O PR está anunciando a candidatura do deputado federal Tiririca a prefeito de São Paulo. Pode ser a grande jogada política de Waldemar da Costa Neto, presidente do partido e réu confesso no processo do mensalão, para se reacomodar na cena nacional. A suposta candidatura de Tiririca garantiria a vitória de José Serra no primeiro turno, pois o palhaço mais votado do Brasil tiraria votos do PT nas camadas populares da periferia da capital paulista. Inocente como cantor de bordel, Tiririca já disse que aceita. Cínico como cantor de bordel, Waldemar deve vender o factóide a preço de diamante. Como se está em algo muito parecido com um bordel, pode mesmo acontecer qualquer tipo de excrescência.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Bola que rola
Do craque Tostão, em sua coluna na Folha, hoje:
A vitória no último minuto, contra a Bósnia, serve para enganar. Mais uma vez, faltou talento do meio para frente. Júlio César e David Luiz também foram mal. Melhorou um pouco com Elias, Ganso e Hulk. Ronaldinho não dá mais. É isso aí.
Diário do inferno
Há um grande embate político no ar habilmente encoberto pela mídia de comunicação. Quase ninguém sabe, talvez apenas os poucos leitores habituais da Folha e do Estadão, mas o lado escuro das Forças Armadas está batendo chifre com a banda esquerdista reacionária do Governo Federal. O motivo da desavença aberta é a Comissão da Verdade, que pretende esclarecer os crimes da época da ditadura militar na exclusiva ótica dos militantes comunistas. Os militares se baseiam na Lei da Anistia, que acreditam estar sobre séria ameaça de revogação com a reabertura de processos jurídicos, e não reconhecem a autoridade do atual ministro da Defesa Celso Amorim e muito menos a liderança da presidente Dilma Roussef. Os esquerdistas governamentais querem identificar e punir os militares responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos. Os militares lançaram uma nota oficial subscrita por 13 generais, inclusive o famigerado Brilhante Ulstra, responsável pelo Doi-Codi na época da barbárie política no País. O Governo deve reagir ainda esta semana. Não sei, não, mas parece briga do diabo contra o demônio.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Os dois reis
Xadrez político é antigo recurso metafórico de cronistas diários para analisar estratégias partidárias, mas cabe como uma luva para o jogo aberto deflagrado pela candidatura assumida de José Serra a Prefeitura de São Paulo. Estamos diante de um jogo de xadrez político sim, com o presidente Lula como um dos reis e José Serra como o outro. Os partidos de aluguel e da base aliada são os peões, e os grandes oportunistas, como PMDB, PSD, PSB, PC do B, são rainhas, torres, bispos e cavalos. Há um tabuleiro central na capital paulista que influencia diretamente outros tabuleirinhos menores, como em Belo Horizonte, Salvador e Recife. O interessante e imponderável deste jogo é que as peças podem mudar da casa preta para a branca, e vice-versa. E o inédito e original deste jogo é que ele começa agora, passa pelas próximas eleições municipais, mas só acaba em 2014, na eleição presidencial.
A candidatura de Serra em São Paulo reafirma seu nome como líder nacional da oposição. Ele mostrou capacidade de reunir apoio para enfrentar o rolo compressor do Governo Federal. É um rei que volta ao combate de cabeça erguida, embora sob olhares desconfiados de suas próprias peças. Do outro lado do tabuleiro, Lula usa todo seu arsenal de cooptação política de adversários e também reafirma sua liderança incontestável das forças governistas. Ele é o cara. Com câncer ou sem câncer, provou que mexe suas peças caseiras como bem quer.
A questão que encerra o resultado final das próximas eleições, tanto dessas municipais quanto da presidencial, não está apenas na capacidade de arregimentar apoio partidário, que garante tempo no horário eleitoral, cabos eleitorais e esvaziamento do adversário, mas principalmente na representatividade real do candidato para conduzir o país nestes tempos de incertezas políticas, impasses sociais e notório desenvolvimento econômico. O Brasil está maior e, claro, mais maduro. O próximo eleito vai ter que falar sério. Talvez Serra leve vantagem nesse ponto apesar de todo carisma popular de Lula. Lula tem uma razoável bagagem de realizações, mas também arrasta atrás de si uma mala de falcatruas indefensáveis, além de ter pisoteado na ideologia partidária durante o samba lógico da governabilidade. São dois reis fortes o suficiente para não depender das outras peças do tabuleiro, embora se saiba que em jogo de xadrez em geral quem ganha é a rainha.
Dilma. Não vai a lugar nenhum. Não tem exército para isso. Sua retórica política é simplória, ataca os “antecessores”, desfigura a realidade e promete um mundo perfeito. Sua gestão política é um desastre, não por culpa apenas dela, afinal está cercada por membros honorários e efetivos da sofisticada organização criminosa que domina o País sob o comando de Lula. Está presidente apenas para evitar um grande colapso de gestão pública, embora os fatos, como as seguidas denúncias de corrupção e de questões isoladas como a destruição da estação brasileira na Antártica, gravíssimas e indefensáveis, estejam ameaçando sua missão à frente do Governo. Ela sabe disso. Serra também sabe. E Lula, claro, sabe ainda mais do que se pode imaginar.
Os resultados das eleições em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Recife serão uma pista conclusiva ou mesmo um rastilho de pólvora para o barril das urnas de 2014. Talvez não haja restaurador político capaz de unir os mil cacos do tabuleiro.
Zzzuuuummmm
Lembram-se do deputado Hildebrando Paschoal, aquele da motosserra? Ele está chantageando o Judiciário do Acre pra não falar o que sabe. O cara quer seis mil reais por mês para ficar calado. Acho que o Ministério Público devia intervir nas negociações e pagar o dobro para que ele conte tudo que sabe. Afinal, é preciso ouvir o que tem a dizer um sujeito que serrava os braços dos inimigos.
Provincianismos
Estava cá a tamborilar essas notinhas volantes, embalado pelo canto dos sabiás do quintal, um casal deles deu em fazer ninho bem na quina varanda e nada mais escandaloso que uma sabiá fêmea em defesa da cria, quando ouviu-se um estrondo e a luz foi-se embora. E as notinhas foram juntas. Minha paciência pôs-se na quietude da ânsia, só pude voltar agora ao teclado tambor já depois de meio dia, não há sinal do que estava escrito. É. O buraco donde eu moro, acossado pela agitação de obras de novos conjuntos residenciais, está cada vez mais buraco. Isso sem falar no buraco maior, Salvador, e na cratera Bahia que nos envolve, ambos aviltados pela incompetência política administrativa que destrói os serviços públicos.
Salvador é um cartão postal roído pelas traças. E a Bahia, mais do que nunca, é só um estado de espírito. Na capital baiana, por exemplo, onde moram mais de 2.5 milhões de pessoas, as escolas municipais não funcionam. O ano letivo já começou e a maioria das escolas não vai nem abrir. Isso é muito grave. Vai além do que se pode imaginar como simples má gestão. Isso é a privatização do ensino público na marra. O mesmo que aconteceu com a área da saúde, onde os felizes portadores de carteirinhas de planos de saúde são atendidos prioritariamente enquanto os doutores torcem o nariz para os infelizes amparados pelo SUS. Salvador, Bahia, antes um endereço inspirador, romântico, meio mágico, hoje é quase só a lembrança de um abadá colorido, de um amor que passou.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Salada mista
O gol perdido do Deivid. Até meu cachorro faria. E minha mãe. Nem falo de meu pai, que foi craque de bola, ele fazia aquele golzinho de letra, fácil.
O comentarista esportivo Neto. Por que a Bandeirantes mantém este sujeito altamente desqualificado como comentarista esportivo em suas principais transmissões? Dizem que ele vende bem, que tem alto recall popular. O fato de ser ignorante mal educado e agressivamente estúpido em defesa do Corinthians e contra todos os outros clubes parece não ser levado em conta. Ontem mesmo, antes de tirar o som da tevê, tive o desprazer de ouvi-lo perguntar ao narrador sobre “o que mesmo nós estamos falando...” Era um grande jogo de bola, Palmeiras e São Paulo. Tão bom que era melhor ver sem o som desagradável da narração. Foi o que fiz.
O carnaval S.A. Alguém tem que dizer alguma coisa a respeito. Hoje estou sem fôlego nesta manhã com cara de 1º de janeiro, mas outra hora vou dar minha opinião sobre a venda pura e simples das mais legítimas tradições culturais baianas. Os pobres e orgulhosos blocos negros de antigamente hoje se rendem aos trocadinhos dos turistas brancos enquanto a indústria do axé pulveriza a história sagrada da música baiana.
O BBB na web. Todos os portais e até os jornais online seguem passo a passo o programa da Globo como se aquilo tivesse alguma importância. Ontem, a Uol passou o dia com duas fotos de moças da casa do reality show, digamos assim, na capa. Uma tinha mostrado a calcinha, dis costas, para dois brothers. A outra confessava que havia transado com um, mas pensando em outro. Ou muito me engano ou isso é pura exploração comercial de conversa mal engendrada sobre sexo.
Stephen Hawking é habitué de um clube de suingue. Talvez seja a coisa mais impensável, mas está em um site norte-americano, reproduzido ontem na Folha online. O jornal paulista não contestou a informação nem fez comentários, apenas perguntou acima da chamadinha: Tarado?
O Oscar. O batuqueiro marqueteiro mais bem sucedido do planeta não levou a estatueta mais cobiçada do cinema. Ainda bem... Caso contrário, teríamos um novo e fulgurante filósofo contemporâneo para estrelar o grande espetáculo nacional do Pão e Circo. Como se diz na Bahia, Deus é mais...
Diário da aldeia
Imprensa local. Pra que serve? Hoje em dia o mundo provinciano ainda cabe muito bem nas ondas do rádio, mas perde o foco na televisão e fica quase ilegível nas páginas dos jornais. A globalização do sistema econômico e dos meios de comunicação nos dá carona na maré do desenvolvimento, não dá mais para ficar coçando bicho de pé e resmungando contra mau tempo. O provincianismo do jornalismo regional insiste em assuntos internos, no mais das vezes de origem político financeira. A Imprensa alternativa local, hoje representada por blogs e sites ditos independentes, tem uma vistosa placa de aluga-se logo na entrada. A Bahia é muito maior que a mediocridade dos cães de guarda da aldeia. Digo isso porque alguns amigos insistem para que eu passe a escrever mais sobre o cotidiano de Salvador e adjacências. Por favor, incluam-me fora dessa. Prefiro escrever para o povo do subúrbio de Kandahar. Eles pelo menos se tratam aos tiros e não com traiçoeiros acarajés envenenados.
A hora do fricote
Fernando Pimentel. Este cidadão denunciado por ter enriquecido com tráfico de influência nas hostes governistas, por mais incrível que pareça, não apenas não foi demitido como deve ser promovido a Ministro da Fazenda no lugar de Guido Mantega. Ou o governo não tem mais ninguém em sua sofisticada organização criminosa com mínima habilitação profissional para o cargo ou resolveu instituir o deboche como método político. Se for assim, o baiano Luis Caldas é sério candidato a ministro.
Manteiguinha rançosa
Guido Mantega. Como já se sabe, embora a mídia trate o caso como um vírus letal e transmissível, o senhor Ministro da Fazenda é o próximo a cair neste governo, de longe, o mais corrupto da história da República. Mantega não tem como explicar sua relação com o ex-diretor da Casa Moeda, pego em flagrante com milhões de dólares no exterior, e nem muito menos o que sua filha faz intermediando interesses de lobistas junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica, conforme foi denunciado na última edição da Veja. A popularidade de Dilma está no limite da alienação da opinião pública, talvez não resista a mais uma demissão por desvio de verbas públicas em seu governo. Então, reparem só, o senhor Mantega vai sair dizendo que precisa acompanhar o tratamento de sua mulher, que está com câncer. Mais uma mentira que se resolve com outra mentira.
Fogo no gelo
Caso do incêndio na Antártida. Celso Amorim, o conversa fiada, voltou á cena midiática nacional. Antes tivesse ficado calado. Sua improvisada entrevista coletiva foi patética. O senhor Amorim não sabia de nada, não tinha o que dizer e pareceu claramente que não dava importância ao fato. Afinal, o que aconteceu na base brasileira da Antártida? Nunca houve nada parecido com as várias estações internacionais no continente gelado. Uma das matérias no Estadão revelou que cerca de um ano atrás o Brasil passou a usar Etanol como combustível no lugar do óleo diesel. Será que tem alguma coisa ver com o incêndio sem causa clara? Temo que nosso governo não seja sério o suficiente para esclarecer a situação aos brasileiros e à comunidade internacional. Com Amorim no apito e Dilma como rainha da bateria o samba só pode ser do crioulo doido.
O golpe final
O último grupo de guerrilha de esquerda na América Latina, as Forças armadas Revolucionárias da Colômbia, caiu de maduro. Ou melhor, de podre. A guerrilha que outrora lutava pela implantação de um regime comunista e que ancorou no narcotráfico para continuar sobrevivendo tem alto grau de rejeição popular por causa dos seqüestros desumanos e cruéis, inexplicáveis até do ponto de vista dos combatentes. Esvaziada politicamente, desprestigiada e perseguida em todo território colombiano, as FARCs decidiram suspender os seqüestros e libertar os prisioneiros. Não, não foi um gesto de reconhecimento humanitário, mas sim um último golpe para tentar livrar seus dirigentes e militantes da cadeia que os espera. O atual governo brasileiro, que apóia o movimento e inclusive abriga no País os guerrilheiros foragidos, deveria se pronunciar oficialmente. Com a palavra, pois, o secretário para assuntos estratégicos do Ministério de Relações Exteriores, Marco Aurélio Garcia, também conhecido como sócio-atleta das FARCs, do antigo movimento sandinista na Nicarágua, da ditadura cubana, do chavismo desvairado venezuelano e dos progressistas retrógados (?!) do Irã. Quer dizer, prepare-se para ouvir besteira
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Religado
Porque hoje é sábado voltaram os sinais do telefone e da Internet no buraco donde eu moro.
Porque hoje é sábado, e o carnaval já acabou, se pode sair nas ruas em Salvador.
Porque hoje é sábado não há nada para fazer nas ruas de Salvador.
Porque hoje é sábado José Serra se lançou candidato a prefeito de São Paulo.
Porque hoje é sábado os ladravazes da coisa pública estão assustados com a edição da Veja.
Porque hoje é sábado pegou fogo na estação brasileira sobre o gelo da Antártida.
Porque hoje é sábado o Brasil resolveu apoiar o bloqueio marítimo das Ilhas Malvinas.
Porque hoje é sábado o governo lulopetista acaba de expor o Brasil a um mico diplomático histórico.
Porque hoje é sábado está proibido imaginar o Brasil em uma guerra ao lado da Argentina.
Porque hoje é sábado é preciso se preparar para o ano novo que começa segunda-feira.
Porque hoje é sábado e já está de tardinha, melhor ler um livro...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O nosso samba
Quarta-feira. Cinzas. Ou muito me engano ou estou mesmo ficando doidinho da Silva, ou dos Santos, para ser mais exato, mas acho que há um clima bom no ar (na Bahia, falar mal do clima é heresia). Não, não fui contaminado pelo vírus da alegria governista que tanto enriquece sindicalistas, ex-comunistas e jornalistas chapa-branca pelo País afora. Apenas acordei às seis da manhã acreditando que a vida pode mesmo melhorar para todos nós. Sei lá por que. E olha que são quase nove horas, já vi o Bom Dia, Brasil (uma repórter disse com todas as letras que a apuração das escolas do Rio será hoje, depois do Vale a Pena Ver de Novo -para a Globo não existe hora nem relógio, apenas a grade de programação), o céu nublou e não tenho a menor idéia de onde andam os filhos, todos eles crianças acima dos trinta e pouco.
Ainda a folia. As autoridades baianas estão comemorando o fato de que houve 20 por cento menos incidentes (leia-se mortes, roubos, agressões, etc.) no carnaval deste ano. Só não explicam que também houve uma redução de 20 por cento no movimento das ruas em relação ao ano passado. Quer dizer, ficou tudo igual. Só o delírio das celebridades é que bateu todos os recordes. Nunca se viu tanta alegria turbinada por uma montanha de dinheiro.
O tumulto na apuração das escolas paulistas devia ser investigado com seriedade e profundidade. Todo mundo sabe que o carnaval deste ano eleitoral era visto como trampolim político para os companheiros da sofisticada organização criminosa que domina o País. E o companheiro líder desta mesma organização foi um dos homenageados pela escola de samba do Corinthians, os foliões que tocaram fogo no carro alegórico de uma das adversárias. Como dizem os personagens de romances policiais e o povo a meia boca: Aí, tem!
Luxa neles!
Engraçado. Adoro futebol, me criei praticamente ao lado do Estádio Olímpico Monumental e o Grêmio é minha religião. Tenho sempre opiniões definitivas e inarredáveis no mundo da bola, como sobre o técnico Wanderley Luxemburgo. Nunca gostei dele, acho que é um sujeito que se aproveita do futebol para fazer grandes picaretagens e acumular riquezas duvidosas, como coleção de automóveis e ternos de grife. Mas, confesso, a vida é cheia de atalhos e refúgios surpreendentes, e eu gostei, isso mesmo, gostei da contratação de Wanderley para técnico do Grêmio. Estou desconfiadíssimo comigo mesmo, mas que gostei, gostei.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Ecos da folia
O mais impressionante da transmissão televisiva do maior espetáculo da Terra é que não existe crítica. Nem a mínima possível. Tudo é divino e maravilhoso. Um mundo perfeito no qual não cabe a realidade. Um exemplo? No desfile das escolas de samba (??) de São Paulo, a Escola Águia de Ouro homenageou a Tropicália e fez críticas à ditadura militar. Um dos destaques, no alto de um carro alegórico, encenava o que seria a morte do jornalista Wladimir Herzog, em uma cena absolutamente deplorável, com um ator simulando um enforcamento e depois sambando na ponta da corda, pra lá e pra cá. A alegoria inusitada politizou o desfile. O narrador era o narrador de esportes da Globo, Cléber Machado, o repórter de pista era o jornalista Alan Severiano. Os dois tentaram, mas não conseguiram explicar o que estava se passando no sambódromo paulista. Alan ainda conseguiu destacar a abordagem política como inadequada a uma festa popular, mas Cléber derrapou na justificativa da cena tentando explicar o que havia acontecido de fato com o jornalista e omitiu, não sem algum esforço retórico, a bárbara tortura que matou Herzog. Será que ele desconhece a história? Será que ele acha mesmo que há dúvidas sobre o assassinato de Herzog? Por que ele não falou a palavra tortura? A Globo, de uns tempos para cá, resolveu usar seus simpáticos e entusiastas narradores esportivos no maior evento popular nacional, o carnaval. Por que? Porque jornalismo, no caso, não interessa. A Globo produz, promove e fatura alto com o carnaval. Tudo é divino e maravilhoso. Seus artistas contratados são as estrelas únicas do espetáculo. Só se vê atrizes e modelos globais mostrando seus melhores dotes, ou seja, os seios e a bunda. Não há jornalismo. Não há distanciamento crítico. Não há comentário independente do interesse comercial da empresa. Os especialistas convidados aprovam tudo que a tevê mostra. O que resta, então, a nós, pobres telespectadores, se a maior empresa da mídia de comunicação é a principal promotora do evento e não tem, portanto, senso crítico? O que a gente faz? Desliga a tevê, claro.
E na Bahia, heim? Não vi, não ouvi, não digo nada. Li apenas na Internet que a animadora de bloco Ivete Sangalo se considera a presidente da Bahia. Isso mesmo. A artista popular, pra lá de popular, se projeta em suposição política como presidente da Bahia, governadora é pouco para aquele ego megalomaníaco. Alguém precisa dizer a esta balzaqueana quarentona que a vida não se resume em carnaval. E que nem todos nós brasileiros somos milionários ascendentes no País das Maravilhas inventado pelo presidente Lula, este folião incorrigível. E que nem todos engolem a hóstia do Sim distribuída diariamente pelo Jornal Nacional.
O governador Jacques Walker também sapateou discretamente o bom senso. Depois de surpreendentemente admitir que o carnaval da Bahia este ano está meio frouxo, esvaziado, após a recente greve dos policiais militares, o governador baiano voltou a si e tentou desmentir a ele mesmo: “Tudo indica que teremos um carnaval dentro da normalidade, e tenho sentido as pessoas em um espírito mais de paz.” Para que mentir? Será que ele esteve em algum bairo popular, talvez para cortar o cabelo, fazer a barba? Ou pra tomar uma rapidinho no boteco da esquina com os camaradas em Sete de Abril, ou na Calçada, ou na Itinga? Nada. Mister Walker saiu de carro fechado do Palácio de Ondina para um camarote no bairro vizinho, não falou com ninguém do povo, só com assessores, seguranças, “repórteres” e a indefectível pequena legião de puxas-sacos. Mentiu apenas por que é da natureza de políticos profissionais. E, claro, porque estava vestido com o abadá do PT.
Coadjuvante protagonista
No tempo da ditadura militar, uma figura obscura aterrorizava o imaginário político dos militantes esquerdistas. Era o Cabo Anselmo, um especialista infiltrado pelos militares no movimento guerrilheiro. A estratégia deu certo à época, mas em seguida a figura obscura foi identificada e devidamente rejeitada pela sociedade civil. Hoje, em tempo de democracia plena, surgiu outra figura obscura que está fazendo o mesmo papel de traidor de movimento político em oposição a governo constituído. A representação hoje é política partidária, as armas são os mandatos eleitorais, mas o objetivo final, o poder, e o método, a traição, são os mesmos. Cabo Anselmo todo mundo sabe quem é e nem vale a pena ser citado por extenso. O novo Cabo Anselmo, este parido pelo processo eleitoral democrático, chama-se Gilberto Kassab. Não faz nada de muito novo no teatro político nacional, mas chama atenção porque atua no centro do palco. Depois de ter vencido o PT nas urnas, o que o credenciou a liderar um novo partido de suposta oposição, Kassab fez acordo com Lula, implodiu o DEM e agora apóia o candidato do PT a Prefeitura de São Paulo e amanhã seu partido apoiará o governo Dilma. Os protagonistas finais da grande disputa eleitoral nacional, inclusive desta de agora em São Paulo, continuam os mesmos, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, mas a cara arredondada, o jeito apalermado e a excepcional habilidade política de ser dois em um, seja lá para que lado for, fazem de Gilberto Kassab um novo ator da tragédia cotidiana nacional. Um ator canastrão e ruim, mas com inegável habilidade para se meter entre os papéis principais.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
No escurinho da consciência
Não é por nada, não, mas o velho conservador reacionário Roberto Marinho deve estar se virando na tumba como um galeto de padaria. Ninguém nesta terra do Deus dará poderia imaginar que a Rede Globo de Televisão iria produzir promover e divulgar cenas de sexo explícito ao vivo só para aumentar a audiência e o respectivo faturamento publicitário da veneranda emissora. Já há dois dias, segundo a Imprensa eletrônica, um rapaz e uma moça transam debaixo do cobertor sob câmeras de televisão. O apresentador do programa, ex-jornalista Pedro Cafetão Bial não apenas silencia sobre tamanha apelação como dá cobertura para o ato politicamente incorreto. O programa só discute sexo, só pensa naquilo, mas não se vê nada sobre preservativo sexual nestes tempos de doenças transmissíveis. Onde está a camisinha? Isso é deseducação social, pior que a ignorância explícita dos pastores medievais da Record. O BBB, sinceramente, apesar da audiência maciça e dos números milionários do faturamento comercial, é o programa mais estúpido da televisão brasileira. Serve para nada, além de enriquecer um jornalista desalmado e seu patrão despudorado.
Nota chula
Há uma expressão muito conhecida entre as camadas mais populares, debaixo do c(*) do cachorro, que muito bem tem servido para indicar aonde foram parar alguns princípios éticos da República e outras pequenas questões como a seriedade, a honestidade e até mesmo a verdade da coisa pública, além, claro, da imensa maioria das promessas eleitorais. O problema, que muito bem pode ser constatado em manchetes de jornais e entrelinhas de colunas políticas, é que tal lugar está completamente ocupado. Não há mais um centímetro quadrado livre debaixo do ânus canino. Embora sovado diariamente pelas contradições gritantes do discurso político governista e toneladas de denúncias de má gestão e desvios de conduta de ministros e altos funcionários da máquina estatal, o fedorento local acaba de receber as obras abandonadas da transposição do Rio São Francisco. O povo terá que descobrir outra metáfora ordinária para usar como lixeira.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Outra Bahia
Quinta feira com cara de quinta feira. O carnaval começa hoje na Bahia. O cotidiano de Salvador fica insuportável para quem não está interessado nisto que dizem ser a maior festa popular do planeta. Não se dá mais um passo sem esbarrar num turista deslumbrado ou num folião pagante, estas duas figuras que sustentam a fabulosa indústria do Carnaval S.A. Isso é bom para muita gente, eu sei, nada de mal em faturar uns trocados com cultura local, claro, mas a Bahia, nem a música baiana, tem muito a ver, na real da real, com o que passa na televisão, nem nos entusiasmados telejornais e muito menos na propaganda oficial. A Bahia é outra, meu rei, os baianos são outros. Em Itapuã, por exemplo, tem um bairro pra lá de popular, o Alto do Coqueirinho, ou Top of the Little Coconut Tree, na música de Herbert Valois, cantada por Marcela Bellas, nomes tão fora do circuito Barra-Ondina quanto genuínos e originais da legítima música popular baiana. O resto é hu, hu, hu, vamo lá, mãozinha pra cima, sai do chão!!! Isso que você vai ouvir aí embaixo está mais pra Riachão do que pra Bel Marques
Novos e velhos jornalistas

Tira de Angeli na Ilustrada, hoje, provavelmente duro, e alguma coisa como o discreto charme do sub-solo da Imprensa.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Au au
Há um novo e muito interessante debate nacional na ordem do dia. Não, não tem nada a ver com a roubalheira instituída no País pela base aliada governista ou as ameaças de greves das polícias durante o carnaval ou o alinhamento da mídia de comunicação aos interesses políticos do Governo Federal. Trata-se da escolha do mascote símbolo da Copa do Brasil. Isso mesmo. Nos próximos dias vamos debater, ou melhor, assistir via jornal e tevê ao debate sobre a escolha do símbolo brasileiro para o campeonato mundial de futebol. Não, não é pouca porcaria, não. Meu ranço é com o método de escolha. Essa é uma questão nacional e o povo teria que ser consultado, sem a menor dúvida. Um plebiscito seria a maneira mais democrática para resolver um impasse de tamanha magnitude. Mas não será assim. Será assado.
A Fifa prefere o tatu-bola, o ministro dos Esportes sugere o saci e há resistências à onça pintada e à arara, esta por causa do filme Rio e aquela devido a Copa da África que tinha um felino como símbolo. Acho que as opções são pobres do ponto de vista da legítima representatividade. O tatu-bola é um animalzinho regional, do semi-árido nordestino. O saci é uma lenda do imaginário popular, a onça pintada está em extinção e seus poucos exemplares são contados nos dedos. A arara, esta sim, é uma simpatia, mas certamente perde em popularidade para seu primo-irmão, o papagaio. Qual animal seria o mascote mais representativo? Acho que são três.
Primeiro, o sabiá. É o pássaro reconhecido pelo povo brasileiro como maior símbolo do País. Mas talvez seja muito sóbrio, majestoso, pouco dado às festas públicas. O segundo é o mico. Esta figurinha talvez seja o mais popular entre as crianças do Brasil, principalmente ao longo do vasto litoral, onde antes, muito antes do progresso, vicejava a Mata Atlântica. Mas o mico, apesar da proximidade do parentesco conosco, humanos, sofre muito preconceito. Resta então, no meu tímido e superficial raciocínio, o maior e mais verdadeiro símbolo brasileiro nestes tempos de modernidade: o vira-lata.
Esta é minha sugestão para mascote da Copa, o vira-lata. Tem em qualquer esquina do País e um até já foi presidente da República.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Plóim, plóim
Pensei em listar as frases mais impressionantes proferidas por políticos, jornalistas e artistas a propósito das greves de Policias Militares na Bahia e no Rio de Janeiro para começar mais esta semana de tragédias e esperanças ao vento. Cheguei a recolher verdadeiras pérolas, como se diz em chavão jornalístico, da presidente da República (campeã mundial de non sense político, quer dizer, vice-campeã, o campeão vitalício todo mundo sabe quem é), do ministro da Justiça, dos governadores da Bahia e do Rio, dos jornalistas independentes, dos jornalistas chapa-branca, dos militares e até opiniões populares, mas desisti depois da manchete de ontem da Folha de S. Paulo. O caso é muito mais sério, muito mais grave, do que nossos parcos conhecimentos de sociologia, filosofia, jornalismo ou ciência política podem supor. Mais da metade das vítimas da violência nos dias da greve da PM em Salvador foram mortas com tiro na cabeça. Isso é extermínio. Não aconteceu nada parecido no Afeganistão, no Iraque ou no Oriente Médio. Nada. Mataram mais gente aqui do que normalmente se mata lá, com requinte de crueldade. Há de haver alguém responsável por isso. A Bahia não merece ser palco da barbárie e depois abrir suas perninhas sagradas para receber multidões alucinadas em busca de alegria animada por supostos músicos caça-níqueis. O carnaval não está acima de tudo, como parecem pensar os apresentadores de telejornais. A realidade da vida não pode ser edulcorada para os queridos telespectadores. Nós estamos, sim, dentro de um barril de pólvora. O resto é sorriso dissimulado de âncoras.
Bola furada
Falcão e Cerezzo, dois grandes ex-jogadores, decepcionaram em suas estréias na Bahia. Os dois são agora treinadores retranqueiros, interessados primeiro em não perder de jeito nenhum. A torcida baiana, talvez a mais fiel do futebol brasileiro, tinha esperança de ver futebol arte, mas ficou mesmo com o atual futebol farsa. A imensa maioria dos torcedores de Bahia e Vitória não viu o jogo, a Globo local transmitiu ao vivo o sensacional clássico Juazeiro e Juazeirense. Alguma coisa de muito estúpido acontece entre o Departamento de Jornalismo e o Departamento Comercial da egrégia emissora e a Federação Baiana de Futebol. Não faz sentido nem como piada.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Ala, lá, ô, ô, ô

Angeli, hoje, na Folha Ilustrada. Homenagem aos policiais grevistas e aos governos incompetentes.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
À francesa...
A greve da Polícia Militar continua e está contaminando outras corporações militares por todo o País. O Rio de Janeiro já está na mesma situação e há ameaças reais de paralisação também em Brasília, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. O Governo Federal, como faz com tudo que acontece no País, está tratando a greve como um problema eleitoral. Será que as autoridades não sabiam do perigo de um movimento grevista nacional na principal força armada do País para o trabalho de segurança ostensiva? Por que o Governo Federal e os estaduais não podem pagar salários mais justos aos seus servidores, principalmente a estes que estão com um revólver na cintura em defesa da sociedade? Acertou quem respondeu que movimentos grevistas só interessavam aos atuais governistas quando estes estavam na oposição. Hoje eles são governo, os grevistas viraram inimigos da ordem e do progresso.
A ameaça de insegurança absoluta que paira sobre a realização das duas maiores festas populares do planeta não está sendo devidamente divulgada pela mídia de comunicação, principalmente as emissoras de televisão. O caso é gravíssimo e não pode ser considerado apenas uma questão comercial publicitária. Tudo que o governo venha dizer a respeito é mentira. Se a população não pode contar com a Imprensa pra saber a verdade dos fatos, a quem iremos recorrer? Devemos chamar o ladrão? Mas nós já sabemos que ladrão hoje veste paletó Armani e trabalha, ou melhor, rouba dinheiro público em algum Ministério de Brasília. Estamos sós.
Vocês por acaso leram ontem a entrevista que a primeira-dama da Bahia, Fátima Walker, deu a Mônica Bergamo, da Folha? Não? Não perderam nada de sério, mas deviam ter lido para entender melhor o pensamento ilógico de políticos farsantes. Reproduzo duas perguntinhas e as respectivas respostas inacreditáveis e aterrorizantes.
Há notícias de 120 mortos.
É. Mas tá tranquilo, o Carnaval continua. Moraes Moreira fez um show maravilhoso [no sábado], não teve problema nenhum.
Mas esse aumento de crimes, assassinatos...
As pessoas se aproveitam nos lugares mais... Em Salvador, a gente tem sofrido muito por conta da própria prefeitura. Mas olhe só, te dou uma notícia melhor mais tarde. Tá tendo uma reunião agora. Tomara em Deus que acabe isso logo hoje.
Maravilha. Maria Antonieta não teria se saído melhor...
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Alô, alô
Ninguém está prestando muita atenção ao Campus Party realizado em São Paulo. É como uma feirinha livre do futuro. Tem coisas muito interessantes. Hoje, por exemplo, apareceu um indiano especialista em tecnologia educacional para eriçar os pelos e a imaginação dos usuários e entusiastas da informática nos meios de comunicação. O cara pensa alto, e por isso mesmo surpreende e assusta com suas análises e projeções. Ele prevê que o celular, como se conhece hoje, vai acabar em cinco anos. Serão substituídos por chips implantados na cabeça das pessoas. E o mestre ainda arranja fôlego para questionar todo o sistema educacional baseado num modelo que vigora há 300 anos. Veja o que diz o professor Sugata Mitra, "Até bem pouco tempo, a memorização era indispensável. Era o único meio de reter conhecimento. Hoje temos o pen drive. Decorar não é mais a saída. Temos que rever todo esse modelo", e agora trabalhe em paz, se for capaz.
Plim plim!!
O sistema, afinal, se mexeu e a greve dos policiais militares na Bahia está também, como o resto do país, dominada. No início do movimento, o governo petista da presidente Dilma Roussef e do governador Jacques Walker e do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo rosnaram contra os grevistas igual faziam os coronéis da direita quando acossados por trabalhadores. Não aceitaram negociar e decretaram a prisão dos líderes. Não deu certo. O governo resolveu botar em campo a autoridade maior do Exército nacional. Também não deu certo. O clima piorou, a tensão aumentou, a tranqüilidade da população (e não apenas o carnaval) ficou sob ameaça real. Aí, então, entrou em campo o grande xerife da ordem e progresso nacional, o jornalista William Bonner e seu magnífico Jornal Nacional. Bastou uma reportagenzinha mal engendrada com confusas gravações telefônicas que supostamente comprovavam ações de vandalismo dos grevistas para colocar o movimento na rabeira da opinião pública. Vandalismo em greve? Isso não pode de jeito nenhum! Esqueçam o que sempre fez o próprio PT, a CUT e outras forças sindicais, e o que ainda faz na marra o MST. O bem e o mal, o certo e o errado, a direita e a esquerda, no País dominado por uma sofisticada organização criminosa, muda de lado ao sabor do vento, da cor da carteirinha partidária, das verbas publicitárias oficiais destinadas à mídia de comunicação e do cinismo das autoridades públicas e privadas. Nunca na história desse País viveu-se tão loucamente a farsa do pão e circo.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O nosso samba é isso aí
A greve da Polícia Militar da Bahia chegou ao limite máximo e deve ser resolvida nas próximas horas. O governo do Estado admite atender algumas reivindicações dos grevistas, mas exige algumas prisões em troca, para não sair do episódio completamente desmoralizado. Na verdade dos fatos, o grande perigo neste momento, para os governistas, é acender-se um estopim explosivo de greves no sistema de segurança de todo o País. O “finge que governa" do Partido dos Trabalhadores enquanto a base aliada se "fortalece” será desmontado pela própria incompetência política administrativa do PT. O partido nunca teve um programa de governo, mas sim um programa político de ocupação da máquina do Estado sustentado pelo carisma popular do presidente Lula. Nada mais, nada menos. Jacques Walker, não se iludam, não está sozinho nisso.
A greve da Polícia baiana tem tudo para se transformar num trem desembestado País afora. A manchete da Folha de hoje traduz o clima de insegurança e medo que se alastra no paraíso governado pelos petistas e outros oportunistas de esquerda: Governo teme que crise das Polícias chegue a seis Estados. Um barril de dinamite que se explodir mesmo pode varrer de vez os índices de popularidade de um governo paralisado pela mediocridade.
No finzinho da greve, desinformados e apavorados pela possibilidade de o carnaval baiano ir para as cucuias, os artistas milionários do axé, todos animadores de blocos com foliões pagantes, abriram o bico para defender “os interesses do povo”. A animadora de bloco Cláudia Leite chegou a distribuir uma “nota oficial” para dizer que o povo não pode ser prejudicado. O batuqueiro Carlinhos Brown também saiu em defesa do palco que o transformou em celebridade internacional. Os dois comediantes, ou melhor, cantores, criticaram o radicalismo dos grevistas, sem qualquer palavra contra a intransigência do governo em não negociar. Dona Cláudia e seu Carlinhos sabem muito bem que é o governo quem banca o espetáculo e os altos cachês dos palhaços, quer dizer, artistas. Deviam ter ficado calados. Pelo menos não destilariam raciocínio tão simplório e demagogia tão barata.
Os grevistas da Polícia Militar reagiram com bom humor sádico ao impasse de ontem à tarde nas negociações pelo fim da greve. Saíram à frente do prédio da Assembléia Legislativa onde estão homiziados e cercados por tropas do Exército, para gritar palavras de ordem. Ao ritmo do refrão popularizado pelas torcidas de futebol (o campeão voltou...), os policiais militares soltaram a voz: o carnaval acaboooou...
Você que é paulista, carioca, mineiro ou gaúcho e estava prontinho para vir a Bahia azarar no carnaval pegue o seu abada e vá mamar noutro lugar. O Carnaval S.A. de Salvador, com a graça de Deus e do Senhor do Bonfim e da Virgem Santíssima e do Diabo a Quatro, está com a bilheteria fechada. Agora quem manda é o povo.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Quem diria?!
Dois dos maiores centro médios do futebol brasileiro em todos os tempos, Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo são agora treinadores e chegaram a Salvador para comandar Bahia e Vitória. Bom, muito bom, para o futebol baiano e os torcedores mais apaixonados do Brasil. Pelo pouco que sei, os dois são grandes amigos e conhecem tudo de futebol. Aqui não é exatamente o melhor lugar do mundo para se montar um grande time de futebol, mas dá muito bem para se viver e trabalhar. Sejam bem-vindos e que saibam mostrar aos baianos todo seu talento para a arte do futebol.
Jacques Walker...
A situação na Bahia, neste momento, é chocante. Os baianos e as pessoas que aqui vivem estão chocados. Estamos na terra da magia e da felicidade, do povo que inventou a música, do povo que dança caminhando, ao natural, meu rei, do povo que não tá nem aí, e também do povo que sofre com a desigualdade social, com o preconceito racial, com o notório e desumano abandono dos serviços públicos. E todos nós descobrimos agora, apesar da maciça propaganda oficial de uma hipotética e demagógica Bahia de todos nós, que estamos à mercê da incompetência dos governantes. A greve das PMs é um gigantesco mico rebolando no meio do salão de festas do verão baiano. Ninguém tem idéia do que pode acontecer de fato no enfrentamento, cara a cara, de soldados armados em torno da Assembléia Legislativa, mas todos esperamos que ainda prevaleça um mínimo de bom senso entre a agressividade dos grevistas e a arrogância autoritária dos governistas. Esta é uma terra de paz, como de resto todo o Brasil, a população não merece sofrer as conseqüências de um governo despreparado e desqualificado. Os atuais governantes do país conseguiram desmoralizar a ideologia de esquerda e agora estão esfacelando os sólidos princípios morais da direita. O sindicalista lulopetista acomodado no trono baiano devia, sem dúvida, pedir o boné, ou melhor, como velho Joãozinho Caminhante, mandar passar a régua e fechar a conta. E sumir da Bahia.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Triste Bahia
Segunda-feira, 6 de fevereiro, já faz uma semana que a Polícia Militar está em greve e a Bahia vive um estado de insegurança absoluta. Os tanques Urutu do Exército amanheceram patrulhando as ruas de Salvador e montaram um cerco aos grevistas alojados no prédio da Assembléia Legislativa. Os policiais fazem greve por melhores salários, o governo estadual não admite negociar e está tentando prender os líderes do movimento. Nunca se imaginou que um governo dito de esquerda e amparado pelos movimentos sindicais pudesse ser capaz de adotar uma política antidemocrática e agressiva contra grevistas como está fazendo o governador da Bahia, Jacques Wagner, antigo líder sindicalista e eleito pelo Partido dos Trabalhadores.
A Folha de hoje publica longa entrevista com o governador Jacques Wagner. Leia já, para entender melhor o porquê do clima de guerra na terra da magia e da felicidade. As respostas de Wagner são prova de incompetência política administrativa do governo diante da greve. Também provam que o governador não tem autoridade sobre a corporação militar. E pior, mostram claramente, sem a desfaçatez habitual do discurso governista, a intolerância e autoritarismo dos métodos do PT para lidar com movimento grevista.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Bom dia!
Amanheceu, peguei a viola e vim trabalhar. Li os jornais, zapeei a Internet, estiquei os olhos pros sabiás e sanhaços, há até um gavião em devolteios sob o céu nublado só para irritar os bem-te-vis, mas seria melhor ter ido pescar ou caminhar na praia ou admirar sentado, quieto, o futebol do povo na beira do mar, o que dá direito a ver passar em doce balanço uma ou outra morena que enfeitam esta terra da magia e da felicidade. A realidade política é profundamente irritante e a realidade das ruas da Bahia, hoje, é um insulto ao cidadão.
O senhor Fernando Henrique Cardoso, todo-poderoso líder da oposição nacional, publica hoje no Estadão longo artigo sobre o processo político eleitoral. O ex-presidente tenta apagar a fogueira que ele mesmo criou dentro do PSDB ao considerar Aécio Neves o candidato natural do partido a Presidência da República. Fernando Henrique jogou uma toalhinha morna para Serra, outra pra Aécio e ficou a se abanar em cima do muro. Nenhuma palavra contra o governo Dilma Roussef. Muito menos contra Lula. A oposição continua ofuscada e paralisada pelos índices de popularidade alheia. Assim perdeu em 2006, assim perdeu em 2010 e assim vai perder em 2014.
Não tenho bola de cristal nem sou mestre cervejeiro nem campeão mundial de sinuca no botequim da esquina, apenas me amparo na experiência de dezenas de anos dedicados ao jornalismo diário e uma razoável bagagem profissional em consultoria política eleitoral. Suponho ter, portanto, algum senso técnico de comunicação para discordar dos grandes líderes de oposição.
O governo Dilma é um desastre moral. Dilma nomeou pessoas desonestas como se fossem ministros de alta capacidade política e depois as demitiu como heróis nacionais. Nunca houve tanta corrupção e tanta violência no País. Nunca houve tanta mentira em propaganda oficial. O atual programa de governo é prometer um mundo melhor, só prometer. A roubalheira e o cinismo são as principais marcas dos homens públicos. Se a oposição não falar claramente, o povo continuará sem entender coisa nenhuma e votando, claro, nos mais populistas e demagogos.
Teria ainda algumas coisinhas a dizer sobre o governador da Bahia e a greve da Polícia Militar, mas não há desaforo ou desabafo neste mundo de Deus que recupere outro domingo perdido. O que está acontecendo na Bahia é um crime. E só há um criminoso responsável.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
O reino do araque
Artigo do jornalista Augusto Nunes, na Veja online. Ajuda-nos a entender o que é faxina, faxineira, ministros ladrões... –e o lixo.
O bando da supergerente deve ser fotografado também de perfil
Por vontade de Dilma Rousseff, viraram ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte. Todos perderam o emprego contra a vontade da chefe de governo, que ignorou enquanto pôde o assombro dos brasileiros inconformados com a impunidade dos fabricantes de maracutaias.
Em 13 meses, a presidente foi forçada a devolver à planície sete casos de polícia. Teriam sido nove se Fernando Pimentel não fosse tratado por Dilma como um pirralho peralta e Fernando Bezerra não estivesse sob as asas protetoras de Eduardo Campos.
Se presidisse uma empresa privada, a superexecutiva de araque não teria sobrevivido ao segundo despejo registrado na diretoria que nomeou porque quis. Debilitado pelo precedente, seria expulsa aos berros pelo conselho administrativo, apupada por acionistas coléricos, desqualificada para pilotar até carrinhos de pipoca e condenada ao desemprego perpétuo.
Como é presidente do Brasil, a única faxineira do mundo que não consegue viver longe do lixo capricha na pose de defensora da moral e dos bons costumes. E os jornalistas federais fingem enxergar uma supergerente na superlativa mediocridade que coleciona escolhas desastrosas.
A mais recente promoveu a ministro das Cidades o deputado Aguinaldo Ribeiro, do PP da Paraíba. O sucessor de Negromonte nem precisou assumir para desfraldar a folha corrida e empoleirar-se num andor da procissão dos pecadores. Vai sentir-se em casa no convívio com os vigaristas, farsantes e perfeitas cavalgaduras que se acotovelam no pior primeiro escalão de todos os tempos. E proporcionar a Dilma mais um bom motivo para repetir a festa de confraternização ocorrida no último dia do governo Lula. Como em 2010, todos os ministros e ex-ministros estarão, em 2014, sorrindo juntos para a posteridade.
A turma de Lula só posou para a foto de frente. Faltou a data no peito de muitos. O bando de Dilma não pode esquecer os algarismos. E merece ser fotografado também de perfil.
Sob o domínio do mal
A guerra continua nas ruas de Salvador. Já são 29 os homicídios, dezenas de lojas saqueadas, há centenas de assaltos a mão armada, a insegurança é ampla, geral e irrestrita. O fim de semana pode marcar um dos piores momentos da história da Bahia. O governador continua na contramão da lógica, tentando resolver politicamente um caso gravíssimo de perda de autoridade sobre a maior força policial do Estado. Vamos torcer para que o povo não pague este pato transgênico e alucinado que o governo petista arrogante deixou solto nas ruas das principais cidades da Bahia. Ontem, no horário nobre, do Jornal Nacional ao Big Brother, o governo entupiu as emissoras de televisão com seus filmetes publicitários que mostram um mundo pleno de paz e prosperidade. A farsa acabou. A vida dos baianos está muito longe do mundo perfeito da propaganda. O senhor Jaques Wagner não tem direito de ficar bancando o herói de uma tragédia da qual é o responsável.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Perigo na Bahia
O governador baiano Jaques Wagner acaba de falar em rede de rádio e televisão. Falou pouco, rápido e sem dimensionar o problema nem muito menos apresentar solução. Wagner falou dos investimentos que fez na segurança Pública, atacou os grevistas e invocou a presidente Dilma como se esta fosse um amuleto político. A greve está na rua e continua. Wagner não disse o que está em discussão e nem como está negociando. Falou em democracia, mas não agiu como um democrata. A população merece saber o que está acontecendo exatamente. Tudo pode acontecer na noite baiana. A esta altura os bandidos já sabem que a Polícia cruzou os braços ou em alguns casos até está do lado deles. Tropas da Força Nacional de Segurança prometidas pelo governador são insuficientes e qualquer idiota sabe disso. A noite é uma criança. Perdida e assustada.
La noche triste
A Bahia está entregue ao Deus dará. A greve da Polícia Militar transformou as grandes cidades em praças de guerra abandonadas. O comércio fechou as portas, o transporte coletivo está próximo do colapso, a população está à mercê de um improvável bom senso público. Não há lei nas ruas. Os mortos já são contados às dezenas.
Esta noite pode ser a mais negra da história desta terra.
O governador fará um pronunciamento em rede de rádio e tevê às 20 horas para explicar o inexplicável. Jaques Wagner é a esfinge nos dois lados da mesma moeda. É o último responsável por tudo que possa acontecer entre os comandos da Polícia e do Estado da Bahia.
Atenção. Isso não é alerta de treinamento. Não é piadinha. Não é um simples comentário político. É, isto sim, o registro histórico do atual indescritível e inacreditável momento que está vivendo o povo baiano e todos os que estão agora na terra da felicidade.
Procure um abrigo seguro. Não saia de casa. É hora de disciplina e atenção absolutas. Estamos entregues, na verdade, à própria sorte.
Altas labaredas
O caso da demissão por corrupção do diretor da Casa da Moeda revelou outra espécie de raposa-chefe de galinheiro em ação no Governo Federal. Para surpresa geral da Nação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega deixou o rabo felpudo de fora e está sendo apontado como responsável direto pelo novo escândalo explosivo do governo Dilma. O PTB, pavio curto no caso do mensalão, já avisou que só indicou o ladrãozinho, quer dizer Luiz Felipe Denucci, para atender um pedido pessoal de Mantega, então todo-poderoso ministro de Lula. O PMDB, que não economiza gasolina em incêndios públicos, agora quer saber por que o ministro não demitiu seu apaniguado quando foi alertado pela Casa Civil pelos indícios de corrupção na Casa da Moeda. Por que?
Todos nós já sabíamos que em algum momento do atual processo político partidário, todo ele salpicado por denúncias de roubo de verbas públicas e cobrança de propinas, surgiria um incêndio de proporções catastróficas na fogueirinha de vaidades armada pelo PT e sua base aliada. Pois chegou a hora do fogo.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Em nome da ordem
Surgiu um novo comentarista anônimo. Apareceu na contramão da crítica ao episódio com a Rita Lee em Sergipe. O cara tem razão em parte. O que pareceu errado a Rita Lee, e a mim, foi a ação ostensiva e repressora da Polícia. Não precisava. A simples presença da Polícia faria a rapaziada apagar os baseados. Por que dar blitz em platéia de show de rock? A Polícia é necessária, sim, tanto quanto a ordem e o progresso, mas há limites para agir em público e o bom senso ainda é a baliza mais razoável para pequenos confrontos.
Na verdade verdadeira, sem meias palavras, a Polícia é estúpida, agressiva, arrogante. Hoje mesmo, na capa do portal Uol, há uma matéria inacreditável. Uma adolescente infratora, grávida de sete meses, foi presa depois de pequenos furtos num mercado. Levada para um hospital, sofreu uma cesariana e foi algemada pelo pé na cama da maternidade. É. Uma jovem que recém havia dado à luz foi algemada à cama. O crime dela? Roubara duas bonecas e um frasco de shampoo. Isso, sim, é um crime. E o zeloso policial da ordem pública deve estar livre, caçando gente na selva da capital paulista.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Bola que rola
Ando meio desligado, eu nem sinto os meus pés no chão, sou mutante desde antes da tropicália, mas tem coisas, ah, as coisas, que precisam ser pelo menos retrucadas, para que a gente não fique com jeito e cara de palhaço. Então, só para constar e passar recibo:
- E o cara da Casa da Moeda? Como é que um diretor do lugar onde se fabrica o dinheiro do País tem contas bancárias em paraísos fiscais mundo afora? Ele e a filha dele. Esse ladrão foi nomeado como parte da fatia do PTB na base aliada do governo Lula. Espera-se, agora, no mínimo, que o bravo trabalhista faça haraquiri, mas o que está se vendo, mais uma vez, é um ária de mentiras na ópera bufa da corrupção...
- E a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que não foi a Cuba acompanhando Dilma porque Cuba não tem problemas com direitos humanos, os problemas de Cuba advêm do embargo econômico norte-americano. Maria do Rosário, da perigosa raça dos loirinhos de olhos azuis, como disse o então iluminado presidente Lula sobre a base da sociedade colonialista no Brasil, não é capaz de enxergar, e admitir, uma evidência elefantina e histórica como a falta de liberdades individuais na ilha outrora revolucionária. Não é caso para haraquiri, claro, mas um pedido de demissão por não saber enfrentar um debate político internacional viria bem, muito bem.
- O governador da Bahia, Jaques Wagner, voltou à vitrine política nacional da pior maneira possível. Carioca que governa a Bahia como se esta fosse um botequim no morro da Mangueira, Wagner é alvo fácil no livro de uma jurista baiana que será lançado nos próximos dias. A denúncia do livro é velha, requentada, diz que Wagner usou na campanha ao governo um jatinho de um traficante de drogas colombiano, mas a maneira como o colunista Lauro Jardim, da Veja, deu a notícia mostra como ela será reaproveitada no debate eleitoral baiano. A legenda da foto do alvissareiro governador é uma bofetada: nas asas do tráfico.
Assinar:
Comentários (Atom)
