A questão da influência de Lula no processo eleitoral depois do diagnóstico de câncer se transformou no grande debate nacional do momento. Jornalistas palacianos, especialistas acadêmicos, veteranos marqueteiros e até palpiteiros inconseqüentes travestidos de analistas políticos não se entendem. Alguns acham que o ex-presidente vai se transformar num deus, outros apostam que Lula sairá de cena. Nem tanto nem tampouco.
Talvez seja melhor ouvir o que o povo está pensando disso. Ouvir o povo povão, as classes C e D que trouxeram Lula até este terceiro mandato disfarçado. Essa gente é que vai definir o futuro de Lula, se ele será santificado ou demonizado. Por incrível que pareça a quem conhece a trajetória de Lula nos braços confortáveis do povo está acontecendo um fenômeno impensável até dias atrás. Basta sair às ruas e ouvir o que as pessoas estão dizendo, mas não exatamente o barbeiro do shopping nem o moço da loja de conveniências nem a balconista da boutique de grife. Se quiser ouvir o povo, tem que ir onde o povo está, nas padarias do subúrbio, nos canteiros da construção civil, nas filas das lotéricas, nas bancas de frutas espalhadas nas ruas, nos camelódromos, nas filas do SUS. E o povo está dizendo NÃO a Lula. O povo não gostou nem um pouquinho dessa história de descobrir a doença e começar o tratamento imediatamente. O mínimo que se ouve é “se fosse um de nós ficava seis meses na fila até ser atendido”. Essa é a realidade das ruas hoje. O resto é lorota de direita e esquerda. O sinal, por enquanto, é amarelo, com sirene de ambulância. Se vai ficar verde ou vermelho, não se sabe, o povo é quem decide.
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