Nunca na história desse País um governo foi tão blindado pela mídia de comunicação. Nunca. Nem no tempo da ditadura militar, quando as empresas jornalísticas viviam ajoelhadas diante dos generais e certos artistas faziam números de circo mirabolantes (lembram do filmete do trapézio, de Nélson Pereira dos Santos, para exaltar o governo Médici?). A tal governabilidade que tanto justificou os desabridos golpes de caratê político de Lula nas relações institucionais parece ser o material principal dos escudos erguidos pelos telejornais, por exemplo, para evitar qualquer tipo de saia justa para o Governo Federal. A Globo, com certeza maior representante deste grupo de voluntários da pátria, faz jornalismo pontual nos impasses políticos, sem opinião, meio amórfico, quase distraído. Os governistas, na verdade, queixam-se de barriga cheia. O marco regulatório proposto pelos ex-guerrilheiros de festim do governo petista seria muito menos eficiente do que o atual silêncio da alienação.
Um exemplo. O noticiário de ontem, no Jornal Nacional, sobre a crise entre o governo brasileiro e a Fifa. A reportagem, conduzida por um veterano repórter do qual, graças a Deus, esqueci o nome, não abordou os dois principais pontos do assunto: o Brasil não está realizando as obras fundamentais de infra-estrutura viária e corre o risco de perder a Copa para a Inglaterra. Além de ter sido uma matéria claramente favorável à indignação do governo brasileiro e contra as críticas da Fifa, a reportagem passou ao largo dos pontos principais. A questão é política, complicada, cheia de nuances, mas está sendo fartamente debatida pela crônica esportiva. Há, pois, informações e opiniões suficientes para se compor um quadro compreensível para os queridos ouvintes. Felizmente, para todos nós que curtimos futebol, o caso deve dar em nada e a Globo continuará colocando generosas colheradas de açúcar no chazinho de boldo servido aos telespectadores todas as noites.
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