segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Toc, toc, toc

Na medida em que as horas passam e as notícias vão se complementando, o caso do câncer na laringe de Lula se torna mais dramático. O primeiro grande ponto é saber quais as chances de vencer a doença. O médico Roberto Kalil respondeu hoje, segundo a rádio Estadão ESPN, que as chances são de 75 por cento. O segundo grande ponto da expectativa nacional é quanto à voz de Lula. Segundo vários especialistas ouvidos pela mídia, a voz de Lula corre sério risco de ser gravemente afetada. Isso é nitroglicerina pura na política nacional.
E o portal Uol, com informações da Folha, fez o favor de jogar um pouco de gasolina no caso com uma manchete alarmista agora de manhã: dois irmãos de Lula morreram da mesma doença. Tipo de coisa que se lê e se dá três pancadinhas na madeira em seguida.

Devagar com o andor...

A questão da influência de Lula na eleição. São dois pontos. Primeiro, o trabalho efetivo de costurar alianças, conversar nos bastidores e atuar em palanque. Segundo, o uso ou consumo da imagem. No primeiro caso, parece que ele não poderá mesmo estar presente na campanha eleitoral. Sem voz, não dá. Simplesmente. No segundo caso, não depende dele. Não se pode prever o que o povo vai pensar.
Daqui, do panorama visto debaixo da ponte, pelo que se conhece da índole do brasileiro, dá para apostar sem medo de errar que o mito deverá ser santificado. Nem mais nem menos. Lula vai virar santo. Um santo mudo, como todos os outros, mas com alto poder de influenciar o eleitorado.

Bola que rola

Outra grande rodada do futebol brasileiro. Os jogos agora são decisivos, no alto e no pé da tabela. Ninguém pode mais perder. Por isso houve tantas viradas de placar. As notícias sobre Lula atrapalharam o foco do Nacional, mas se bem me lembro:
- Grêmio e Flamengo fizeram mais um jogo histórico. Mal a bola rolou, a grande polêmica sobre a reação da torcida a Ronaldinho Gaúcho saiu pela lateral e não voltou mais. Algumas vaias e ponto final, o caso já parecia encontro casual de antigos namorados. No que interessa de fato, domínio da bola e gol, o Flamengo começou dando um banho no Grêmio. O desequilíbrio estava nos pés do jovem Thomas e nas lambanças da zaga gremista. Antes de acabar o primeiro tempo, o jogo estava definido. Mas aí entrou em campo Wanderley Luxemburgo. Ele fez o favor de desmanchar o Flamengo. Celso Roth, do outro lado, talvez como nunca em sua história de treinador, fez uma mudança estratégica fundamental: recuou Gilberto Silva para a zaga e colocou Adilson como segundo volante. O Grêmio, empurrado pela massa azul, dominou o meio campo e passou a jogar na intermediária. Os gols saíram naturalmente. Grande vitória de Celso Roth, dos jogadores e da torcida do Grêmio. Espetacular derrota para Wanderley, Ronaldinho e toda a torcida do urubu.
- O Corinthians reassume a ponta sem convencer. O timão jogou em casa contra o penúltimo colocado e só se livrou do vexame no finzinho. A grande vantagem do alvinegro são os dois atacantes, Emerson e Liedson. Ontem, casualmente, eles resolveram mais uma vez.
- O Vasco perdeu grande oportunidade diante da torcida, em São Januário. O goleirinho São Paulo, Denis, pegou tudo e mais um pouco. Um bom time para ser campeão precisa de sorte. O estoque do Vasco parece que acabou.
- Bem vinda a Portuguesa a Séria A do Brasileiro. A Lusa merece estar entre os 20 maiores clubes do País, assim como Vitória, Sport, Goiás, Guarani, Ponte Preta...
- O meia Dagoberto está confirmado no Internacional para a próxima temporada. Espera-se agora o troco do Grêmio, ou seja, o anúncio da contratação do centroavante Kleber.

Mãos ao alto

Noticiazinha muito interessante na capa de hoje do Estado: uma mulher loira entrou em uma delegacia para entregar pizza e saiu com 13 presos a tiracolo. Não, não é cena de cowboy americano, mas sim a realidade das ruas de São Paulo. A fragilidade do sistema de segurança pública não resiste a uma loira. E ainda mais com uma pizza nas mãos...  

domingo, 30 de outubro de 2011

Bico calado

Talvez o único ponto positivo do lamentável anúncio da doença do presidente Lula seja o fato, garantido pelos médicos, de que ele ficará pelo menos três meses calado. Como não gosta de escrever, ou seja, não tem intimidade com teclado nem com caneta, deve nos poupar de suas sentenças políticas, a nós, simples espectadores da cena nacional, aos ávidos e milionários ouvintes de suas palestras e, principalmente, a presidente Dilma. Estamos livres, portanto, da bússola política biruta que é referência obrigatória do debate político nacional. Lula, de fato, está fora da conversa. Pelo menos por enquanto, assim se espera. O Brasil não pode prescindir da rouquidão de Lula.

E agora, senhores?

A grande incógnita do repentino e surpreendente afastamento temporário de Lula da vida política é sobre sua influência nas eleições municipais do próximo ano. Até agora, historicamente, o presidente não tem a mesma capacidade de influenciar as eleições de prefeitos quanto de governadores. O caso, também historicamente, deve mudar com esta súbita entrada em cena da figura do câncer. Até o momento, os analistas estão divididos. Na Folha, praticamente lê-se que Lula, doente, terá influência absoluta, enquanto no Estado os analistas dizem que o câncer vai reduzir o papel de Lula nas eleições. Até o final desta próxima semana, os especialistas devem chegar a um consenso. Ou não. Mas certamente ninguém neste País tem dúvidas de que Lula vai participar do processo eleitoral e a grande maioria acha que ele, salvo do câncer, vai eleger milhares de postes Brasil afora.

sábado, 29 de outubro de 2011

Extra! Extra!

O repentino anúncio de que Lula sofre de câncer na laringe e vai se submeter à quimioterapia foi um nocaute na mídia de comunicação. O caso é absolutamente extraordinário, não havia o mais tênue boato sobre o estado de saúde do ex-presidente. Os grandes jornais e os portais se mexeram quase simultaneamente. Só a Veja patinou, pelo menos até agora, meio dia de sábado. Vamos aguardar a evolução das informações.

Reflexão política

Do velho amigo e companheiro de muitas campanhas eleitorais, o humorista Jésus Rocha, na Veja deste fim-de-semana:
- Se a moda pega, a corrupção no governo está com suas décadas contadas.

As bolas da vez

Os infatigáveis assessores de Imprensa, ou de contra-Imprensa, da presidente Dilma se apressam em garantir que não haverá mais mudança nos Ministérios até a reforma de janeiro. Não é bem assim. Não é Dilma quem decide, são os fatos. E os fatos apontam pelo menos quatro cabeças balançando como sino de vaca-madrinha. Duas por corrupção ativa, uma por incompetência e outra por despreparo técnico-político. As cabeças a prêmio atendem pelos nomes de Mário Negromente, das Cidades, Carlos Lupi, do Trabalho, Fernando Haddad, da Educação, e Ana Holanda, da Cultura. Escrevi Negromente? Então escrevi certo.   

O que a gente faz com ele?

Não sei exatamente qual o artigo do Código Penal, talvez algo como lesa-inteligência alheia, mas acho que o presidente do PCdoB, Renato Rebelo, devia ser enquadrado e recolhido a um presídio de segurança máxima o mais rápido possível. Ou a um manicômio. O cidadão auto-denominado comunista disse com todas as letras que o PCdoB é CONTRA as ONG’s porque elas são uma maneira de ocupar o espaço do Estado. Além de expressar uma ideologia contrária ao progresso e à civilidade, Rabelo está mentindo descaradamente, pois é justo o seu partido que estimula a criação de ONG’s de fachada para melhor desviar o dinheiro público em seu favor. Não há outra saída para o agora chefão do PCdob: ou cadeia ou hospício.

Pênalti

O fato mais notável dos jogos do Pan de Guadalajara é, sem dúvida, a cobertura jornalística da Rede Globo. O Jornal Nacional, com os dois editores sentados na bancada, apenas relata as medalhas conquistadas no dia. As questões comerciais da empresa não podem sobrepor-se aos fatos, disso sabemos nós e os dois apresentadores sabem mais ainda. Ontem, como em outros dias, houve conquistas relevantes do esporte nacional, disputando medalha a medalha, com Cuba, o segundo lugar na classificação geral. O desprezo ao Pan americano, pelo único motivo de ser transmitido com exclusividade pela Record, não é apenas um desrespeito aos atletas brasileiros, mas sim um desrespeito à notícia. Caso grave de falta de ética. Uma pena que o encontro da Associação Nacional de Jornais acabou, pois esta seria uma boa questão para ser discutida pelos donos da mídia. Afinal, por que a Globo não mostra uma cena sequer do maior evento esportivo da atualidade no planeta?  

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E o vento levou...

Primeiros e últimos parágrafos de longa crônica de hoje do jornalista Fernando Gabeira, no Estadão, leitura, como dizem os segundos-caderneiros, imperdível. O título é E o Vento Levou... Começa assim:
Lula aconselhou o PC do B a resistir. É preciso enfrentar o vento, não se deixar levar pela tempestade. Os orientais dariam um conselho oposto: é preciso se curvar ao vento, para que não nos arranque do chão, em sua trajetória. Existem exceções de homens e mulheres que enfrentaram a ventania de peito aberto e não foram arrastados por ela. Todos eles, entretanto, têm um ponto em comum: a defesa de uma grande causa. O ex-ministro Orlando Silva disse que estava lendo a biografia de Nelson Mandela para se inspirar. Errou de Mandela. A biografia de Winnie Mandela seria mais adequada, pela fluidez da fronteira entre política e crime em sua história pessoal. A fragilidade da resistência do governo é esta: uma causa clandestina. Ela só vale para alguns dirigentes e militantes que a consideram legítima. A causa é o direito de aparelhar a máquina do Estado para fortalecer os partidos. Por ser antirrepublicana, não pode vir à luz. Daí a insistência em fazer espumas: querer provas de que um dinheiro foi entregue na garagem, recusando-se a fornecer as provas de gastos de R$ 49 milhões.
E termina assim:
Classificar a luta contra a corrupção como algo da direita moralista, congelando-a em outro momento da História do Brasil, é a cereja no bolo do festival de equívocos. Corrupção, esporte, Copa do Mundo. Não é fórmula para vencer. Como dizer isso aos patriotas do PC do B, que têm um cargo de direção na Agência Nacional do Petróleo e constroem uma casa de campo em cima de um oleoduto da Petrobrás? Responderiam que torcemos contra o clube verde e amarelo, do qual se sentem sócios proprietários. Ainda bem que Orlando Silva se considerava indestrutível. Sua pobreza de espírito é adequada para seguir os conselhos de Lula. E ser levado pelo vento.

Tela trêmula

A transmissão do Pan de Guadalajara pela TV Record é uma espécie de salada tropical agridoce servida fora de hora. O esforço da emissora, com a jornalista Ana Paula Padrão no comando do espetáculo, é louvável e merece incentivo nesta luta aberta contra o bicho-papão global, mas os narradores, aqui pra nós, sem muito lero-lero, são insuportáveis. Os comentaristas, todos grandes nomes em suas especialidades, salvam ou pelo menos quase salvam transmissões cujo apelo desmedido à emoção deve ruborizar até os pastores evangélicos proprietários da emissora. A Record marca um ponto na luta pela audiência e os narradores perdem dois.  

Boa noite, Brasil

História estranha essa do site Wikileaks revelar que o jornalista William Waack, da Rede Globo, trabalha como informante do governo dos Estados Unidos. A notícia saiu ontem no Jornal do Brasil online, com detalhes sobre os supostos serviços prestados por Waack, mas sem nenhuma linha sequer de explicações do jornalista. A história tem jeitão de uma grande bobagem supervalorizada, mas impõe a necessidade de defesa do acusado. Afinal, como é esse negócio de jornalista de bancada de telejornal ser consultor político do governo de um outro País? O simpático Waack, que já foi crítico literário da Veja, poderia arranjar cinco minutinhos do programa de entrevistas que apresenta na Globo News para contar como, por que e quando passou a embolsar um punhado de dólares para falar mal do Brasil.

Quadrilha do B

O novíssimo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi dormir ontem com alguns traques no telhado e amanheceu hoje com forte bombardeio no quintal. A mídia recebeu a indicação de Aldo para o ministério com a lembrança de que ele foi eleito com a ajuda de doações de empresas ligadas a CBF. Não se passaram nem 12 horas e já surge denúncia de que um irmão de Aldo está envolvido no esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, o mesmo que derrubou Orlando Silva. Está mais do que na hora da presidente Dilma parar de enxugar o gelo e desligar de uma vez por todas a “refrigeração” do PCdoB com dinheiro público. O esporte brasileiro é mesmo a alegria do povo e não merece se constranger sob o comando de um bando de malfeitores travestidos de comunistas.

Na marra

E o Enem, heim? Mais uma rodada de exames que prova a absoluta incompetência do Ministério da Educação em administrar o ensino nacional. O pior dessa situação alarmante é saber que o presidente Lula quer transformar o ministro Fernando Haddad em prefeito de São Paulo. Esse cara não administra nem vestibular, já imaginou o que poderá acontecer a maior cidade da América Latina? Nem o PT quer o ministro candidato, mas Lula não abre mão. O presidente eterno, na contramão de todos brasileiros trabalhadores decentes, não quer saber do que funciona, mas sim do que elege. O Brasil não é um país, para Lula, é uma urna. E nós não somos povo, somos votos.

Huummm...

Dilma não foi à festa de Lula. A assessoria disse que a presidente estava gripada e que por isso também cancelaria a viagem ao Rio Grande do Sul. Gripada? Mas ela não tinha tomado a vacina contra a gripe? Como diz Tutti Vasquez, no Estadão, aí tem...

Alta qualidade

E o Guinness de ator mais rentável da história do cinema vai para... Samuel L. Jackson! Nada de galãs nem heróis nem gladiadores, mas sim um cara do Actor’s Stud que interpreta, com a mesma eficiência, mocinho ou bandido. Os filmes em que ele participou como protagonista ou coadjuvante arrecadaram mais de 7 bilhões de dólares. As atuações em obras-primas de Quentin Tarantino e Martin Scorcese já haviam garantido o ator como unanimidade de crítica e público, mas foram presenças em filmes de Steven Spielberg e George Lucas que catapultaram o cara para o topo da lista dos recordes.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Bola da vez

O próximo ministro a cair é do Esporte. De novo. O interino deve durar, no máximo, até amanhã à tarde. Com menos de 24 horas no cargo, Waldemar Souza já acumula denúncias de pelo menos três casos indefensáveis de desvio de verbas. Ou Dilma fala sério ou o povo vai acabar percebendo a conivência tácita do governo que não rouba, mas deixa roubar.

Ética digital

A Associação Nacional de Jornais está debatendo ética nos meios de comunicação na era digital. Os debatedores representam as principais empresas de comunicação do País, como Globo, Estadão, Folha, Abril e RBS. A conclusão é óbvia, a ética vale para qualquer plataforma, seja digital ou analógica. O representante da Zero Hora abordou ontem a questão da ética do ponto de vista da liberdade de expressão, dando exemplo dos blogs e perguntando, afinal a quem pertence o blog, ao jornalista ou a empresa? Creio que o rapaz está mais preocupado com problemas trabalhistas e não com o conteúdo editorial, pois isso remete diretamente ao controle da informação, algo que o jornal gaúcho jamais praticou. Outro debatedor, este de O Globo, deteve-se no ponto, ética jornalística é ética jornalista, independe o meio ou sistema de comunicação, e arrematou “no fim das contas a gente tem que sempre voltar para os mesmos valores que sustentam o jornalismo tradicional, que é o respeito pela notícia”.
Os jornais impressos hoje, na verdade do cotidiano da mídia são a grande referência para a chamada imprensa digital. A Internet acabou com a venda física dos jornais, mas impulsionou, talvez sem querer, a importância dos conceitos editoriais primários, tanto na questão da veracidade dos fatos quanto da abrangência da notícia. Sem jornais diários não haveria os portais. E blog, claro, como tudo que sai publicado, não é do jornalista nem da empresa, mas sim do leitor.

Demitido para sempre

O ministro caiu em novembro como caem as mangas em fevereiro, de podre. A presidente Dilma prolongou ao máximo aceitável a demissão inevitável e acabou provocando um sentimento de alívio nacional. Ufa, pensam todos agora de manhã, finalmente o cara caiu. Ninguém agüentaria mais um dia de Orlandinho ministro do Esporte. Isso, enfim, é página virada ou fritura jogada no lixo. A grande questão desvendada pelo episódio das denúncias no Ministério continua de pé: o aproveitamento político partidário de cargos públicos para desvio de verbas. Esse é o ponto. Se o PCdoB continua no comando do Esporte, o País, a República, o futebol brasileiro, todo mundo, afinal, corre risco de ser vilipendiado e expropriado, para não dizer claramente desprezado e roubado pelos comunistas que dispensam a vergonha na cara para atingir seus propósitos políticos –e financeiros.

O próximo da fila

O apetite da mídia conservadora e golpista, como quer o antigo núcleo duro do PT, é insaciável. O cadáver político de Orlando Silva ainda nem esfriou e já há jornalistas perguntando, “mas, afinal, quem é o próximo?” A presidente Dilma já assumiu o recorde nacional de queda de ministros por corrupção e parece que não terá dificuldades em ampliar a conquista. Há dois ministros com laço no pescoço, Mario Negromonte, das Cidades, e Carlos Lupi, do Trabalho, se bem que este tem tão boas relações com o Planalto que usa o nó da forca como um cachecol fashion, não está nem aí para o que dizem sobre a manipulação do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Ana Holanda, da Cultura, também se equilibra na corda bamba, mas não tem nada a ver com corrupção, o problema é mais de coordenação de idéias. Então, algum palpite?

"Me aguardem..."

Neymar é mais inteligente do que parece com aquele cabelo moicano platinado. Ontem, ele deu uma resposta esperta quando um jornalista perguntou quais suas chances na Bola de Ouro da Fifa. “Estou abaixo dos três do Barcelona”, disse o garoto santista, referindo-se a Messi, Iniesta e Xavi. O que também pode querer dizer, claro, que ele se considera acima dos demais 47 nomes da lista de indicados da Fifa, incluindo Cristiano Ronaldo, Roonney, alemães, italianos, holandeses, latino-americanos e toda a legião de afro-descendentes do futebol europeu. E tem razão.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mercado da bola

Há pelo menos dois grandes jogadores com o cartaz de vende-se pendurado no pescoço. Kléber e Dagoberto. Os dois são geniais e temperamentais, do tipo que apaixona torcida e desespera dirigente. De bate pronto, sem pensar duas vezes, queria os dois no meu time. Eu gosto de futebol dentro do campo, o que acontece na concentração é problema de quem está concentrado ou de quem dirige esta espécie de excrescência esportiva.
Sonhar não custa nada. Kleber e Dagoberto com Douglas e Escudero formariam um quarteto de frente de alto respeito. O imortal já seria um esboço de time grande para a próxima temporada.

A cova dos insensatos

A ida do ministro a Câmara foi um desastre. Acusado de corrupção ativa, o ministro queria falar sobre Copa do Mundo, numa fantasiosa e cretina tentativa de gerar uma agenda positiva. Hoje parece que o governo enfim admite o caso como encerrado. O substituto, arranjado ontem à noite em rápida conversa entre Dilma e o presidente do PCdoB, deve ser o indefectível Aldo Rabelo, um dos únicos do partido comunista livre de acusações de corrupção, mas que entende tanto de futebol ou de esportes em geral quanto um marciano recém desembarcado no planeta. Politicamente, sem dúvida, é como tirar o José e botar o Dirceu. O galinheiro continuará a ser estuprado.  

Tropa de elite

Muito boa a ida do ministro dos Esportes a Câmara Federal.  Estava tudo bem pensado e pesado para que Orlandinho desfiasse a cantilena dos caluniados sob a proteção carinhosa da inefável base aliada do Governo Federal. Os espertinhos apenas não contavam com a astúcia do Supremo Tribunal Federal. Quando Orlandinho sentou na cadeira da Cãmara já estava na desconfortável condição de ministro investigado pelo STF. Quer dizer, qualquer criança do primeiro grau sabe que assim não pode, assim não dá.
O deputado ACM Neto (DEM/BA) não perdeu tempo, foi direto ao ponto e desconstruiu a farsa governista, olhando nos olhos do ministro: “não admito este clima de normalidade. A vinda de Vossa Excelência aqui é uma afronta ao povo brasileiro. O Brasil quer o senhor longe do Ministério dos Esportes”.
Outro deputado do DEM foi ainda mais direto: “pede pra sair, pede pra sair!!!”

O chefe dos índios

O caso do casco duro do ministro Orlandinho já está virando um legítimo pé no saco enquanto não vem o devido pé na bunda. Na verdade, daqui do panorama visto debaixo da ponte, parece que há um hiato de poder no Governo Federal. Afinal, quem manda mesmo? Entre o fato escandaloso e a decisão da demissão há uma distância imensurável. Pode ser tudo: descaso com a opinião pública, medo da pecha da corrupção, falta absoluta de quadros credenciados, indecisão política, ridícula presunção de inocência, mas seja lá o que for mostra claramente que há um poder paralelo dentro do poder real. No governo Dilma, ninguém manda mais, nem ela mesma, que o eterno presidente Lula. Não foi por acaso que ele reapareceu meteoricamente na cena nacional com um cocar de cacique na cabeça.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Casco duro

Orlando Silva mandou uma carta aos militantes do PCdoB para se defender das denúncias de desvio de verbas públicas no Ministério dos Esportes. Não se defendeu de nenhum caso específico, apenas atacou um suposto "reformismo das forças conservadoras". Na parte mais enfática e enigmática da carta, o ainda ministro diz que "me sinto indestrutível, porque contigo, meu partido, não termino em mim mesmo." À primeira vista, o ministro tomou uma dose dupla do fortificante Lulex, para levantar a moral de portadores de moléstias éticas, mas um olhar mais politicamente paranóico permite identificar uma ameaça direta à direção nacional do partido. De um jeito ou de outro que se olhe, o espetáculo do gato em cima do telhado deve continuar em cartaz, ou não, com episódios cada vez mais divertidos para a platéia.

Inimigos cordiais

Cerimônia muito interessante hoje no Palácio da Alvorada. A presidente Dilma recebe para conversa e jantar o grupo The Elders. Não, Os Anciãos, em português, não são uma velha banda de rock, mas sim um grupo de líderes mundiais que trabalham pela paz. O líder da banda, ou melhor, dos velhinhos pacifistas, é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também sentarão á mesa com Dilma, o arcebispo Desmond Tutu, o ex-presidente Jimmy Carter e outras antigas celebridades. Mandela não vem para fazer a percussão porque está doente. Em cenário de visibilidade internacional, FHC e Dilma se reencontram sob intensa desconfiança de PSDB e PT. Mas pense o que pensarem os políticos partidários, o encontro é uma questão de diplomacia, não tem nada a ver com antigos rancores do tempo do rancoroso.
A matéria da Folha de hoje começa lembrando que Fernando Henrique demorou nove anos para voltar ao Palácio da Alvorada. Lula jamais na história de seus oito anos de mandato convidou o ex-presidente para qualquer tipo de cerimônia. Não se sabe se Dilma parece dois centímetros mais alta ou se Lula é mesmo dois centímetros mais baixo. Boa questão para o cerimonial do Palácio.

Carne dura

Já está entrando pelo terreno da maldade a fritura do ministro dos Esportes, Orlando da Silva. O cara está mais do que frito. Basta retirar do fogo e jogar no lixo. A manchete de hoje da Folha diz que ele mesmo assinou, do próprio punho, como dizem os peritos criminalistas, um documento reduzindo a contrapartida do Ministério dos Esportes para liberar verba para ONG de João Dias, o mesmo policial militar que o ministro chamou de bandido e desqualificado. O que mais será preciso para tirar a frigideira do fogão? Parece coisa de cozinheiro perverso ou cozinheira perversa.  

Precinho de promoção

A Imprensa nacional está levemente alarmada, se isso é possível, com a revelação dos gastos oficiais do Governo Federal com propaganda. Dilma gasta 42 por cento menos do que Lula. Parece uma conta clara. A diferença está no índice de popularidade dos dois.

Esboço de medalhas

O Brasil é segundo colocado no Pan de Guadalajara, mas tem desempenho bem abaixo do esperado –ou pelo menos do potencial do esporte brasileiro. Ontem os atletas deixaram algumas medalhas de ouro escorrer entre as mãos, como no caso do basquete feminino e do handebol masculino. Será que isso tem alguma coisa a ver com as denúncias de corrupção no Ministério dos Esportes? A primeira vista, não, mas se a gente pensar um pouquinho, nos investimentos de longo prazo que deveriam ter sido feitos no esporte nacional, a coisa muda de figura.  Afinal, o Ministério é hoje uma usina de moeda eleitoral e quase nada tem a ver com o esporte, a não ser, claro, a propaganda sobre o esporte.

A realidade pura

A Fifa anunciou hoje a lista dos 50 melhores jogadores do mundo que disputam a Bola de Ouro de 2011. O Brasil nunca esteve tão pouco representado. São apenas dois jogadores, Neymar e Daniel Alves. Só o time do Barcelona tem citados Messi, Iniesta, Xavi, Fábregas, Piqué, Puyol, Villa, Dani Alves, Abidal e Sanchez. E eu nem sei quem é o tal de Sanchez. Neymar, nosso grande orgulho, deve estar na cerimônia de premiação, mas com pouca ou nenhuma chance de ganhar um troféu que já foi de craques como Romário, Rivaldo, Ronaldo, Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Deve ficar para a próxima.   

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Reciprocidade



Laerte, hoje na |Ilustrada, depois de várias semanas tateando na escuridão da criatividade parece estar de volta à genialidade de sempre.

Bola que rola


Campeonato brasileiro. O bicho vai pegar. Ou melhor, já está pegando. Pode-se ver a luz na boca do funil. Deve dar um alvinegro apesar da minha modesta torcida contra. A ponta de baixo da tabela também começa a se acomodar, mas não deve surpreender ninguém. Ali é o mais puro merecimento. Cai quem joga menos. Assisti três jogos pela tevê e anotei de cabeça alguns detalhes. Vamos ver se lembro:
- O Botafogo subestimou o desespero do Avaí. Elksson não pode ser banco de Herrera, joga mais. E aquele zagueiro com cabeleira de pavão tem que passar primeiro pelo barbeiro para depois entrar em campo à procura da canela dos outros.
- O pontinha Kleverson do Avaí fez um golaço de bicicleta e criou várias situações até ser substituído. A torcida catarinense mereceu o esforço do time para se livrar da degola anunciada. Pelo menos ganhou mais duas rodadas para sonhar com o impossível.
- O Grêmio conseguiu empatar com o pior time do campeonato. Chegou a virar o placar, mas vacilou no fim. Não sei como foi o jogo, não vi, mas acho que a culpa é do Celso Roth. Simples assim.
- O Internacional mostrou ao vivo e em cores que não tem time para figurar entre os que levam vaga a Libertadores. Não sou colorado, sou imortal, mas dá nos nervos ver tanta dificuldade para tocar a bola no meio do campo, organizar o ataque e finalizar a gol. O meia D’Alessandro, bom jogador, é muito nervosinho e expõe seu time a riscos letais. Levou um amarelo de graça e um vermelho absolutamente desnecessário. Na seqüência, o Corinthians empatou. E o Inter deu adeus as chances de chegar ao título.
- O Flamengo sem Ronaldinho e Thiago Neves é um timeco. Wanderley grita o tempo todo com Negueba, como se o menino fosse culpado pelo mau desempenho de todo o time. O meia Thomas, conforme está escrito na camisa dele, e não Tomás, como o Sportv grafou com ares professorais, é muito bom jogador. O Flamengo continua uma usina de craques, na mesma fornada estão Gallardo, Adrian, Negueba, Vanderley , por isso é que ainda disputa e às vezes ganha títulos.
- O Bahia não segurou o Vasco. Não vi o jogo, não sei o que de fato aconteceu, mas imagino, com aquele meio campo que soma mais de 100 anos de idade. Daqui de casa, ouço os foguetes da torcida do Bahia a cada gol. Ontem foi um silêncio de dia santo, com um ou outro estourinho, certamente provocados pela torcida do Vitória. Repito que o Vasco não tem time para ser campeão nacional, mas já está com as duas mãos esticadas em direção à taça.
- A transmissão do Sportv do jogo Flamengo e Santos foi de doer. O narrador e o comentarista até que se saíram bem, pelo menos em comparação aos alucinados da Globo e da Bandeirantes, mas os cinegrafistas e o diretor de TV deram um show de como não se deve mostrar uma partida de futebol. O enquadramento da foto principal é muito distante, mal se vê os jogadores e o replay usa câmeras de diversos ângulos, sem o ângulo normal, o que impede na prática de ver o gol novamente. É um erro técnico. E grave.
- Neymar. Este é o cara, sem dúvida. Com pelo menos mais dois companheiros de, digamos assim, fino trato com a bola, resolve qualquer partida. No Santos, com a companhia de Ganso, Borges e Elano, pode até vir a ganhar o mundial contra o Barcelona. É difícil, quase impossível, mas futebol é futebol, acontece de tudo. Na Seleção, com Ronaldinho, Lucas e um outro gênio que ainda vai surgir até a Copa, pode nos dar alguma esperança contra times poderosos como Espanha, Holanda, Itália, Alemanha, Argentina... Mas acho que com Mano no comando do time vai ficar mesmo só na esperança.  

Bola furada

Sinal vermelho para o futebol brasileiro –e piscando. A Seleção arranjada pela CBF para disputar o Pan deu um vexame histórico no México. A garotada jogou três partidas, fez só dois golzinhos e levou quatro. E jogou contra Argentina, Cuba e Costa Rica. Fora os hermanos, os outros dois times não existem no cenário internacional.
A Seleção principal, como se sabe, anda caindo pelas tabelas, sem padrão de jogo e recheada de volantes de contenção. Um time feito para empatar. O Brasil de verdade, como também se sabe, é um pouquinho maior, umas 100 vezes talvez.  
O pior de tudo é que não há para quem apelar. Pelé? A Fifa? O Papa? A única esperança, na verdade deste mundo milionário do futebol, é o bom senso, o que nos deixa, claro, com as barbas de molho.

No vai da vela

Velejadora Patrícia Freitas ganhou medalha de ouro no Pan e a mais tendenciosa chamada de capa da UOl dos últimos tempos: musa  da vela descobre ouro ao ver streptease de seu técnico. Não, não é nada do que você está pensando. Patrícia havia fechado a última raia, estava navegando de volta ainda sem saber o resultado da soma dos pontos e viu seu treinador tirar o abrigo para se jogar n’água, só então percebeu que ganhara a medalha. A construção do título foi obra do redator engraçadinho. Ou seja, apenas uma apelação gratuita e desnecessária.
Mas falando em apelação, a capa do portal tem razões editoriais que a própria razão jornalística desconhece. Na parte alta, notícias dos fatos do dia. Do meio para baixo começa um festival de notas promocionais de sub-celebridades, com fotos, no pior estilo Contigo. Por que? Para atrair leitores e anunciantes? Jornalismo é retrato da realidade e não uma aquarela adocicada para aumentar o faturamento da casa. Foto AFP

Negociatas de alto nível

A jornalista Renata Lo Prete, da Folha, informa hoje em na coluna Painel sobre o apetite do PT em ocupar cargos no Banco PanAmericano no minuto seguinte à sociedade feita com a  Caixa Econômica Federal, em 2009.  O comandante do lobby, em nome do Governo e do partido, era o ex-ministro Luis Gushiken. A sociedade com a CEF deu fôlego ao PanAmericano para negócios durante 2010 até quebrar este ano, com um prejuízo em torno de R$ 4 bilhões.

Fogo (mui) amigo

O caso Orlando Silva deve dar muito pano para manga esta semana. Dizem quase todos os jornalistas políticos sérios do País que o PC do B está uma arara alucinada com o que considera uma grande trama da Casa Civil da Presidência da República para desestabilizar o partido. Se o caso continuar evoluindo como se espera, com novas denúncias e provas das já existentes, o PC do B não vai ser apenas desestabilizado, mas sim absolutamente liquidado.  

domingo, 23 de outubro de 2011

No controle



Laerte, hoje, na Ilustrada.

Os nossos inimigos estão no poder

Interessante. Ou impressionante. Tanto faz, adjetivos são apenas adjetivos. O que vale de fato são sujeitos, verbos e objetos. Então, interrompido pela falta de conexão a Internet, sem poder passar a vista matinal no noticiário, fiquei cá a pensar na vida de antes de tudo virar o que virou. Há um sol tímido no céu da Bahia, sabiás e bem-te-vis do quintal parecem ensaiar para a banda do colégio, posso tamborilar reminiscências à vontade no teclado deste dino tech a meia bomba enquanto o sinal da web não vem.
Creio que nenhum de nós imaginava, no início dos anos 80, em plena agonia da ditadura militar, que o processo livre democrático restabeleceria liberdades políticas e de expressão individual, mas daria voltas em torno de si mesmo até se acomodar no mesmo monturo de autoritarismo e desigualdades então oferecido pelo sistema ao povo brasileiro. Já se passaram mais de 20 anos desde que a sociedade civil voltou ao poder e o País não consegue se desvencilhar do atoleiro da falta de educação, de saúde, de saneamento, de segurança e da abundância de desvios de verbas públicas, de enriquecimentos ilícitos, de impunidade e de corrupção absoluta entre as classes política e empresarial. Na verdade, nunca na história desse País os políticos governistas roubaram tanto do Brasil. Hoje, a falta de ética e a propina são duas pragas de norte a sul. Ah, sim, registre-se também que os pobres hoje tem um cartãozinho salva-vida para comprar pão e votar nos benfeitores do povão.
Gente como eu e alguns amigos, todos veteranos nascidos e criados dentro de redação de jornal diário, ficamos surpresos e assustados, a cochichar pelo telefone, quando estouram novos escândalos de corrupção e lá estão alguns antigos companheiros denunciados como corruptos e malfeitores. Antigos companheiros que acreditavam nos Beatles e nos Rolling Stones e na revolução socialista e na liberdade de Imprensa e no amor livre e hoje manipulam verbas públicas em troca de presentes como apartamentos, automóveis importados e polpudos depósitos em conta corrente.
Os notáveis candidatos esquerdistas a mudar, ou pelo menos reequilibrar os valores éticos, morais e trabalhistas do País apenas se apoderaram das bandeiras de consciência empunhadas pela juventude e a sociedade civil organizada, e assumiram eles mesmos o trono de caciques de um povo ainda hoje tratado como índios idiotas.   
A conexão com a Internet voltou, vou passar os olhos no noticiário do domingo. E parar de pensar que tudo fica muito pior, mas muito pior mesmo, se a gente lembrar que o atual presidente é um ex-operário mutilado e a atual presidente é uma ex-guerrilheira. Há dois presidentes mandando no Brasil e nenhum deles está de fato preocupado com o País e seu povo. Os dois estão aí apenas pra fortalecer seu grupo político e evitar que os brasileiros conquistem de fato um mínimo de decência na vida pública.

sábado, 22 de outubro de 2011

A margarida

O presidente Lula reapareceu. Por trás das cortinas, mas reapareceu. Diz O Globo de hoje que ele mandou recado para o PC do B: “vocês e o ministro tem de resistir”. É isso mesmo: “Vocês tem de resistir”. Os fatos não interessam a Lula, só interessam as versões que possam interferir no processo eleitoral. Foi assim que ele se elegeu duas vezes e quer se eleger a terceira. E com a mesma quadrilha a tiracolo.

Onde está Wally?


Nunca na história desse País ninguém teve tanta capacidade de entrar ou de sair do noticiário quanto o presidente Lula. Ninguém. Agora, quando seu “velho amigo e irmão” Muammar Khadafy foi apeado do poder por uma revolta popular, capturado num cano de esgoto e executado à bala e um seu outro grande companheiro de lutas políticas eleitorais, ministro Orlando Silva, foi flagrado no comando de um inacreditável esquema de desvio de verbas milionárias, o presidente Lula simplesmente sumiu. Ninguém sabe ninguém viu. E nem adianta procurar. 

A hora do morto-vivo

A presidente Dilma gastou uns pontinhos de sua popularidade para dar um mínimo de oxigênio ao ministro moribundo Orlando Silva. Dilma decidiu gastar um pouco da gordurinha para evitar que o ministro batesse o recorde nacional de queda rápida, com a incrível marca de uma única semana entre a denúncia e a demissão. Afinal, é preciso tempo para que os rastros da corrupção sejam apagados no Ministério dos Esportes e para que o caso perca o aspecto de rito sumário que caracterizaria mais um round a favor da mídia golpista.
Há várias outras leituras, claro, mais sérias e profundas, sobre esta surpreendente decisão de Dilma em adiar a morte mais anunciada dos últimos tempos. Pode-se ler em colunas e blogs sobre uma suposta chantagem política do PC do B, disposto a sair atirando, numa espécie de remake da guerrilha suicida, pois o partido, no frigir dos fatos, não admite perder o principal ponto de apoio para as eleições municipais do ano que vem. Há também considerações a respeito do interesse do PT em assumir uma pasta muito promissora em termos de, digamos assim, sustentabilidade política partidária.
De uma maneira ou de outra, por isso tudo e por muito mais que a gente nem imagina, o ministro continua zumbi. Ou o zumbi continua ministro. 

A voz do dono

O ministro Guido Mantega, arauto permanente da solidez da economia nacional, está mudando pouco a pouco a direção do discurso. Por enquanto, grau a grau. Prestem atenção. Dia a dia a perspectiva piora, ora pela crise européia, ora pela China. É bom ficar de olho no índice da inflação e preparar o escafandro. Vem marolinha aí.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fifa x Brasil

Os anúncios da Fifa ontem sobre a Copa do Mundo e a Copa das Confederações desnudaram algumas certezas neste mar de informações e lorotas que afoga o noticiário esportivo nacional.
- O senhor Ricardo Teixeira ainda é, sim, o nome forte do Brasil no mundo do futebol.
- O Governo brasileiro quase nada tem a ver com a organização da Copa.
- A Fifa já faturou mais com a venda dos ingressos VIP para a Copa do Brasil do que na Copa da África do Sul.  
- O Rio Grande do Sul ficou fora da Copa das Confederações porque a Federação gaúcha não tem boas relações com a CBF. O povo gaúcho é quem vai pagar o pato mal assado.
- Salvador perdeu espaço para Fortaleza, apesar de ser uma cidade bem maior e com melhor infra-estrutura urbana e um grande estádio em reconstrução, além, claro e evidente, de ter a torcida mais apaixonada do País.
- A Seleção brasileira corre o risco sério de não jogar no Maracanã, o maior templo do futebol mundial. Esta é a maior prova de que o mundo esportivo brasileiro já levou o primeiro drible dos exploradores da bola. 

Coisas da vida

A história do ministro Orlando Silva dá um belo filmezinho de segunda categoria. Nascido na garganta da Cidade Baixa em Salvador, criado no bairro-invasão do Lobato, no início da velha e trágica Avenida Suburbana, desvencilhou-se cedo do destino traçado para os seus iguais. Amigo da garotada, estudante não muito aplicado, logo descobriu a militância política e entrou para o partido de ideologia mais radical de seu tempo. Os amigos ficaram por lá, dando um tempo dando um jeito, correndo da Polícia e encarando trabalho duro para sobreviver. Orlando vestiu paletó e gravata, chegou a Brasília e, tchan tchan tchan, virou ministro de Estado. Os meninos marcados para a marginalidade social ainda estão pela Cidade Baixa, alguns em cana, muitos pendurados num andaime da construção civil ou dirigindo ônibus ou vendendo seu peixe de qualquer maneira. O menino esperto que virou político é a estrela da vitrine da bandalheira nacional. É isso. Desce o pano, fim.  

Em nome de Allah

O nome de Muammar Khadafy expresso pela Imprensa brasileira tem uma grafia tão diversa quanto as roupas espalhafatosas do ditador. Não há dois jornais que escrevam o nome do cara da mesma maneira. Ontem, até a Veja chegou a grafar duas formas diferentes em sua edição online. O K, aqui ou ali, perde vez para o G, e o H muda de sílaba à vontade do redator. Como um patinho feio que não quer seguir a ninhada errada botei um Y no final, em graciosa homenagem à liberdade.   

Cadê o sol, meu rei?

Perguntinha baiana que continua sem querer calar nesta outra manhã muito fria em Salvador:
- Cadê o aquecimento global, pelamor de Deus?

É só o fim

O programa do PC do B exibido ontem à noite em cadeia de televisão –e não na cadeia, como merecem seus dirigentes– foi comovente. O texto lido por uma atriz deu até vontade de chorar de tão ruim, quase cretino. As denúncias de expropriação de verbas federais são muito sérias e injustificáveis. O PC do B devia assumir seus erros e não tentar posar de paladino da justiça, com um filmete cheio de efeitos especiais e depoimentos enganadores. O que se sabe hoje, e isso não é especulação, é que o Governo Federal não deve manter o partido à frente da pasta dos Esportes, mesmo porque não há um nome sequer do PC do B capacitado para o cargo. O sonho do dinheiro fácil acabou.

Viva Khadafy

A morte de Muammar Khadafy foi comemorada como gol do Brasil em final de Copa do Mundo pela direção e militantes do PC do B. Se o Ministro dos Esportes continuasse estrelando o noticiário, como seguidas denúncias mais cabeludas que as outras, segundo avaliam os especialistas do outrora partido comunista, o senhor Silva, este, não aquele, não seria apenas demitido por corrupção, mas sim linchado nas ruas como inimigo público número 1.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Imortalidade tricolor

O centroavante Borges fez mais um belo gol ontem à noite e já é o artilheiro do Santos em campeonatos brasileiros, marca que durava 18 anos em poder de Serginho Chulapa. Borges mandou um recado direto à diretoria do Grêmio, clube que o dispensou depois de uma expulsão em jogo decisivo: "Os caras do Grêmio entendem muito de futebol, né? Virei bode expiatório por uma expulsão. Poucos dias depois, cheguei aqui em Santos e pude mostrar o meu valor. A diferença é que aqui eu sou muito bem tratado por todos. Por isso, estou podendo colher os frutos".
Borges tem razão em ironizar a competência dos dirigentes gremistas. O Grêmio, nos últimos anos, tem cometido alguns erros inexplicáveis, como perder profissionais capacitados, Mano Menezes, Diego Souza, Souza, Renato Gaúcho, Borges, etc., e só conseguir repatriar dois veteranos, Fábio Rockenbaker e Gilberto Silva, para a mesma posição. Neste período, o time foi superado pelo Flamengo na contratação de Ronaldinho, não ganhou títulos e hoje está a alguns dramáticos pontos de distância da classificação para a Taça Libertadores da América. Pouco para um imortal que dispensa craques.

Brrrr...

Perguntinha que não quer calar nesta manhã muito fria em Salvador:
- Cadê o aquecimento global?

É só o fim

O fim do mundo tem nova data: amanhã, sexta-feira, 21 de outubro de 2011. A previsão é do pastor norte-americano Harold Camping, aquele mesmo que havia previsto que o mundo acabaria em 21 de maio, mas errou nos cálculos. Ontem ele comunicou do alto dos seus 90 anos que agora é para valer, “o fim está chegando muito, muito silenciosamente. Provavelmente ninguém sofrerá ...” Por via das dúvidas, pague seus pecados hoje.

Amantes se dão...

Chamadinha muito interessante na capa da Folha de hoje: o freguês quer lençóis usados de hotel, motel ou hospital”? A resposta pode ser enviada para o Ministério da Saúde ou a Polícia Federal, o freguês escolhe.

O urubu alvejado

O que aconteceu com o Flamengo ontem à noite no jogo contra o Universidad do Chile? O time foi surpreendido em campo pela pegada dos chilenos. O grande campeão brasileiro não soube neutralizar as jogadas ofensivas de um timeco de baixotes razoavelmente habilidosos e metidos a velocistas. O que se viu no Engenhão foi exatmente ao contrário das previsões dos próprios jogadores e da crônica esportiva. Não há culpados, ou melhor, todos foram culpados pelo vexame histórico. Wanderley Luxemburgo disse apenas que estava envergonhado. Eu também, e olha que não torço pro Flamengo, apenas admiro o bom futebol. Ontem, no meio do segundo tempo desisti e fui dormir, mais ou menos o que deve ter acontecido com Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves, Deivid...

O que é que a Bahia tem com isso?

A Bahia, por uma questão de justiça histórica com a Terra do Precedente, está no rastro da denúncia de alta corrupção do PC do B no Ministério dos Esportes. O jornal O Globo de ontem informou que o pálido Município de Conceição do Jacuípe é cenário de mais um caso escabroso dos auto-denominados comunistas assentados no poder. Ressumindo: o Município recebeu este ano  um milhão e 280- mil reais do Governo Federal para obras de habitação e saneamento básico; uma fábrica de jogos de mesa (dominó, damas e xadrez) da mesma pequena cidade recebeu dois milhões e 800 mil do Ministério dos Esportes, via PC do B, para fazer 180 mil tabuleiros de damas e xadrez. Só isso, sem mais conversa, já valeria a prisão dos envolvidos.

No gogó

E o Orlando Silva, heim? O ministro demonstra incrível habilidade na corda-bamba. É um mestre do palavrório inconsistente, o mesmo largamente exercitado pelos ex-líderes governistas Antonio Palocci, José Dirceu e outras piranhas miúdas quando pegos com os dentes cravados nas verbas públicas federais.  Se esse cara não for demitido nas próximas horas corremos o risco de ver instituída oficialmente a bandalheira geral.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Qualquer negócio

O jornalista Augusto Nunes, da Veja, e um dos mais credenciados tecnicamente da Imprensa nacional, publicou ontem uma coluna-desabafo sobre o que ele chama de jornalistas a serviço do Brasil Maravilha. Nunes se mostra indignado com a atuação dos repórteres e blogueiros a soldo do governo petista para livrar o ministro dos Esportes da demissão iminente. Mas não citou um chapa-branca sequer. Na verdade, convenhamos, além dos pruridos éticos do colunista da Veja, é muito difícil identificar o pessoal do amém. Fora o permanente conflito ideológico profissional do povo da revista Carta Capital e de alguns ícones da quinta coluna do jornalismo nacional, como Paulo Henrique Amorim, é preciso prestar atenção ao noticiário diário dos portais e jornais para identificar os fiéis portadores da palavra oficial do Governo. Ontem, por exemplo, surgiram notas favoráveis ao ministro em meio as notícias no Uol, Terra e até no Estadão. Quem sopra o diapasão nesses casos é o Jornal Nacional. O espaço dado no telejornal é a medida da importância do fato e o conteúdo se expressa nas múltiplas versões. Ontem, o JN dedicou mais de cinco minutos ao assunto, com destaque para as denúncias, um referência clara de que lado está a verdade da notícia. Os jornalistas chapa-branca não são maioria e tem peso mínimo na mídia, Nunes sabe muito bem disso. Na verdade, servem apenas para irritar quem trabalha em nome da Imprensa e não do patrão. Essa gente tem tanta importância quanto às veteranas prostitutas de plantão nos hotéis de Brasília.

A hora da fera

Mick Jaeger está no Brasil, em São Paulo. O maior cantor da história do rock e também o maior pé frio da história do futebol veio ao País ver o filho. Jaeger, apesar da fama de bad boy, é um cara do bem, capaz de vir ao Brasil vez em quando para buscar o filho no colégio. Dizem, claro, que também vem para bater o ponto com sua amada mais antiga, Luciana Gimenez, aqui pra nós ainda uma senhora muito gostosa, como diria Rafinha Bastos. Domingo, vai estar no Pacaembu, para ver o Corinthians. Sorte de Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense.
Para curtir o deus, sete minutos de simpatia pelo demônio, vídeo acessado 30 milhões de vezes no Youtube. Suba o som e balance o esqueleto.

Goleador oportunista

O grande ex-centroavante do futebol brasileiro, Romário, estreou ontem nas transmissões do PAN no Mèxico pela TV Record. As transmissões dos narradores e comentaristas da TV do dízimo evangélico parecem baseadas no pior do maior narrador nacional, Galvão Bueno. O estilo épico e ufanista é levado às raias do absurdo em modalidades que nada tem a ver com emoção, mas sim técnica e arte, como ginástica rítmica e nado sincronizado, por exemplo. O que Romário está fazendo no meio desse povo? Política. Como comentarista esportivo Romário é um bom deputado federal, ou razoável candidato a prefeito do Rio.

Falou e disse

Abertura da coluna de Tostão, um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, hoje na Folha:
INDEPENDENTEMENTE SE o ministro do Esporte, Orlando Silva, está ou não envolvido em falcatruas, é preciso mudar, em todos os ministérios, esses tipos de repasses de dinheiro para entidades, via interesses de políticos, de partidos e de "amigos". Tudo isso facilita a corrupção. É o país da troca de favores e da ética da conveniência, duas pragas nacionais.

O vai da valsa

O escândalo no Ministério dos Esportes está evoluindo naturalmente. O ministro Orlando Silva foi à Câmara Federal dar explicações sob forte blindagem da famigerada base aliada. O ministro tentou desqualificar o denunciante e afirmou que a compra de um terreno marcado para desapropriação pela Petrobrás é “regular”. O denunciante diz que “muita água vai rolar” e avisou que tem gravações que comprometem todo o Ministério dos Esportes. A oposição, por enquanto, pisa em ovos e tomates, mas deverá jogar todos em cima de Orlando Silva nas próximas horas. Um dos líderes oposicionistas, deputado ACM Neto, disse com todas as letras que o caso é “estarrecedor”. A presidente Dilma anunciou que ela mesma assumirá a Copa e tirou poderes do ministro dos Esportes. A FIFA já deixou claro que o ministro acusado de corrupção é “uma pedra no sapato”.
Até agora não se ouviu uma palavra sequer do homem que montou esta equipe ministerial para garantir a tal de governabilidade. E nem se tem muita certeza de que a ave de rapina com cara de cachorrinho de estimação vai mesmo ser defenestrado do poder.

Estarrecedor

A caixa de sapato cheia de notas de 50 e 100 reais não é o detalhe mais “estarrecedor” do caso do Ministério dos Esportes nem a anunciada fita com gravações altamente comprometedoras. O detalhe que faz corar o mais beato dos parlamentares está no terreno comprado pelo ministro Orlando Silva em Campinas. Os moradores do condomínio em construção contaram que dois meses atrás técnicos da Petrobrás foram até o local avisar que alguns terrenos seriam desapropriados, ou melhor, os terrenos do lado esquerdo. Adivinhem agora de quem é o primeiro terreno do lado esquerdo? Uma batata quente para quem respondeu Orlando Silva.

O bode da vez

Ninguém entendeu ainda por que o governador de Brasília, Agnelo Queiróz, é citado a torto e a direito pelos envolvidos no caso do Ministério dos Esportes. A manchete da Folha de S. Paulo de hoje dá um little help para os leitores mais distraídos: O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), é alvo de inquérito no STJ por suposto envolvimento em fraudes no Ministério do Esporte, quando titular da pasta, no 1º governo Lula. O nome do governador apareceu em investigação da PF para apurar desvios de recursos do programa Segundo Tempo. Há suspeitas de apropriação indébita, estelionato, uso de documento falso e falsificação. Entendeu? Uma outra batata quente de prêmio para quem pensou que o governo colocou um bode expiatório no rastro do escândalo que acabaria explodindo lá atrás, bem no meio do governo Lula. O bode chama-se Orlando Silva.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Aviso aos navegantes

O ministro Orlando Silva está tentando envolver o governador de Brasília, Agnelo Queiróz, nas denúncias de corrupção no Ministério do Esporte. De todas as possíveis leituras da estratégia, tiro no pé, abraço de afogado, chantagem política, etc., uma é definitiva: o ministro já caiu. E é bom que o féretro saia logo, sob pena do malfadado arrastar o PC do B inteiro para a cova. Ou seja: dona Dilma tem que vestir de novo a fantasia de faxineira. Rapidinho.

O crioulo doido e o samba

O mundo das celebridades e das sub-celebridades nos acossa, ou nos dá no saco, diariamente na mídia. Nunca se viu tanto peixe assim. Por exemplo, só por exemplo, quem ganhou mais espaço nos portais nos últimos dias: Steve Jobs, Orlando Silva, Justin Babier, Rafinha Bastos? Quem são as pessoas que ilustram as home page de cima abaixo em dezenas de minúsculas chamadas? Confesso, eu sou razoavelmente bem informado, e não identifico a maioria. Quem é Solange? Quem é Kate? Quem é Juju? Quem é Teresa Cristina? Quem é Shia? Estes estão agora na capa da UOL. Quem é Stelman? Quem é Joana? Quem é Ariadna? Quem é Gracyanne? Estes estão agora na capa da Terra.
O noticiário, então, perdeu o velho sentido editorial da maior ou menor importância do fato. Agora vale mais a fantasia. Hoje, nos jornais e portais: mau hálito atrapalha amor e carreira; aprenda a oração par melhorar sua auto-estima; teste seu conhecimento sobre gengivite;  milionário inaugura aeroporto espacial comercial; disputa de medalhistas vira Palmeira x Corinthians; Romário assume função de corneta no PAN; ex-namorada de agressor de jovem relata violência; filha de Cobay e Courtney deixa tatuagem à mostra; semana de moda das noivas no Paquistão; internautas ajudam cientistas a achar planetas distantes; inflação em São Paulo chega a 0,27%; assalariados pagam mais Imposto de Renda que os bancos.
Afinal, quem lê tanta noitícia?

Jabuti real

Saíram ontem os resultados preliminares do prêmio mais importante da literatura nacional, o Jabuti, outorgado pela Academia Brasileira de Letras. José Castelo, da Bertrand  Brasil, venceu na categoria romance, com Ribamar. Laurentino Gomes, da Nova Fronteira, levou o prêmio de reportagem por 1822. Dalton Trevisan, da Record, venceu em contos e crônicas com Desgracida. E o grande poeta Ferreira Gullar venceu em poesia com Em Alguma Parte Alguma. Os prêmios serão entregues no dia 30 de novembro, quando a ABL anunciará os vencedores para livro de ficção e de não-ficção. Parece que este ano a Academia resolveu premiar quem escreve de verdade.

De volta ao cartório

Na esteira das denúncias contra o ministro dos Esportes, uma ave de rapina com cara de cachorrinho de estimação, pode-se chegar afinal ao Ministério Público Federal para que seja providenciada a mudança de nome do referido cidadão. O antigo cantor das multidões não merece a “homenagem”. Orlando Silva, o verdadeiro, está no imaginário popular brasileiro como grande artista, e não como um ladrãozinho político.  

Cerco fechado

A mídia de comunicação, ou seja, os grandes jornais e os portais seguiram à risca o caminho apontado pela Veja no caso do Ministro dos Esportes. O Estadão publicou ontem à noite uma entrevista exclusiva com o PM denunciante reafirmando tudo e acusando o ministro de tentar um acordo para abafar o caso. Os portais, mesmo cheio de dedos, passaram o dia repercutindo o episódio e dando espaço para as declarações tatibitates do ministro. A Folha ampliou a discussão e publicou uma análise da péssima situação dos esportes no País. E o UOL lançou hoje um galãozinho de gasolina na fogueira. O maior portal da América Latina informa que o ministro comprou à vista, por 370 mil reais, um terreno de 90 mil m2 em Campinas, em 2006, quando ganhava cerca de 10 mil reais por mês. E pelo terreno passa um duto da Petrobrás, o que indica ser muito provável a desapropriação da área. Quer dizer, o ministro comprou um terreno com um dinheiro que ele não tinha e pode vir a  vender para a Petrobrás, sabe-se lá por quanto.
Agora, aqui entre nós, o que a gente faz com ele?

O autor! O autor!

Nunca na história desse País um presidente passou uma batata tão quente para o sucessor, como o presidente Lula colocou nas mãos de Dilma. Cinco ministros já caíram em menos de um ano e três mal estão se equilibrando na corda bamba. Todos eles são gente de Lula. Todos os casos são de corrupção. Este é apenas um dos itens do verdadeiro custo da governabilidade. Dona Dilma, por mais cara de pau que seja, está com uma expressão de dar pena.  E o presidente Lula, claro, sumiu.   

Nem precisa comprar abadá

O soldado israelense trocado por mais de mil prisioneiros palestinos já voltou para casa e deu entrevista. Gilad Shalit ficou cinco anos preso pelo Hamas, a força palestina que controla a Faixa de Gaza, e está razoavelmente em boas condições físicas. Israel começará a liberar hoje os prisioneiros palestinos.
O interessante nesta história, para nós brasileiros, é que alguns dos palestinos presos por luta armada virão para o Brasil. Eles vêm para recomeçar a vida, assim como os colombianos das FARCs, o italiano César Battisti e alguns extremistas muçulmanos acomodados nas fronteiras com Paraguay e Uruguay. O Brasil é a mais generosa das casas da Mãe Joana mundo afora para militantes de uma ideologia que não existe mais.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A guerra das ruas

Os gaúchos estão sempre historicamente à frente dos movimentos sociais, mas neste fim de semana a rapaziada foi ao delírio, como se diz em transmissões esportivas. Dois grupos rivais, anacorpunks e skinheads (!!!???), brigaram a socos e pontapés no bairro Cidade Baixa em Porto alegre, tradicional zona boêmia da capital gaúcha. Os carecas truculentos acusaram um casal de homossexuais pela agressão e foram todos para uma Delegacia de Polícia. Isto sim é a vanguarda do politicamente correto, gays batendo em nazistas.    

Bola que rola

O campeonato brasileiro de futebol ainda é a maior alegria do povo. Não se tem outro motivo para sorrir, não na política nem na economia nem nas artes e nem em outros esportes. Aqui, mais do que nunca, é o País do futebol.
- Corinthians, Botafogo, Vasco, Flamengo e Fluminense, com uma pitadinha de Internacional, são os candidatos a cereja do bolo. Continuo não acreditando nos alvinegros.
- O São Paulo, apesar do bom início de jogo de Luis Fabiano e Dagoberto, levou um sacode do Atlético Goianiense de dar pena. Adilson Batista, bom sujeito e bom técnico, rodou como baiana em desfile de escola de samba.
- O Canindé estava quase vazio no jogo Palmeiras e Fluminense. Um fato escancarado na televisão, mas ignorado pelos narradores. Bastava explicar que a torcida do Palmeiras não quer mais saber daquele time vai-não-vai.
- O Coritiba se fantasiou de bonitão para festejar seus feitos no primeiro turno, mas não contava com a malemolência baiana. O Bahia não se assusta mais com o tal fantasma do rebaixamento.
- E o Vitória, que ainda mantém o nariz fora d’água na Série B, conseguiu evitar um vexame contra o Goiás em pleno Barradão. Uma virada digna de leão.
- O Internacional também conseguiu evitar uma catástrofe dentro do Beira Rio. Com os argentinos motivados e a volta de Leandro Damião, o Colorado é, sim, candidato ao título.
O Grêmio respirou na luta para chegar a zona da Libertadores, mas não entusiasma a torcida imortal. Todos os gremistas sabem que o time se superou, debaixo d’água, na base do chutão para frente e não tem padrão de jogo para enfrentar grandes equipes.
- Recebi ontem um vídeo sobre o Ronaldinho Gaúcho enviado por um gremista disfarçado. A gravação mostra o super craque ainda um menino, dizendo que jogaria no Grêmio até de graça, contestado pela risada gostosa de um bebê. Uma gracinha. Mas dá pra notar, no vídeo, que o garotão Ronaldinho já tomava champanhe nos vestiários, velha mania dos grandes vencedores...       

Das cinzas...

A batata do Ministro dos Esportes está torradinha da silva. Deve ir para o lixo nas próximas horas. A Imprensa, o Governo, a CBF, a Fifa e a população brsileira estão rejeitando esta anomalia política como representante do Brasil nos esportes. Este cidadão, absolutamente desconhecido da mídia até meses atrás, foi uma invenção do presidente Lula em nome da governabilidade. O que o grande mestre do conchavo e do arranjo político não contava era com a astúcia criminosa do seu aliado supostamente comunista. Resta a dona Dilma dar-lhe o devido pontapé na bunda. Do ministro, bem entendido, claro.

Lógica formal

O Governo brasileiro não tem idéia de quanto custará de fato a Copa do Mundo de Futebol em 2014. Jornais e portais passaram o fim de semana à beira de um ataque de nervos por causa disso. Bobagem. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, certamente sabe pelo menos de quanto será a comissão. Basta falar com ele. Depois é só fazer as contas de trás para diante. Para garantia de informação correta, é só levar uma caixa de sapatos cheia de notas de 50 e de 100 reais. É batata.

UFC ideológico

O PC do B já foi um partido sério. Tão sério que promoveu luta armada contra a ditadura militar. Hoje é um pastiche partidário a serviço do governo petista a expropriar verbas federais em proveito próprio e a soldo de empresários fraudadores de licitações públicas. Pelo menos é isso que se pode deduzir do noticiário e é também o que deve estar fazendo o outrora ícone da esquerda nacional João Amazonas se virar na tumba como um galeto de padaria. Os comunistas, quem diria, agora só promovem luta de classes a 10 por cento. Ou 20.

A cédula de 2014

Segundo o rebolar indiscreto da carruagem eleitoral rumo ao Palácio do Planalto, uma hipotética cédula de votação já está se esboçando: Lula (PT), Aécio Neves (PSDB), José Serra (PPS), Marina Silva (?) e Demóstenes Torres (DEM). Faltam apenas as confirmações de Nélson Jobim (PMDB) e Tiririca (PR).

Os imbatíveis

A candidatura Tiririca tem razoável chance eleitoral, segundo informam especialistas em campanhas políticas, mas deve faltar musculatura para o confronto final. Afinal, argumentam os marqueteiros, palhaço tem bastante, mas ingênuos e corruptos juntos são imensa maioria.

Gravado ao vivo

Os brasileiros não estão sendo devidamente informados sobre a performance dos atletas do Brasil no Pan Americano do México. Só a TV Record está transmitindo, e com aquele reconhecido segundo time de narradores e comentaristas, capazes de fingir que estão ao vivo em cenas gravadas. A Globo tem dedicado de 10 a 20 segundos dos telejornais para noticiar sobre o Pan, sem imagens. Ontem, por exemplo, o nadador Cesar Cielo teve um desempenho excelente, com duas medalhas de ouro, e só hoje, pela Internet, é que a gente ficou sabendo disso.  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O shampoo do momento

O programa eleitoral do PSDB que foi ao ar ontem à noite sinalizou uma nova postura política eleitoral do maior partido de oposição do País. O dilema bate-não-bate no governo bem avaliado continua o mesmo, mas a voz mudou muito. O partido se ancora em suas duas maiores personalidades, Fernando Henrique e José Serra, mas apresentou um novo ponta-de-lança, o senador Aécio Neves. Entre uns e outros, alguns supostos líderes regionais, todos com um discurso recorrente, óbvio, confuso e sem objetividade. Quer dizer, o candidato deve mudar, mas o marqueteiro continua o mesmo...

Com que roupa?

Por falar em marqueteiro, Fernando Barros, o pioneiro baiano neste fabuloso negócio de consultoria política, brindou a platéia ontem com um artigo sobre a questão eleitoral nacional no blog do Noblat.  Talvez de olho no público cliente em potencial, um mar de milhares de candidatos a prefeito pelo País afora, Fernando esboçou a receita básica; partido forte, apoio financeiro consistente, coligações partidárias abrangentes e uma estratégia política objetiva. Quer dizer, esse é o material necessário para ir à guerra dos votos. Se não estiver a bordo de um tanque blindado e com um belo de um míssil teleguiado, melhor nem sair de casa. Com base em minha mínima experiência como redator de programas eleitorais, isso em comparação com o vasto conhecimento de causa do presidente da Propeg, senti falta de algumas palavrinhas sobre o conteúdo, o discurso do candidato, aquilo que tempos atrás ajudava a decidir eleição. Para usar uma metáfora tão a gosto do maior fenômeno eleitoral nacional na história desse País, Fernando falou como um treinador especialista em tática. Esqueceu do drible.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como o sol

O caderno Economia & Negócios do jornal O Estado de S. Paulo traz hoje uma matéria muito interessante para quem vive pendurado nas notícias diárias. Segundo pesquisa da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias a circulação dos jornais impressos e a audiência dos portais de notícias na Internet não se mexem conforme as previsões dos especialistas. A pesquisa prova:
- Os padrões de consumo de mídia variam amplamente no mundo. A circulação de impressos é cada vez maior na Ásia, mas há declínio em mercados maduros no Ocidente.
- O número de títulos a nível mundial está se consolidando.
- A principal queda está em diários gratuitos.
- Para os anunciantes, os jornais estão mais eficientes e eficazes do que outras mídias em termos de tempo de anúncio.
- Jornais atingem mais pessoas do que a internet. Em um dia típico, jornais alcançam as pessoas de 20% mais em todo o mundo do que a internet.
- Receitas da publicidade digital não estão compensando a receita de anúncios perdidas na mídia impressa.
- As mídias sociais estão mudando o conceito e processo de coleta e disseminação de conteúdo. Mas o modelo de receita para as empresas de notícias, no segmento de mídias sociais, continua não sendo encontrado.
- O negócio de publicação de notícias exige constante atualização, de monitoramento, síntese e reedição da informação.
- O novo negócio digital não é o tradicional negócio do jornal.

Briga no ninho

O ex-governador paulista e eterno candidato à presidência da República, José Serra abriu afinal seu bico tucano sobre a questão política nacional. Serra disse com todas as letras que falar de eleição agora é colocar a carroça diante dos bois. A declaração não visa nenhum adversário partidário, mas sim um suposto aliado, o senador Aécio Neves. Serra, na verdade dos fatos, se demora mais uma vez a assumir uma posição clara e direta. E Aécio já abre seu sorriso simpático à imensa massa de eleitores insatisfeitos com o governo petista e sua nefasta base aliada.

Bola que rola

Este campeonato brasileiro está nos saindo melhor que a encomenda. Pode acontecer qualquer coisa, não há favorito destacado, o título deve ser decidido nas últimas rodadas, isso se não for na última mesmo...  Ontem, dois resultados inesperados, para não dizer estapafúrdios, palavrinha explosiva e agressiva. Assisti a dois jogos e a várias reportagens de tevê. E tenho mil reclamações...
- O Botafogo matou o jogo no primeiro tempo, na base do contra-ataque. Elkesson (é assim mesmo?), Maicosuel, Fernando Menezes e Marcelo Mattos jogaram muito. No Corínthians, o melhor foi o filósofo contemporâneo Alex. Ele seria titular absoluto da seleção se jogasse como fala.
- Adriano parece um elefante entediado em campo. O desempenho fica entre o ridículo e o patético, qualquer criança percebe que o cara não tem condições físicas para jogar uma partida competitiva.
- O jogo entre São Paulo e Internacional foi tão chato quanto o placar, 0 a 0. Luis Fabiano e Rivaldo são pálidas sombras do que foram tempos atrás. Se o Inter tivesse um centro-avante ganharia o jogo com facilidade.
- O quarto-zagueiro do Internacional, Rodrigo Moledo, é muito bom jogador. Mata jogada sem falta e sabe sair jogando, tem bom passe. Enquanto isso, Thiago Silva e David Luis batem cabeça na zaga da Seleção.
- Não vi o jogo do Grêmio e Figueirense, mas bem imagino o que aconteceu em campo. O treinador gremista, Celso Roth, disse que o Grêmio não jogou e podia ter levado mais três ou quatro gols. Beleza. Foi bem sincero. Só faltou pedir demissão.
    

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A marolinha

O movimento nacional contra a corrupção volta às ruas das quatro maiores capitais do País neste Dia das Crianças. Segundo nota de Juliana Castro em O Globo de hoje, espera-se mais de 70 mil pessoas protestando contra a incompetência do Governo e da Justiça em combater em profundidade o que a presidente Dilma chama de malfeitos e a gente conhece muito bem como roubalheira desenfreada. Aos poucos, o caldo vai engrossando...   

Bola que rola

Bom jogo Brasil e México. Serviu para ver que não temos mesmo uma Seleção à altura da história do País e precisamos urgente de jogadores realmente decisivos. Parece-me que salta aos olhos que Mano Menezes não é o cara. Ele só sabe montar times defensivos, não tem alternativas táticas para virar uma situação adversa. O que vimos ontem foi a superação pessoal de três ou quatro jogadores, como Ronaldinho, Neymar, Jefferson e Marcelo. O time de Mano foi o do primeiro tempo. O do segundo tempo foi o time dos jogadores.
Alguns detalhes que merecem ser ampliados:
- Daniel Alves deu um show de instabilidade e insegurança emocional. Antes de fazer um pênalti absurdo e ser expulso de campo ainda no primeiro tempo, protagonizou pelo menos quatro lances bizarros. Ele sabe jogar, mas aqui pra nós, tem cara de maluco.
- Jefferson defendeu pênalti e pelo menos duas bolas muito difíceis, mas mostrou que não é goleiro para a seleção brasileira. Não tem segurança para sair do gol e não sabe jogar com os pés. Ou seja, é um goleirinho limitado.
- O Brasil começou e terminou o jogo sem um centro-avante de ofício, como se diz. Hulk é segundo atacante, como Jonas. Hoje, devem jogar no campeonato brasileiro pelo menos uns 10 bons centro-avantes. E mais 10 pelo mundo afora. E Mano tinha Fred no banco.
-  Neymar se firma como nossa grande promessa. Não tem medo de cara feia, não foge do pau e nem se esconde em campo. Além de tudo, é craque.
- Ronaldinho Gaúcho parece ter jogado para dar uma resposta a Dunga, que o acusou de não ter atitude. Ele liderou o time, brigou no meio de campo, criou praticamente todas as jogadas de ataque, fez um gol espetacular e saiu de campo ovacionado pela torcida adversária. Ainda é o maior jogador brasileiro aos olhos do mundo.
- Lucas Leiva, Fernandinho, Elias e Ralf não são os melhores volantes do futebol brasileiro. Hoje à noite devem entrar em campo quatro outros bem mais eficientes. Quais são os critérios de Mano para as convocações. A transparência no futebol brasileiro deve começar pela planilha do treinador da Seleção. Ou não?

- Ah, sim, a noite foi mesmo do futebol brasileiro. A Argentina perdeu para a Venezuela. Com Messi e tudo. Sinceramente, não tem preço...

Feliz aniversário

A estátua do Cristo Redentor faz 80 anos hoje. Braços abertos sobre a Guanabara, a 700 metros do chão, o Cristo é uma das mais belas imagens de todo o mundo. Símbolo da fé, da solidariedade e da esperança, ele atrai todos os olhares. Até quem não acredita na força da religião olha admirado a grande obra dos homens para homenagear as coisas que não existem. Este sabiá jamais pousou na imagem nem dá muita bola para o que não se pode tocar, mas rende-se à beleza da arte e à índole pacífica e generosa do povo brasileiro. Saravá, senhor.  

Pastor mau caráter

A situação do Palmeiras, como time de futebol e como clube, se complica a cada dia. À distância, só dá para perceber a fumaça, não há como saber o que provoca o fogo. Pode-se ver apenas que o treinador Luis Felipe está se debatendo como peixe na tarrafa e encontrou uma solução no mínimo polêmica para debelar as chamas que consomem o verdão: exige a saída do centro-avante Kleber.  O gladiador é o bode na sala do Palmeiras. Talvez fosse o caso do Palmeiras dispensar o bode e o pastor. A torcida agradeceria.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Reflexão esportiva

Estava vendo o jogo Alemanha e Bélgica e depois de um belo gol do Ozil me dei conta que a Copa será no Brasil e o Brasil não tem time. E nem jogadores. Se houvesse uma seleção do mundo ocidental para jogar contra a banda oriental, por exemplo, não teríamos nenhum jogador brasileiro em campo. Nenhum. A Seleção titular, salvo raríssimos enganos, seria algo como Casillas, Sergio Ramos, Carregher, Terry e Lahn; Gerard, Xavi, Messi e Iniesta; Cristiano Ronaldo e Rooney. Os brasileiros mais cotados talvez fossem Daniel Alves e Pato. Só. Neymar ainda é promessa e Ronaldinho Gaúcho já está à meia bomba, todo mundo sabe.
Isso. Nada mal para a tardinha. Escalei a seleção mundial e ainda soltei uma questão importante para pensar hoje à noite enquanto o timezinho do Mano protege a defesa... Não temos time e nem jogadores. Mas ainda deve dar tempo, claro, somos 180 milhões de otimistas. O problema real, entretanto, é que tudo está nas mãos dos dirigentes dos clubes e da CBF, não depende apenas da capacidade do País em gerar talentos. Se a Copa fosse hoje, pense bem, não passaríamos nem da primeira fase.     

Público interno

Perfeição do veterano Joe Cocker e dos ex-jovens Queen's no clássico beatle with a little help from my friends

Brasileiros e brasileiras...

Quando a legislação diz que o presidente do Congresso tem direto a transporte de representação, estamos homenageando a democracia, cumprindo a liturgia das instituições. Esta afirmação lapidar é do presidente do Senado Federal, José Sarney, na entrevista exclusiva ao jornal Zero Hora. O ex-presidente da República considera que m ordomia é homenagem à democracia. A sério.
O Globo de hoje abriu uma enquete para saber o que as pessoas acham disso. Dois por cento concordam com Sarney. E 74 por cento discordam. Sarney, decididamente, é mesmo um homem incomum. Pilota uma nave espacial em uma dimensão inalcançável para os pobres mortais –ou simplesmente os eleitores.