A Imprensa é alvo preferido de quem depende da opinião pública, como os políticos, por exemplo. É compreensível, portanto, que ladrem como cães quando se sentem ameaçados ou quando pretendem influenciar o povão. Sexta-feira, em Porto alegre, no convescote chamado de Fórum Social Mundial, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, propôs algo como um debate público sobre a atuação da Imprensa, com uma argumentação inconsistente, quase incompreensível. A luz da gramática, da ideologia, da ética jornalística ou mesmo do puro interesse político partidário, a conversa do senhor Gilberto não fecha, não cola, não convence. O que o senhor assessor número um dos dois presidentes da República Dilma e Lula quis dizer afinal com isto:
- A chamada nova classe média não pode ser deixada a mercê de ideologia disseminada por meios de comunicação... O Governo deve radicalizar a democracia e investir em comunicação de massa, sem uso de autoritarismo.
Que conversa é essa, pelo amor de Deus? O senhor Gilberto Carvalho não é jornalista nem cientista social, trata-se, como se sabe, de um sindicalista do ABC paulista que chegou ao poder através do Partido dos Trabalhadores. Esse papo de a mídia ser meio do sistema controlar a opinião pública é velho, ultrapassado, do tempo da ditadura militar, e morreu com o surgimento de novas plataformas de comunicação e da própria globalização econômica. Ao invés de falar o que ele acha que o público quer ouvir (na platéia, só havia lideranças estudantis de esquerda), o alto funcionário governista devia aceitar a convocação do jornalista Augusto Nunes, da Veja, para que explique seu envolvimento na morte do ex-prefeito de Santo André, o petista Celso Daniel. Depois do crime esclarecido, o senhor Gilberto pode então dizer a besteira que quiser sobre Imprensa, consumo, política, futebol, carnaval, etc., etc., etc.
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