Campeonato brasileiro. O bicho vai pegar. Ou melhor, já está pegando. Pode-se ver a luz na boca do funil. Deve dar um alvinegro apesar da minha modesta torcida contra. A ponta de baixo da tabela também começa a se acomodar, mas não deve surpreender ninguém. Ali é o mais puro merecimento. Cai quem joga menos. Assisti três jogos pela tevê e anotei de cabeça alguns detalhes. Vamos ver se lembro:
- O Botafogo subestimou o desespero do Avaí. Elksson não pode ser banco de Herrera, joga mais. E aquele zagueiro com cabeleira de pavão tem que passar primeiro pelo barbeiro para depois entrar em campo à procura da canela dos outros.
- O pontinha Kleverson do Avaí fez um golaço de bicicleta e criou várias situações até ser substituído. A torcida catarinense mereceu o esforço do time para se livrar da degola anunciada. Pelo menos ganhou mais duas rodadas para sonhar com o impossível.
- O Grêmio conseguiu empatar com o pior time do campeonato. Chegou a virar o placar, mas vacilou no fim. Não sei como foi o jogo, não vi, mas acho que a culpa é do Celso Roth. Simples assim.
- O Internacional mostrou ao vivo e em cores que não tem time para figurar entre os que levam vaga a Libertadores. Não sou colorado, sou imortal, mas dá nos nervos ver tanta dificuldade para tocar a bola no meio do campo, organizar o ataque e finalizar a gol. O meia D’Alessandro, bom jogador, é muito nervosinho e expõe seu time a riscos letais. Levou um amarelo de graça e um vermelho absolutamente desnecessário. Na seqüência, o Corinthians empatou. E o Inter deu adeus as chances de chegar ao título.
- O Flamengo sem Ronaldinho e Thiago Neves é um timeco. Wanderley grita o tempo todo com Negueba, como se o menino fosse culpado pelo mau desempenho de todo o time. O meia Thomas, conforme está escrito na camisa dele, e não Tomás, como o Sportv grafou com ares professorais, é muito bom jogador. O Flamengo continua uma usina de craques, na mesma fornada estão Gallardo, Adrian, Negueba, Vanderley , por isso é que ainda disputa e às vezes ganha títulos.
- O Bahia não segurou o Vasco. Não vi o jogo, não sei o que de fato aconteceu, mas imagino, com aquele meio campo que soma mais de 100 anos de idade. Daqui de casa, ouço os foguetes da torcida do Bahia a cada gol. Ontem foi um silêncio de dia santo, com um ou outro estourinho, certamente provocados pela torcida do Vitória. Repito que o Vasco não tem time para ser campeão nacional, mas já está com as duas mãos esticadas em direção à taça.
- A transmissão do Sportv do jogo Flamengo e Santos foi de doer. O narrador e o comentarista até que se saíram bem, pelo menos em comparação aos alucinados da Globo e da Bandeirantes, mas os cinegrafistas e o diretor de TV deram um show de como não se deve mostrar uma partida de futebol. O enquadramento da foto principal é muito distante, mal se vê os jogadores e o replay usa câmeras de diversos ângulos, sem o ângulo normal, o que impede na prática de ver o gol novamente. É um erro técnico. E grave.
- Neymar. Este é o cara, sem dúvida. Com pelo menos mais dois companheiros de, digamos assim, fino trato com a bola, resolve qualquer partida. No Santos, com a companhia de Ganso, Borges e Elano, pode até vir a ganhar o mundial contra o Barcelona. É difícil, quase impossível, mas futebol é futebol, acontece de tudo. Na Seleção, com Ronaldinho, Lucas e um outro gênio que ainda vai surgir até a Copa, pode nos dar alguma esperança contra times poderosos como Espanha, Holanda, Itália, Alemanha, Argentina... Mas acho que com Mano no comando do time vai ficar mesmo só na esperança.