quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Unfuckinbelievable!


Vejam isso. Rock and roll da melhor qualidade. Dois demônios, um boneco branquelo e uma escultura negra –Tina Turner, lembram dela? Melhor nem reparar demais, é como uma trufa de chocolate...

O recheio do pastel

O Brasil governo federal é mesmo uma caixinha de surpresas como o Brasil país do futebol. A Folha de hoje, em matéria de Bernardo Mello Franco, diz que “O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo) decidiu que os militares acusados de torturar presos políticos na Oban (Operação Bandeirante) durante a ditadura não podem mais ser condenados porque seus supostos crimes já prescreveram. A decisão beneficia quatro ex-agentes do regime. Entre eles está o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, que foi apontado como torturador pela presidente Dilma Rousseff em depoimento à Justiça Militar, em 1970”. Afinal, em que lugar do mundo os militares seriam absolvidos num governo comandado por guerrilheiros que eles prenderam e torturaram? Por essa e por outras que nos deixam de queixo caído, ninguém acredita mais em direita ou esquerda, no bem e no mal, na dupla GreNal, na volta da Grapete, na prisão dos mensaleiros, na palavra da presidente da República, nas sentenças do Supremo Tribunal Federal, na escalação da Seleção Brasileira e nem nas canções do Chico Buarque.    

Diário da aldeia

Quarta-feira, o silêncio ainda se impõe. Coração aos soluços, cabeça aos sobressaltos, os fatos atropelam a crônica. O que foi feito da história desse País e como vai se contar o que está acontecendo de fato, quantos ladrões há no Ministério, quantos tarados há na sacristia, quantos artistas cabem na fama? Dúvidas, ah, sim, dúvidas não interessam.
Há poucos instantes notei um retrato da natureza encenado no clube defronte aqui de casa: um casal de rotwaillers estava sentado debaixo de uma frondosa mangueira sobre as patas traseiras e olhando para cima. Um bando de micos se divertia na galharia da grande árvore, inalcançáveis, enquanto os cães vigiavam atentos, na esperança de fazer justiça com as próprias garras. Dúvidas, ah, sim, dúvidas são a razão do conhecimento.
Estive em silêncio nos últimos dias porque havia problemas na fiação de telefone neste buraco suburbano onde moro em Salvador e também porque deu uma gastura, como se diz aqui na terra da magia e da desfaçatez, com a situação política do País e a incrível interpretação dos fatos pelos protagonistas, coadjuvantes, diretores e produtores da cena nacional cotidiana. Quer dizer, sem telefone e sem motivação, melhor ficar calado.
Ou, então, o que dizer diante das manchetes do dia: todos os assessores da Câmara Federal ganham sem trabalhar, Sílvio Santos usou música por 40 anos sem pagar o autor, o médico libanês estuprador continua foragido, os ministros Carlos Lupi e Mario Negromonte ainda são ministros, Corinthians ou Vasco, ui!, será o campeão brasileiro de 2011, o meia atacante Marcelinho Paraíba está preso por estupro, Ronaldo Gordo será o comandante do comitê organizador da Copa do Mundo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que futuro do PSDB é mais incerto que o do euro, a celebridade A deu pra celebridade B que é o verdadeiro pai da celebridade C que mandou matar a celebridade A porque quer todo dinheiro da família e no final todas as celebridades estarão sorrindo felizes na festa de fim de ano da Globo.
O mundo, então, nunca esteve tão hilariante e assustador. Agora é o primeiro mundo que sofre com a crise econômica, os emergentes são todos prósperos milionários. A revolta popular da internet chegou às portas de mais um palácio do mundo árabe, o governo sírio deve cair de podre nas próximas horas. Aumenta o número de gregos que vivem no berço da humanidade debaixo de monumentos artísticos nas ruas de Atenas. O povo iraniano invadiu e saqueou a embaixada britânica em Teerã. E deve ser mentira, claro, que Lula e Chavéz são juntos o maior câncer da história dessa América tão latina.   

Como te chamas?

O Estado de S. Paulo divulgou esta semana uma pesquisa muito interessante sobre os nomes dos brasileiros. Há revelações que desmentem verdades populares como aquela que diz que João é o nome mais usado no País. Não é. Perde feio para José e Antonio. E as Marias são absolutas. São mais de 13 milhões. Há outras surpresas. A lista dos primeiros 48, na ordem dos mais usados:
Maria, José, Antonio, João, Francisco, Ana, Luiz, Paulo, Carlos, Manoel, Pedro, Francisca, Marcos, Raimundo, Sebastião, Antonia, Marcelo, Jorge, Márcia, Geraldo, Adriana, Sandra, Luis, Fernando, Fábio, Roberto, Marcio, Edson, André, Sergio, Josefa, Patrícia, Daniel, Rodrigo, Rafael, Joaquin, Vera, Ricardo, Eduardo, Terezinha, Sônia, Alexandre, Rita, Luciana, Cláudio, Rosa, Benedito e Leandro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os alvos



Tira de Angeli, na Ilustrada de hoje, dia em que foi anunciada a absolvição de um PM acusado de matar a tiros, por engano, um menino de três anos de idade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vrrruuuummmm

A Fórmula 1 é o maior evento esportivo internacional que ocorre anualmente no País. O autódromo de Interlagos é um dos mais tradicionais de todo o circuito mundial e o que tem a pior infra-estrutura. Agora mesmo foram consumidos cerca de R$ 60 milhões em obras de restauração e soube-se hoje que o sistema de saneamento não é completo, falta rede de esgoto.  Os dejetos são depositados em fossas e a retirada por sucção libera um mau cheiro insuportável em toda a área. Um exemplo péssimo para um País que vai sediar a próxima Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de 2016. E também uma prova de que a incompetência administrativa não é privilégio dos governos do PT e de partidos da base aliada, está muito bem acomodada na oposição, no caso no PSD novinho em folha do prefeito Gilberto Kassab.    

Contramão da lógica

Não há coisa mais chata neste mundo de Deus do que Governo descompassado com a realidade do povo. O governo de Brasília, Distrito Federal, do qual nos acostumamos a ver envolvido em trambicagens e roubalheiras com os três últimos governadores, quer agora dar um drible no imaginário popular. Não satisfeitos em desviar dinheiro dos cofres públicos, os governantes querem impor imagens nos sonhos do povo. O estádio Mané Garrincha, reformado para a Copa do Mundo, corre o risco de ser rebatizado com o nome de Estádio Nacional de Brasília. Um insulto ao povo do país do futebol. Estádio Nacional é típico nome do tempo do totalitarismo soviético no leste europeu, coisa de comunista demagogo, coisa da gentalha sindicalista que está sangrando o país.   

Jingle béu


Fernando Gonzales, na Ilustrada, se divertindo com Papai Noel

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Petistas e brigadianos

A Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul sempre foi uma instituição séria. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul também. Mas as últimas décadas de intenso combate político ideológico na terra que já foi um país mudaram o caráter dos protagonistas e até mesmo a liturgia dos cargos públicos. Hoje, e isso não é piada, o governador do Estado assinou um decreto concedendo a Cruz de Ferro da Brigada Militar a ele mesmo. É. O governador Tasso Genro e o comando da Brigada passaram o ano às turras por conta de melhoria salarial e agora no apagar das luzes resolvem acender uma enorme pira em formato de pizza para festejar acordos políticos. Bento Gonçalves deve estar se virando na tumba como um galeto de padaria. Eu, de minha parte, como gaúcho, não vou sair de casa hoje nem atender telefone. Estou envergonhado.

Na praça e na banca

Manchete da Folha de S. Paulo de hoje é quase um três por quatro da nova realidade da política e da comunicação internacional. Quer dizer, mudou o comportamento das massas e dos redatores de jornais. O rapaz da Folha escreveu “Egípcios voltam às ruas, e governo pede para sair”. Isso é, sim, o retrato do novo mundo, na ação pública e na linguagem jornalística. Se ainda existisse o Jornal da Bahia, por exemplo, e lá estivesse eu e minha turma como centenas de anos atrás, a manchetinha talvez fosse algo como “Agora quem manda é a galera”. Venderia bem no Terreiro de Jesus, assim como a Folha deve ter esgotado na Mooca.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De bate-pronto

O anônimo voltou a comentar no post sobre futebol. Beleza. Ele agora veio fantasiado de viúva de Dunga, quem diria? Relacionou os grandes feitos do capitão do tetra como treinador, duas ou três vitorinhas para a alta capacidade do futebol brasileiro. Chamei Dunga de burro porque ele se revelou um sujeito autoritário, arrogante, intransigente e intolerante para comandar o maior time de futebol do mundo. Foi Dunga que manteve Júlio César no gol, fez de Felipe Melo o xerife do meio de campo, inventou Daniel Alves como meia-armador, Michael Bastos como laeral-esquerdo e Grafite como alternativa de centroavante. E foi a grande defesa armada por este gênio que tomou dois gols de linha de passe de cabeça dentro da área pequena em uma semifinal de Copa do Mundo. Dunga, nunca mais.

Galinheiro nacional

Os políticos, que até agora pareciam imbatíveis no ranking da corrupção, correm o risco de perder a vez para os juízes. A Corregedoria Nacional de Justiça anunciou que está investigando 67 juízes suspeitos de enriquecimento ilícito. A moeda, nos casos, é a sentença judicial. Pelo que se sabe extra-oficialmente nas esquinas da vida, esse número de acusados é mínimo. Só no Tribunal de Justiça da Bahia tem mais de uma dúzia. Imagina em São Paulo, Alagoas... Os policiais não entram nesta conta por que se caracterizam como caso de crime organizado.

Bola que rola

Futebol brasileiro. Está saindo melhor que a encomenda. Campeonato por pontos corridos, quando há equilíbrio de forças, é mais emocionante que mata-mata. Faltam apenas duas rodadas para o fim e há três times com chances reais de título. Não acredito que alguém arrisque o rico dinheirinho em alguma aposta se não for torcedor diretamente interessado, ou do Corinthians ou do Vasco ou do Fluminense. E vale o mesmo para a ponta de baixo da tabela. Cai quem não conseguir ficar de pé. Simples assim.
- Corinthians e Atlético Mineiro fizeram um jogo de alta tensão. O elenco do timão fez a diferença. Com três atacantes da categoria de Liedson, Emerson e Adriano fica mais fácil...
- Pouca gente fala ou sequer observa, mas Emerson, o Sheik, é com certeza o jogador mais importante desta arrancada final do time mais antipático do País. Nas três últimas partidas ele cavou os gols decisivos, marcando ou dando assistência.
- O Botafogo desandou como maionese em quermesse.
- O Internacional está beliscando uma das vagas para a Libertadores. Grande vitória de Dorival Junior e seu timinho de argentinos.
- O Fluminense vem que vem. Deco, Fred, Rafael Sobis e Marquinho fazem a diferença. A zaga é firme, os volantes são bons, os dois laterais são muito eficientes e o treinador tem estrela. Um time para ser campeão com méritos.
- O Figueirense vinha que vinha. Faltou elenco. Tem apenas um jogador de alta qualidade, o lateral direito Bruno. O treinador mostrou que é competente e merece treinar um clube mais estruturado, apesar do passado recente de capanga de Dunga, o burro.
- O Vasco está forçando ao máximo suas possibilidades de chegar ao título. Aparentemente não dá, mas craques como Dedé, Felipe e Juninho Pernambucano são capazes de decidir um campeonato.
- O Brasileirão é tão bom que o melhor time, o Santos, está em posição intermediária. Os melhores jogadores de todo o campeonato, Neymar, Ganso e Borges não estarão na vitrine final. Mas em compensação terão grande chance de brilhar no cenário internacional contra o supostamente imbatível Barcelona. Será um belo jogo para fechar um grande ano para o futebol mundial.
- E o Flamengo? Acho que está claro que Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves estão fora de posição, não são atacantes nem armadores, na verdade tática não podem jogar juntos. Os jogadores da base do clube são dos mais promissores do País, como Muralha, Tomaz, Adrian, Negueba, mas estão sendo sub-utilizados pelo treinador Wanderley Luxemburgo. Se ficar fora da Libertadores, roda todo mundo.

Meia volta, volver

A Anistia Internacional está de volta ao Brasil. A situação dos direitos humanos é muito melhor do que no tempo da ditadura militar, claro, mas surgem novas ameaças ao bem-estar comum. Nas últimas décadas, o Brasil cresceu, se robusteceu economicamente, e assumiu posição de destaque no cenário internacional. O gigante está despertando. E isso aumenta a responsabilidade dos governantes. E, lógico, o interesse das entidades internacionais para dar palpite na vida da gente.
A Anistia volta ao País para ajudar a enfrentar a gravíssima questão da segurança pública. O alvo da ONG mais famosa do planeta não é o tráfico de drogas, considerado pelas autoridades nacionais como nosso maior problema, mas sim as milícias nos subúrbios do Rio e São Paulo. Esses grupos paramilitares crescem mais, proporcionalmente, que o “exército” de traficantes e o efetivo das Polícias Militar e Civil.
A volta da Anistia ao Brasil é uma linda e vistosa saia justa para o governo, mas também serve como confortável camiseta de algodão para nós, os descamisados brasileiros.

Prato fundo

O apetite dos políticos profissionais pelo poder é insaciável. Eles são capazes de qualquer tipo de manobra para pegar mais uma fatiazinha do bolo. Sempre foi assim. Mas agora piorou um pouco, com a chegada à linha de frente da disputa política eleitoral nacional da ala sindicalista do Partido dos Trabalhadores. Estes são vorazes, famintos, se comportam no processo democrático como cães brigando por um pedaço de carne. Ética, moral, qualquer princípio de valores sociais valem coisa nenhuma. Os petistas acreditam que podem tudo, pois acreditam que seus objetivos são mais elevados do que o dos outros, eles querem um novo Brasil, mais justo, igual, generoso e soberano. Quem não concordar com isso, ou pelo menos desconfiar desses propósitos tão altos em um partido que usa a corrupção como instrumento político, está fora do barco do futuro, é inimigo.
Hoje, no noticiário político dos principais jornais (falo de Folha, Estado e Globo, realmente independentes do governo), há dois exemplos claros: A rede Canção Nova, emissora de TV a cabo do grupo católico Renovação Carismática, tirou do ar os programas apresentados por políticos e o ministro Fernando Haddad, da Educação!, mergulhou de vez na campanha pela prefeitura de São Paulo.
O primeiro caso é alarmante. O deputado Edinho Silva, presidente estadual do PT, estreou programa de entrevista justamente com seu mentor político e porta-voz oficial do ex-presidente Lula, ministro Gilberto Carvalho. Os católicos se revoltaram. A direção da emissora resolveu tirar todos os políticos do ar.
O segundo caso é exemplar. O ministro Haddad está em plena campanha eleitoral na capital paulista. Ele quase nem vai mais a Brasília e deve sair do Ministério antes da anunciada reforma de janeiro. Há quatro meses que Haddad despacha de São Paulo as decisões administrativas daquele que deveria ser o Ministério mais importante do Governo Federal.    
Agora imagine se esses dois casos fossem protagonizados por gente da oposição. No mínimo, o voz da época diria que esses ladrões são insaciáveis...

domingo, 20 de novembro de 2011

Em nome da verdade

O lançamento da Comissão da Verdade para debater a repressão aos movimentos extremistas na ditadura militar tirou mais um véu da vistosa máscara democrata progressista que o Governo usa nos eventos políticos históricos. Os reais interesses da democracia no Brasil esbarram na tênue relação entre guerrilheiros e oficiais militares de ontem com políticos eleitos e generais de carreira de hoje. Na sexta-feira, em uma reunião antes do lançamento da Comissão, a presidente da República e seus mais próximos colaboradores, como Cardoso, Amorim, Carvalho e Franklin, diante da suposta reação contrária dos militares à fala da filha do ex-deputado Rubem Paiva, morto pela repressão, decidiram que ninguém falaria na cerimônia, apenas Dilma. A explicação foi tão simples quanto incompreensível: os parentes de mortos e desaparecidos não falariam para que os militares também não tivessem direito à palavra. Uma decisão no pior estilo da política sindicalista. Afinal, houve uma guerra no País, é mais que natural que agora, em tempo de liberdade absoluta, haja um grande debate nacional sobre o que de fato ocorreu na ditadura militar, e que os dois lados sejam ouvidos. Por que, de repente, a democracia brasileira é relativa? Todos nós temos direito de saber o que houve de verdade nos anos negros da República. A decisão da presidente Dilma impõe uma pergunta objetiva:
O que um militar tem para falar que nós não podemos ouvir?

Tudo dominado

O Brasil caminha célere para ser o campeão mundial de nascimentos por cesarianas. Isso se já não for o primeirão, pois não há dados estatísticos internacionais a respeito. Hoje, a Folha publica em manchete de primeira página que pela primeira vez na história desse país, as cesarianas superaram os partos normais. Os números são impressionantes. As cesáreas já chegam a 80% no setor privado, quando o recomendável pela OMS é de 15%. Os motivos são claros: faltam leitos nos hospitais públicos e os planos de saúde preferem as cesáreas porque são mais rentáveis. Gravidez virou bom negócio para os comerciantes da saúde pública. Até o Ministério da Saúde considera que o SUS está contaminado e essas taxas refletem uma "epidemia".

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque hoje é sábado

Uma luz azul me guia até o caminho depois das pedras. Danço nas ruelas do Jardim das Margaridas como Mick Jaeger in the simpathy for the devil e ninguém repara. Não há ninguém nas ruas, só há pessoas. As manhãs já não servem pra nada como antigamente. As manhãs agora tem sentido, não se perde mais tempo em imaginar. Já não há antigamente. Estamos na vanguarda do futuro, com os mesmos hábitos. Deviam vender livros nas prateleiras das padarias. Crianças deviam brincar de samba de roda nas calçadas. As mulheres bonitas deviam andar nuas. De volta à luz azul, descubro que hoje é dia de festa da torcida Bamor, do Bahia, no clube em frente a minha casa. Ligaram o som. É axé... De hoje eu não passo.    

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Notícias da quitanda

O melhor indicador para medir situação política de um País é a relação entre o chefe do governo e a Imprensa. Se a situação é tranqüila, entrevistas, fotos, bate-papo informal, muito bom humor. Se a situação é intranqüila, portas fechadas, telefones mudos, fontes desaparecidas, cenhos franzidos. É batata.
A cerimônia de ontem, em Brasília, de lançamento de um programa nacional para pessoas deficientes acendeu em definitivo o sinal vermelho na relação entre Governo e Imprensa. Os repórteres simplesmente não tiveram acesso ao evento, apenas fotógrafos e cinegrafistas. Dilma não quer correr o risco de enfrentar alguma pergunta desagradável. Isso é um traço claro de autoritarismo e intolerância. Faz parte do receituário de ditadores e tiranos amedrontados, não tem nada a ver com democracia. É jiló.     

Bola que rola

Interessante o fecho da rodada de meio de semana do campeonato brasileiro. O Figueirense, quem diria, está no páreo. Hoje, há cinco times credenciados ao título e oito brigando pelas cinco vagas da Libertadores. A disputa por uma vaguinha na Sul-Americana também é uma guerra, mas não tão animada quanto a do rebaixamento. A ponta de baixo da tabela será disputada a tiros e facadas.
Ontem, o Flamengo não teve punch para bater os barrigas verdes. Jorginho, capanga de Dunga na última Copa, arrumou seu timezinho melhor que o do Wanderley e só não levou os três pontos por que o goleiro reserva do Fla pegou um pênalti.   
O melhor time do Brasil na atualidade, o Santos, está visivelmente incomodado com o notório equilíbrio de forças do Brasileiro. Ontem, com time completo, quase perde para o Atlético Goianiense.
O gladiador Kléber vai mesmo para o Grêmio. Acho bom negócio para um time que precisa de um centroavante eficiente, mas soube ontem à noite que grande parte da torcida do imortal está contra a compra. O polêmico atacante custará R$ 6 milhões por um ano de contrato, pagáveis a quinhentinho por mês. É muita grana. Vai ter que fazer gol até quando estiver dormindo na concentração.
Os juízes podem desequilibrar o jogo. Nunca se viu tanto árbitro incompentente. São, como se diz, erros clamorosos. é melhor a CBF encontrar uma solução rápida, antes que os torcedores tentem fazer justiça com as próprias mãos... 

A dança dos farsantes

Sexta-feira, mais um dia para achincalhar o ministro Carlos Lupi e o Governo Federal. As denúncias são de fonte cristalina, transparente e inesgotável. Lupi não é o pior dos quadrilheiros nem o mais cara de pau e nem o mais encrencado. Ele é, isto sim, o mais burro, o mais despreparado, o mais desqualificado e o mais truculento. Nada, absolutamente nada em seu currículo indica a mínima qualificação para ser ministro do Trabalho e Emprego. Sua expressão de débil mental caricaturado, sempre mentindo como um estelionatário autuado em flagrante, não convence ninguém. A única coisa realmente inexplicável neste episódio interminável é a falta de ação da presidente Dilma. Por que Dilma não demite Lupi? Na verdade dos fatos, parece que ela não tem esse poder. A fantasia que Lula emprestou até 2014 não dá direito a decisões. Dilma e seu governo, a cada dia que passa, parecem uma bruxa de pano brincando de roda com um bando de duendes e fadas falsificadas.      

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Filme matinal

Cena terrível às oito da manhã, hoje, no Bom Dia, Brasil. A câmera interna de um banco flagrou o assassinato de um homem que tentava fazer um saque eletrônico. Foi nos exibido então um filme de 30 segundos do mais puro terror por que passam pessoas atracadas na rua ou, como no caso, dentro de uma agência bancária. Viu-se claramente que o homem tentou impedir que o ladrão fugisse levando sua carteira de documentos e acabou recebendo dois tiros à queima-roupa. A seqüência da cena foi ainda mais terrível, flagrada agora pela câmera externa do banco. O homem sai cambaleando para a rua à procura de ajuda, mas não resiste, cai na calçada. Aparecem algumas pessoas. Uma mulher olha por dois segundos e depois entra no banco. Chegam mais pessoas. Dezenas. São apenas curiosos, ninguém sabe o que fazer. A vida segue. Menos para o homem estendido no chão. Ele já está morto. O ladrão assassino fugiu. E o noticiário seguiu atrás de outros assuntos. Não desceu o pano, este filme não tem fim.

Bola que rola

Futebol. O bicho está pegando bonito. Nunca se viu tanto equilíbrio assim. O Corinthians está com as mãos esticadas para a taça, mas ninguém aposta no alvinegro paulista. O Vasco rateou contra o fraco Palmeiras, mas tem fôlego –e elenco– para o sprint final. O Fluminense, com Deco e Fred, está chegando com sorriso de campeão. O Botafogo era mesmo só uma farsa e o Flamengo uma fantasia. Na ponta de baixo da tabela, dá pena de ver o esforço tardio do América mineiro e a sinuca de bico no Avaí. O Grêmio e o Bahia... Bem, esses dois são questão de paixão, dependem da grandeza do coração de cada torcedor.

O lobo e a ovelha

Minha mãe se habituou a dizer, há uns cem anos atrás, quando eu e meu irmão fazíamos alguma esculhambação em casa, que “esses meninos dão o tapa e escondem a mão”, e quanto a mim era ainda mais implacável: “esse guri tem outro por dentro”!  
Duas caras. Isso que minha mãe queria dizer com "outro por dentro". Quando a gente desconfia de alguém que não mantém a palavra ou que muda de opinião de uma hora para outra, costumamos dizer que o sujeito tem duas caras. Eu mesmo sempre desconfiei que Lula fosse esse tipo de gente. Há toneladas de exemplos de contradições evidentes entre o que ele disse em campanha eleitoral e o que fez realmente no poder. Sua relação com Sarney, Collor, Calheiros e os partidinhos da base aliada são provas irrefutáveis de manipulação de personalidade.
Hoje, ou melhor, desde ontem está provado que Lula tem mesmo duas caras. Dona Marisa Letícia caprichou no barbeador e revelou ao mundo a verdadeira face, limpa, escanhoada, do eterno presidente Lula. É até simpática, com aspecto mais jovem, ainda mais em pose com sorriso para foto oficial. Lula, como bem se sabe, ainda não foi capaz de tirar a fantasia de presidente e se manifesta através de notas e fotos oficiais, por isso não houve sessão de fotos nem entrevista coletiva. A questão agora é saber, de fato, qual é cara real de Lula, se a barbada ou a raspada.
Tenho a impressão de que esta cara sem barba nem cabelo é a cara que negociou fatias do governo com Sarney, empregou Antonio Palocci, José Dirceu, Erenice Guerra, Orlando Silva, Carlos Lupi e todo o resto da quadrilha, além de esvaziar o ensino público e a saúde pública. A cara com barba equilibrou as finanças nacionais de acordo com a evolução da economia internacional, estimulou a abertura do sistema de crédito para todos e estabeleceu programas assistenciais que melhorou a vida dos mais pobres e diminuiu, enfim, a desigualdade social que imperava “nesse País”.
Espero que a barba volte a crescer e que, afinal, prevaleça apenas uma cara na cara de quem manda mesmo no governo do Brasil.     

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O fim não começa hoje

Quarta-feira de cinzas. Aconteceu nada no feriadão. A Seleção brasileira jogou como se fosse a Seleção do Acre, ministros corruptos continuam agarrados no osso duro, descobriu-se que 17 Estados não cumprem a lei salarial do professor, protesto contra corrupção em Brasília reuniu 30 pessoas, estudante bêbado provocou acidente e fugiu pro bar. E o sol voltou a brilhar na Bahia. Começou o verão.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A dança dos punhos


Isto é boxe. Luta, jogo, esporte. Nada a ver com vale-tudo. Aquilo é briga de rua, pancadaria, instinto selvagem. Neste vídeo, enviado ao Sabiá por Pascoal Gomes, Joe Frazier vence Muhammad Ali, no 15º round, por nocaute. Um clássico nostálgico. Frazier morreu semana passada, Ali mal se mantém vivo, e o boxe quase nem existe mais.  

Ninguém merece

O foguetório festivo que a rede Globo de televisão preparou para saudar sua nova atração inventada pelo departamento comercial, as lutas de vale-tudo do UFC, acabou em estrondoso chabu. Nem o esquentamento promovido em todos os canais e programas da emissora durante a semana, como telejornais, entrevistas e até novelas, e nem a narração emocionada de Galvão Bueno salvaram o espetáculo. A transmissão na madrugada de sábado rendeu um ponto a menos na média de audiência para o horário. Bem feito. Talvez o resultado inesperado leve a Globo a repensar esta nefasta intenção de transformar violência pura em atração esportiva para a juventude.  

A República da fantasia

Um abacaxi do tamanho de uma anta amanheceu sobre a mesa de trabalho da presidente Dilma. Ainda bem que hoje é feriado, sintomático dia da proclamação da República, a senhora mandatária não irá despachar no Palácio do Planalto. Amanhã, entretanto, o abacaxi continuará lá quando ela chegar para o trabalho. Não dá mais para disfarçar nem empurrar com a barriga até janeiro, na reforma ministerial. O abacaxi tem que ser descascado agora –ou simplesmente jogado no lixo.
O ministro Carlos Lupi não pode mais nem ser ouvido sobre as denúncias no Ministério do Trabalho e Emprego. Ele mente nas respostas. E mente na Justiça, na Polícia, no Congresso e certamente cara a cara com Dilma ou com quem quer que seja. Mentiu quando disse que não tinha viajado no avião de um empresário-estelionatário, mentiu de novo quando afirmou que não conhecia o empresário-estelionatário e mentiu ontem outra vez quando disse que a situação dos repasses para os sindicatos fantasmas do Amapá era legal.
Se o ministro não cair no mais tardar amanhã, a presidente Dilma terá dificuldade para manter a máscara da gerente durona, implacável, justa e bem intencionada com que tenta disfarçar a sina de tampão do terceiro mandato.  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Bola que rola

Difícil encontrar um adjetivo para classificar este momento do campeonato brasileiro de futebol. Difícil. O certo, entretanto, é que está bom demais. O modelo de pontos corridos, com os quatro primeiros colocados garantindo vaga para a Libertadores e os quatro últimos sendo rebaixados para a série B, impõe alta competitividade entre todos. Ninguém vence ninguém antes do apito final. Quem chegar à frente, chegou, não há surpresas. E quem cair, caiu, também não haverá grandes sobressaltos. A cada rodada, as duas bocas deste funil maluco estão estreitando. Vi alguns jogos e li sobre todos. E meto minha colher virtual:
- O Fluminense sem Deco é um timeco. Ou pelo menos igual a todos os outros. O América mineiro, lá na outra ponta da tabela, parece ter uma melhor postura tática e muito mais combatividade de seus jogadores. O Engenhão lotado viu a carroça desfilar diante dos bois.
- O Bahia ganhou três pontos decisivos nesta altura do campeonato. Na casa do adversário, um Atlético bem conceituado pela crônica, o tricolor fez justiça ao aço do apelido. Fez seu gol no primeiro tempo e segurou o resultado até o fim.
- A Bahia deve ter dois representantes entre os 20 maiores clubes do futebol brasileiro no próximo ano. É uma espécie de volta ao futuro. A massa tricolor e rubro-negra espera que os dirigentes consigam montar times competitivos.
- O Flamengo foi a grande vítima ontem da tal igualdade entre todos os competidores. O time do Coritiba é muito bom. A defesa é firme e eficiente. O meio do campo marca como cão treinado e os armadores armam em velocidade, com Marcos Aurélio, Rafinha e Davi. O Flamengo levou dois nocautes logo no primeiro tempo, em jogadas de pura desatenção da defesa, mas também foi bastante prejudicado pelo árbitro, indeciso, confuso e mal preparado. Ronaldinho jogou coisa nenhuma e Thiago Neves conseguiu ser pior. Leonardo Moura merecia ter a cabeça raspada com máquina zero.
- O Corinthians está chegando ao título com vitórias homeopáticas. Tite sabe que o fundamental a esta altura é não perder. A vitória fica por conta da qualidade dos atacantes. Ontem, o Sheik resolveu de novo. Sem grandes jogadores, ninguém ganha título. Por isso eles valem as fortunas que ganham. E merecem.
- O Vasco parece ser o mais determinado na busca pelo título. Um bom elenco e uma aura mística sobre a comissão técnica estão levando o timezinho de São Januário aos chamados píncaros da glória. Dedé, o zagueiro arrogante e mascarado, está matando a pau, e nos enche de esperança quanto à zaga da seleção. Ele e Thiago Silva dispensam volantes.
- O Cruzeiro respirou fundo em cima do Internacional. Time por time, o colorado é bem superior, mas ontem estava sem seu centroavante de ofício, Leandro Damião, e não teve força para chegar ao gol. Tinga errou dois, cara a cara com o goleirinho Fábio.
- O Rio Grande não terá representantes na próxima Libertadores. Isso é sinal de decadência do futebol gaúcho. Fora os argentinos uruguaios comprados em promoção do mercado, Grêmio e Inter não tem caixa para contratar craques, ou seja, estão fora da briga por títulos.
- O que aconteceu no Olímpico ontem? Acertou quem respondeu algo como “o encontro das antas Scolari e Roth”. Os dois treinadores parecem que armaram seus times de olho no emprego um do outro. E é mesmo bastante provável que no próximo ano um enfrente o outro de camisas trocadas, Scolari no imortal e Roth no verdão. Quem duvida?     
  

Entre flores e algemas

A ocupação da Rocinha pelas forças de segurança neste fim de semana foi um espetáculo cívico dos governistas e da mídia de comunicação. Os mocinhos venceram os bandidos, sem sequer dar um tiro, e gritaram bordões ufanistas e hastearam a bandeira da Pátria e cantaram o hino nacional, desta vez sob a mira das câmeras de jornais e tevês. A tropa demorou 30 anos para subir o morro. Trinta anos. Durante todo este tempo a comunidade da Rocinha cresceu entre fuzis e trouxinhas de maconha e papelotes de cocaína, num verdadeiro parque de diversões para os jovens desajustados da Zona Sul do Rio, com a cobertura de policiais que freqüentam com cínica desenvoltura os dois lados do crime e da ordem. Agora, de uma hora para a outra, está decretada a paz, bandido pra lá, morador pra cá, Polícia de olhos bem abertos. Como se sabe, não é bem assim que as coisas funcionam na realidade da vida. Para a comunidade da Rocinha, e isto está nos jornais de hoje como a Folha e o Estado, a questão está na presença ostensiva da Polícia num lugar onde moram 70 mil pessoas acostumadas a serem tratadas como marginais pela própria Polícia. A relação não será feita de sorrisos. A Polícia cumpriu seu papel constitucional, os agentes não são exatamente heróis nacionais, como são apresentados por repórteres precipitados. E os moradores da Rocinha não são exatamente vítimas do tráfico, são pessoas que querem levar a vida com liberdade e segurança. A Polícia não está ali para ajudar, como dizem os panfletos jogados de helicóptero sobre a comunidade, está ali para garantir os direitos do cidadão. E é isto que todos nós esperamos que aconteça –e não esta comemoração espetaculosa entre policiais e jornalistas de plantão por um mísero golzinho no meio do jogo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Salve Jorge!


Recebi hoje, do iPhone de Pascoal, demora a carregar, a edição e a linguagem são antigas, chatas, mas o cenário é o Pelourinho original, antes do botox arquitetônico de ACM e do abandono absoluto de hoje. A última foto é instigante. Será que o Pelourinho tinha um aspecto melhor em 1975 do que o de agora? Pelo menos parece mais vivo. No meio, Sônia Braga e José Wilker jovens como eles só.

A vitória dos pelegos

Artigo publicado no site da CBN/Globo. Bom para reflexão dominical sobre verdades e mentiras das agremiações partidárias.

Por Lúcia Hippólito

O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.
Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT... Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento e um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

Crescimento do PT
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.

Maioridade do PT
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

Pessoas honestas e de princípios se afastaram do PT
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Junior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido..

Afinal, quem ficou no PT?
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus. Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.

Cala a boca, narrador!

Transmissões esportivas pela televisão. Não sei, não, mas parece que cada dia sai pior. Os narradores estão ali para informar o que estamos vendo na tela, mas todos eles, sem exceção, seja Globo, Bandeirantes, Sportv, Esporte Interativo, Espn, todos se dedicam a tentativa desvairada de extrair emoção do lance mais banal sem dar muita importância a realidade. Luis Roberto, ontem, no treino da Fórmula 1, passou o tempo todo anunciando aos gritos extasiados que Vettel podia bater o recorde de poles de Nigel Mansel. O que isto significa? Nada. Horas antes, na transmissão do treino livre, Lito Cavalcanti, comentarista da Sportv, disse com todas as letras que o homem a ser batido, em qualquer circunstância de corrida, era Lewis Hamilton. Bobagem crassa. Vetel ganha todas as divididas, como ganhou ontem de novo. Lewis é o homem a ser batido para quem quer ser segundo colocado. Este mesmo senhor Lito não consegue parar de falar, seja a besteira que for mesmo que esteja ocorrendo um acidente, chega a dar nos nervos. Cléber Machado, que transmitiu o jogo do Brasil e Gabão, é um chato entediado, interessado em explicar regras ou táticas sem dar muita bola para o que está acontecendo em campo. Os comentaristas de futebol, sem qualquer exagero, em todas as emissoras, são todos da pior qualidade. Quem, na verdade verdadeira, foram de fato grandes jogadores entre Casagrande, Caio, Edmundo, Denilson, Neto, Muller, Rai? Todos foram bons, lógico, mas com performances complicadas, alguns até desajustados socialmente, e não justificam hoje, no gogó, o conhecimento que tinham dentro das quatro linhas. Tostão e Falcão, sim, jogaram muita bola e sabem bem o que falam, sendo que o gênio mineiro até escreve com surpreendente desenvoltura e qualidade técnica. Mas os dois estão fora da telinha. E não se tem mesmo nenhuma alternativa. O melhor é tirar o som da tevê. Perde-se o som ambiente, mas não se ouve besteiras. Ontem mesmo um velho amigo de redação de jornal e quadra de futebol, Roberto Pontes, me ligou para se queixar do que estava vendo na tevê, Fluminense e América mineiro. Ficamos bons minutos esculhambando narradores e comentaristas e depois descobrimos que temos o mesmo método para ver tevê: sem som. E é assim, sem som, que assistimos quase tudo –até o Jornal Nacional. E não faz a menor falta. Experimente.    

De volta ao passado

Jornais online e portais eletrônicos estão mudando de layout. Um mês atrás, foi a UOL, com inexplicáveis letras azuis e uma longa avalanche de notícias com semi-celebridades. Em seguida foi a Zero Hora, sem dúvida, um passo à frente em edição eletrônica, com diagramação moderna (duas colunas para noticiário, álbum de fotos em três, menu no rodapé, etc, tudo de acordo com o figurino internacional) para valorizar o conteúdo editorial. Também a Folha online verticalizou radical e bombou o bold nos títulos. Ontem, foi a vez de O Globo.com. O modelo é o mesmo da Zero, a idéia de ficar o mais parecido possível com capa de jornal. Tudo bem, a nova primeira ficou bem melhor do que era, mas não dá para entender porque ressuscitar uma fonte arquétipo da velha Times Roman. É mais ou menos como vestir terno e gravata ton sur ton, tudo combinadinho, e enfiar um chapéu Panamá na cabeça. Fica estranho.     

Pra boi dormir...

A repórter vera Magalhães, da Folha, se esforçou ao máximo na edição de hoje para traçar um perfil administrativo da presidente Dilma Roussef, a durona, segundo a fantasia insinuada por Lula. A matéria começa perguntando “Quem tem medo de Dilma Roussef?” e responde na frase seguinte: todo mundo. Dona Vera desfia a seguir uma série de pequenos entreveros entre a presidente e alguns de seus mais próximos colaboradores. Diz a repórter que “a lista de fatores que provocam a ira da presidente vai do desconhecimento dos assuntos de governo a tentativas de enrolá-la ou dar palpites sobre áreas dos colegas”. E emenda “alguns ministros se abalam emocionalmente com os pitos”. Sensacional. A reportagem poderia ser assinada por Gilberto Carvalho. Vera foi muito feliz ao revelar intimidades palacianas, mas esqueceu dos fatos políticos cotidianos, como a incrível resistência do último quadrilheiro governista flagrado com a mão em verbas públicas, ministro Carlos Lupi. Se a postura de Dilma diante dos fatos é de uma mulher durona, as mulheres estão muito mal representadas no Palácio do Planalto.    

sábado, 12 de novembro de 2011

O país da rainha

A tal governabilidade da qual Lula tanto se valeu para justificar alianças espúrias com o que há de pior na política nacional é mesmo muito decisiva, quase um monstro de sete ou mais cabeças. A cara do monstro, hoje, é a do ministro Carlos Lupi. Como é que esse sujeito diz tanta besteira, faz tantas ameaças diretas, vocifera como um trapalhão autoritário e o governo ainda passa a mão na cabeça da besta? Por que? Por uns votinhos na DRU? Isso cheira a acordo bem mais sério, tipo você pega aqui que eu pego ali e ninguém conta nada pra ninguém. Há rios de dinheiro passando por baixo do noticiário e os governistas só estão interessados em jogar sua rede. E nós ficamos cá a pensar por que a presidente da República permite que um político sem votos faça gato e sapato do Governo e dela mesma, com piadinhas de mau gosto e expressões chulas? Dilma está sendo desnudada a cada escândalo. Não demora, a gente vai ter que dizer ih, a rainha está nua. E é um bagulho...

Bola que rola

Hoje é dia de a bola rolar no País do futebol. Mais uma rodada em que pode acontecer qualquer resultado, ou seja, nada será injusto. O campeonato brasileiro é muito equilibrado e jogado em alto nível em comparação com as peladas que se vê no futebol europeu transmitidas como grandes espetáculos. No mês que vem, o jogo Santos e Barcelona vai mostrar ao mundo quem, de fato, domina este esporte. Sou Brasil. E você? 

Diga-me o que fazes...

A Ilustrada de hoje traz uma excepcional relação da produção acadêmica de dona Ruth Cardoso. Na próxima semana, talvez saia a extraordinária coleção de receitas de cozinha de dona Marisa Letícia.

As feras

Ainda o 11 –e o futebol. O diário Marca divulgou ontem, dia 11, o que seria o 11 ideal do futebol mundial em todos os tempos. O time escalado pelos gênios da crônica esportiva espanhola não tem zagueiros nem volantes nem atacantes, só tem laterais e meio-campistas. O goleiro é do passado distante dos espanhóis, não merece nem ser citado, os laterais são Cafu e Paolo Maldini, com Beckembauer na zaga; Xavi, Zidane, Messi e Cruyf no meio, com Di Stefano, Maradona e Pelé no ataque. Garrincha ficou no banco. E nem são citados Didi, Gerson, Rivelino, Tostão, Ronaldo, Ronaldinho e Romário. Se valesse título em Copa do Mundo e performance histórica dos jogadores, me arriscaria a escalar Gilmar, Carlos Alberto, Bobby More, Beckembauer e Nilton Santos; Didi, Gerson, Rivelino e Zidane; Garrincha e Pelé. No banco, para o gol, Maradona; para o meio de campo Messi, Platini e Zico; e para o ataque Ronaldo, Ronaldinho e Neymar. É ou não é?

A voz da vez

O 11. Era lua cheia, velha inspiradora de delírios, mas deu em nada. Nada. Nem na loteria deu 11. Só Romário, o 11 mais famoso do Brasil, ganhou espaço na mídia a troco de jogar lama em Pelé. Se o baixinho falar em coisas mais sérias, será briga feia para Tiririca na eleição presidencial. Afinal, depois de Dilma e seus ministros larápios, o que vier é lucro...

Na hora do pau

A Seleção argentina deu um discreto vexame ontem à tarde, no Monumental de Nuñes, contra a Bolívia, pelas eliminatórias da Copa de 2014. O jogo, transmitido pelo Sportv, foi muito bom e revelador. A Bolívia não é cachorro morto, como pensavam os argentinos. E a Argentina não é essa Coca-Cola toda, como pensavam os bolivianos. O personagem do jogo, claro, foi Lionel Messi, às vésperas de ser reeleito o melhor do mundo. Pois não é que o baixinho foi neutralizado com certa facilidade pelos volantes cocaleros? Aos poucos, com o jogo empatado e ficando pior a cada minuto, Messi foi desaparecendo, desaparecendo, até que sumiu de vez. O cara é muito bom, evidente, mas em disputa internacional a valer são outros quinhentos. Não é a mesma coisa que jogar contra os timecos da primeira divisão espanhola. No fim, fiquei com a impressão que se Neymar não ganhar a Bola de Ouro será uma grande injustiça. Ou pelo menos uma média injustiça.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Em tempo

"Futebol. Uma pequena correção. Esse Jorginho foi meia naquela Portuguesa vice do Paulista de 85, contra o São Paulo de Cilinho e seus menudos Miller e Silas, com Falcão no banco barrado por Márcio Araújo que subiu o Bahia ano passado. O pontinha era do Palmeiras. Fez um gol de tabela com o juiz Aragão num clássico contra o Santos. Vestiu a camisa da seleção e perdeu uma final de Copa América em 83 na Fonte Nova numa noite chuvosa de quarta contra o Uruguai de Rodolfho Rodriguez e Francescoli. Foi 1x 1. Eu tava lá. Jorginho fez o gol do Brasil. Mas o empate era do Uruguai.
Abrassão.
Páscoa."

Recebi isto agora de manhã. A rapaziada tem boa memória e está de olho. Os dois esses do abrassão são homenagem ao velho Millôr. E o Páscoa é o ex-jovem jornalista Pascoal Gomes. Espero que os outros 12 leitores deste blog também se animem a postar comentários neste desabafo diário. Fica mais divertido. E exato.  

Um dia na vida

É hoje. 11 do 11 do 11.  Sexta-feira, lua minguando. Deve acontecer alguma coisa interessante, muito interessante, pelo tamanho do frisson na web. Há muita expectativa injustificável, a mídia adora futilidades que rendam notinhas intrigantes. Espero que o mar não pegue fogo, nem vire sertão, que as crianças acertem todas as questões em sala de aula, que alguém dê o tiro da justiça no larápio da vez, que a Polícia não mate mais os jovens desajustados da periferia, que os escritores escrevam, que os músicos sambem, que os farsantes percam máscaras e fantasias, que os enfermos driblem o destino, que todos nós façamos o que deve ser feito, seja lá o que for.
A Folha, como sempre, hoje aproveitou o gancho do dia para dar mais um passinho à frente em relação aos seus pares da comunicação diária. A Ilustrada encomendou e publicou 11 contos de 11 linhas de 11 autores da moda literária nacional. Dá vontade de chorar. São todos mínimos em criatividade e originalidade. Dos 11, fiz control c e control v nos dois mais jeitosinhos. Divirtam-se.
A IDEIA ÍMPAR
Dia 11/11/11, teve a ideia ímpar:
comprar um caderno grosso
e escrever nele uma mensagem
cabeça, esquecer o assunto
totalmente até 12/12/12,
quando leria a mensagem,
acrescentando algo para ler
em 13/13/13 e assim por diante,
até o dia da sua morte.
Já era 13/12/11 quando se tocou,
a anta.
SÉRGIO RODRIGUES

ASCENSÃO & QUEDA
A progressiva entrada em
operação dos condomínios
com terraço gourmet
tornou uma simples
reunião familiar aventura
arriscada e tanto mais
mortífera quanto mais avança
a noite, já que ali -a pretexto
da intolerância recíproca-
são servidas drogas químicas,
comida pesada e bebida alcoólica.
FERNANDO BONASSI

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Na ponta da língua


Recebi isto de minha filha Joana Carmo, atriz e produtora teatral no Rio. Não conhecia o Criolo Doido e estava curioso depois que soube que Chico Buarque fez referência a ele, no show em Minas. Dizem que é o futuro da MPB. Duvido. Joaninha não vai gostar nem um pouquinho, mas achei que a base da criação é apenas intuitiva, não há elaboração técnica, ou seja, o grau de dificuldade é muito pequeno. O cara reconstrói versos de Chico Buarque em Cálice, o que, convenhamos, é no mínimo uma ousadia invasiva, para não dizer uma pretensão desvairada. E quando fala por si, chora o Nordeste, o preconceito contra os nordestinos, uma velha bandeira surrada e desbotada da cultura nacional, do cordel ao mangue beach. Devia ler os poetas de verdade. Como Haroldo de Campos, pois o “mestre que me ensinou já não dá ensinamento”. Mesmo assim, gostei um pouquinho desta Lantejoulas, com um bom verso, se bem me lembro, “até os inocentes sabem que o sonho do gandula é jogar”. Assim como o sonho de quem não tem nada melhor para fazer é se declarar poeta.

Os patinhos na lagoa

Loterias. Hoje um cara de Goiás faturou mais de 20 milhões de reais, grana pro resto da vida e mais umas duas reencarnações. Minha irmã Maria da Graça, advogada tributarista na República que nunca existiu, o Rio Grande, desconfiadíssima com tudo que não seja absolutamente transparente, me encaminhou ontem um e-mail denunciando fraude na Loteria, especialmente a Mega Sena. A denúncia diz que há grupos organizados fraudando os sorteios e que a Polícia Federal tem prendido muita gente. E diz que o roubo se dá de uma forma bastante prosaica: há bolinhas menores que as outras nas esferas que indicam os números. A prova do crime estaria em sorteios que repetem até três dezenas. Não acredito. O sistema é seguro, funciona do mesmo modo em todo o mundo, e não se vê escândalos de fraude em nenhum lugar, nem aqui nem em Bogotá nem em Napoli nem em Las Vegas nem em Londres, lugares dominados por jogadores profissionais. Quanto a prender muita gente, se não deu no Jornal Nacional, não aconteceu de fato. E também esta história de bolinha menor não é garantia de que ela vá cair primeiro que as outras maiores, isto é uma questão de física, pois todas ocupam um mesmo espaço e são giradas ao mesmo tempo. E, por fim, as repetições são comuns. Dias desses, na Super Sena, repetiram-se quatro dezenas e ninguém saiu às ruas gritando que era roubo. O que há na verdade, e isso a Polícia Federal persegue passo a passo, são milionários comprando bilhetes premiados para lavar seu rico dinheirinho roubado. Não tem nada a ver com sorteio. Eu jogo quase todos os dias a muitos anos. Nunca ganhei nada significativo, só quadras na Mega e na Super e uma trinquinha ou outra na Quina. Ontem, acabei de conferir agora, botei outra vez minha pouca grana no nada. E hoje vou de novo, é dia de Lotofácil. Pode ser que a sorte me ilumine.     

Bola que rola


Duas boas notícias para quem gosta de futebol: Neymar fica no Santos até 2014 e Kléber vai para o Grêmio. Mas como quem gosta de futebol conhece muito bem o vira-vira do esporte nacional, é recomendável colocar um pezinho atrás, ou melhor, os dois. O dinheiro, única locomotiva respeitável nesta terra de arrastões, pode desequilibrar os dois negócios. O Madri dever ancorar um transatlântico de grana no porto de Santos se, por exemplo, Neymar destruir a defesa do Barcelona na decisão do mundial de clubes. E o Corinthians está prestes a abrir o cofre para ter o gladiador ao lado do imperador. É. Não tem jeito, é a força da grana que destrói coisas belas...
Só não consegue passar na minha goelinha imortal a possibilidade de o Grêmio não conseguir concretizar mais esta contratação. Seria muita “sabedoria” dos dirigentes tricolores. Se perderem Kléber, vão dar razão a Borges, que ironizou a diretoria gremista dizendo que ela “entende muito” de futebol. Só não “entende” tanto quanto a do Palmeiras, capaz de trocar Kléber por André Lima e um punhado de reais.     

No vão da escada

A Polícia é hoje a pior instituição governamental da história desse País. Logo a Polícia, num lugar em que partidos políticos são considerados quadrilhas organizadas e que traficantes e milicianos dominam bairros inteiros, com centenas de milhares de pessoas, nas duas maiores cidades da América do Sul. A Polícia Civil e a Militar estão se transformando numa das principais ameaças à sociedade. Hoje, na capa de todos os jornais e portais, a impressionante operação da Polícia Federal na Rocinha, no Rio de Janeiro. O principal traficante do local foi preso numa blitz quando tentava escapar no porta-malas de um carro com placa diplomática. Ontem, dois outros traficantes foram pegos quando tentavam fugir sob escolta policial. Se algum agente da Lei bater em sua porta hoje, não tenha dúvida, chame o ladrão.   

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Melodia matinal


Uma genialidade, Libertango, e dois gênios, Astor Piazzola e Yo Yo Ma. Se souber, dance. Se puder, sonhe.

Boneco na mira

De toda a camarilha governista que tem caído como manga podre, este ministro do Trabalho e Emprego, o senhor Carlos Lupi é, sem dúvida, o caso mais romanesco. Romanesco, como se sabe, é um adjetivozinho safado que rivaliza com teatral, cruel, sinistro, comovente e trágico para significar de fato patético. Pois este sim serve como uma luva para Lupi: patético. Com aquela cara disforme que Deus lhe deu, o ministro parece se comportar como um dos bichinhos dos Muppets ou um dos três patetas ou até mesmo tocador de agogô no trio Irakytan. Ontem ele tentou cumprir a risca o receituário da farsa prescrito por Lula a seus cúmplices e se transformou numa piada pronta. As acusações contra ele são graves, não tem explicação nem desculpa e nem muito menos perdão. Ele comanda um Ministério que promove desvio de verbas públicas para encher os bolsos de políticos estelionatários, todos estes de seu partido, claro. Lupi avisou que só sai à bala, sem dar-se conta que seu cargo não é uma possessão política. É cargo público, passível de demissão em caso de incompetência, por exemplo. Quanto à bravata de quadrilheiro, com certeza já tem gente em Brasília procurando a munição adequada, pois só se mata vampiro com bala de prata.

Saúde eleitoral

A presidente Dilma foi ontem à televisão para falar sobre a saúde pública no Brasil.
Em primeiro lugar, por que o pronunciamento repentino? Porque o índice de popularidade do senhor Lula deve ter caído ao rés do chão depois de o tratamento imediato, com cura e tudo, de um câncer na laringe. O movimento de defesa a esta provável rejeição popular, ou a vacina, como se diz em marketing político, foi muito rápida, ou deu bandeira, como se diz nas esquinas.
Em segundo lugar, o texto que dona Dilma leu foi um insulto à inteligência das pessoas. Não é possível que este governo só saiba desfiar bravatas e demagogias. Não é possível que o redator oficial só manipule dados estatísticos, só tente se apropriar de obras alheias e de circunstâncias econômicas internacionais para inflar “realizações” que não existem ou são meras promessas eleitorais. Não é possível que o rapaz que escreveu aquela seqüência de asneiras acredite que pode mesmo convencer alguém que depende da saúde pública de que tudo isso que aí está é uma maravilha e vai ficar ainda muito melhor. Seria melhor o governo ter ficado calado do que dar esta triste demonstração de desfaçatez e cinismo.
Não é minimamente aceitável que a presidente da República vá a televisão tratar as pessoas como idiotas. A saúde pública no Brasil é um caos, uma tragédia diária para pessoas que não têm plano de saúde. Esse é o fato. Essa é a verdade que não muda com sorrisos forçados e palavrório enganoso e animações gráficas fantasiosas.
O mais triste e até patético disso tudo é ver que o discurso tem a mesma base diversionária do usado pelos ministros flagrados com as mãos no dinheiro público. Eles nunca assumem qualquer responsabilidade e sempre se apresentam como verdadeiros heróis. E foi exatamente isso que dona Dilma fez ontem.      

Como é mesmo?

A chuva que não pára de cair em Salvador está enchendo o saco de qualquer cidadão, sem nenhuma dúvida, mas também está levando as pessoas a pensar um pouquinho. Menos mal. Afinal, para que valem os governos? Na capital baiana, não precisa ser adivinho, basta cair uma chuvinha e todos nós viramos patos. Todos nós sabemos que as ruas vão virar rios e as praças lagoas. O trânsito não anda, as pessoas ficam estressadas, a roda não gira. São milhões de pessoas que ficam prejudicadas. Por que não há um trabalho de prevenção dos alagamentos? Simples. Porque a Prefeitura não funciona. E isso já está muito bem refletido no índice de popularidade do prefeito. O senhor João Henrique é o penúltimo da lista dos melhores prefeitos de capitais, ou melhor, o segundo pior prefeito do País.
A situação do Estado, a Bahia, é mais ou menos a mesma. A propaganda desfila cenas frenéticas de desenvolvimento, de obras grandiosas, de benefícios extraordinários, um verdadeiro painel de maravilhas oferecido graciosamente pelo governo. Balela. Ou melhor, mentira. Publicidade enganosa. Os números do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, e do IDM, Índice de Desenvolvimento Municipal, mostram que a Bahia continua sendo um dos lugares mais atrasados do País. É triste, mas é verdade. A Bahia ocupa hoje a 21ª posição no ranking dos Estados brasileiros. Vigésima primeira em 27. Obras mínimas de infra-estrutura podem animar filmetes de tevê, mas estão longe, muito longe, de resolver as graves questões populares, como saúde, educação, saneamento, transporte, segurança. O governador parece que vive em uma dimensão muito particular, onde o Brasil, especialmente o palácio de Ondina, é um paraíso de bondades e ele mesmo um santo abençoado pelo deus Lula. A realidade não é o forte do senhor Jacques Wagner. Mas pode ser a única coisa que leve o povo a pensar um pouco mais profundamente sobre o que os eleitos fazem realmente, além de mentir e enriquecer.         

É só fim

O mundo está com nova data para acabar. E é depois de amanhã, sexta-feira. Já repararam a data? 11/11/11. Dizem que esta coincidência remete as últimas grandes tragédias, como o 11 de setembro das Torres Gêmeas, o 11 de março do tsunami no Japão, o também 11 de março do atentado em Madri e o 11 de janeiro da catástrofe da região serrana do Rio.
O blogueiro Tutty Vasques, do Estado, descobriu outro detalhe arrepiante sobre o triplo 11: “Se você acha isso tudo bobagem, aproveite para se divertir: pegue os dois dígitos finais do ano de seu nascimento, some a isso a idade que comemora em 2011 e, não tem erro, o resultado será sempre 111”. E não é que é mesmo?
Como concluiu o colunista mais engraçadinho da mídia nacional, “ainda bem que não somos supersticiosos, né?”
É. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cabeça Tarantino


Lorota afiadíssima de Selton Mello e Seu Jorge sobre a obra de Quentin Tarantino. Muito interessante ver dois bons atores conversando bobagens sobre grandes filmes como Pulp Fiction, Cães de Aluguel, Assassinos por Natureza, Jackie Brown, Bastardos Inglórios, Kil Bill volume 1 e Kil Bill volume 2.
São 13 minutos, carrega aos soluços, demora um pouco, mas vale a pena.

Sinal vermelho

Ah, sim, quase esqueci... Vi ontem uma chamadinha na Uol anunciando que Galvão Bueno vai narrar a primeira luta do UFC transmitida pela Globo, ao vivo. Está, portanto, confirmado que a Globo vai mesmo bancar este tipo de espetáculo sangrento. Creio que este é um assunto muito sério, que devia ser tema de amplo debate nacional, mas que até agora apenas tangencia o noticiário das semi-celebridades, não é de fato considerado pela mídia responsável. Mas está na hora de reagir a esta irresponsabilidade dos senhores mestres do bom senso que dirigem a Rede Globo de Televisão, para quem ao que parece a medida de avaliação da notícia passou a ser exclusivamente a moeda, o dinheiro, o plim plim da caixa registradora.
Aquilo não é nem boxe. Trata-se de violência. De violência pura. De vale-tudo. Não é caso de cultura nem de esporte. Como entretenimento puro, é pura deseducação imposta à juventude brasileira pela ganância do Departamento Comercial da maior empresa de comunicação do País. Descobriram um novo filão comercial e não querem nem saber das conseqüências à sociedade. Anderson Silva não é um herói nacional, com vozinha de falsete e perfume importado. Anderson Silva é um troglodita que não pode ser modelo para crianças e adolescentes. Ele não pratica esporte, ele espanca os adversários a socos e pontapés.   
O Brasil sério, responsável, decente, não merece este tipo de televisão. Assim como não merece este tipo de governo sangue-suga, fraudador e omisso.

Polícia no lugar errado

 Acabou a utopia da ocupação festiva da Reitoria da Universidade de São Paulo. Tropas da Polícia Militar, com 450 soldados fortemente armados, centenas de viaturas e até a cavalaria, ocuparam o campus, invadiram o prédio e desalojaram os estudantes. A questão que levou a esta situação ridícula, com ação policial ostensiva no maior templo da Educação nacional, era justamente sobre a presença da PM na área da Universidade e já havia sido resolvida democraticamente pelos próprios estudantes. O pequeno grupo radical acabou dançando hoje de manhã. Ficou no ar apenas uma perguntinha: por que a Polícia não usa este tipo de efetivo para combater realmente o crime, como a cracolândia, que fica a poucos metros do prédio da Secretaria de Segurança Pública na capital paulista?

O dono da voz

Há outra perguntinha que não quer calar desde que foram divulgadas as imagens gravadas pelo cinegrafista da Bandeirantes morto com um tiro no peito numa operação policial na favela Antares, no Rio de Janeiro. De quem é aquela voz que orienta o atirador da PM sobre a posição do bandido-alvo? É de Gélson Domingos? Se for, está configurada uma estranha situação de cumplicidade entre policial e repórter. Claro que há pessoas que aceitam e até estimulam este tipo de parceria em nome da defesa dos interesses da sociedade, mas eu, daqui debaixo da ponte, vejo outro panorama: Polícia é Polícia, bandido é bandido e jornalista é jornalista. Cada um no seu quadrado.

Velório animado

O ministro Carlos Lupi tem 10 dias para explicar os desmandos administrativos, digamos assim, do Ministério do Trabalho e Emprego. Todo mundo em Brasília sabe como funciona a sangria nas verbas públicas em favor dos partidos. Se tiver ONG’s na conversa, há grande chance de ser roubo. Assim foi ali, aqui e será acolá. O ministro apareceu ontem na tevê com a mesmíssima postura de outros larápios identificados pelo mesmo crime. Parecia o Rolando Lero, da escolinha do Professor Raimundo, querendo saber quem, quem, quem de fato está por trás disso? Ele mesmo, claro. Pelo jeito, o cadáver só vai deixar a Esplanada dos Ministérios quando estiver putrefato, daqui a dez dias.

Como é mesmo?

A oposição política no Brasil não encontra um caminho claro e objetivo que a possa levar até o Palácio do Planalto. Hoje, na Folha, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em tese o maior líder da resistência ao domínio do PT sobre a cena nacional, insinuou um novo conceito político para nortear os rumos da oposição. Fernando Henrique sugere que seu partido adote uma bandeira semelhante aquela de Barak Obama, na campanha para a Presidência dos Estados Unidos. Em vez de Yes, we can (sim, nós podemos), seria Yes, we care (algo como sim, nós nos preocupamos). Não sei, não, mas parece que o ex-presidente está mesmo muito velho, ou simplesmente jogando conversa fora, para liderar um combate realmente sério e eficiente à sofisticada organização criminosa que assumiu o poder no Brasil.   

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pautado para morrer

As operações do Bope nas favelas do Rio de Janeiro viraram espetáculo para a mídia periférica. O sucesso dos filmes Tropa de Elite e desse tipo de reportagem de pura exploração de fatos policialescos são os principais ingredientes de mais um crime estúpido. Há policiais que adoram posar para as câmeras como heróis, no pior estilo Hollywood, assim como há empresas travestindo jornalismo em sensacionalismo, onde os produtores fazem de tudo em busca de imagens exclusivas.
A principal pergunta no caso, do ponto de vista da Imprensa, é simples: por que repórteres têm de acompanhar operações rotineiras da polícia de choque? A operação na favela carioca pretendia a prisão de dois traficantes comuns. Nada mais. Foram mortos quatro suspeitos e presos apenas nove. Os dois alvos principais sumiram. O corpo do cinegrafista ficou estendido no chão até ser levado sem vida para um hospital. Hoje a Bandeirantes deve chorar editorais em seus telejornais e no seu programa de exploração da miséria humana, Brasil Urgente, mas certamente nenhum dos mestres da comunicação do canal paulista vão se perguntar sobre a relevância jornalística do fato que o cinegrafista estava cobrindo quando foi morto a tiro.   
O presidente da maior entidade de jornalistas nacional, Maurício Azedo, disse ao Bom Dia, Brasil, da Globo, que os profissionais tem que questionar a pauta quando há ameaça à segurança, mas considerou que o trabalho natural de todo jornalista é ir aonde a notícia está. Não é bem assim. Ir onde a notícia está, sim, mas em caso de guerra entre dois povos ou de grandes catástrofes naturais. Na favela de Antares havia um grupo policial fortemente armado combatendo um bando de marginais com fuzis nas mãos. Um jornalista se postar atrás de um policial, na linha de tiro, corre risco real de levar uma bala. E foi o que aconteceu.
 A questão não é a eficiência ou não do colete, está na cara que eles parecem mais uma fantasia, quase um abadá à prova de balas. A questão é outra. É a pauta. A pauta que Gelson Domingos recebeu para fazer a reportagem. É isso que tem de ser discutido entre o Sindicato, a Redação e a direção da empresa.

Bola que rola

Grande futebol brasileiro. São 20 bons times brigando passe a passe, drible a drible, gol a gol pelo título de campeão e para se manter na Séria A, a elite do maior futebol do mundo. Ontem, no jogo Santos e Vasco, o narrador Luis Roberto, da Globo, acertou de bate-pronto quando se soube do segundo gol do América Mineiro contra o Corinthians: “que campeonato é esse em que o líder perde para o lanterna?” Isso só ocorre no Brasil –ou na Itália quando a Máfia controla as apostas. Na Espanha, há os dois maiores times da atualidade no mundo e mais nada. É um contra o outro. No Brasil. qualquer time, na ponta ou na rabeira do campeonato, tem que matar 11 leõezinhos a cada jogo. Vamos ver o que lembro do fim de semana.
- O Vitória está com um pé de volta a Série A. O Leão, preguiçoso como bom baiano, demorou a mostrar as garras, mas mostrou.
- A torcida do Bahia é um exemplo para o futebol mundial. Jogue contra quem jogar o Bahia, em final de campeonato ou em amistoso de quarta-feira à noite, a torcida enche o estádio e faz uma legítima festa baiana independente do resultado.
- O Grêmio voltou para a segunda página da tabela de classificação. Agora, o Imortal está devendo duas boas notícias à sua torcida: a contratação de Kléber e a demissão de Celso Roth.
- Está se confirmando a previsão deste sabiá invocado: Vasco e Botafogo não têm pegada para ganhar o Brasileirão. E o Corinthians vai pelo mesmo caminho. Sobra para os cariocas, que têm mais craques em campo, como Ronaldinho, Thiago Neves, Deco, Fred, etc.
- O Internacional também provou que falta alguma coisa para estar entre os cinco maiores do País. Os colorados deixaram o estádio com seu verdadeiro nome, um Beira Rio de lágrimas.
- O Santos, com Neymar, Ganso e Borges, é, sem dúvida, um dos melhores times do planeta. Neymar é um virtuose, Ganso joga com malemolência e Borges é pura eficiência. Dá gopsto ver os caras jogarem, como no tempo de Coutinho, Pelé e Pepe.
-Aqui pra nós, todos nós sabemos que Messi é um espetáculo para se ver com muita atenção, mas Neymar tem algo de raro, a fantasia. Algo que começou com Garrincha, foi sacramentado com Pelé, Tostão, Rivelino, Maradona, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, e agora resplandece nos pés e na ginga de um guri com cabelo de bicho de desenho animado. Viva o futebol, viva a fantasia, viva Neymar, melhor do mundo.