segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Luzes na ribalta

O último show de Rita Lee acabou na Delegacia. Antes de ser levada pela Polícia, a brava tropicalista surtou em cima do palco e gritou alto e bom som o que a imensa maioria dos jovens acossados por leis anacrônicas e preconceitos sociais pelo País afora gostaria de gritar para os policiais:
- Estão procurando um baseado? Vão achar. Estão procurando alegria? Vão achar.
Sei não, mas parece refrão de rock. O marido da desbocada cantante, o compositor Roberto Carvalho, já deve estar alinhavando notas em torno da sábia expressão de revolta. O lado mais grotesco do episódio pode ser debitado para o governador sergipano Marcelo Déda, mas nem vou comentar o que disse o transformista ideológico petista, apenas dedico a ele os palavrões que ela dedicou aos policiais truculentos e autoritários; vá pra p...

Cidadania e solidão

O desabamento dos prédios no centro do Rio de Janeiro expõe claramente a falta de ação do Estado em defesa ou proteção da população. Os brasileiros são o povo que mais paga impostos no mundo e o que menos recebe qualquer tipo de benefício em troca. Chega a dar um nó na garganta ver as pessoas que sobreviveram à tragédia, mas perderam tudo que tinham, o trabalho, os bens materiais, a perspectiva de vida, tudo, sem saber agora como reerguer a própria realidade. O Estado não faz nada, apenas recolhe os escombros, com a natural incompetência do serviço público, e cruza os braços. Quem tinha seguro menos mal, Quem não tinha tem que dar um jeito de reconstruir com as próprias mãos. Este é um bom momento para que as pessoas reflitam e a sociedade civil organizada debata para o que serve, afinal, o Estado. Nos últimos anos, perdemos as escolas públicas, os postos de saúde, a estrutura da malha rodoviária, traficantes e ladrões enfrentam a Polícia de igual para igual, o País foi privatizado, bem... Todos nós sabemos de fato o que aconteceu. Na verdade verdadeira, estamos sós. Esses governantes só servem para roubar votos e verbas públicas.   

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pra boi dormir...

A cada domingo, depois de rápidas clicadas no noticiário dos portais e dos jornais online, me pego pensando que está faltando Imprensa no País, ou pelo menos jornalistas especializados independentes de verbas públicas e de registro funcional em carteira de trabalho. Quer dizer, prescindimos de jornalistas que não escrevam de olho no alto salário ou na verba de publicidade. Os fatos são divulgados, sem dúvida, mas na maioria dos casos carecem de repercussão e de análise. Dois dias atrás, por exemplo, soube-se que o crédito ao consumidor, principalmente da classe C, ou melhor, da novíssima classe C, é garantido e impulsionado pelos bancos estatais. Hoje, ficamos sabendo que o Governo está trocando, a toque de caixa (perfeito!), as principais diretorias do Banco do Brasil. Por que? Para aumentar o controle da distribuição de crédito ou apenas para acomodar supostas lideranças políticas partidárias? O crédito é que está alavancando o consumo e garantindo o desenvolvimento econômico, assim como os arranjos políticos são vistos como garantia de governabilidade. Na dúvida, ficamos na dúvida. Como bem poderia dizer Nélson Rodrigues diante dos novos coleguinhas, a profundidade da Imprensa nacional pode ser atravessada por uma formiguinha com água pelas canelas. E assoviando Tico-Tico no fubá. Ou Ai Se Eu Te Pego, se for formiga moderninha. 

Fala que eu não te escuto

A Imprensa é alvo preferido de quem depende da opinião pública, como os políticos, por exemplo. É compreensível, portanto, que ladrem como cães quando se sentem ameaçados ou quando pretendem influenciar o povão. Sexta-feira, em Porto alegre, no convescote chamado de Fórum Social Mundial, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, propôs algo como um debate público sobre a atuação da Imprensa, com uma argumentação inconsistente, quase incompreensível. A luz da gramática, da ideologia, da ética jornalística ou mesmo do puro interesse político partidário, a conversa do senhor Gilberto não fecha, não cola, não convence. O que o senhor assessor número um dos dois presidentes da República Dilma e Lula quis dizer afinal com isto:
- A chamada nova classe média não pode ser deixada a mercê de ideologia disseminada por meios de comunicação... O Governo deve radicalizar a democracia e investir em comunicação de massa, sem uso de autoritarismo.
Que conversa é essa, pelo amor de Deus? O senhor Gilberto Carvalho não é jornalista nem cientista social, trata-se, como se sabe, de um sindicalista do ABC paulista que chegou ao poder através do Partido dos Trabalhadores. Esse papo de a mídia ser meio do sistema controlar a opinião pública é velho, ultrapassado, do tempo da ditadura militar, e morreu com o surgimento de novas plataformas de comunicação e da própria globalização econômica. Ao invés de falar o que ele acha que o público quer ouvir (na platéia, só havia lideranças estudantis de esquerda), o alto funcionário governista devia aceitar a convocação do jornalista Augusto Nunes, da Veja, para que explique seu envolvimento na morte do ex-prefeito de Santo André, o petista Celso Daniel. Depois do crime esclarecido, o senhor Gilberto pode então dizer a besteira que quiser sobre Imprensa, consumo, política, futebol, carnaval, etc., etc., etc.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Anjos da morte

O desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro, com 17 mortos contados até agora, é mais uma grande tragédia que expõe a incompetência, o despreparo, a negligência e até a má fé dos responsáveis pelo atendimento às vítimas neste País de ladrões encastelados no Poder Público. Hoje, na capa da Folha, pode-se ver um funcionário da Prefeitura do Rio vasculhando uma bolsa de mulher que ele havia pegado no meio dos escombros.  A Folha flagrou vários funcionários revirando pertences de prováveis vítimas. E, cúmulo do cúmulo, um corpo foi encontrado no local para onde está sendo levado o entulho. No próximo telejornal, repare bem, entre os bombeiros fantasiados de heróis há ratos saqueando o que sobrou de valor.  

Bola murchíssima

Pelé está uma arara. Ontem foi um dia branco para o negão mais manjado do mundo. A revista Time desta semana traz o argentino Lieonel Messi na capa, sob o título King Leo. A legenda diz que o craque do Barcelona é possivelmente o melhor do mundo em todos os tempos e pergunta por que os seus compatriotas não gostam dele. Um dia antes, outra revista, da qual não escreverei o nome, publicou uma hipotética lista de melhores jogadores da história do futebol. Messi é apontado como o primeirão, Maradona vem em segundo, Cruyffi em terceiro e o velho e bom Pelé aparece em quarto lugar. Ronaldo é só o 24º, atrás, muito atrás, do goleirinho alemão feioso, Oliver Kahn, em quem o Fenômeno fez dois gols em final de Copa do Mundo. Ridículo. O principal critério parece ter sido o de eclipsar os jogadores brasileiros do ranking. A lista da revistinha Brasilfóbica tem até Marco Sena, meia armador que jamais foi titular absoluto em qualquer grande time brasileiro e precisou se naturalizar espanhol para vestir uma camisa de seleção, e não cita consagrados como Rivelino, Gérson, Tostão, Zico, etc, etc... Pensando bem, todos nós estamos uma arara, uma imensa arara verde e amarela.

Vale tudo

O senhor sabe o que é crossdressing? É uma pessoa vestir-se como do sexo oposto. Não, não é simples viadagem. É outro tipo de maluquice. Questão de identidade de gênero. O cartunista Laerte, um dos dois mais importantes do País, o outro é Angeli, ambos da Folha, lançou esta moda no Brasil há cerca de três anos. Dias desses foi proibido de freqüentar um banheiro feminino, numa pizzaria em São Paulo, e agora está entrando na Justiça para fazer valer seu direito de andar vestido como bem entender e retocar a maquiagem onde quiser. Até aí tudo bem, mas se a Justiça permitir que um cara fantasiado de mulher entre nos toiletes femininos vamos ter milhares de neguinhos saindo de casa de minissaia, tomara-que-caia, brinco e baton. Vai virar palhaçada. E talvez seja isso mesmo que Laerte pretenda.

PMDB fora

O estremecimento de relações entre o Governo Federal e o principal partido da base aliada, o PMDB, é sério, muito sério, e pode abalar irremediavelmente a frágil estrutura política montada pelo presidente Lula com gestos delicados de quem constrói um castelo de cartas. A situação de confronto de interesses começou a vir ao público semana passada, quando o vice-presidente Michel Temer se hospitalizou para fazer uma cirurgia e não foi visitado por Dilma. E piorou a partir desta semana, quando o Palácio do Planalto parece disposto a desarmar a formidável teia de cargos públicos dos peemedebistas no governo. Dilma está com a faca e o queijo na mão para desfazer o que Lula não poderia fazer pessoalmente. Até agora, só o grupo de Sarney não foi atingido pela reformulação governista. Quando os sarneyzistas começarem a cair, aí sim teremos algo a comemorar. Talvez nada mude do ponto de vista do interesse público, mas pelo menos esses políticos apodrecidos pela corrupção não estarão mais se locupletando com a distribuição de verbas federais.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Tradição tropicalista

Mesmo rico ao ponto de ter de andar de BMW blindada e faiscando lantejoulas pop star, o compositor Caetano Veloso mantém a lucidez e a consciência política. Caetano não permitiu, em hipótese nenhuma, que uma empreendedora lançasse um prédio residencial à venda com o nome de Tropicália. O tal prédio está em uma área recentemente invadida pela especulação imobiliária, na Avenida Paralela, um resto original de Mata Atlântica, que deveria ser preservada –e não desmatada. A propaganda de venda dos apartamentos dizia que aquele era um prédio para a geração Tropicália morar. Caetano contra-atacou rápido: a geração Tropicália jamais moraria num lugar como aquele. E disse ainda que não há dinheiro no mundo que o faça ir contra seus princípios morais e éticos. Só não disse, talvez porque seja um sujeito bem educado, o que se deve fazer com o “profissional” de publicidade que sugeriu tamanha aberração.  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Particularmente incorreto

Apesar de os campeonatos regionais já terem começado, o momento é de profunda reformulação nos grandes clubes nacionais. Quer dizer, profunda, vírgula. A compra de um jogador que funcione, seja ganhador, custa uma fortuna inimaginável hoje em dia. Quem sabe chutar uma bola com boa técnica, elegância e eficiência, vale dinheiro, muito dinheiro. Então, como ando matando perros a gritazos e sei que os amigos mais próximos não nadam de braçada neste mágico instante de desenvolvimento econômico do País, sugiro nossos nomes, todos consagrados no saudoso baba do Monumental da Colina, apesar de os mais veteranos estarem roçando os 60 anos de idade, para reforçar, por exemplo, o Bahia. Temos zagueiros sérios e eficazes, os angolanos Pascoalino e Nelsinho, um ala que descobriu os atalhos tortuosos entre direita e esquerda, Sobral Bailarino, um ponta-de-lança recuado (!!??), Porquinho de Feira, este meia-armador que voz fala e um pequeno bando de volantes marcadores e armadores, Dantão, Marcelo, Felipe, Mano, André, Léo, Gabriel, Márcio, Pacheco, Isaac e Kiko, este notável artilheiro, com passagem pela Otan. Dá para montar um time inteiro e que talvez não dê vexame em campo, como o protagonizado pelo Esquadrão de Aço no último domingo, contra o Bahia de Feira. Por qualquer 10 milhões e umas negas baianas, ah, a gente faz este vatapá ...  

Em campanha


Belo foto de Sergio Lima na Folha online ontem à tarde. Os presidentes Dilma e Lula na posse de Aloizio Mercadante no Ministério da Educação. Um simples ato administrativo transformado em evento eleitoral festivo para lançamento da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad a Prefeitura de São Paulo. Dilma se disse emocionada com a volta do presidente Lula ao Palácio do Planalto e a platéia se dividiu em lágrimas furtivas (especialidade dos governistas corruptos) e risadinhas condescendentes (outra especialidade da mesma turma de ladrões). Adivinhem o que os dois presidentes do Brasil estavam falando? Seja o que for Dilma não estava gostando nem um pouquinho. E Lula menos ainda... Pior para nós, os reais bobos da corte. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Demagogia no atacado

Se houvesse um índice limite para uso da demagogia política nos discursos de governistas pelo País afora, e principalmente da suprema mandatária, poderíamos dormir em paz, com a janela aberta, desfrutando o silêncio absoluto. Chega a ser constrangedor, para quem passou a v ida profissional em redação de jornal diário, ver os grandes próceres da esquerda nacional ou mesmo da antiga e legítima militância socialista, além, claro, dos jovens que tiveram coragem para pegar em armas e enfrentar a ditadura militar, vestir ternos de grife e gravatas estampadas para distorcer a verdade, no maior descaramento possível, em favor de interesses políticos e principalmente partidários. Chega a dar medo, na verdade.  Como podem mentir tanto? Por que Dona Dilma tem que açoitar a realidade educacional do País para dar um mínimo de crédito a um sujeito que não consegue gerenciar simples exames escolares e quer governar uma cidade como São Paulo? Por que a troca de comando na maior empresa do País tem tantas versões públicas e até um conto da carochinha como aquele que diz que o senhor José Gabrielli saiu da Petrobrás porque será candidato ao governo da Bahia? Por que um sujeito como o governador Jacques Wagner vai aos jornais explicar que uma disputa interna do PT baiano pode mexer com a empresa carro-chefe da economia nacional, como se a carroça diante dos bois fosse a coisa mais normal na terra do amor e da felicidade? E quando será que vão sumir os pontos de interrogação do material jornalístico sobre a atividade do Governo e de seus capangas políticos? A demagogia, antes, com os militares no poder, era um instrumento espúrio do discurso político, mas hoje é usada como arma legítima, e preferencial, para manter um negócio ridículo chamado governabilidade.

É só o fim

Radiação de tempestade solar se aproxima da Terra, segundo materiinha de Ciência no Terra. É o que faltava para reanimar conversa sobre o fim do mundo este ano. A onda vai chegar, talvez dirigida por Ridley Scott ou Steven Spielberg, e passar como uma patrola devastadora sobre nosso frágil mundinho, criando as mais espetaculares cenas de destruição. A parte boa, ou mais interessante, é que veremos tudo na tevê de casa, depois do jantar.

Ai se eu te pego...

O Grêmio está preparando ações de marketing para faturar com sua maior estrela, o cantor Michel Teló. O sertanejo que invadiu o pop internacional é torcedor do Imortal. Bem feito pros dois.  

Hora do recreio

O ex-deputado federal Babá, expulso do PT por criticar o governo Lula, deve ser lançado candidato a presidente da República pelo PSOL. Não, não é brincadeira. Só falta decidir se o cara corta o cabelo ou não. Na verdade, tanto faz como tanto fez, o seu Babá, que já foi vereador em Belém do Pará e hoje é suplente de deputado no Rio, não tem a menor chance eleitoral. Teremos, isto sim, um horário eleitoral mais divertido.  

domingo, 22 de janeiro de 2012

Bola que rola

Neymar é a grande preocupação dos brasileiros apaixonados pelo futebol. Esse rapaz pode ser a bala de prata do Brasil na próxima Copa, como já o foram Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo em épocas passadas, mas parece que estamos correndo sério risco de ver mais um tirinho de festim, como Robinho e Luis Fabiano no último Mundial. As mídias de comunicação e de publicidade estão dilapidando nosso diamante com a voracidade dos consumistas irresponsáveis, interessados apenas em audiência e faturamento. O cara que mais entende de futebol no Brasil e único colunista realmente independente na crônica esportiva nacional, o ex-centroavante Tostão publicou na edição de hoje da Folha um artigo de alerta sobre o grande craque da atualidade. Vejam um trecho, depois tentem ler no site da Folha, se tiverem senha de acesso, pois o maior jornal brasileiro é fechado para não-pagantes, mas esta já é outra história. Leiam o que escreve Tostão:
Repito, o principal compromisso de um artista é com sua arte, em ser sempre melhor, e não com a fama, com o dinheiro nem com os "patriotas". Neymar vive uma lua de mel com o sucesso, sempre simpático e festivo. Preocupa-me essa megaexposição. Neymar está em vários comerciais e em todos os lugares. Só falta aparecer no Big Brother, se já não foi. Neymar parece não saber a diferença entre o público e o privado nem que a sociedade do espetáculo tem pressa em promover, consumir, trocar e descartar seus ídolos. Neymar, abra o olho!
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Começaram os estaduais. A maioria dos grandes clubes venceu como era esperado. Alguns tropeços aqui e ali, nada demais, mas um dos maiores clubes nacionais, o Grêmio, conseguiu decepcionar profundamente sua imensa torcida logo no primeiro jogo. Um joguinho, na verdade, contra o fraco Lajeadense. O Imortal estreou um time novinho em folha e levou dois a zero ao natural. O treinador Caio Júnior virou da noite pro dia o primeiro grande candidato a demissão imediata.
A Zero Hora está alimentado um boato que é nitroglicerina pura: Ronaldinho Gaúcho no Internacional de Porto Alegre. É impensável. E inadmissível. Ronaldinho não seria tão mercenário a ponto de não poder dar mais um passo na cidade onde nasceu.
Anotem aí este nome: Lucas. São dois. O que está no São Paulo e o que está no Chelsea. Se juntar estes dois a Neymar e Negueba, por exemplo, bastam mais dois volantes e quatro zagueiros, não precisam nem ter nome, pronto, se tem um time para encarar qualquer Barcelona por aí.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Dois coelhos

Parece implicância, mas é impossível deixar de comentar os dois grandiosos exemplos do abandono público das áreas de Saúde e Educação, pilares básicos da sociedade nacional, expostos desde ontem na Imprensa. Um alto funcionário do Governo, do próprio Governo, morreu por falta de atendimento na portaria de um hospital em Brasília. E o ministro da Educação anunciou que não haverá prova do Enem em abril porque o Ministério não tem infra-estrutura para organizar duas provas por ano. Isso Mesmo. Um alto funcionário do Governo morre na porta do hospital porque seu plano de saúde era fajuto, como todos no País, e um ministro decreta a incompetência de seu Ministério para realizar simples provas de vestibular.
O senhor tem três opções para indicar o responsável final por esta situação:
a)      Luiz Inácio Lula da Silva,
b)      Luiz Inácio,
c)       Lula.
Ah, sim. A prova do Enem foi cancelada para que não exponha eleitoralmente a incompetência administrativa do candidato do PT a Prefeitura de São Paulo.  

Bom dia!

Hoje acordei mais baiano que nunca, preguiçoso, hilário, levemente debochado, e abro espaço para poesia e sexualidade, reproduzindo dois especialistas. Isso só para não dizerem que não acredito que haja vida inteligente na moderna literatura nacional ou mesmo na sofisticada organização criminosa que dominou o País. Então, com vocês, o belo e corajoso artigo da sexóloga de plantão no Senado Federal, Marta Suplicy, e algumas linhas sobre a doçura do nada, de Airton Paschoa, publicado ontem na revista Piauí, do Estado.

O amor é lindo
Coloque um monte de jovens -homens e mulheres- com pouca roupa, jogos e brincadeiras que propiciem tensão e esfrega-esfrega, menos camas do que participantes (esta eu achei incrível!), muita bebida, diversão suficiente para descontrair, intrigas para algum suspense e você tem o "BBB". Acrescente uma busca e seleção de personagens em escala nacional com promoção de mídia, todos com perfil para o enredo ter o mix mais picante e consegue-se a garantia de boa audiência, um pornô palatável, pois os que gostam se deliciam e os que desprezam passam longe e não criam confusão.
Até que das redes sociais ouvimos um grito de protesto. Este, agora, seguido por várias instituições que exigem apuração e questionam os procedimentos no programa. Duas novidades importantes: as redes sociais fizeram diferença e a questão da violência contra a mulher entrou na pauta!
A falta de intimidade, as dificuldades nos relacionamentos ditadas pela competitividade, o estresse, o cotidiano das cidades, a ruptura de laços familiares, tudo colaborou para uma enorme vontade de pertencer, saber mais (de longe) sobre o outro. Acrescente a curiosidade gerada por este mundo novo, fruto das mudanças dos anos 60, e dá para entender o surgimento do "An American Family", no ano de 1973, que precedeu as variações que hoje temos. Falou-se então de divórcio e homossexualidade.
O desejo por mais adrenalina, a exploração cada vez maior da sexualidade, o prazer sádico, as alternativas pobres de entretenimento, somadas à contínua tensão deste mundo globalizado, onde cada vez mais cada um é mais por si e sozinho, levaram ao que temos hoje.
Não teríamos coisas mais interessantes do que estarmos aqui discutindo esse programa? Creio que sim. Mas o suposto estupro -negado pelos participantes do "BBB", assim como foi ignorada pelos editores a vulnerabilidade da moça alcoolizada-, além de desencadear uma discussão sobre a adequação e a ética dos responsáveis pelo "BBB", trouxe visibilidade a uma forma de violência pouco denunciada e que defendo revisão.
Há meses, apresentei um projeto de lei ao Senado que recria o tipo penal do "atentado violento ao pudor". Isso porque depois de uma mudança de lei, em 2009, passou-se a considerar também como estupro atos libidinosos.
As condenações por tais atos diminuíram em virtude de os juízes ficarem constrangidos em dar penas tão severas por ato que consideram não tão grave quanto o estupro. O novo projeto mantém a pena de reclusão de seis a dez anos, em caso de estupro, e pena de dois a seis anos de reclusão, quando ocorrer o atentado violento ao pudor.
O amor é lindo, como disse Pedro Bial olhando a movimentação debaixo do edredom. Mas passa longe do "BBB".
Marta Suplicy
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Arabesco

Quando você não diz nada, toda olhos, fogos e artifício, e nada digo eu, todo utopia, tiros e queda, não é que não dizemos nada. Poderíamos falar cobras e lagartos, serpentes. Poderíamos falar sem parar, caravana, miragens. Ou poderíamos simplesmente dizer deserto. Mas não, não dizemos nada. E é o que dizemos de certo.

Airton Paschoa

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mãe dos pobres de espírito

Nunca na história desse País a mentira e a empulhação ocuparam espaço tão nobre nas relações políticas entre os governantes, a Imprensa e o povo. A blindagem de ministros corruptos, como o caso explícito do tal Bezerra gritando mamãe, é o carro alegórico mais iluminado na farsa política carnavalesca nacional. Hoje, no Estadão, o jornalista Fernando Gabeira publica um longo e primoroso artigo sobre a blindagem política e suas nefastas conseqüências para o País. Selecionei um pequeno trecho. Leiam e depois cliquem no texto do cara. A resistência continua.
“Ao recusar as evidências, Dilma pede apenas que acreditemos nela, que vejamos com os olhos da fé o luminoso caminho que o Brasil vai trilhar, rumo ao que chama de um país de classe média. Neste começo de ano já se soube que o programa de segurança, chamado Pronasci, fracassou e precisa cortar metade dos investimentos, que seriam de R$ 2 bilhões. Da mesma forma, dados de 2011 indicam que não houve avanços no campo do saneamento básico, mas um pequeno retrocesso: continuamos com 45% das casas sem essa estrutura elementar. Dilma apresentou-se na eleição como a mãe do PAC. Diante dessa nova situação, o melhor é ser apenas Mãe Dilma, dessas que tiram mau-olhado e trazem de volta em 48 horas a pessoa amada. Ao optar pela blindagem, o governo não só fechou o corpo de seus ministros, mas recuou o processo democrático para o universo da magia.”

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Troca troca

O presidente Lula está indicando, ou nomeando, não dá para saber direito, um senador do PT para o cargo de ministro de Integração Racial. Apesar de tal Ministério representar exatamente coisa alguma, sem dinheiro, sem projeto, sem qualquer tipo de necessidade de atuação política, além do truque demagógico politicamente correto, a presidente plantonista deve estar preocupada com a indicação do patrono. Afinal, todos os ministros que caíram por corrupção até agora e ainda os que restam cair foram nomeados por Lula. Todos. E todos são ladrões e incompetentes. Menos, claro, Antonio Palocci, o Pelé da Economia, que é apenas ladrão.  

Pum Pum

A atuação da rede Globo de televisão está na ordem do dia na Internet. Os últimos casos políticos, esportivos ou de puro entretenimento produzidos nos tortuosos corredores e nos sets de gravações da maior emissora nacional são os assuntos preferidos nas redes sociais, como Facebook, Twitter, blogs e sites independentes. Ninguém está entendendo por que a Globo está claramente blindando o Governo Federal nos casos explícitos de corrupção e má gestão pública e promovendo aberrações de comportamento social, como espancamentos brutais e cenas de taras sexuais ao vivo.
O caso é muito complexo, envolve disputas políticas, editoriais e comerciais, há poucos elementos postos à luz da sociedade para que se possa construir uma opinião clara e objetiva, mas parece que uma parte do enigma está bem exposta: o modelo de Império de comunicação exercido pela Globo nos últimos 40 anos está velho, carcomido, ressecado, quase agonizante. Estas figuras inventadas como modelo de Imprensa e entretenimento, como Bonner, Bial, Faustão, Xuxa, Ana Braga, Hulk e outros candidatos a estrela global, estão tão longe dos reais interesses da comunidade como o sol da lua, o PSDB do povo, o Santos do Barcelona e a mentira da verdade.

Atrás da sombra

Estranho e chato, muito chato, esta ida do piloto Bruno Senna para a Willians. A escuderia inglesa já foi a maior do mundo da Fórmula 1, mas hoje vende seus cokpits para sobreviver no fim do grid. Senna, o sobrinho, é bom piloto, dizem os especialistas como Piquet, por exemplo, mas faltam alguns quilos de talento para ganhar provas na categoria mais disputada do mundo. Sua ânsia insaciável em seguir os passos do tio tira de cena o quarto maior piloto brasileiro da história, Rubens Barrichello, e não acrescenta nada. Em vez de um carro de ponta, o novo Senna está se especializando em dirigir um caminhão de dinheiro no circo da Fórmula 1. Deve até ser campeão...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Bateu uma saudade de ti...



Em nome do Brasil na tevê, bye, bye. Suba o som e ouça com toda atenção, o sol nunca mais vai se por...

Se colar, colou

A máscara de esquerdista humanista progressista que o presidente Lula encaixa tão bem por cima da barba não tem o mesmo efeito em alguns dos comparsas governistas. Ontem, por exemplo, caiu no chão a camuflagem descarada do ministro da Defesa Celso Amorim. Conhecido pelos argumentos absurdos em defesa de regimes totalitários como Irã e Líbia, o ex-chanceler levantou a voz para alertar para a entrada de imigrantes haitianos clandestinos no País. Também ontem, como contraponto à fala desatinada do ministrinho preferido de Lula, o governo anunciou que irá facilitar o visto de permanência para trabalhadores estrangeiros qualificados, ou seja, os profissionais técnicos europeus. Quer dizer, os pais dos pobres fecham a porteira para trabalhadores braçais e abrem as pernas para portadores de régua e compasso. Como se sabe, o País quase não tem sistema educacional e está dominado por uma sofisticada organização criminosa interessada em enriquecer seus pares e se entronizar no poder. Quer dizer, não olhe agora, mas estamos roubados. Roubadinhos da Silva. O nome pode não ser esse, mas o sobrenome é exato.

Jornaleco Nacional

Ontem, o País que pensa recebeu uma discreta facada nas costas. Ou melhor, duas. O governo anunciou a redução nos investimentos nas áreas de Saúde e Segurança. Os dois setores são fundamentais, mas perdem espaço para favorecer o equilíbrio das contas públicas. Os cortes foram uma decisão política, claro, e uma decisão que mexe diretamente com o bem-estar da população.  À noite, no Jornal Nacional, William Bonner, o âncora que jamais comentou qualquer notícia a não ser em eventos festivos, colocou o fato no meio das chamadas do noticiário com um inacreditável “presidente Dilma equilibra as contas da Saúde”. Talvez uma coisa nada tenha a ver com a outra, mas é bem provável que este tipo de atuação do maior veículo de comunicação do País seja pilar básico do inacreditável índice de 72 por cento de popularidade da presidente-tampão.  

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A loba e os lobos

Já é dia 16 de janeiro. O sol esturrica a Bahia. O povo está vivendo em ritmo de pré-temporada. Está cada vez mais difícil levar o País a sério. O Governo não rouba, mas manda roubar e depois fica fingindo que manda prender ou, no caso, demitir. Sabe-se de tudo pelos jornais. Quem era o ladrão, quanto foi roubado, qual era a quadrilha, nada escapa aos olhos da Imprensa. Quer dizer, tudo ou nada uma pivica. O dinheiro mesmo, o objeto do roubo, este nunca reaparece. Talvez este esquema de expropriação do dinheiro público por quadrilheiros de partidos políticos só vá acabar no dia em que quem estiver de plantão na Presidência da República descer a rampa do Planalto algemado.

Plim plim

A ânsia incontida pela conquista de audiência na tevê e o conseqüente controle dos rios de verbas publicitárias que regam este formidável meio de comunicação está levando o gigante do setor a pisar em terreno minado. Minado e esmerdecido, se me entendem. Transmitir lutas de vale-tudo ao vivo, como se fosse um espetáculo esportivo, é um desserviço à sociedade brasileira. Nós não somos assim. Não gostamos de violência. Quem gosta de violência são estes rapazes de classe média alienados pelo consumo em todos os níveis e homens de televisão que defendem interesses comerciais acima de qualquer coisa. O BBB já é um insulto aos costumes do povo, com palhaços e palhaças vivendo um conto de fadas taradas para tarados da meia noite, mas o tal UFC é simplesmente um crime. Alguém que bota um adversário em coma no meio de um ringue de horrores não pode ser saudado aos gritos de espetacular, espetacular, como fez o narrador da Globo. O Brasil está emburrecendo, claro, quase já não há mais escolas públicas, por exemplo, mas o País está cada vez maior, com mais gente, e há público para qualquer tipo de evento, por mais estúpido que seja. O povo que pensa, que produz cultura, que olha para o futuro, tem obrigação de organizar a resistência. Não basta desligar o maldito aparelhinho, tem que combater estes programas caça-níqueis da televisão irresponsável.      

Bola que rola

Futebol. Ontem teve um joguinho de encomenda, Flamengo e Corinthians. Deu empate, não podia ser diferente. Mas serviu para escancarar aos olhos do público o momento perigoso do futebol brasileiro. Os treinadores não funcionam. São fraude, todos eles. O aumento da competitividade e a evolução da tática no mundo todo não foram acompanhados pelos profissionais do País do Futebol. Na Taça Cidade de São Paulo, berço do celeiro nacional da bola, todos os times jogam com três volantes e os laterais só cruzam a bola para a área. Ridículo e ultrapassado.
Há pelo menos três treinadores ganhando mais que 700 mil reais por mês –e que não conquistam títulos. Mais do que nunca, o futebol brasileiro depende de talentos individuais. Os jovens precisam jogar. O Flamengo ontem só funcionou quando trocou os craques experientes e consagrados pelos garotos ousados e bem dispostos. Dinheiro, yeh, mas um pouquinho de trabalho viria muito bem...
O Grêmio parece estar se ajeitando com três feras na frente, Kléber, Moreno e Douglas. O diabo é que o Inter tem D’Alessandro, Dagoberto e Leandro Damião. Vai ser um Gaúchão divertido. E vai soltar lascas no Brasileiro.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Triste domingo

Chico Anysio está passando os piores momentos de sua vida. Ele é um dos maiores artistas da história da comunicação no Brasil. Um gênio. Escreveu e interpretou centenas de momentos inesquecíveis no cinema, televisão e rádio. Teria muito que escrever sobre o cara, considero A Escolinha do Professor Raimundo o melhor programa de humor jamais produzido pela Tv em todos os tempos e mundos, mas a hora não é adequada. Fica para depois, se possível, para nunca mais. Torço por ele, pela vida, pela alegria. Viva Chico Anysio e o bom humor do povo brasileiro.
O resto é Governo Federal. Ou qualquer um desses políticos artistas que vivem da mentira e da empulhação.   

sábado, 14 de janeiro de 2012

Alô, alô

Fiquei três dias sem telefone nem Internet neste aprazível buraco suburbano baiano. A Telefônica, ou a OI, não sei direito, explicou que houve roubo de fios. É comum nesta região de Salvador. Neguinho arranca os grupos de cabos de cobre que vão para os condomínios residenciais. O conserto é complicado e demorado. Enquanto isso, usa-se o tempo para admirar os pássaros e catar frutas pelo quintal. A praia é longe e a gasolina é cara. O interessante, entretanto, é que quando se retoma o contato com o mundo lá fora, o noticiário do dia, a vidinha cotidiana do País, está tudo exatamente a mesma coisa. O governo mente, os ministros roubam e o povo finge que não é com ele. Os pobres têm cartãozinho de sobrevivência e a classe média se fantasia de rico. Estou com vontade de ligar de novo para a Telefônica e avisar que está tudo bem, foi apenas roubo de votos.     

Os imperdoáveis

Cá estou eu quieto no meu canto, um tanto arisco com os prenúncios de tempestade mal explicados pelas sumidades acadêmicas de plantão e menos ainda pelas autoridades públicas, mas reconheço que está cada vez mais difícil deixar de registrar ao menos um tímido comentário. O noticiário não deixa ninguém mentir, os rios de janeiro arrasam várias cidades e matam dezenas de pessoas. Quer dizer, não deixa ninguém mentir, vírgula. Os responsáveis pela prevenção das calamidades aparecem a todo o momento na mídia para mentir descaradamente. São tragédias anunciadas e lorotas que se repetem. A demagogia parece ser a base fundamental do raciocínio político desses populistas. A presidente Dilma tem que tomar alguma atitude de verdade, não apenas demitir servidores relapsos e sim talvez mandar prender o governador do Rio, por exemplo. E, depois, num gesto magnânimo de auto-crítica, se trancafiar na mesma cela.   

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Em nome dele

Como uma sina de vida ou um fardo que se arrasta pelos caminhos, o presidente Lula traz nas costas três Fernando. Um é um pastiche ideológico, outro um trombadinha partidário e o terceiro uma fraude de conhecimento. Os dois primeiros, que se assinam Pimentel e Bezerra, devem balançar nos próximos dias na ponta da corda da moral e da ética que ainda resiste no País da impunidade e da roubalheira, o terceiro deve ser enxotado da vida pública nas urnas paulistas. Lula, cá pra nós, nunca deu sorte com Fernando. Talvez não tenha reparado que este é um nome típico das zelites. Um nome que desanda no cadinho do povo.   

Hora do anjo

Então, janeiro, o calor na Bahia revela até poesia, e também porque estou sentado a três metros do chão, quase queixo a queixo com a copa cerrada de um frondoso pé de jamelão, e o pensamento nos quintais de tempos atrás. Isto a seguir é de Manoel de Barros, tem título de Árvore.
Um passarinho pediu a meu irmão para ser a sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol,
De céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu pra santo
Mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida
No tronco das árvores só presta para poesia.
(...)
Meu irmão agradeceu a Deus aquela permanência em
Árvore porque fez amizade com muitas borboletas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dia da arte

Hoje é dia da fotografia. Esta é considerada a foto mais espetacular de todos os tempos, e foi clicada por Charles Ebbets em 1930 –a hora do almoço dos operários no topo do mundo ou num arranha-céu em construção em New York. É a foto símbolo do capitalismo.

Não tem preço

Acordei atrasado, passava das oito, liguei a tevê na expectativa de ver um espetáculo de jornalismo puro, sem intervenções políticas ou comerciais, afinal hoje é domingo, dia de Globo Rural, pode-se ter a sorte de ver o Velho em ação. Batata. Lá estava José Hamilton Ribeiro num barquinho no meio da Amazônia à cata de ninhos de harpia. Fiquei feliz. E em menos de dois minutos já estava cativado, comovido, levemente emocionado com a beleza e a grandeza da nossa terra, de nossos costumes, de nossa gente. Tudo de verdade, com lustro da natureza, sem artifícios, do jeito que se deve criar e contar uma história que passe como um rio de deslumbramentos por dentro de quem ouve e vê.
Melhor que isso, para começar o dia, só mesmo a ligação da filha mais nova, bióloga e moradora nas franjas da Mata Atlântica, para avisar que Zé Hamilton estava no ar.   
Para entender melhor o que estou dizendo, se você não viu o programa, vá agora na Internet e clique em algo como g1globorural ou coisa parecida e veja a matéria –ou um pedaço de um Brasil que ainda não foi destruído.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Metendo o bedelho

Vinha ontem mouseando distraído quando me deparei com uma chamadinha “Qual a notícia que você gostaria de ler na Folha daqui a 90 anos”. Não resisti, abri e redigi este textinho abaixo. A título de fuleria.  
Ninguém morre mais
O homem já pode ser restaurado dos pés à cabeça, inclusive com a regeneração completa dos dentes, este grande enigma da humanidade que sempre questionou a boa intenção da natureza com a criação ou mesmo a do próprio criador, que caso exista de fato teria sido relapso com a criatura lá no início dos tempos em injustificável favorecimento a outras espécies de animais, como os tubarões, por exemplo. O anúncio foi feito ontem em local e hora e por instituição ou pessoa que não estamos autorizados a revelar, de acordo com a edição XXIV do Novo Marco Regulatório Nacional do Comportamento Humano. O fato é que ninguém mais morrerá de hoje em diante. Basta dar uma passadinha no comitê central do Monumento ao Metalúrgico Desconhecido e pegar a vacina. Os pobres de espírito, os chatos, os intelectuais, os jornalistas, os meias-armadores canhotos, etc., esses não tem jeito, vão continuar morrendo a rodo. Os acidentes com o tele-transporte também ficam fora do novo e generoso programa da vacina da vida. Assim como imolações, afogamentos, soterramentos, esquartejamentos, tiro, faca e pedra e todas outras modalidades cotidianas de morte nos condomínios populares, nas alamedas remediadas e até mesmo nos invioláveis paraísos eternos dos grandes núcleos habitacionais que ornam os jardins urbanos desta pátria de prosperidade e felicidade.
A direção da Folha informa que esta notícia é publicidade comercial, matéria paga ou o secular jabá. Publicamos isso porque fomos obrigados por Lei e também por um avantajado contrato publicitário, mas reiteramos nossa disposição de bem informar à comunidade e ao mesmo tempo resistir à dominação integral do modelo político da excelência da ignorância e da má fé que se entronizou no País desde a época cruel da democracia.    
Até agora não responderam nem sequer acusaram recebimento. Acho que não gostaram da brincadeira.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Outro ano de solidão

Muitos anos atrás, à espera do pelotão de fuzilamento, meu pai me levou para conhecer o gelo, o fogo, os espíritos que não existem, a caligrafia dos doutores, as codornas dos pântanos, o monumental estádio olímpico do Grêmio Football Portoalegrense, os taróis da banda do ginásio, o caldo de frutas do Mercado Público, o Austin azul do carrossel do Parque Farroupilha, os filmes de mocinho no Cine Castelo, o cheiro da gasolina no carro velho enguiçado na estrada da praia, a arte de dominar a bola de costas para o zagueiro, o jeito de acender carvão sem precisar abanar, o que é bagre ou grumatã ou traíra ou jundiá, o canto do sabiá e as sete cores da saíra. Hoje ele já não está mais aqui, mas não deixo de vê-lo todos os dias, na estrada que vai da cabeça ao coração. Acho que aprendi quase nada, mas não esqueci a parte que dizia que a noite é tão negra que a alvorada não deve demorar. Começa um novo ano, a melancolia ajuda a enternecer a desconfiança do que vem pela frente e a esperança é boa arma para resistência. Afinal, como bem se sabe, nada adianta de nada, ninguém sai dessa vivo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Troca justa

O governo holandês anunciou a desativação de oito presídios no país. Não há presos. O Brasil está construindo oito presídios. Há criminosos demais. Talvez fosse o caso de um convênio: nós mandaríamos presos novinhos em folha e eles nos retribuiriam com, digamos, tulipas, para ornamentar os jardins dos palacetes dos recém incluídos.

Feliz 2012

Ano novo, o fim está mais próximo. Então, para os mais jovens lembrar um tempo em que havia cantor, música e história para contar.


No início, éramos nós. Sempre fomos. Juntos. Hoje somos o quê? Vós? Vós e eu. Não, eu sou nós. Vamos ao amanhã. Somos convidados da natureza. E vamos continuar fazendo tudo errado. Do nosso jeito.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Fala que eu te escuto


Charge PSDB e os miseráveis, de Angeli, publicada na Folha, ajuda a medir a distância entre a oposição e a realidade política, econômica e social do País.