domingo, 20 de novembro de 2011

Em nome da verdade

O lançamento da Comissão da Verdade para debater a repressão aos movimentos extremistas na ditadura militar tirou mais um véu da vistosa máscara democrata progressista que o Governo usa nos eventos políticos históricos. Os reais interesses da democracia no Brasil esbarram na tênue relação entre guerrilheiros e oficiais militares de ontem com políticos eleitos e generais de carreira de hoje. Na sexta-feira, em uma reunião antes do lançamento da Comissão, a presidente da República e seus mais próximos colaboradores, como Cardoso, Amorim, Carvalho e Franklin, diante da suposta reação contrária dos militares à fala da filha do ex-deputado Rubem Paiva, morto pela repressão, decidiram que ninguém falaria na cerimônia, apenas Dilma. A explicação foi tão simples quanto incompreensível: os parentes de mortos e desaparecidos não falariam para que os militares também não tivessem direito à palavra. Uma decisão no pior estilo da política sindicalista. Afinal, houve uma guerra no País, é mais que natural que agora, em tempo de liberdade absoluta, haja um grande debate nacional sobre o que de fato ocorreu na ditadura militar, e que os dois lados sejam ouvidos. Por que, de repente, a democracia brasileira é relativa? Todos nós temos direito de saber o que houve de verdade nos anos negros da República. A decisão da presidente Dilma impõe uma pergunta objetiva:
O que um militar tem para falar que nós não podemos ouvir?

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