não é fiscal do governo, como tentou se identificar, mas sim Presidente da República. Ela é a responsável final por tudo que acontece nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança pública. Ela não pode fingir que faz uma convocação às mulheres para que denunciem os problemas nestas áreas como se ela não tivesse nada a ver com isso, como se ela fosse apenas a paladina do bem, apenas a escolhida para salvar os pobres e proteger as famílias desamparadas. Pareceu mais uma doida falando no pátio de um hospício. Não sei, não, mas estou achando que este roteiro presidencial pode nos levar direto para a pior de todas as histórias políticas que já ameaçaram este País.  

Fim de festa

O motor da economia nacional começa a tossir. Parece que tem água no carburador. A indústria voltou aos anos 50, conforme manchete na Folha de hoje, a inflação está colocando a cabeçorra de fora, os gênios estão mexendo nas taxas de juros e o povo descobriu que não tem como pagar os maravilhosos produtos eletrônicos que Lula aconselhou que comprasse. A crise econômica, conforme os governistas gritam todo dia na mídia, é de responsabilidade dos países desenvolvidos, não temos nada a ver com isso. Os especialistas apenas não dizem que seremos nós que vamos pagar o pato.  

Então vá...

Estivemos 48 horas sem telefone nem Internet cá no buraco onde moramos, nas franjas de Salvador. E durante este período, faltou energia várias vezes, às vezes por mais de duas horas. A Bahia, como nunca na história desse Estado, é só carnaval. Como não há outra saída, estou preparando uma carta para enviar ao Papa. E, como sou muito esperto, vou mandar uma cópia para o PMDB.

terça-feira, 6 de março de 2012

Olha o passarinho...



Foto de Ricardo Stukert, do Instituto Lula, publicada hoje no Blog do Noblat sob título Pneumonia Atingiu os Dois Pulmões de Lula


Desde que o presidente Lula foi diagnoticado com câncer, nunca mais o vimos em uma situação natural, como um ser humano normal. Não mais sequer ouvimos sua voz. O cara sumiu da frente dos microfones e câmeras e só aparece em fotos oficiais, do seu inestimável colaborador de sempre, Ricardo Stukert. E está sempre sorrindo. Sempre. Afinal, Lula está rindo de quê? De felicidade, por estar internado num hospital para combater um câncer? Ou será por que os idiotas da objetividade que cuidam de imagens políticas acreditam que a falsidade é mais importante do que a verdade para se comunicar com o grande público? Só pode ser isso. Uma receita de enganação política utilizada por regimes totalitários. Só não é possível entender por que um cara como Lula, assim-assim com o povo, como ele gosta de dizer, e ainda por cima enfrentando uma doença absolutamente real, aceita ser modelo fotográfico de fantasia política.         

Blindagem técnica

Nunca na história desse País um governo foi tão blindado pela mídia de comunicação. Nunca. Nem no tempo da ditadura militar, quando as empresas jornalísticas viviam ajoelhadas diante dos generais e certos artistas faziam números de circo mirabolantes (lembram do filmete do trapézio, de Nélson Pereira dos Santos, para exaltar o governo Médici?). A tal governabilidade que tanto justificou os desabridos golpes de caratê político de Lula nas relações institucionais parece ser o material principal dos escudos erguidos pelos telejornais, por exemplo, para evitar qualquer tipo de saia justa para o Governo Federal. A Globo, com certeza maior representante deste grupo de voluntários da pátria, faz jornalismo pontual nos impasses políticos, sem opinião, meio amórfico, quase distraído. Os governistas, na verdade, queixam-se de barriga cheia. O marco regulatório proposto pelos ex-guerrilheiros de festim do governo petista seria muito menos eficiente do que o atual silêncio da alienação.
Um exemplo. O noticiário de ontem, no Jornal Nacional, sobre a crise entre o governo brasileiro e a Fifa. A reportagem, conduzida por um veterano repórter do qual, graças a Deus, esqueci o nome, não abordou os dois principais pontos do assunto: o Brasil não está realizando as obras fundamentais de infra-estrutura viária e corre o risco de perder a Copa para a Inglaterra. Além de ter sido uma matéria claramente favorável à indignação do governo brasileiro e contra as críticas da Fifa, a reportagem passou ao largo dos pontos principais. A questão é política, complicada, cheia de nuances, mas está sendo fartamente debatida pela crônica esportiva. Há, pois, informações e opiniões suficientes para se compor um quadro compreensível para os queridos ouvintes. Felizmente, para todos nós que curtimos futebol, o caso deve dar em nada e a Globo continuará colocando generosas colheradas de açúcar no chazinho de boldo servido aos telespectadores todas as noites.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Nesta data querida

O jornalista Alberto Dines está fazendo 80 anos hoje. Seu nome está inscrito entre os grandes da Imprensa nacional. Passou por várias redações desde a histórica reforma do Jornal do Brasil e hoje está ancorado no Observatório da Imprensa. É dele esta definição conceitual da segunda mais antiga profissão do mundo:
- Como o jornalista, o artista busca a verdade, tem a coragem  de ser, e de enfrentar o desafio da perfeição contra o tempo. A escrita jornalística, não é novidade, é um gênero literário. Por isso o jornalismo subsiste: porque é arte. Se o registro histórico não for artístico, fica chato, vira um documento burocrático que você arquiva sem ler. Por isso, na pele de jornalista, me sinto também um artista.

Rebatida pontual

O sempre gracioso e bem informado Tutty Vasques, colunista do Estado.com, publicou hoje duas frases interessantes.
- Vladimir Putin chorando é quase tão pouco convincente quanto José Serra rindo.
- E se Bob Dylan pegar a gripe do João Gilberto no Brasil?

Arvoro-me a complementar as duas.

O aríete principal da oposição ao atual Governo Federal não foi bafejado pela virtude da simpatia, na verdade, ele a esqueceu no exílio chileno. Serra não sorri, apenas mostra os dentes. É o antipático mais votado da história da República.

A gripe de João Gilberto é Bob Dylan. Ou todos os  astros-vírus internacionais que vêm passar a sacolinha nas principais capitais do País. Se o País tivesse um Ministério da Cultura, e que não fosse apenas cabide de emprego para correntes políticas ligadas às “artes” nacionais, como batuqe de tambor e levatamento de copo, talvez pudessemos ouvir João Gilllberto sem ser assaltado numa bilheteria de teatro.

Boletim médico

O presidente Lula está novamente internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Desta vez é uma pneumonia leve, segundo os médicos, embora não haja previsão de alta. O resultado do Datafolha sobre as eleições municipais paulistas não tem nada a ver com isso. Ou tem?

A voz da dona

Eu assisti na TV Brasil ao pronunciamento da presidente Dilma Roussef em Fortaleza em cerimônia do projeto Minha Casa, Minha Vida. Fiquei assustado. Não acreditei no que estava vendo e ouvindo. Pensei em escrever um comentário, mas era impossível anotar o que Dilma dizia sem ficar estupefato. O colunista da Veja, Augusto Nunes, gravou e há uma análise disponível no site da revista, assinada por Celso Arnaldo, sob o título O Pior Discurso de Todos os Tempos, ou algo parecido. Leiam. É a presidente do Brasil falando sobre um mundo irreal e incompreensível. Não há texto –a papelada voou no início do discurso– é um improviso devastador da política em nome da demagogia desvairada. Lula, claro, fazia a mesma coisa, mas com bom humor e uma tonelada de carisma popular. Dilma apenas insulta a inteligência dos brasileiros.    

Pra boi dormir

Futebol. Neymar entrou em campo ontem, para o clássico com o Corinthians, com o filho bebê no colo e rodeado por dezenas de crianças e fotógrafos. De penteado novo e com caretas ensaiadas para as câmeras, a revelação-promessa do futebol brasileiro jogou coisa nenhuma. Ganso e Ibson jogaram muito e resolveram a parada. Ou Neymar entende que não é um pop star para consumo da mídia esportiva e dos patrocinadores ou precisamos encontrar urgente alguém que saiba e queira jogar apenas futebol. Como Lionel Messi, por exemplo.

A guerra dos beócios

O bate-boca desaforado entre o diabo e o demônio sobre os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de Futebol em 2014 está seguindo um caminho perigoso. Os dois belzebus têm razão: o cara da Fifa por criticar o ritmo inaceitável das obras dos estádios e também os sabujos governistas que rebatem a falta de educação e expressões de baixo calão contra nosso País. Ontem, foi a vez do perdigoto das relações exteriores, o amiguinho das Farc, secretário Marco Aurélio Martins (ou seria Garcia? Ou Gonçalves?) chamar o secretário da Fifa de vagabundo e boquirroto. O certo, até agora, é que o Brasil não aceita mais negociar com este representante da entidade máxima do futebol, e tal entidade já anunciou que não mudará o interlocutor. O próximo dia 12, quando o tal carinha mal-educado da Fifa volta ao Brasil para inspeções de rotina, é a data decisiva para a definição do impasse. O que vai acontecer?
Os analistas esportivos no Brasil e no mundo estão enxergando uma grande manobra internacional para reconduzir Ricardo Teixeira à representação brasileira nas negociações ou transferir a Copa para a Inglaterra.  Isso mesmo. Ou Ricardo Teixeira, recentemente afastado pelo Governo brasileiro da interlocução com os safados velhinhos da Fifa, reassume a ponta das conversações ou o Brasil perde a realização da Copa. Não acredito que vá acontecer nem uma coisa nem outra. É só uma questão de diplomacia esportiva, mas se sabe muito bem das inconstâncias políticas emocionais que açoitam o governo brasileiro e só isso já está deixando os torcedores brasileiros com o c(*) na mão.
Ah, sim, se o tal sargento Garcia quisesse realmente briga com a Fifa, era só suspender o visto diplomático do Zorro e não deixá-lo entrar no País.  

domingo, 4 de março de 2012

Começou o baile...

O Instituto de Pesquisas Datafolha acaba de estabelecer referência técnica para a avalanche de análises que se precipitam na Imprensa sobre a eleição para prefeito da capital paulista. A conversa política agora, além de paixões partidárias, tem base científica. O Datafolha divulgou a primeira pesquisa de intenção de voto para a cidade de São Paulo.
O ex-prefeito José Serra lidera a disputa com 30 por cento, Celso Russomano tem 19, Netinho 10, Paulinho da Força 8, Chalita e Soninha empatam em 7 e Fernando Haddad segura a lanterna com 3 por cento.
Um quadro até ontem impensável diante do extremo esforço das lideranças governistas, como Lula e Dilma, para viabilizar a candidatura do petista desconhecido a Prefeitura paulista. Hoje, na frieza dos números, Serra tem 10 vezes mais votos que Haddad. E a esta certeza absoluta se soma o fato de que os atuais dois presidentes simultâneos da República não influenciam a opinião dos eleitores paulistas.
Ontem à noite, um amigo que atua no jornalismo político desanuviou minhas dúvidas sobre a surpresa dos números da pesquisa, devido a presença explícita de Lula no processo eleitoral paulista, com uma sentença simples e direta: São Paulo não é o Nordeste.     

Os moedeiros

Interessante. A briga entre o Governo Federal brasileiro, representado pelo Ministro dos Esportes, e a FIFA, representada pelo secretário-geral, coloca este semi-clandestino blogueiro contra os dois combatentes. Não acredito em absolutamente nada que saia da boca de qualquer porta-voz do atual governo e não posso admitir como cidadão e jornalista que um enviado de uma entidade internacional altamente suspeita de roubos escabrosos no esporte mais popular do planeta venha nos ditar regras de comportamento e ofender nosso País com palavrório de gente mal educada. No último post a respeito dessas duas figuras questionáveis, digamos assim, errei o nome do ministro e nem citei o do secretário-geral, o que também é falta de educação e até certa irresponsabilidade profissional. Peço desculpas, não a eles, mas aos meus doze leitores contadinhos na ponta dos dedos. No meio desse ringue imaginário continuarei a combater os dois lados desta moeda falsa.

Preconceito e racismo

Porque hoje é domingo, reproduzo um comentário de fundo sobre o absurdo de o Ministério Público tentar intervir nas definições conceituais de certos adjetivos por um dos maiores dicionários da língua portuguesa sob alegação de que seriam politicamente incorretas. O artigo é de Ivan Lessa, um dos colunistas realmente independentes da Imprensa nacional, publicado na Folha online.
  
Começou tudo de novo. Passou uns tempinhos e o pessoal, preocupado com bullying e fashion weeks, voltou à carga trazendo à baila para o baile aquela festança que abundou no Barsil (ou é Brisal? Vivo confundindo o nome do país) as alegrias de fazer cara feia e apontar o dedo para o políticamente incorreto.
Está nas folhas e em despacho oficial. O Ministério Público Federal quer retirar de circulação exemplares do dicionário Houaiss, sob alegação de que a obra contém referências “preconceituosas” e “racistas” contra ciganos.
Estes, por sua vez, sempre segundo o noticiário, nada têm a dizer sobre o assunto.
Algum zíngaro (êi, “seu” Ministério, zíngaro pode?) foi consultado a respeito? Uma delegação compareceu à sede do Ministério Público Federal para dar queixa?
Nem me ocorre indagar se a Academia Brasileira de Letras foi consultada. Os acadêmicos estão mais ocupados brincando com suas espadinhas fantasiados de imortais franceses nos altos edifícios de sua indiferença ao que fazem em nome da língua que já foi portuguesa do Brasil e, agora, com seu aval, estende seus tentáculos para com Portugal e colônia menores, pois a reforma, que eles gostam de chamar de “acordo ortográfico”, dá um dinheirão para a indústria do livro e aqueles – como os “imortais” – que dela vivem.
Desconfio que o dicionário Houaiss pisou nos calos de algum figurão com uma espada maior e mais mortífera do que as outras. No entanto, fui conferir e lá está mesmo, no Houaiss, constando ainda as acepções “zíngaro”, “vida incerta e errante”, “boêmio, “vendedor ambulante”, “mascate”. Tsk, tsk, tsk.
A notícia com que me ocupo hoje não aconteceu (é preciso escrever sobre como se anda usando esse verbo de uns anos para cá) entre os chamados “alfabetizados” do país. Esses estão mais preocupados com BBBs e a eterna questão do “denegrir a imagem do país no estrangeiro”.
Voltando ao Ministério Público Federal: em nota oficial, ele argumenta que, em versões eletrônicas, o Houaiss chega a definir “cigano” como “aquele que faz barganha”, “esperto no negociar” e “apegado ao dinheiro, agiota, sovina”.
O Houaiss diz isso mesmo. Algumas páginas eletrônicas e gutemberguianas adiante, na letra jota, lá está outra infâmia, digo apontando o dedo duro que Deus ou Jeová me deram: na entrada referente a “judeu”, além de dar a definição mais aceita (“indivíduo da tribo de Judá”), acrescenta ainda, cuidando de avisar que é uso pejorativo, que a palavra pode ser empregada também no sentido de povo nômade, cigano (é, cigano) e – horror dos horrores – “pessoa usurária, avarenta”.
“Judiaria”, em seu sentido figurado, também está exposta à visitação pública, Que coisa, hem, sô!
Mas a ação da Procuradoria proposta em Uberlândia (MG) pede a supressão dos termos e o pagamento, pela editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss, de R$ 200 mil de indenização por “dano moral coletivo”.
Segundo a Procuradoria, a atribuição viola o artigo 20 da Lei 7.716/89, que tipifica o crime de racismo. O Instituto informou que o diretor Mauro Villar, que poderia falar sobre o assunto, está fora do Brasil. Será ele um “cigano”, na melhor acepção do termo, se essa tiver sido poupada?
Enquanto isso, na ABL, há farta distribuição de jetons e é servido um chazinho com biscoitos importados e pão de leite.
Uma rápida conferida em outras páginas do Houaiss me informa que “racismo” é o “conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias.”
E “veado”, além do mamífero ruminante é também usado para se referir a homossexuais do sexo masculino.
Mais: “preto” diz-se de uma “pessoa que pertence à raça negra”. E que “crioulo” pode ser “cria ou escravo que ...” – segurem-se – “... ou quem é nascido no Brasil” e ainda acrescentam “diz-se de qualquer negro”.
Fascismo? Pois não. Lá está consignado direitinho: “Tendência para o exercício de forte controle autocrático ou ditatorial”.

Ivan Lessa

sábado, 3 de março de 2012

Sem cair

Sem penteado de palhaço, sem dancinhas chamativas, sem encenação de faltas, sem exibicionismo teatral, apenas futebol, futebol, futebol. Isso é Messi. Um carinha normal, sem pretensões de pop star, um jogador que se recusa a cair em campo, que arranca sempre em direção ao gol, que não tem outro propósito a não ser ganhar o jogo. Isso é Messi. E por isso ele é, sem qualquer dúvida, patriotadas ou bairrismo, o maior jogador do mundo.
Recebi este vídeo mandado pelo jornalista Pascoal Gomes, consultor político e apaixonado por futebol, também conhecido como Juiz Pascoal e zagueiro titular da imbatível seleção do Colina, uma das maiores equipes do mundo no futebol de três caseiro.
Divirtam-se com a técnica, habilidade e objetividade do maior de todos.

Na ponta da língua...

Um dirigente da Fifa, responsável pela fiscalização das obras para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, disse com todas letras que o País precisa levar “um chute no traseiro” para superar os atrasos. Ora, como todos nós sabemos que a veneranda entidade internacional de futebol está mergulhada num mar de denúncias e acusações diretas de corrupção de todos os tipos, também podemos recomendar com todas as letras que a Fifa deve levar uma paulada nos cornos ou mesmo um sonoro pontapé na bunda, para ver se toma jeito e respeita o esporte que representa.

Descontrole

Dilma chorou na cerimônia oficial de troca de comando no Ministério da Pesca. A presidente da República não conseguiu fazer um pronunciamento normal, legal, direto e objetivo sobre a saída do deputado Luis Sérgio. Parecia um crocodilo fragilizado emocionalmente. Também, convenhamos, não era para menos. Ela estava demitindo o mesmo cara pela segunda vez em menos de um ano, não podia explicar os motivos reais (oportunismo político descarado) e ainda tinha que puxar o saco do defenestrado para não melindrar a militância petista em São Paulo. Ridículo.

Maldades...

Robalo assume o Ministério da Pesca. Esta é a brincadeirinha do dia. A outra é que os militantes do PT estão sendo chamados de obreros, como seus companheiros de seita abrigados de última hora na sofisticada organização criminosa que domina o País.   

Tá na cara

Com a cara, o jeito e a conversa de quem está no mundo da lua, o Ministro dos Esportes tem se arvorado a emitir opiniões, a ter idéias. Aldo Rabelo é dono de alguns dos projetos de lei mais mirabolantes da história da Câmara Federal, qualquer idéia sua assusta, como a mais recente, o saci para mascote da Copa do Mundo. Parece piada, mas não é. Rabelo queria uma lenda de uma perna só para representar o Brasil no mundo do futebol. Sua estada no Ministério, ou melhor, a ocupação da vaga de seu partido na base aliada do Governo Federal, uma espécie de estupro inevitável da dignidade política nacional, poderia muito bem ser feita em silêncio. O senhor Rabelo não entende nada de futebol nem de qualquer outro esporte. É um comunista de gaveta de escrivaninha. Então, antes de sair por aí declamando demagogias baratas sobre o que desconhece, diga aqui pra nós, senhor ministro, afinal... que time é teu?     

Síndrome do Pinocchio

José Dirceu voltou. Ontem reclamei que o ex-todo poderoso ministro da Casa Civil do governo Lula, cassado pela Câmara Federal por comandar o maior caso de corrupção de políticos na história da República, deveria se manifestar sobre a condenação a 12 anos de prisão de seu companheiro de ações partidárias e braço direito de tramóias políticas, Waldomiro Diniz. Pois Dirceu reapareceu no final da tarde, no blog do Noblat, mas não disse uma palavra sobre a decisão da Justiça. Preferiu escrever verdadeiras patranhas sobre o caso da destruição da base brasileira na Antártica. Por que? Primeiro, porque os cientistas políticos que servem ao PT, leia-se analistas de pesquisas eleitorais, estão alarmados com a possibilidade real do incêndio no gelo chamuscar seriamente a popularidade da presidente Dilma. E segundo, porque Diniz é cachorro morto. Post a post em seu blog, José Dirceu se inscreve como a maior fraude ideológica que surgiu na história política do Brasil em todos os tempos.   

sexta-feira, 2 de março de 2012

Caos na Educação Pública

Publicado hoje, no jornal A Tarde:


Como sempre, as crianças são as principais vítimas da violação de direitos fundamentais não apenas pela  fragilidade física e psicológica,  mas, sobretudo, por não poderem defender, elas mesmas, esses direitos.
Em Salvador, milhares de crianças matriculadas na rede pública municipal estão impedidas de freqüentar a escola, muitas vão e voltam todos os dias sem aprender o mínimo necessário para sua idade e quase todas recebem educação de baixíssima qualidade. A situação não é nova, mas se agrava a cada ano e se reflete nos baixos índices de aproveitamento e desempenho de alunos e  escolas no Estado, que nem o regime de cotas, nem o Pro-Uni, conseguem disfarçar. 
Hoje, das 426 escolas municipais, 138 não têm condição de funcionamento, o que significa dizer que caem aos pedaços e dependem de reformas. Cerca de 200 funcionarão precariamente, com obras em andamento. Para 61 delas, não começou sequer o processo licitatório. Nas outras a reforma começou na quarta-feira de cinzas, embora o início das aulas estivesse marcado para o dia seguinte. Fica claro que, por aqui, só se pensa em educação depois do carnaval.
 Dezesseis mil crianças deverão ficar em casa por alguns longos meses, crianças que talvez ansiassem pelo primeiro caderno, pela nova professora. Tal situação só é admissível em caso de guerra ou catástrofe, mas acontece, em tempos de paz e prosperidade, na terceira maior capital do País. Nem por isso houve passeata, denúncias na mídia, ocupação de prédios públicos. Os Conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente não se pronunciaram. Os professores e seus sindicatos também não. Violar direitos de crianças não tira votos, não dá processo, não vira manchete.  O Secretario de Educação já avisou que não será possível cumprir os 200 dias letivos como o MEC determina, mas não fiscaliza.
Daí vai ficar tudo por isso mesmo, a menos que o Ministério Público cumpra  o seu papel e acabe  com a farra anti-cidadania, em nome de 150 mil crianças.

Eleonora Ramos

Jornalista
Coordenadora do Projeto Proteger
 

O gato e a lebre

O jornalista Carlos Brinckman, nome de ponta da Imprensa nacional realmente independente, levantou em seu blog uma lebre do tamanho de um dinossauro. Uma lebre que pode causar mais estragos na horta de plantas carnívoras da política nacional do que um elefante distraído numa loja de cristais. Brinckman investigou o que estava por trás do cancelamento da compra de caças da Embraer pelo governo norte-americano, foi-se parar na promessa de compra de caças franceses pelo governo brasileiro e bateu de frente com o estranhíssimo acordo de cooperação entre Brasil e França para construção de um super-estaleiro em solo verde e amarelo.
O caso, ou os casos, compõem um excepcional jogo político internacional. O Brasil compraria aviões a preço de naves espaciais e a França cederia tecnologia para construção de navios e submarinos tupiniquins. Tudo bem, é toma lá, dá cá. Mas os Estados Unidos, que estavam investindo alto na compra de jatos da Embraer em troca da possibilidade real do Brasil comprar os jatos Boeing F-18 em vez dos caças franceses, não gostaram do acordo franco-brasileiro, suspenderam as negociações e o negócio chegou às páginas dos principais jornais do mundo.
Mas tudo isso tem pouca ou quase nenhuma importância diante do que Brinckamn descobriu. A França, num gesto inédito em negociações internacionais desse nível, exigiu que a construção do estaleiro brasileiro fosse feita por uma empresa brasileira, mais exatamente a Construtora Odebrecht. Isso mesmo. A França exigiu a Odebrecht em detrimento de qualquer processo licitatório. O que é isso?
Isso é a lebre gigantesca que citei acima. Os negociadores foram os presidentes Sarkosy e Lula. O francês é candidato a reeleição agora em maio e o volume do negócio altamente favorável a França deve render bons votos entre os conservadores. O presidente Lula é hoje o palestrante mais caro da história do Universo, com cachê pago pela Odebrecht.  Repito: o que é isso?
Vou parar de racionar, por enquanto, igual fez Brinckman em seu blog. Voltarei ao tema quando a lebre começar a rugir. Apurem os ouvidos.

O amigo do Zorro

Waldomiro Diniz. Lembram-se dele? É. Ele mesmo. O braço direito de José Dirceu, o segundo homem mais poderoso da República, ministro da Casa Civil do primeiro mandato de Lula, pego com a mão escandalosamente aberta dentro da cumbuca da Caixa Econômica Federal. O senhor Diniz foi condenado a 12 anos de prisão por corrupção ativa. O crime foi no tempo atabalhoado da chegada do PT ao poder, com apetite de esfomeado, e o processo se arrastou como uma lesma paralítica, mas chegou a uma sentença, embora a pena tenha pouca chance de ser cumprida à risca.
O senhor José Dirceu, que costuma escrever absurdos inomináveis em seu blog todas as semanas ou pelo menos quando há assunto que mereça uma versão edulcorada ou mesmo claramente mentirosa a favor do Governo, anda meio desaparecido. Deve estar de férias. Será que terá coragem de escrever algumas linhas sobre a condenação do seu parceiro e amigo de todas as horas? Não acredito. O assunto vai morrer por aí, na tímida caixa de ressonância da oposição. José Dirceu vai se valer do silêncio da mídia a qual ele tanto quer impor um marco regulatório, ou seja, a censura.

Com biquinho e tudo...

O mágico Waldemar Costa Neto, especializado em fazer desaparecer malas cheias com milhões de reais, já está colhendo as primeiras flores fétidas de seu jardim de factóides: o PR acaba de ser reconduzido ao comando do Ministério dos Transportes. O deputado palhaço Tiririca, portanto, não será mais candidato a prefeito de São Paulo.
Só para que ninguém se confunda, o Ministério dos Transportes abriga o DNIT, uma espécie de válvula de escape de dinheiro público, ou para ser mais claro, é como aquele buraquinho em tampa de caixa d’água, chamado muito apropriadamente de “ladrão”. E a candidatura Tiririca, sem qualquer dúvida, seria uma implosão na base eleitoral petista em são Paulo, o que mandaria para as cucuias o projeto Lula de dominar inteiramente o Estado mais populoso e forte economicamente do País.
Este caso escabroso, somado ao episódio do Ministério da Pesca doado aos evangélicos, faz lembrar o famoso bordão do jornalista Boris Casoy, antes de ser varrido da cena nacional por pressão do presidente Lula:
- Isto é uma vergonha!

O que é isso, companheiros?

O bispo inventado ministro não sabe enfiar uma minhoca num anzol, mas o Governo presume que ele consiga evitar a anunciada catástrofe de votos dos candidatos do PT Brasil afora, principalmente em São Paulo. Até onde vai o poder destes autodenominados bispos de uma igreja forjada na chantagem da religião? E, pelo amor de Deus, nosso senhor, criador do céu e da Terra, como o PT pode abrigar e dar poder a este tipo de gente que explora a ingenuidade e a fé religiosa do povo? 

No altar da sala-de-estar

Más notícias na tevê. Primeiro, o programa de Fátima Bernardes foi adiado, não está na nova grade de programação da Globo e nem se sabe quando estará; a jornalista de maior credibilidade do País faz falta na telinha, o estilo arroz doce de sua substituta já está dando nos nervos. Segundo, Rafinha Bastos, o humorista troglodita, vai voltar à cena com um programa exclusivo na Rede TV! O nome do “entretenimento” será Saturday Night Live. Pode? Terceiro, a operadora de telefonia Claro assumiu a Via Embratel. Não sei por que, mas acho que a mudança não será para melhor. Quarto, o Big Brother não vai acabar. Nunca mais. Quinto, o monumento à futilidade apresentado pela arrogante Barbie luxuriosa e seu partner de pano também vai continuar.    

quinta-feira, 1 de março de 2012

Milagre! Milagre!

O bispo Marcelo Crivela, senador da República, é um santo homem. Isso já sabia o bando de seguidores de sua Igreja evangélica, mas agora sabemos todos nós. Ele caminha com desenvoltura sobre as águas e multiplica peixes com a naturalidade de Papai Noel visitando chaminé por chaminé mundo afora. Esses são seus melhores credenciamentos para assumir o Ministério da Pesca, aquele mesmo ministério que o então candidato Lula da Silva disse que usaria para ensinar o povo a pescar. Pelo menos isso é o que deve pensar o mais desavisado dos brasileiros.
Não, a nomeação não tem nada a ver com a eleição e nem com o suposto enorme potencial eleitoral dos evangélicos, muito menos com o kit gay do Ministério da Educação e as sábias palavras da nova ministra das Mulheres (??!!) sobre o aborto. O dito governo esquerdista progressista pisoteia em seus próprios princípios ideológicos e na consciência de seus militantes. Vale tudo em nome da governabilidade, ou melhor, dos interesses eleitorais do PT e sua famigerada base aliada.  
A peça de comunicação produzida pelo Governo para explicar a mudança no Ministério da Pesca é um exemplo de desfaçatez política e desrespeito com a opinião pública. O ministro que saiu foi coberto de elogios, embora todo mundo minimamente informado saiba que o cara não fez absolutamente nada, mesmo porque não há verbas nem sequer projetos na pasta. O ministro que entrou foi saudado como legítimo representante do PRB, partidinho do ex-presidente José de Alencar, e ponto final. Não foi citado nenhum motivo claro para a troca. Nenhum. O Governo Dilma se dirige a Nação como se falasse com um bando de débeis mentais.
E, não se engane, pode ficar ainda pior. O presidente Lula já avisou que reassume em 15 dias.

Apito final

Futebol. Neymar e Messi. Quem é o melhor? Os dois jogaram esta semana em amistosos na Suíça. Um mal tocou na bola e se jogou ao chão em quase todos os lances, o outro passeou em campo e fez três gols. Um usa um corte de cabelo ridículo, vai a duas ou três festas por noite, grava dezenas de comerciais diários e freqüenta as manchetes e colunas de jornais como um pop star internacional. O outro é um baixinho com cara de bom moço, mal sorri quando faz um gol e nada se sabe sobre sua vida privada. Neymar joga muito, claro, mas corre sério risco de ser devorado pela mídia, como foram Robinho e Diego (lembram dele?). Messi também joga muito, claro, mas não corre riscos além de uma lesão eventual.
Há alguma coisa de podre no reino do País do Futebol. E não é apenas na CBF, não. O mau cheiro da incompetência está nos gabinetes dos cartolas, nas comissões técnicas, na crônica esportiva, nos contratos milionários de publicidade, etc., etc.  E o futebol é nossa única diversão real. Uma pena que o atual governo do País nada tenha a ver com os interesses dos brasileiros. Ou melhor, ainda bem que não tem nada a ver. Já pensou se um ministro qualquer assume a administração do futebol nacional?  

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

No ventilador

O PR está anunciando a candidatura do deputado federal Tiririca a prefeito de São Paulo. Pode ser a grande jogada política de Waldemar da Costa Neto, presidente do partido e réu confesso no processo do mensalão, para se reacomodar na cena nacional. A suposta candidatura de Tiririca garantiria a vitória de José Serra no primeiro turno, pois o palhaço mais votado do Brasil tiraria votos do PT nas camadas populares da periferia da capital paulista. Inocente como cantor de bordel, Tiririca já disse que aceita. Cínico como cantor de bordel, Waldemar deve vender o factóide a preço de diamante. Como se está em algo muito parecido com um bordel, pode mesmo acontecer qualquer tipo de excrescência.

Bola que rola

Do craque Tostão, em sua coluna na Folha, hoje:
A vitória no último minuto, contra a Bósnia, serve para enganar. Mais uma vez, faltou talento do meio para frente. Júlio César e David Luiz também foram mal. Melhorou um pouco com Elias, Ganso e Hulk. Ronaldinho não dá mais.
É isso aí.

Diário do inferno

Há um grande embate político no ar habilmente encoberto pela mídia de comunicação. Quase ninguém sabe, talvez apenas os poucos leitores habituais da Folha e do Estadão, mas o lado escuro das Forças Armadas está batendo chifre com a banda esquerdista reacionária do Governo Federal. O motivo da desavença aberta é a Comissão da Verdade, que pretende esclarecer os crimes da época da ditadura militar na exclusiva ótica dos militantes comunistas. Os militares se baseiam na Lei da Anistia, que acreditam estar sobre séria ameaça de revogação com a reabertura de processos jurídicos, e não reconhecem a autoridade do atual ministro da Defesa Celso Amorim e muito menos a liderança da presidente Dilma Roussef. Os esquerdistas governamentais querem identificar e punir os militares responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos. Os militares lançaram uma nota oficial subscrita por 13 generais, inclusive o famigerado Brilhante Ulstra, responsável pelo Doi-Codi na época da barbárie política no País. O Governo deve reagir ainda esta semana. Não sei, não, mas parece briga do diabo contra o demônio.   

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os dois reis

Xadrez político é antigo recurso metafórico de cronistas diários para analisar estratégias partidárias, mas cabe como uma luva para o jogo aberto deflagrado pela candidatura assumida de José Serra a Prefeitura de São Paulo. Estamos diante de um jogo de xadrez político sim, com o presidente Lula como um dos reis e José Serra como o outro. Os partidos de aluguel e da base aliada são os peões, e os grandes oportunistas, como PMDB, PSD, PSB, PC do B, são rainhas, torres, bispos e cavalos. Há um tabuleiro central na capital paulista que influencia diretamente outros tabuleirinhos menores, como em Belo Horizonte, Salvador e Recife. O interessante e imponderável deste jogo é que as peças podem mudar da casa preta para a branca, e vice-versa. E o inédito e original deste jogo é que ele começa agora, passa pelas próximas eleições municipais, mas só acaba em 2014, na eleição presidencial.
A candidatura de Serra em São Paulo reafirma seu nome como líder nacional da oposição. Ele mostrou capacidade de reunir apoio para enfrentar o rolo compressor do Governo Federal. É um rei que volta ao combate de cabeça erguida, embora sob olhares desconfiados de suas próprias peças. Do outro lado do tabuleiro, Lula usa todo seu arsenal de cooptação política de adversários e também reafirma sua liderança incontestável das forças governistas. Ele é o cara. Com câncer ou sem câncer, provou que mexe suas peças caseiras como bem quer.
A questão que encerra o resultado final das próximas eleições, tanto dessas municipais quanto da presidencial, não está apenas na capacidade de arregimentar apoio partidário, que garante tempo no horário eleitoral, cabos eleitorais e esvaziamento do adversário, mas principalmente na representatividade real do candidato para conduzir o país nestes tempos de incertezas políticas, impasses sociais e notório desenvolvimento econômico. O Brasil está maior e, claro, mais maduro. O próximo eleito vai ter que falar sério. Talvez Serra leve vantagem nesse ponto apesar de todo carisma popular de Lula. Lula tem uma razoável bagagem de realizações, mas também arrasta atrás de si uma mala de falcatruas indefensáveis, além de ter pisoteado na ideologia partidária durante o samba lógico da governabilidade. São dois reis fortes o suficiente para não depender das outras peças do tabuleiro, embora se saiba que em jogo de xadrez em geral quem ganha é a rainha.
Dilma. Não vai a lugar nenhum. Não tem exército para isso. Sua retórica política é simplória, ataca os “antecessores”, desfigura a realidade e promete um mundo perfeito. Sua gestão política é um desastre, não por culpa apenas dela, afinal está cercada por membros honorários e efetivos da sofisticada organização criminosa que domina o País sob o comando de Lula. Está presidente apenas para evitar um grande colapso de gestão pública, embora os fatos, como as seguidas denúncias de corrupção e de questões isoladas como a destruição da estação brasileira na Antártica, gravíssimas e indefensáveis, estejam ameaçando sua missão à frente do Governo. Ela sabe disso. Serra também sabe. E Lula, claro, sabe ainda mais do que se pode imaginar.
Os resultados das eleições em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife serão uma pista conclusiva ou mesmo um rastilho de pólvora para o barril das urnas de 2014. Talvez não haja restaurador político capaz de unir os mil cacos do tabuleiro.        

Zzzuuuummmm

Lembram-se do deputado Hildebrando Paschoal, aquele da motosserra? Ele está chantageando o Judiciário do Acre pra não falar o que sabe. O cara quer seis mil reais por mês para ficar calado. Acho que o Ministério Público devia intervir nas negociações e pagar o dobro para que ele conte tudo que sabe. Afinal, é preciso ouvir o que tem a dizer um sujeito que serrava os braços dos inimigos.

Provincianismos

Estava cá a tamborilar essas notinhas volantes, embalado pelo canto dos sabiás do quintal, um casal deles deu em fazer ninho bem na quina varanda e nada mais escandaloso que uma sabiá fêmea em defesa da cria, quando ouviu-se um estrondo e a luz foi-se embora. E as notinhas foram juntas. Minha paciência pôs-se na quietude da ânsia, só pude voltar agora ao teclado tambor já depois de meio dia, não há sinal do que estava escrito. É. O buraco donde eu moro, acossado pela agitação de obras de novos conjuntos residenciais, está cada vez mais buraco. Isso sem falar no buraco maior, Salvador, e na cratera Bahia que nos envolve, ambos aviltados pela incompetência política administrativa que destrói os serviços públicos.
Salvador é um cartão postal roído pelas traças. E a Bahia, mais do que nunca, é só um estado de espírito. Na capital baiana, por exemplo, onde moram mais de 2.5 milhões de pessoas, as escolas municipais não funcionam. O ano letivo já começou e a maioria das escolas não vai nem abrir. Isso é muito grave. Vai além do que se pode imaginar como simples má gestão. Isso é a privatização do ensino público na marra. O mesmo que aconteceu com a área da saúde, onde os felizes portadores de carteirinhas de planos de saúde são atendidos prioritariamente enquanto os doutores torcem o nariz para os infelizes amparados pelo SUS. Salvador, Bahia, antes um endereço inspirador, romântico, meio mágico, hoje é quase só a lembrança de um abadá colorido, de um amor que passou.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Salada mista

O gol perdido do Deivid. Até meu cachorro faria. E minha mãe. Nem falo de meu pai, que foi craque de bola, ele fazia aquele golzinho de letra, fácil.
O comentarista esportivo Neto. Por que a Bandeirantes mantém este sujeito altamente desqualificado como comentarista esportivo em suas principais transmissões? Dizem que ele vende bem, que tem alto recall popular. O fato de ser ignorante mal educado e agressivamente estúpido em defesa do Corinthians e contra todos os outros clubes parece não ser levado em conta. Ontem mesmo, antes de tirar o som da tevê, tive o desprazer de ouvi-lo perguntar ao narrador sobre “o que mesmo nós estamos falando...”  Era um grande jogo de bola, Palmeiras e São Paulo. Tão bom que era melhor ver sem o som desagradável da narração. Foi o que fiz.
O carnaval S.A. Alguém tem que dizer alguma coisa a respeito. Hoje estou sem fôlego nesta manhã com cara de 1º de janeiro, mas outra hora vou dar minha opinião sobre a venda pura e simples das mais legítimas tradições culturais baianas. Os pobres e orgulhosos blocos negros de antigamente hoje se rendem aos trocadinhos dos turistas brancos enquanto a indústria do axé pulveriza a história sagrada da música baiana.
O BBB na web. Todos os portais e até os jornais online seguem passo a passo o programa da Globo como se aquilo tivesse alguma importância. Ontem, a Uol passou o dia com duas fotos de moças da casa do reality show, digamos assim, na capa. Uma tinha mostrado a calcinha, dis costas, para dois brothers. A outra confessava que havia transado com um, mas pensando em outro. Ou muito me engano ou isso é pura exploração comercial de conversa mal engendrada sobre sexo.
Stephen Hawking é habitué de um clube de suingue. Talvez seja a coisa mais impensável, mas está em um site norte-americano, reproduzido ontem na Folha online. O jornal paulista não contestou a informação nem fez comentários, apenas perguntou acima da chamadinha: Tarado?
O Oscar. O batuqueiro marqueteiro mais bem sucedido do planeta não levou a estatueta mais cobiçada do cinema. Ainda bem... Caso contrário, teríamos um novo e fulgurante filósofo contemporâneo para estrelar o grande espetáculo nacional do Pão e Circo. Como se diz na Bahia, Deus é mais...

Diário da aldeia

Imprensa local. Pra que serve? Hoje em dia o mundo provinciano ainda cabe muito bem nas ondas do rádio, mas perde o foco na televisão e fica quase ilegível nas páginas dos jornais. A globalização do sistema econômico e dos meios de comunicação nos dá carona na maré do desenvolvimento, não dá mais para ficar coçando bicho de pé e resmungando contra mau tempo.  O provincianismo do jornalismo regional insiste em assuntos internos, no mais das vezes de origem político financeira. A Imprensa alternativa local, hoje representada por blogs e sites ditos independentes, tem uma vistosa placa de aluga-se logo na entrada. A Bahia é muito maior que a mediocridade dos cães de guarda da aldeia. Digo isso porque alguns amigos insistem para que eu passe a escrever mais sobre o cotidiano de Salvador e adjacências. Por favor, incluam-me fora dessa. Prefiro escrever para o povo do subúrbio de Kandahar. Eles pelo menos se tratam aos tiros e não com traiçoeiros acarajés envenenados.    

A hora do fricote

Fernando Pimentel. Este cidadão denunciado por ter enriquecido com tráfico de influência nas hostes governistas, por mais incrível que pareça, não apenas não foi demitido como deve ser promovido a Ministro da Fazenda no lugar de Guido Mantega. Ou o governo não tem mais ninguém em sua sofisticada organização criminosa com mínima habilitação profissional para o cargo ou resolveu instituir o deboche como método político. Se for assim, o baiano Luis Caldas é sério candidato a ministro.

Manteiguinha rançosa

Guido Mantega. Como já se sabe, embora a mídia trate o caso como um vírus letal e transmissível, o senhor Ministro da Fazenda é o próximo a cair neste governo, de longe, o mais corrupto da história da República. Mantega não tem como explicar sua relação com o ex-diretor da Casa Moeda, pego em flagrante com milhões de dólares no exterior, e nem muito menos o que sua filha faz intermediando interesses de lobistas junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica, conforme foi denunciado na última edição da Veja. A popularidade de Dilma está no limite da alienação da opinião pública, talvez não resista a mais uma demissão por desvio de verbas públicas em seu governo. Então, reparem só, o senhor Mantega vai sair dizendo que precisa acompanhar o tratamento de sua mulher, que está com câncer. Mais uma mentira que se resolve com outra mentira.

Fogo no gelo

Caso do incêndio na Antártida. Celso Amorim, o conversa fiada, voltou á cena midiática nacional. Antes tivesse ficado calado. Sua improvisada entrevista coletiva foi patética. O senhor Amorim não sabia de nada, não tinha o que dizer e pareceu claramente que não dava importância ao fato. Afinal, o que aconteceu na base brasileira da Antártida? Nunca houve nada parecido com as várias estações internacionais no continente gelado. Uma das matérias no Estadão revelou que cerca de um ano atrás o Brasil passou a usar Etanol como combustível no lugar do óleo diesel. Será que tem alguma coisa ver com o incêndio sem causa clara? Temo que nosso governo não seja sério o suficiente para esclarecer a situação aos brasileiros e à comunidade internacional. Com Amorim no apito e Dilma como rainha da bateria o samba só pode ser do crioulo doido.

O golpe final

O último grupo de guerrilha de esquerda na América Latina, as Forças armadas Revolucionárias da Colômbia, caiu de maduro. Ou melhor, de podre. A guerrilha que outrora lutava pela implantação de um regime comunista e que ancorou no narcotráfico para continuar sobrevivendo tem alto grau de rejeição popular por causa dos seqüestros desumanos e cruéis, inexplicáveis até do ponto de vista dos combatentes. Esvaziada politicamente, desprestigiada e perseguida em todo território colombiano, as FARCs decidiram suspender os seqüestros e libertar os prisioneiros. Não, não foi um gesto de reconhecimento humanitário, mas sim um último golpe para tentar livrar seus dirigentes e militantes da cadeia que os espera. O atual governo brasileiro, que apóia o movimento e inclusive abriga no País os guerrilheiros foragidos, deveria se pronunciar oficialmente. Com a palavra, pois, o secretário para assuntos estratégicos do Ministério de Relações Exteriores, Marco Aurélio Garcia, também conhecido como sócio-atleta das FARCs, do antigo movimento sandinista na Nicarágua, da ditadura cubana, do chavismo desvairado venezuelano e dos progressistas retrógados (?!) do Irã. Quer dizer, prepare-se para ouvir besteira

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Religado

Porque hoje é sábado voltaram os sinais do telefone e da Internet no buraco donde eu moro.
Porque hoje é sábado, e o carnaval já acabou, se pode sair nas ruas em Salvador.
Porque hoje é sábado não há nada para fazer nas ruas de Salvador.
Porque hoje é sábado José Serra se lançou candidato a prefeito de São Paulo.
Porque hoje é sábado os ladravazes da coisa pública estão assustados com a edição da Veja.
Porque hoje é sábado pegou fogo na estação brasileira sobre o gelo da Antártida.
Porque hoje é sábado o Brasil resolveu apoiar o bloqueio marítimo das Ilhas Malvinas.
Porque hoje é sábado o governo lulopetista acaba de expor o Brasil a um mico diplomático histórico.
Porque hoje é sábado está proibido imaginar o Brasil em uma guerra ao lado da Argentina.
Porque hoje é sábado é preciso se preparar para o ano novo que começa segunda-feira.
Porque hoje é sábado e já está de tardinha, melhor ler um livro...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O nosso samba

Quarta-feira. Cinzas. Ou muito me engano ou estou mesmo ficando doidinho da Silva, ou dos Santos, para ser mais exato, mas acho que há um clima bom no ar (na Bahia, falar mal do clima é heresia). Não, não fui contaminado pelo vírus da alegria governista que tanto enriquece sindicalistas, ex-comunistas e jornalistas chapa-branca pelo País afora. Apenas acordei às seis da manhã acreditando que a vida pode mesmo melhorar para todos nós. Sei lá por que. E olha que são quase nove horas, já vi o Bom Dia, Brasil (uma repórter disse com todas as letras que a apuração das escolas do Rio será hoje, depois do Vale a Pena Ver de Novo -para a Globo não existe hora nem relógio, apenas a grade de programação), o céu nublou e não tenho a menor idéia de onde andam os filhos, todos eles crianças acima dos trinta e pouco.  
Ainda a folia. As autoridades baianas estão comemorando o fato de que houve 20 por cento menos incidentes (leia-se mortes, roubos, agressões, etc.) no carnaval deste ano. Só não explicam que também houve uma redução de 20 por cento no movimento das ruas em relação ao ano passado. Quer dizer, ficou tudo igual. Só o delírio das celebridades é que bateu todos os recordes. Nunca se viu tanta alegria turbinada por uma montanha de dinheiro.
O tumulto na apuração das escolas paulistas devia ser investigado com seriedade e profundidade. Todo mundo sabe que o carnaval deste ano eleitoral era visto como trampolim político para os companheiros da sofisticada organização criminosa que domina o País. E o companheiro líder desta mesma organização foi um dos homenageados pela escola de samba do Corinthians, os foliões que tocaram fogo no carro alegórico de uma das adversárias. Como dizem os personagens de romances policiais e o povo a meia boca: Aí, tem!

Luxa neles!

Engraçado. Adoro futebol, me criei praticamente ao lado do Estádio Olímpico Monumental e o Grêmio é minha religião. Tenho sempre opiniões definitivas e inarredáveis no mundo da bola, como sobre o técnico Wanderley Luxemburgo. Nunca gostei dele, acho que é um sujeito que se aproveita do futebol para fazer grandes picaretagens e acumular riquezas duvidosas, como coleção de automóveis e ternos de grife. Mas, confesso, a vida é cheia de atalhos e refúgios surpreendentes, e eu gostei, isso mesmo, gostei da contratação de Wanderley para técnico do Grêmio. Estou desconfiadíssimo comigo mesmo, mas que gostei, gostei.   

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ecos da folia

O mais impressionante da transmissão televisiva do maior espetáculo da Terra é que não existe crítica. Nem a mínima possível. Tudo é divino e maravilhoso. Um mundo perfeito no qual não cabe a realidade. Um exemplo? No desfile das escolas de samba (??) de São Paulo, a Escola Águia de Ouro homenageou a Tropicália e fez críticas à ditadura militar. Um dos destaques, no alto de um carro alegórico, encenava o que seria a morte do jornalista Wladimir Herzog, em uma cena absolutamente deplorável, com um ator simulando um enforcamento e depois sambando na ponta da corda, pra lá e pra cá. A alegoria inusitada politizou o desfile. O narrador era o narrador de esportes da Globo, Cléber Machado, o repórter de pista era o jornalista Alan Severiano. Os dois tentaram, mas não conseguiram explicar o que estava se passando no sambódromo paulista. Alan ainda conseguiu destacar a abordagem política como inadequada a uma festa popular, mas Cléber derrapou na justificativa da cena tentando explicar o que havia acontecido de fato com o jornalista e omitiu, não sem algum esforço retórico, a bárbara tortura que matou Herzog. Será que ele desconhece a história? Será que ele acha mesmo que há dúvidas sobre o assassinato de Herzog? Por que ele não falou a palavra tortura? A Globo, de uns tempos para cá, resolveu usar seus simpáticos e entusiastas narradores esportivos no maior evento popular nacional, o carnaval. Por que? Porque jornalismo, no caso, não interessa. A Globo produz, promove e fatura alto com o carnaval. Tudo é divino e maravilhoso. Seus artistas contratados são as estrelas únicas do espetáculo. Só se vê atrizes e modelos globais mostrando seus melhores dotes, ou seja, os seios e a bunda. Não há jornalismo. Não há distanciamento crítico. Não há comentário independente do interesse comercial da empresa. Os especialistas convidados aprovam tudo que a tevê mostra. O que resta, então, a nós, pobres telespectadores, se a maior empresa da mídia de comunicação é a principal promotora do evento e não tem, portanto, senso crítico? O que a gente faz? Desliga a tevê, claro.        
E na Bahia, heim? Não vi, não ouvi, não digo nada. Li apenas na Internet que a animadora de bloco Ivete Sangalo se considera a presidente da Bahia. Isso mesmo. A artista popular, pra lá de popular, se projeta em suposição política como presidente da Bahia, governadora é pouco para aquele ego megalomaníaco. Alguém precisa dizer a esta balzaqueana quarentona que a vida não se resume em carnaval. E que nem todos nós brasileiros somos milionários ascendentes no País das Maravilhas inventado pelo presidente Lula, este folião incorrigível. E que nem todos engolem a hóstia do Sim distribuída diariamente pelo Jornal Nacional.
O governador Jacques Walker também sapateou discretamente o bom senso. Depois de surpreendentemente admitir que o carnaval da Bahia este ano está meio frouxo, esvaziado, após a recente greve dos policiais militares, o governador baiano voltou a si e tentou desmentir a ele mesmo: “Tudo indica que teremos um carnaval dentro da normalidade, e tenho sentido as pessoas em um espírito mais de paz.” Para que mentir? Será que ele esteve em algum bairo popular, talvez para cortar o cabelo, fazer a barba? Ou pra  tomar uma rapidinho no boteco da esquina com os camaradas em Sete de Abril, ou na Calçada, ou na Itinga? Nada. Mister Walker saiu de carro fechado do Palácio de Ondina para um camarote no bairro vizinho, não falou com ninguém do povo, só com assessores, seguranças, “repórteres” e a indefectível pequena legião de puxas-sacos. Mentiu apenas por que é da natureza de políticos profissionais. E, claro, porque estava vestido com o abadá do PT.
     

Coadjuvante protagonista

No tempo da ditadura militar, uma figura obscura aterrorizava o imaginário político dos militantes esquerdistas. Era o Cabo Anselmo, um especialista infiltrado pelos militares no movimento guerrilheiro. A estratégia deu certo à época, mas em seguida a figura obscura foi identificada e devidamente rejeitada pela sociedade civil. Hoje, em tempo de democracia plena, surgiu outra figura obscura que está fazendo o mesmo papel de traidor de movimento político em oposição a governo constituído. A representação hoje é política partidária, as armas são os mandatos eleitorais, mas o objetivo final, o poder, e o método, a traição, são os mesmos.  Cabo Anselmo todo mundo sabe quem é e nem vale a pena ser citado por extenso. O novo Cabo Anselmo, este parido pelo processo eleitoral democrático, chama-se Gilberto Kassab. Não faz nada de muito novo no teatro político nacional, mas chama atenção porque atua no centro do palco. Depois de ter vencido o PT nas urnas, o que o credenciou a liderar um novo partido de suposta oposição, Kassab fez acordo com Lula, implodiu o DEM e agora apóia o candidato do PT a Prefeitura de São Paulo e amanhã seu partido apoiará o governo Dilma. Os protagonistas finais da grande disputa eleitoral nacional, inclusive desta de agora em São Paulo, continuam os mesmos, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, mas a cara arredondada, o jeito apalermado e a excepcional habilidade política de ser dois em um, seja lá para que lado for, fazem de Gilberto Kassab um novo ator da tragédia cotidiana nacional. Um ator canastrão e ruim, mas com inegável habilidade para se meter entre os papéis principais.      

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No escurinho da consciência

Não é por nada, não, mas o velho conservador reacionário Roberto Marinho deve estar se virando na tumba como um galeto de padaria. Ninguém nesta terra do Deus dará poderia imaginar que a Rede Globo de Televisão iria produzir promover e divulgar cenas de sexo explícito ao vivo só para aumentar a audiência e o respectivo faturamento publicitário da veneranda emissora. Já há dois dias, segundo a Imprensa eletrônica, um rapaz e uma moça transam debaixo do cobertor sob câmeras de televisão. O apresentador do programa, ex-jornalista Pedro Cafetão Bial não apenas silencia sobre tamanha apelação como dá cobertura para o ato politicamente incorreto. O programa só discute sexo, só pensa naquilo, mas não se vê nada sobre preservativo sexual nestes tempos de doenças transmissíveis. Onde está a camisinha? Isso é deseducação social, pior que a ignorância explícita dos pastores medievais da Record. O BBB, sinceramente, apesar da audiência maciça e dos números milionários do faturamento comercial, é o programa mais estúpido da televisão brasileira. Serve para nada, além de enriquecer um jornalista desalmado e seu patrão despudorado.

Nota chula

Há uma expressão muito conhecida entre as camadas mais populares, debaixo do c(*) do cachorro, que muito bem tem servido para indicar aonde foram parar alguns princípios éticos da República e outras pequenas questões como a seriedade, a honestidade e até mesmo a verdade da coisa pública, além, claro, da imensa maioria das promessas eleitorais. O problema, que muito bem pode ser constatado em manchetes de jornais e entrelinhas de colunas políticas, é que tal lugar está completamente ocupado. Não há mais um centímetro quadrado livre debaixo do ânus canino. Embora sovado diariamente pelas contradições gritantes do discurso político governista e toneladas de denúncias de má gestão e desvios de conduta de ministros e altos funcionários da máquina estatal, o fedorento local acaba de receber as obras abandonadas da transposição do Rio São Francisco. O povo terá que descobrir outra metáfora ordinária para usar como lixeira.   

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Outra Bahia

Quinta feira com cara de quinta feira. O carnaval começa hoje na Bahia. O cotidiano de Salvador fica insuportável para quem não está interessado nisto que dizem ser a maior festa popular do planeta. Não se dá mais um passo sem esbarrar num turista deslumbrado ou num folião pagante, estas duas figuras que sustentam a fabulosa indústria do Carnaval S.A. Isso é bom para muita gente, eu sei, nada de mal em faturar uns trocados com cultura local, claro, mas a Bahia, nem a música baiana, tem muito a ver, na real da real, com o que passa na televisão, nem nos entusiasmados telejornais e muito menos na propaganda oficial. A Bahia é outra, meu rei, os baianos são outros. Em Itapuã, por exemplo, tem um bairro pra lá de popular, o Alto do Coqueirinho, ou Top of the Little Coconut Tree, na música de Herbert Valois, cantada por Marcela Bellas, nomes tão fora do circuito Barra-Ondina quanto genuínos e originais da legítima música popular baiana. O resto é hu, hu, hu, vamo lá, mãozinha pra cima, sai do chão!!! Isso que você vai ouvir aí embaixo está mais pra Riachão do que pra Bel Marques



Novos e velhos jornalistas


Tira de Angeli na Ilustrada, hoje, provavelmente duro, e alguma coisa como o discreto charme do sub-solo da Imprensa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Au au

Há um novo e muito interessante debate nacional na ordem do dia. Não, não tem nada a ver com a roubalheira instituída no País pela base aliada governista ou as ameaças de greves das polícias durante o carnaval ou o alinhamento da mídia de comunicação aos interesses políticos do Governo Federal. Trata-se da escolha do mascote símbolo da Copa do Brasil. Isso mesmo. Nos próximos dias vamos debater, ou melhor, assistir via jornal e tevê ao debate sobre a escolha do símbolo brasileiro para o campeonato mundial de futebol. Não, não é pouca porcaria, não. Meu ranço é com o método de escolha. Essa é uma questão nacional e o povo teria que ser consultado, sem a menor dúvida. Um plebiscito seria a maneira mais democrática para resolver um impasse de tamanha magnitude. Mas não será assim. Será assado.
A Fifa prefere o tatu-bola, o ministro dos Esportes sugere o saci e há resistências à onça pintada e à arara, esta por causa do filme Rio e aquela devido a Copa da África que tinha um felino como símbolo. Acho que as opções são pobres do ponto de vista da legítima representatividade. O tatu-bola é um animalzinho regional, do semi-árido nordestino. O saci é uma lenda do imaginário popular, a onça pintada está em extinção e seus poucos exemplares são contados nos dedos. A arara, esta sim, é uma simpatia, mas certamente perde em popularidade para seu primo-irmão, o papagaio. Qual animal seria o mascote mais representativo? Acho que são três.
Primeiro, o sabiá. É o pássaro reconhecido pelo povo brasileiro como maior símbolo do País. Mas talvez seja muito sóbrio, majestoso, pouco dado às festas públicas. O segundo é o mico. Esta figurinha talvez seja o mais popular entre as crianças do Brasil, principalmente ao longo do vasto litoral, onde antes, muito antes do progresso, vicejava a Mata Atlântica. Mas o mico, apesar da proximidade do parentesco conosco, humanos, sofre muito preconceito. Resta então, no meu tímido e superficial raciocínio, o maior e mais verdadeiro símbolo brasileiro nestes tempos de modernidade: o vira-lata.
Esta é minha sugestão para mascote da Copa, o vira-lata. Tem em qualquer esquina do País e um até já foi presidente da República.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Plóim, plóim

Pensei em listar as frases mais impressionantes proferidas por políticos, jornalistas e artistas a propósito das greves de Policias Militares na Bahia e no Rio de Janeiro para começar mais esta semana de tragédias e esperanças ao vento. Cheguei a recolher verdadeiras pérolas, como se diz em chavão jornalístico, da presidente da República (campeã mundial de non sense político, quer dizer, vice-campeã, o campeão vitalício todo mundo sabe quem é), do ministro da Justiça, dos governadores da Bahia e do Rio, dos jornalistas independentes, dos jornalistas chapa-branca, dos militares e até opiniões populares, mas desisti depois da manchete de ontem da Folha de S. Paulo. O caso é muito mais sério, muito mais grave, do que nossos parcos conhecimentos de sociologia, filosofia, jornalismo ou ciência política podem supor. Mais da metade das vítimas da violência nos dias da greve da PM em Salvador foram mortas com tiro na cabeça. Isso é extermínio. Não aconteceu nada parecido no Afeganistão, no Iraque ou no Oriente Médio. Nada. Mataram mais gente aqui do que normalmente se mata lá, com requinte de crueldade. Há de haver alguém responsável por isso. A Bahia não merece ser palco da barbárie e depois abrir suas perninhas sagradas para receber multidões alucinadas em busca de alegria animada por supostos músicos caça-níqueis. O carnaval não está acima de tudo, como parecem pensar os apresentadores de telejornais. A realidade da vida não pode ser edulcorada para os queridos telespectadores. Nós estamos, sim, dentro de um barril de pólvora. O resto é sorriso dissimulado de âncoras.  

Bola furada

Falcão e Cerezzo, dois grandes ex-jogadores, decepcionaram em suas estréias na Bahia. Os dois são agora treinadores retranqueiros, interessados primeiro em não perder de jeito nenhum. A torcida baiana, talvez a mais fiel do futebol brasileiro, tinha esperança de ver futebol arte, mas ficou mesmo com o atual futebol farsa. A imensa maioria dos torcedores de Bahia e Vitória não viu o jogo, a Globo local transmitiu ao vivo o sensacional clássico Juazeiro e Juazeirense. Alguma coisa de muito estúpido acontece entre o Departamento de Jornalismo e o Departamento Comercial da egrégia emissora e a Federação Baiana de Futebol. Não faz sentido nem como piada.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ala, lá, ô, ô, ô



Angeli, hoje, na Folha Ilustrada. Homenagem aos policiais grevistas e aos governos incompetentes.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

À francesa...

A greve da Polícia Militar continua e está contaminando outras corporações militares por todo o País. O Rio de Janeiro já está na mesma situação e há ameaças reais de paralisação também em Brasília, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. O Governo Federal, como faz com tudo que acontece no País, está tratando a greve como um problema eleitoral. Será que as autoridades não sabiam do perigo de um movimento grevista nacional na principal força armada do País para o trabalho de segurança ostensiva? Por que o Governo Federal e os estaduais não podem pagar salários mais justos aos seus servidores, principalmente a estes que estão com um revólver na cintura em defesa da sociedade? Acertou quem respondeu que movimentos grevistas só interessavam aos atuais governistas quando estes estavam na oposição. Hoje eles são governo, os grevistas viraram inimigos da ordem e do progresso.
A ameaça de insegurança absoluta que paira sobre a realização das duas maiores festas populares do planeta não está sendo devidamente divulgada pela mídia de comunicação, principalmente as emissoras de televisão. O caso é gravíssimo e não pode ser considerado apenas uma questão comercial publicitária. Tudo que o governo venha dizer a respeito é mentira. Se a população não pode contar com a Imprensa pra saber a verdade dos fatos, a quem iremos recorrer? Devemos chamar o ladrão? Mas nós já sabemos que ladrão hoje veste paletó Armani e trabalha, ou melhor, rouba dinheiro público em algum Ministério de Brasília. Estamos sós.  
Vocês por acaso leram ontem a entrevista que a primeira-dama da Bahia, Fátima Walker, deu a Mônica Bergamo, da Folha? Não? Não perderam nada de sério, mas deviam ter lido para entender melhor o pensamento ilógico de políticos farsantes. Reproduzo duas perguntinhas e as respectivas respostas inacreditáveis e aterrorizantes.
Há notícias de 120 mortos.
É. Mas tá tranquilo, o Carnaval continua. Moraes Moreira fez um show maravilhoso [no sábado], não teve problema nenhum.
Mas esse aumento de crimes, assassinatos...
As pessoas se aproveitam nos lugares mais... Em Salvador, a gente tem sofrido muito por conta da própria prefeitura. Mas olhe só, te dou uma notícia melhor mais tarde. Tá tendo uma reunião agora. Tomara em Deus que acabe isso logo hoje.
Maravilha. Maria Antonieta não teria se saído melhor...