terça-feira, 6 de março de 2012

Blindagem técnica

Nunca na história desse País um governo foi tão blindado pela mídia de comunicação. Nunca. Nem no tempo da ditadura militar, quando as empresas jornalísticas viviam ajoelhadas diante dos generais e certos artistas faziam números de circo mirabolantes (lembram do filmete do trapézio, de Nélson Pereira dos Santos, para exaltar o governo Médici?). A tal governabilidade que tanto justificou os desabridos golpes de caratê político de Lula nas relações institucionais parece ser o material principal dos escudos erguidos pelos telejornais, por exemplo, para evitar qualquer tipo de saia justa para o Governo Federal. A Globo, com certeza maior representante deste grupo de voluntários da pátria, faz jornalismo pontual nos impasses políticos, sem opinião, meio amórfico, quase distraído. Os governistas, na verdade, queixam-se de barriga cheia. O marco regulatório proposto pelos ex-guerrilheiros de festim do governo petista seria muito menos eficiente do que o atual silêncio da alienação.
Um exemplo. O noticiário de ontem, no Jornal Nacional, sobre a crise entre o governo brasileiro e a Fifa. A reportagem, conduzida por um veterano repórter do qual, graças a Deus, esqueci o nome, não abordou os dois principais pontos do assunto: o Brasil não está realizando as obras fundamentais de infra-estrutura viária e corre o risco de perder a Copa para a Inglaterra. Além de ter sido uma matéria claramente favorável à indignação do governo brasileiro e contra as críticas da Fifa, a reportagem passou ao largo dos pontos principais. A questão é política, complicada, cheia de nuances, mas está sendo fartamente debatida pela crônica esportiva. Há, pois, informações e opiniões suficientes para se compor um quadro compreensível para os queridos ouvintes. Felizmente, para todos nós que curtimos futebol, o caso deve dar em nada e a Globo continuará colocando generosas colheradas de açúcar no chazinho de boldo servido aos telespectadores todas as noites.

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