sábado, 31 de dezembro de 2011

Má notícia

Um bom jornalista da Imprensa de verdade morreu ontem à noite, de repente, e se transformou na pior notícia deste último dia do ano. Daniel Piza, editor-executivo de O Estado de S. Paulo, escreveu uma nota em seu blog tipo vou ali e já volto, pegou mulher e três filhos e foi para a casa dos pais, em Minas, para o réveillon. Com toda a família reunida, sofreu um AVC fulminante e morreu nos braços do pai, médico. Era jovem. 41 anos, recém na metade do percurso. E vinha bem. Foi repórter, colunista, editor e blogueiro na Folha e no Estado. Escrevia sobre literatura e futebol. Tem pelo menos dois bons livros, um sobre Machado de Assis, outro sobre Euclides da Cunha. Foi ele quem anunciou em primeira mão que Ronaldo fenômeno iria abandonar o futebol. Seu blog era ponto diário obrigatório para quem cata informação de qualidade na Internet. Deixou pai, mãe, mulher, três filhos e milhares de leitores.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tiros que rolam

O caso Adriano acabou bem, pelo menos para ele e para quem gosta de futebol. O único prejudicado afinal foi o dedo indicador da moça da boate. Mas a Polícia e a Imprensa televisiva e online também ficaram com a imagem um pouco tremida na foto. O Brasil inteiro viu pontificar por quatro dias nas manchetes dos portais e telejornais o estranho caso da celebridade, quatro garotas e um tiro de pistola dentro de uma BMW. Um caso que nunca existiu na verdade. A compulsão da Polícia pelos holofotes da mídia e a busca insaciável desta mesma mídia pelo espetáculo gratuito da miséria humana apenas usaram a imagem pública de Adriano para vender seu peixe podre. A ponta de um dedo de uma garota da noite, se tiver o envolvimento de uma celebridade, vale mais, para a investigação policial e a repercussão jornalística, que a morte de um jovem de 14 anos a tiro de fuzil disparado por um soldado do Exército no pacificado Morro do Alemão. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

With big help from Ronaldo Bastos

Ah, sim, não esqueça que todo amor é sagrado e o fruto do trabalho é mais que sagrado... meu amor.
E tenha certeza que abelha fazendo mel, vale o tempo que não voou.

O peso do ano

Há três questões em aberto no fim da ciranda de 2011.
Algum especialista poderia nos traduzir o que é de fato a Lei da Palmada, outro deveria nos explicar por que estão caçando a exorcista do poder judiciário e um terceiro precisaria nos dizer claramente que diabos Adriano fazia dentro de um BMW com um segurança, uma pistola .40 e quatro garotas-de-programa-de-índio.
A Lei da Palmada não é da palmada e sim contra os castigos físicos. Não é tutela do Estado sobre a educação familiar, é, isto sim, o primeiro grande movimento da sociedade organizada para começar a combater com um mínimo de eficiência ao mais cruel dos métodos de educação imposto pelo sistema social, o espancamento de crianças. A repercussão está sendo péssima, há componentes políticos no debate, os especialistas precisam atuar urgente para fazer valer a lei -ou pelo menos explicá-la. Antes, quando éramos índios, nenhum de nós levantava a mão contra um filho, mas com a colonização os portugueses nos ensinaram a violência como método educacional. Hoje, temos a obrigação de pelo menos parecer civilizados. Palmada nunca mais.
A ministra Eliana Calmon, baiana danada de boa, levantou a barra da toga do sistema Judiciário e descobriu um mundo de corrupção e roubalheira. Em vez de dar uma medalha de honra ao mérito a esta mulher corajosa, o sistema soltou os cachorros (leia-se ministros do Supremo) e a mídia de aluguel para defender a roubalheira e os privilégios dos ladrões. A ministra corre o risco de acabar desempregada, desautorizada, desmoralizada, enquanto seus pares togados continuarão vendendo sentenças para poderosos encrencados com a lei e libertando outros criminosos endinheirados.
Adriano é um garotão mal-educado, ingênuo, com imensa dificuldade para administrar os benefícios que advém de seu excepcional dom de jogar futebol. Ele é, sem dúvida, um dos dois maiores centroavantes do futebol brasileiro nos últimos 20 anos. E isso não é pouca porcaria, não, embora tenha um custo altíssimo, saber se comportar em sociedade, e um benefício ainda maior, ganhar montanhas de dinheiro. Os grandes craques brasileiros são como heróis nacionais, são exemplos de vida para milhões de crianças e adolescentes e fonte de alegria pura para adultos cansados de guerra. Eles não têm direito de errar. De todos os últimos grandes, desde Pelé, Garrincha e Didi, passando por Gérson, Rivelino, Tostão, Zico, Falcão, até Renato, Bebeto, Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar, de todos esses, Adriano é o que tem o maior corpanzil e o menor cérebro. E, cá pra nós, o que joga menos bola.
Espero que estes santíssimos mistérios sejam logo esclarecidos. E que 2012nos seja um fardo mais leve de suportar.    

domingo, 25 de dezembro de 2011

Tá na boca do Brasil

A melhor notícia do ano, sem dúvida, não houve. Se for necessário alguma para animar o papo de reveillon, basta escolher o salvamento heróico, por um bombeiro, de um cachorrinho qualquer das profundezas do inferno.
A pior notícia do ano, sem dúvida, foram duas. A primeira, no mais alto grau de gravidade no sistema político democrático, luz vermelha total, foi o colapso moral e ético dos três poderes da República. A segunda, de alto grau de importância no imaginário popular, foi o colapso moral e tático do futebol brasileiro.
A primeira grande má notícia do ano pode ser definida como uma hemorragia no câncer da corrupção enraizada no âmago das instituições republicanas nacionais. A ferida sangra por todos os poros, a maioria dos políticos, legisladores, magistrados está contaminada e ameaça o sistema imunológico da Nação. O caso é gravíssimo e necessita de uma solução cirúrgica política revolucionária.
A segunda grande má notícia é, antes de tudo, desagradável, mexe com nossos mais profundos sentimentos individuais de heroísmo, glória e poder. O futebol brasileiro, de repente, ficou no meio do campo sem chuteira, meião, calção e camiseta. Nuzão da silva. Há muitas maneiras de explicar a situação vexatória, mas pelo menos a mais ilustrativa é o fim da figura do centroavante. Não existe mais, acabou. E coube a Adriano, o último dos imperadores, protagonizar neste fim de semana a cena final da espécie em extinção. Ele, herói nacional, um segurança, a pistola do segurança e quatro garotas-de-programa-de-índio espremidas no banco traseiro de uma BMW foram o suficiente para o azedar de vez o bota-fora natalino dos torcedores brasileiros.        
E Zé fini!!

sábado, 24 de dezembro de 2011

A balada do silêncio

Boas festas a todos.
O velho e bom ano novo tem sempre um sabor de revanche, de segundo tempo. A nossa ditadura é melhor que a ditadura dos outros. As pessoas foram roubadas, trapaceadas e extorquidas e estão esbanjando felicidade nos shoppings pelo País afora. Como matadores de dragões, somos uma tribo de poetas. Ninguém saberia dizer agora, por exemplo, por que dona Dilma não citou o nome nem o governo do presidente Lula em seu pronunciamento oficial de fim de ano. Talvez este 2012 leve logo a decisão para os pênaltis, a esperança é sempre muito divertida.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nesta data querida

Fim de ano, povo afiando cartãozinho de crédito, ninguém está prestando muita atenção aos fatos políticos. Mas é em momentos iguais a esse, embalados por um velhinho vendedor simpático, que os governistas costumam nos iludir e tentar prolongar a sua lucrativa estada no poder.
Agora, por exemplo, está em curso entre os governos ditos esquerdistas da América Latina uma campanha agressiva e desleal contra a Imprensa. O coronel Hugo Chávez trata os jornalistas a chicote, a senhora Cristina Kirchner manda a Polícia invadir redação e ameaçar repórteres e a marionete Dilma Roussef incentiva a censura à Imprensa enquanto seu partido ou quadrilha organizada, segundo o STF, tenta emplacar um anacrônico e ridículo marco regulatório. Nossa única vantagem, como povo, é que esses governos são incultos e autoritários, não sabem sequer que o jornalismo já acabou. O que existe hoje, na grande maioria das empresas de comunicação, são repórteres-coroinhas a dizer amém para o interesse do patrão. Os jornalistas fora do eixo Folha/Abril/Estado/Globo migraram para o marketing político ou para os blogs, o resultado é que a Imprensa regional se transformou numa horta transgênica de notícias plantadas para favorecimentos pessoais.
Então, só para complicar um pouquinho mais este post de véspera natalina, os senhores por acaso perceberam que este ano que passou não houve produção cultural relevante fora do mundo das celebridades globais? Quer dizer, os farsantes atuaram a mil, claro, mas estou falando de arte de verdade. Não se escreveu um livro sequer nem se pintou um quadro nem se fez uma canção nem se revelou um filme. Este nada é, sim, a grande contribuição desses governos espúrios à sociedade latino-americana. Mas, apesar do baile catalão no mundial de clubes, ainda nos resta nossa grande ilusão de toda a vida, o futebol. Neste Natal, portanto, em nome do povo, dê um carrinho no Papai Noel.  

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cada ano sai pior

A retrospectiva do ano de 2011 não passa de algumas linhas. O que aconteceu de relevante e histórico neste ano em que o mundo ia se acabar e não se acabou? Enumerei sete fatos capitais que aceleraram nosso batimento cardíaco.
Primeiro, Dilma Roussef, ex-guerrilheira esquerdista, ganhou um país para guardar até a volta do dono; segundo, houve uma enxurrada de corrupção com a manutenção no poder do PT e de sua base aliada delinqüente; terceiro, os Estados Unidos afinal deram um tiro na cara de Osama Bin Laden; quarto, os Estados Unidos afinal venceram a guerra contra o mundo árabe usando apenas a Internet; quinto, o presidente Lula, quem diria, se rendeu ao modelito câncer passageiro, onde as celebridades raspam a cabeça e não morrem como acontece com a população em geral; sexto, a China está comendo a economia mundial pelas beiradas, como mingau; e, sétimo, o futebol brasileiro foi amplamente desmoralizado com a bola no pé.  
O ano que vem? Ah, isso todo mundo sabe... O mundo vai acabar. E já tem até data: 12 de dezembro. Quer dizer, você tem um ano para acordar –ou mudar de planeta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Muito menos eu

Esta segunda feira me parece ter amanhecido meio triste, com gosto de barro, não sei bem por que. Acho que tem a ver com a fragorosa derrota do Santos no mundial contra o Barcelona. Ou com os preços turbinados para o Natal. Ou a impressionante cara de pau do governo em acobertar corruptos. Mas o sol está alto e único no céu da Bahia, espero que no resto do Brasil esteja igual. Alguma alegria pode ser vista nas ruas, se esgueirando entre o povo com data marcada para comemorar a felicidade do consumo. Poucos ainda se lembram do Muricy Ramalho, quase ninguém sabe quem é Fernando Pimentel, mas todos, todos acreditam em Papai Noel. O povo brasileiro não tem paciência para a realidade.

domingo, 18 de dezembro de 2011

A droga do bom comportamento

Volta ao noticiário uma prática para a qual, nos últimos anos, vêm alertando psicanalistas e psicólogos: a prescrição de psicotrópicos para crianças de até seis anos. A venda do medicamento, de tarja preta, aumentou em mais de mil por cento nos últimos cinco anos, assim como, na mesma proporção, o número de crianças com diagnóstico de transtorno ou desordem de déficit de atenção e hiperatividade.
A referência técnica sobre a substância ativa do medicamento, o metilfenidato, indica que ele possui potentes efeitos agonistas sobre os receptores alfa e beta adrenérgicos. Traduzida, significa que eleva o  nível de alerta do sistema nervoso central e incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro, resultando  numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos. Resulta também em dependência química, insonia, lesões em alguns órgãos, como o fígado, sintomas consideradsos, pelos que prescrevem o tratamento, como efeitos colaterais leves.
A prática se popularizou e não era pra menos. Faz melhorar as notas, a criança passa a ficar quietinho nas aulas, obedecer, respeitar a professora. A hiperatividade também caiu no gosto popular. É mais cômodo para a família ter um filho hiperativo do que mal-educado e mal-comportado, ameaçado até de ser expulsao da escola. Então, se a criança quer jogar bola o dia inteiro, está sempre suado e correndo, fala e come rápido demais, briga com o irmão, é hiperativo. O aproveitamento escolar é baixo, não pára nem em frente à televisão? É hiperativo. Psicólogos e educadores se preocupam porque a hiperatividade é um distúrbio relativamente raro de difícil diagnóstico. O fato é que o remédio vem sendo administrado a crianças normais, apenas irrequietas que exigem de professoras inexperientes e mães impacientes ou ausentes  atenção e cuidado freqüentes. Tratados como portadores de distúrbio mental, são devidamente dopados para alívio da família e de algumas escolas e satisfação da indústria farmacêutica. No meio do caminho, o profissional médico.


Eleonora Ramos
Jornalista
Projeto Proteger
Rede Não Bata, Eduque

O baile catalão

A vitória do Barcelona foi menor que a derrota do Santos. A derrota do Santos derruba milhões de torcedores brasileiros e latino-americanos, nada pode suplantá-la. Perder é uma coisa, levar quatro é outra. E levar quatro sem praticamente tocar na bola, sem dar um chute sequer a gol é, sei lá, acachapante, desmoralizante.
O Santos entrou para jogar com sete em seu campo de defesa e três no ataque. O Barcelona veio ao contrário, com três na defesa e sete no ataque. E isso com o detalhe decisivo de que todos os sete jogadores do meio para frente do time espanhol são muito superiores tecnicamente aos sete defensores santistas. Em pouco mais de vinte minutos o jogo tinha virado um treino no campo de defesa do Santos e mesmo assim o técnico Muricy Ramalho manteve o esquema até o fim. Podia e merecia e devia ter levado oito.
Espero que os profissionais do futebol brasileiro em todos os níveis tenham humildade para assimilar a aula que Neymar admitiu ter recebido e que milhões de torcedores foram obrigados a assistir.
A tragédia santista também acentua a fragilidade da crônica esportiva nacional. A primeira impressão é de que toda essa rapaziada sorridente não entende patavina nenhuma do que está falando e que os veteranos jogadores travestidos de comentaristas são meros palpiteiros, ninguém sabe exatamente o que está acontecendo no futebol moderno.   
Afinal, foi o próprio Muricy quem conseguiu pelo menos fazer a melhor síntese tática do jogo:
- 3,7,0 é caso de Polícia!  

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Palmada nunca mais

Os pais estão proibidos de bater nos filhos. Agora é lei. O projeto que combate os maus tratos físicos às crianças e adolescentes foi aprovado na Câmara Federal. Uma vitória para a rede Não Bata, Eduque, e para a sociedade brasileira. A bancada evangélica tentou interferir na redação do projeto, mas houve imediata reação de representantes de entidades de defesa de direitos e prevaleceu o bom senso. Castigo físico é castigo físico, não pode ser substituído por “agressão”. Violência não tem genéricos. O Brasil que pensa conseguiu dar um passo à frente na terra de ninguém do Congresso Nacional.  

O dilema de Dilma

A presidente perdeu grande oportunidade de ficar calada sobre o caso Fernando Pimentel. Falou de bate pronto, e no pior estilo da lógica transversa de mentes encrencadas com a lei. Dilma atropelou sem a menor cerimônia os princípios básicos da democracia ao não permitir que um membro do governo dê explicações públicas sobre graves denúncias de enriquecimento ilícito. Esse é o ponto e esta é a questão. Ela é uma ex-guerrilheira de rico prontuário de combate à ditadura militar, com 56 milhões de votos na garupa, não pode simplesmente sair por aí encobrindo camaradas ladravazes. Ou pode?  

Bola que rola

Bom treino do Santos contra o Kashiwa Reysol no mundial de clubes. Com 25 minutos, o peixe já tinha mostrado suas principais armas e liquidado o jogo. Obstinados, os japoneses tentaram até o apito final, mas é quase impossível ganhar de um time que tem Ganso, Borges e Neymar.  O Maior dos moicanos, então, é realmente um espetáculo. Por isso o jogo exibição em ritmo de treino. Neymar é grande artista, natural que só entre em campo pensando no espetáculo. E, melhor ainda, corresponde. O primeiro gol foi simples como a arte. Ganso enfiou uma bola perfeita, Neymar dominou, avançou, o zagueirão chegou desesperado, levou um come pra esquerda e se estatelou no chão, o menino então bateu de chapa, de canhota, no ângulo do contrapé do goleiro (!!!), chuá, o japonês desabou de costas no chão. Logo em seguida, cumprindo sua missão de centroavante, Borges pegou a bola, ajeitou pra direita, arranjou um espacinho e mandou um foguete em curva, indefensável, o goleirinho ouviu o barulhinho de novo, chuá. Ganso jogou a meia bomba, só no toquinho, como quem não quer nada, mas o suficiente para mostrar ao mundo que é sim um dos melhores jogadores de futebol do planeta. Além do trio especial e de Henrique e Danilo, o resto do time não foi tão bem. Arouca só melhorou no segundo tempo e Durval é uma invenção como lateral-esquerdo, pode complicar o jogo contra o Barcelona. Aliás, essa falha de elenco do Santos pode custar o título mundial. Um time tem que ser completo, do goleiro ao ponta-esquerda, como é do Barcelona, e não depender apenas da genialidade de um ou de outro craque, como faz o Santos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

La, la, la, la

O Brasil, desde a invenção dos Bric’s, é o novo queridinho do Primeiro Mundo, ou pelo menos da revista Forbes. Não tem semana que a revista não faça alguma revelação extraordinária sobre a desconhecida sociedade brasileira. Ontem, a Forbes publicou uma pesquisa indicando as personalidades mais admiradas pelo povo tupiniquim. Ninguém jamais acertaria os cinco primeiros colocados. Ninguém. Ou quem pensaria que os brasileiros mais admiram, pela ordem, Silvio Santos, Bill Gates, Lula, Angelina Jolie e Jesus Cristo? Nada de Pelé, Dilma, Roberto Carlos, Ayrton Sena, Newmar, Ronaldinho, Gisele Bündchen ou mesmo as indefectíveis celebridades globais. Sílvio, Lula e Jesus, tudo bem, mas Angeline Jolie e Bill Gates? Será que a Forbes não errou de povo?  

Novidades na banca

Tem catálogo novo no mercado para profissionais de comunicação política. É a revista Campaigns & Elections , publicação norte-americana, editada no Brasil a partir de agora, especializada no mundo do marketing político eleitoral, este território de sombras entre o jornalismo e a publicidade. A primeira edição nacional traz um pretenso primeiro time dos marqueteiros brasileiros. A estrela da vez é Duda Mendonça. O pioneiro baiano na estranha arte de construir imagem política fala com o rancor dos injustiçados, mas deixa de explicar por que não reagiu com toda esta virulência verbal na época das denúncias contra ele. Os outros profissionais convocados para a seleção da revista falam de amenidades, segundo o blog do Fernando Rodrigues, na Uol, alguns lustram o ego, outros exibem votos de silêncio de madres superioras. Na seleção da revista, esqueceram de pelo menos um titular, Fernando Barros, da Propeg. Mas este tipo de lapso editorial, grave e inexplicável, também ocorreu com o lançamento de um livro sobre os principais narradores esportivos do Brasil, anunciado ontem nos portais. Em sete entrevistados, não consta Luciano do Valle. Uma injustiça midiática com dois dinossauros da comunicação nacional.  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Com o pé em riste

O caso do cai-não-cai do ministro Fernando Pimentel está se desenhando como o mais patético entre todos os outros do Ministério de corruptos da presidente Dilma Roussef. Parece incrível, depois das experiências com Orlando Silva e Carlos Lupi, mas Pimentel está demonstrando que sua capacidade para contra-argumentar as denúncias vai muito além da simples cara-de-pau. Pimentel ligou uma espécie de dedo-duro giratório para apontar semelhanças e diferenças entre o seu caso e os de outros políticos célebres. Até o Partido dos trabalhadores está com um pé atrás para aceitar o estilo desesperado do ministro na defesa do cargo. A queda de Pimentel, íntimo da presidente Dilma, será um combustível extraordinário para o discurso político da oposição. E quanto mais demorar a queda, e se transformar numa caricatura política patética, será pior para o PT. Por isso, só por isso, o partido já relaxou. Todo mundo sabe o que Pimentel fez –enriqueceu vendendo informações privilegiadas. E todo mundo também sabe, nesses casos, o que a gente faz com ele.     

Bye, bye Carajás

Deu a lógica. Dois terços da população do Pará não querem saber da divisão do Estado em três. A proporção da votação no plebiscito foi a mesma do contingente populacional das regiões. Hoje, na ressaca das urnas, os derrotados, principalmente do Tapajós, tentam descobrir onde erraram. É simples. Erraram ao se juntar ao movimento separatista de Carajás, a grande anomalia amazônica. Esta é uma região ocupada por exploradores de todas as bitolas, desde os garimpeiros aos madeireiros, onde houve até agora o maior desmatamento da história do País. Outro erro provável foi a contratação do publicitário Duda Mendonça para comandar a campanha de marketing a favor da divisão. Duda, como todo qualquer outro profissional, serve aos interesses de quem paga a conta. E quem pagava a conta da campanha era justamente o pessoal do garimpo e do agronegócio de Carajás. Duda, naturalmente, baseou a campanha na argumentação de Carajás, quando a legitimidade real da reivindicação estava em Tapajós. A divisão dos que lutavam pela divisão do Estado dividiu a votação a favor do NÃO. Eleição é bicho de sete cabeças, mas sempre obedece a uma lógica. E a lógica no Pará é de que a grande maioria do povo não é tão simples de ser enganada como os índios das reversas ambientais.   

sábado, 10 de dezembro de 2011

...E ir pro Rio morar

Amanhã o povo do Pará vai decidir se divide o Estado em três ou deixa como está. Conheço Belém muito bem, anos atrás peguei um Ita no Sul e fui morar no Pará por três meses, durante uma campanha eleitoral, e tenho opinião clara a respeito da divisão. A proposta da criação do Estado de Tapajós me parece legítima, bem amparada em tradições culturais diversas, mas o caso de Carajás não passa de manobra política para beneficiar lideranças partidárias. Se fosse apenas a questão Pará/Tapajós, a divisão tinha grandes chances de passar, mas assim como está, a proposta não vai a lugar nenhum. Acho, sinceramente, que assim como no caso de Alagoas o Pará devia ser extinto. Simples. Bastava fechar e decretar estado de preservação ambiental permanente, convidando aqueles povos honestos e trabalhadores a ir devastar e flagelar noutro lugar. No caso de Alagoas, pode-se fazer um golfo, como sugeriu o escritor Graciliano Ramos. E no Pará, considerando-se as circunstâncias ecológicas mais acentuadas, pode-se simplesmente passar uma corrente com cadeado e proibir a entrada de seres humanos. O Nordeste e a Amazônia agradeceriam.

Corra, bicho, corra

Recebi de Pascoal Gomes estas fotos encontradas na rede por André Manta. São todas belíssimas, há muito mais, mas escolhi estas três, digamos, mais reveladoras da luta aberta pela sobrevivência por todas as espécies da natureza. A beleza faz a gente admirar até a crueldade.    

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

É hoje

Sexta-feira, dia 9, é Dia Internacional Contra a Corrupção. Não vá ao mercado, não ligue a tevê, não abra a Internet, não leia jornais. Reze um Pai Nosso.

Nasce uma estrela

Semanas atrás postei um comentário político considerando Tiririca como uma dos prováveis candidatos a presidente da República. Os amigos reagiram dizendo que eu estava exagerando na extravagância. Não estava não. Se os políticos profissionais continuarem desmoralizando a classe e desrespeitando sistematicamente os eleitores haverá uma reação. Ontem, Tiririca, palhaço profissional, e dos bons, presidiu uma audiência pública na Câmara Federal. Foi um show de bom humor e simpatia, o tema era o circo. Incentivado pelo próprio desempenho, o deputado mais votado do Brasil ensaiou falar de seus projetos para o futuro. Esperto, evitou qualquer tipo de leitura na cerimônia, mas foi questionado por isso, por não saber ler e escrever, por alguns jornalistas. Bobagem. É justamente por esse detalhe que ele pode ser reconhecido pelo povão como seu maior representante. Insisto. Se vacilarem, Tiririca nos levará pessoalmente aos quintos do inferno.

O mulato isoneiro

Ufa, enfim uma boa notícia. A escritora Ana Maria Machado é a nova presidente da Academia Brasileira de Letras. Muito bom. São os novos tempos, os novos ares. Dona Machado tem mais de 150 livros publicados, a maioria para crianças e todos considerados pela crítica como, no mínimo, muito interessantes. O Brasil, vez em quando, nos enche de alegria, e não é só nos Esportes. O País tem tudo para dar certo, com povo trabalhador e talentoso, o diabo é esta cultura da ladroagem que os políticos instituíram depois da ditadura militar. Minha geração, por exemplo, envolvida com a arte até o pescoço, cresceu e fez-se gente sob os coturnos e a obtusidade ideológica dos militares, saiu no pau com a sociedade preconceituosa e discriminatória, e elegeu, no voto democrático, uma espécie de torcida do Corinthians, o bando de loucos, para dirigir o País. Deu no que está dando. E... ih, olha eu transformando boa notícia em constatação de problemas. Ana Maria Machado é boa notícia, sim. Ponto.

Eu e o sabiá


Tira de Laerte, hoje, na Ilustrada. Sei não, mas parece que é comigo...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Da boca pra fora

A presidente Dilma Roussef fez ontem um pronunciamento supostamente emocionado sobre o combate ao crack. Falou com autoridade de comandante, mas não convenceu ninguém sobre a eficácia das medidas anunciadas e nem muito menos se elas serão realmente aplicadas. O discurso de Dilma é essencialmente demagógico. Tudo que ela fala é movido por interesse político-eleitoral. Tudo. A verba anunciada para aparelhar a Polícia na repressão ao tráfico da droga muito provavelmente será desviada para o bolso de algum partido aliado responsável pela distribuição dos recursos enquanto o crack continuará devastando os subúrbios das grandes cidades brasileiras. A Polícia sabe muito bem de onde vem a pasta básica da droga. Bastaria, por exemplo, que dona Dilma desse um pulinho em La Paz e conversasse a sério com seu colega Evo Morales, cocalero desde criancinha e incentivador da “exportação” dos produtos bolivianos para o Brasil e o mundo.  

Bola que rola

Futebol. Interessante a cerimônia de premiação dos melhores do campeonato brasileiro. Newmar, claro, única unanimidade nacional, merece todos os prêmios possíveis. A escalação da seleção do Brasileiro, entretanto, é tão subjetiva quanto à preferência por azul ou vermelho ou caju ou laranja ou doce ou salgado. Eu, por exemplo, só por exemplo, não concordo com o time escolhido. Onde está Marcos Assunção? Onde está Borges? Ganso, Lucas, Arouca, Deco? E por que o técnico escolhido foi Ricardo Gomes? Por que ele teve um AVC à beira do campo? Tite ganhou o título com um timeco e sob toneladas de pressão do bando de loucos corintianos, sem dúvida, merecia o reconhecimento, mas a CBF preferiu fazer um pouco de demagogia. Igualzinho ao governo do País que representa.      

Tragédia adormecida

E o supernavio rachado no porto do Maranhão? O bichão está carregado com 400 mil toneladas (!!!) de minério de ferro e pode começar a vazar a qualquer momento. O Governo, ou o extraordinário ministro das Minas e Energia Edison Lobão, não disse uma palavra a respeito. A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, resolveu falar antes que os olhos da mídia internacional reparem nesta excepcional “crônica de uma morte anunciada” nos mares do sul do oceano Atlântico. A Vale não explicou o que está sendo feito para resolver o problema, mas afirmou que a situação é grave e não pode ser minimizada. O silêncio do governo brasileiro, a esta altura, já é constrangedor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Presente de Natal

A involuntária corrida dos ministros do governo Dilma em direção ao precipício tem um novo líder. É o ministro do Desenvolvimento Industrial, Fernando Pimentel. Como o ex-ministro Antonio Palocci, o Pelé da Economia, segundo o presidente Lula, Pimentel faturou milhões de reais com consultoria especializada, o eufemismo usado pelos governistas para definir tráfico de influência. Com os números do PIB, onde a indústria contribuiu com zero para o crescimento nacional, o ministro assume a liderança como “o bola da vez” não apenas como corrupto, mas também como incompetente. Deve cair antes do fim do ano.

A realidade da vida

Não sei, não, mas a pulga atrás da minha orelha está mais inquieta do que nunca. Os preços do mercado dispararam. O queijo, prosaico e indispensável queijo, dobrou de preço. Isso. Dobrou. Não se compra um quilo de açúcar por menos de 3 reais. Os hortigranjeiros tomaram generosas vitaminas de centavos, estão todos, como se diz, pela hora da morte. Ontem, o ministro Guido Mantega (quando chegará a hora dele?) deixou o otimismo de lado para se agarrar nos fiapos de realidade dos números da economia brasileira. O País parou de crescer. Só a agropecuária tem números positivos, o resto, indústria, comércio, serviços, foi tudo pelo ralo, são todos negativos. Mantega, respaldado pela suposta autoridade moral da presidente Dilma, disse que a situação é passageira, no próximo ano voltaremos a crescer. O senhor acredita? Eu não. E não acredito, primeiro, porque o histórico de verdades e mentiras desse governo tem uma defasagem muito grande a favor da lorota e, segundo, porque já lançaram um pacote de redução de IPI para incentivar o consumo e a “contribuição” do Governo foi parar no bolso dos comerciantes, não houve resultado nenhum. E, afinal, como se sabe, quando o Governo começa a editar pacotes econômicos é sinal evidente de crise. A pulga está agitada. E o dono da padaria nem disfarça o sorrisinho maroto no canto da boca. Quer dizer, nem adianta prender mais ministros, já estamos roubados.  

Olho grande

E o maior navio do mundo rachado num porto do Maranhão? O bicho não agüentou o tanto de minério com que a Vale entupiu seus porões. Um retrato real do modelo de exportação da economia brasileira: estamos dilapidando o País, vendendo matéria-prima e comprando manufaturados. A moldura dessa foto é a atual estagnação da economia brasileira, com zero de crescimento.

Tirem as crianças da sala

Quando os sinos tocam, ofertas imperdíveis para você... Essa é uma frase dita com emoção e alegria pelo apresentador Fausto Silva em um comercial do Magazine Luíza. O que leva um cara como Faustão, esperto, realizado, milionário, a dizer uma aberração desse tipo? Estupidez, má fé, irresponsabilidade, ganância? Acertou quem cravou as quatro opções.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Flagrante da hora




Os presidentes Lula e Dilma se reuniram hoje à tarde, em um hotel em São Paulo. Não se sabe o que conversaram. Seus assessores desconversaram. Boa coisa não foi. Se fosse, a gente já teria sido devidamente comunicado. Deve ter sido algo em torno da tal governabilidade. O mais instigante de tudo isso, entretanto, é o visual de Lula. Que figura! Dilma, sob amasso explícito, parece comentar óia o cara, meu...

Che Rogério

O fotógrafo baiano Rogério Ferrari lança um novo livro de fotos, Ciganos, dia 16, no foyer do Castro Alves.
Nascido em Ipiaú, Rogério pegou régua, compasso e uma Nikon em Salvador, viveu Bahia, e caiu no mundo. Cruzou a América Latina de moto, foi um quase-guerrilheiro sandinista, esteve no caldeirão do Oriente Médio, seguiu as pegadas dos sem-terra e agora, muitos anos depois, conheceu o povo cigano. Seu trabalho é importante, relevante, de alcance social e político. A arma que usa para apoiar a luta pela sobrevivência de povos segregados é uma simples câmera fotográfica. Neste trabalho, na beleza arisca do preto e branco em 35mm, longe da cor e da digitalização, Rogério desvenda o mundo de sombras dos ciganos.
Conheci o cabra centos anos atrás aqui em casa, aonde ele veio para jogar no nosso então famoso e tradicional futebolzinho de sábado. Pelo que lembro, jogava bem. Mas o que marcou mesmo sua presença foi a esplendorosa Harley Davidson que pilotava como se estivesse numa poltrona de aço. Deixou-nos com a impressão de que aquele era um cara que seguia seus sonhos, e que tinha os veículos certos para as longas viagens, a moto e a câmera, as quais ele já sabia manejar muito bem.  

A vida é bela

Muito simpática a troca de modelos de apresentadora no Jornal Nacional. O telespectador deve ter se sentido íntimo do casal que nos diz todo dia o que está acontecendo a nossa volta. Saiu uma moça bonita, radiante, confiante, séria e determinada, que já está chegando aos 50 anos e com jeitinho meio coroa, como se diz entre os íntimos. Entrou uma moça bonita, radiante, confiante, séria e determinada. Mudou quase nada. As diferenças ficam por conta da história profissional de cada uma. Fátima carrega a seu favor o peso do tempo passado. Patrícia tem a seu favor o futuro. Creio que continuaremos muito bem servidos em nosso noticiário de estimação. William Bonner parecia um pinto no lixo.  

Do mundo da lua



A Nasa divulgou esta “concepção artística” (divulgada agora de manhã no Bom Dia Brasil como se fosse uma foto!) de um planeta recém-descoberto a 600 anos luz do sistema solar. Duas vezes e meia maior que a Terra, o Kleper 22B orbita a zona habitável de uma estrela semelhante ao sol e pode ter água líquida. A Nasa também informou que a sonda Voyage 1 está a 18 bilhões de quilômetros de distância do sol. Grandes coisas. Ou a Nasa está antecipando notícias do próximo século ou está a nos lembrar que somos seres humanos. De um jeito ou de outro, são informações que antes de ser ciência pura só servem ao imaginário popular e para encher lingüiça nos telejornais.   

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os mais vistos

Saiu nova e instigante pesquisa sobre Os Veículos Mais Admirados da mídia de comunicação nacional, divulgada pela revista Meio & Mensagem. Os números não apontam mudanças nas lideranças das seis categorias, Jornal, Revista, Rádio, TV aberta, TV paga e Internet, mas mostram alterações significativas no meio da tabela. No alto, quem manda é Estado de S. Paulo, Veja, Globo, Google, CBN e GNT. Do meio para baixo, o SBT, por exemplo, despencou para a sexta colocação entre as emissoras de tevê, a Zero Hora já é o 5º maior jornal do Pais, a Terra é o terceiro portal, e a GloboNews cai enquanto o Sportv sobe entre as emissoras a cabo. Confira o ranking:

A fila andou

A segunda-feira parece ter despertado com um sol mais alegre. No domingo, o Brasil reconheceu seu time campeão de futebol, despediu-se de um legítimo ídolo popular e viu-se livre de mais um ministro ladrão. A semana promete ser divertida apesar da cara de assustado do Papai Noel.  

domingo, 4 de dezembro de 2011

Valeu, doutor...

Morreu o doutor Sócrates. O álcool matou, como mata milhares diariamente. O futebol brasileiro perde um grande ídolo, legítimo, honesto, verdadeiro. Morre um cara que fez a vida com os pés e a cabeça, um cara admirado por todos os que admiram o futebol e o dia a dia levado em plena liberdade. Era craque, foi craque, será sempre lembrado como craque. Hoje, pelo menos hoje, não beba nada com álcool. E, apesar de tudo, do seu verdadeiro time do coração, torça pelo Corinthians ser campeão. Sócrates merece chegar ao céu sorrindo.

Comunistas de araque

Estão instituídos, definitivamente, o descaramento e a pouca vergonha no governo petista da República do Brasil. O Itamarati acaba de lançar um livro, em edição belíngue, Imagens da Diplomacia Brasileira, que é um insulto à história do Brasil e do outrora respeitadíssimo instituto diplomático nacional. A Folha de hoje traz um excelente texto anônimo, portanto responsabilidade direta do editor de política, esmiuçando as barbaridades históricas cometidas voluntariamente no livreto do Itamarati ao pior estilo bolchevique. Imagens da Diplomacia Brasileira, só para se ter uma idéia mais clara, traz sete fotos do Brarão do rio Branco, considerado pai da diplomacia nacional, e 28 do atual ministro da Defesa, Celso Amorim. Vinte e oito fotos de um cara só –e sem qualquer mérito para isso. Isto é lesa-Pátria. E deve ir direto para a conta de Lula, a esta altura já quase impagável.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A ética da regra

Regras foram feitas para serem quebradas. Todo mundo sabe disso. Na sociedade, no judiciário, no legislativo, no Palácio do Governo, no boteco da esquina, nos amores e nos ódios. Menos no futebol. No futebol e no jogo do bicho. Vale o que está escrito. Os velhinhos da Fifa demoram décadas para mexer uma vírgula nas regras do jogo, os veteranos da contravenção preferem viver atrás das grades do que mudar o sistema.
Amanhã tem dois dois grandes jogos que decidem o campeonato nacional. Nos dois times candidatos há jogadores que não poderão atuar porque estão suspensos por isso ou por aquilo. E pelo menos dois deles, Juninho Pernambucano, Vasco, e Emerson, Corinthians, são fundamentais para suas equipes. Acho que o bom senso devia prevalecer, em nome do bom futebol, e os dois caras entrarem em campo para mostrar todas as suas artes.
Deixaríamos a regra um pouco de lado, com cara de bunda, assim como o Governo faz com a ética.  

A dança da bancada

O surpreendente e estranho caso da troca de apresentadoras na bancada do Jornal Nacional merece atenção especial não apenas de telespectadores, mas principalmente dos profissionais de comunicação. A lorota orquestrada por Ali Kamel e Carlos Alberto Schroerder de que a Globo estaria atendendo a um pedido pessoal de Fátima Bernardes não fecha com as recentes informações do Ibope sobre o peso maciço da nova da classe C na audiência das televisões, peso que estaria desequilibrando a competição a favor das emissoras que atendem a este público. Desenhos do Pica Pau e seriado do Chaves batem com facilidade produções sofisticadas do estúdio global. A Xuxa, por exemplo, não tem mais horário onde possa se esconder. Ana Maria Braga, então, com seu show diário de arrogância social e falta de cultura perde feio no Ibope para as trágicas aventuras policialescas da Record. A mudança da Globo, com absoluta certeza, obedece ampla estratégia comercial para recuperar a audiência das manhãs, algo que move centos milhões de reais que nem se pode imaginar. A Globo fará, isto sim, o que for preciso para manter a liderança nem que isso custe o embaralhamento das principais peças da casa no xadrez da emissora.
Parece claro que Fátima Bernardes é o exocet da Globo  para o bombardeio matinal. A escolha é perfeita, se considerarmos o alvo. Ninguém tem mais credibilidade na mídia nacional do que esta moça, salvo, claro, o marido dela. O programa de Fátima, do qual não foi revelado sequer o modelo (não se sabe se serão entrevistas, variedades, jornalismo, etc), deve dar seguimento ao Bom dia Brasil e fazer uma ponte entre o indefectível programa de receitas de cozinha e um bloco de desenhos animados até o horário do meio dia. Se esse esquema vai funcionar ou não, só o tempo dirá. Se vai ser melhor ou não, isso saberemos logo no primeiro dia.
Afinal, a grande vitória nesta mudança toda, do ponto de vista do telespectador, e pelo menos deste profissional de comunicação, é a quase certeza de que dona Ana Maria Braga será limada da grade global ou no mínimo vai mudar de horário. Chega daquela roquidão antipática arrostando filosofias baratas que não se sustentam nem em prato de porcelana de parede de cozinha. Paulo Coelho, por exemplo, não é o maior escritor brasileiro. Paulo Coelho é, tecnicamente, um péssimo escritor, isto do ponto de vista da crítica literária internacional. E nem Ivete Sangalo é a maior cantora brasileira. Ivete, aliás, não é nem cantora, trata-se de uma animadora de trio elétrico. As distorções na produção artística nacional, provocadas por generosas subvenções estatais e interesses exclusivamente publicitários, já prejudicam muito a sociedade, não precisamos de uma senhora baixinha inculta fantasiada de socialite a impor padrões culturais enquanto estamos tentando engolir um café da manhã depois do primeiro noticiário do dia.
Que seja muito bem vinda dona Fátima com todo seu conhecimento, beleza e cultura.       
E que a classe C aprenda a consumir o que é de fato bom na televisão brasileira –e não este pastiche de comportamento americanizado que nos exibem todas as manhãs.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Anote aí

A questão da agonia do morto-vivo Carlos Lupi chegou ao nível máximo de tolerância da opinião pública. A tendência do noticiário ontem à noite, pelo menos para quem está minimamente acostumado a entender as intenções editoriais de Globo, Folha, Estado e Veja, é de que o ministro cai imeditamente ou a pressão da imprensa, daqui para frente, será pela renúncia de Dilma. A presidente esticou demais a corda, agora ela mesma corre o risco de ser a enforcada da vez. Não há ladrão neste mundo de Deus que mereça desrespeitar tanto as instituições democráticas e o próprio povo. Fora com ele –ou fora com ela.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A moça do boa noite

Mônica Bergamo, da Folha, deu o furo ontem à noite (que língua a nossa!!): Fátima Bernardes vai sair do Jornal Nacional. Jornais e portais confirmaram hoje pela manhã. Mas não há qualquer especulação a respeito dos motivos da saída. Mônica informa apenas que Fátima alega cansaço (ela tem 49 anos e três filhos adolescentes), mas a notícia, para a mídia, exige pormenores, objetivos, perspectivas, tudo o que um bom furo merece. O Jornal Nacional é o mais importante veículo de informação da América Latina, é preciso alta qualificação para sentar naquela bancada. Então, como telespectador contrito, gostaria de saber claramente por que Fátima vai sair e quem entrará em seu lugar. Estes são os dois pontos da pauta: por que saiu e quem entra. Tenho dois palpites: a busca insaciavel da Globo por audiência na classe C tirou Fátima da bancada e a beleza, a simpatia e a competência vão garantir o trono para Renata Vasconcelos.

Ih, errei o palpite sobre a nova apesentadora do Jornal nacional. Acabo de ver na Zero Hora que Patrícia Poeta vai substituir Fátima Bernardes. Acertei nos atributos de beleza e simpatia.  

Neguinho

Caetano Veloso está de volta na voz de Gal Costa. O velho poeta cada vez mais moderno e a senhora da beleza cada vez mais afinada.
Tentem ouvir Neguinho neste endereço:

http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/gal-costa/neguinho/2521237

Neguinho não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê
Neguinho nem quer saber
O que afinal define a vida de neguinho
Neguinho compra o jornal, neguinho fura o sinal
Nem bem nem mal, prazer
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país
Só pensa em se dar bem – neguinho também se acha
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz
Neguinho também só quer saber de filme em shopping

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Se o mar do Rio tá gelado
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul
Já na Bahia nego fica den’dum útero
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho
Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo
Nego abre banco, igreja, sauna, escola
Nego abre os braços e a voz
Talvez seja sua vez:
Neguinho que eu falo é nós

Rei, rei, neguinho rei
Sim, sei: neguinho
Rei, rei, neguinho é rei
Sei não, neguinho

Ou dá ou desce

A Comissão de Ética Pública recomendou a presidente Dilma Roussef que demita o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. O que a gerente durona, que já se revelou um office boy gelatinoso, vai fazer agora? A opinião pública e o bom senso político exigem uma posição justa do Governo Federal, embora isso pouco signifique na verdade dos fatos do governo petista. A situação de Lupi já não é mais apenas insustentável, mas sim intolerável. E se torna a cada instante um caso seríssimo de desrespeito ao Brasil e aos brasileiros.

Vale por um bifinho

A Comissão de Ética Pública também devia recomendar severa moderação na propaganda oficial do Governo Federal. Nunca na história desse país se viu e se ouviu tanta lorota de parte dos governantes em todos os níveis. Mente a presidente da República, mentem os ministros, mentem os governadores, mentem os prefeitos. A propaganda virou instrumento de manipulação da opinião pública. Muito antes de controlar o conteúdo da Imprensa, o Brasil que pensa devia se preocupar com a Publicidade, capaz, esta sim, de arrasar com os interesses democráticos da Nação e da população.

A Cuca vai pegar...

A Comissão de Ética Pública também deviar interpelar a presidente da República sobre aquela magnífica promessa eleitoral de construir 10 mil creches durante seu governo. Até agora, pelo que se sabe, não foi construída uma única creche federal, ao contrário, faltam vagas nas que existem e está sumindo a merenda escolar.

Ho, ho, ho

Estou com uma dúvida política natalina. Não sei se quando vier à terra distribuir presentes aos bem comportados, o Bom Velhinho deve se dirigir ao Governo Federal como Governo da Corrupção ou Governo da Mentira. Ninguém sabe se o que o governo mais faz é roubar ou mentir.

Bola que rola

O Vasco perdeu para o Universidad do Chile a vaga para a final da Copa Sulamericana. Faltou força aos cruzmaltinos. Dizem que estão cansados. E domingo vão jogar a última partida do Brasileiro precisando vencer o Flamengo de qualquer maneira. Acho que vão perder mais uma. Um Juninho Pernambucano só, com 36 anos da idade, não faz verão.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Unfuckinbelievable!


Vejam isso. Rock and roll da melhor qualidade. Dois demônios, um boneco branquelo e uma escultura negra –Tina Turner, lembram dela? Melhor nem reparar demais, é como uma trufa de chocolate...

O recheio do pastel

O Brasil governo federal é mesmo uma caixinha de surpresas como o Brasil país do futebol. A Folha de hoje, em matéria de Bernardo Mello Franco, diz que “O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo) decidiu que os militares acusados de torturar presos políticos na Oban (Operação Bandeirante) durante a ditadura não podem mais ser condenados porque seus supostos crimes já prescreveram. A decisão beneficia quatro ex-agentes do regime. Entre eles está o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, que foi apontado como torturador pela presidente Dilma Rousseff em depoimento à Justiça Militar, em 1970”. Afinal, em que lugar do mundo os militares seriam absolvidos num governo comandado por guerrilheiros que eles prenderam e torturaram? Por essa e por outras que nos deixam de queixo caído, ninguém acredita mais em direita ou esquerda, no bem e no mal, na dupla GreNal, na volta da Grapete, na prisão dos mensaleiros, na palavra da presidente da República, nas sentenças do Supremo Tribunal Federal, na escalação da Seleção Brasileira e nem nas canções do Chico Buarque.    

Diário da aldeia

Quarta-feira, o silêncio ainda se impõe. Coração aos soluços, cabeça aos sobressaltos, os fatos atropelam a crônica. O que foi feito da história desse País e como vai se contar o que está acontecendo de fato, quantos ladrões há no Ministério, quantos tarados há na sacristia, quantos artistas cabem na fama? Dúvidas, ah, sim, dúvidas não interessam.
Há poucos instantes notei um retrato da natureza encenado no clube defronte aqui de casa: um casal de rotwaillers estava sentado debaixo de uma frondosa mangueira sobre as patas traseiras e olhando para cima. Um bando de micos se divertia na galharia da grande árvore, inalcançáveis, enquanto os cães vigiavam atentos, na esperança de fazer justiça com as próprias garras. Dúvidas, ah, sim, dúvidas são a razão do conhecimento.
Estive em silêncio nos últimos dias porque havia problemas na fiação de telefone neste buraco suburbano onde moro em Salvador e também porque deu uma gastura, como se diz aqui na terra da magia e da desfaçatez, com a situação política do País e a incrível interpretação dos fatos pelos protagonistas, coadjuvantes, diretores e produtores da cena nacional cotidiana. Quer dizer, sem telefone e sem motivação, melhor ficar calado.
Ou, então, o que dizer diante das manchetes do dia: todos os assessores da Câmara Federal ganham sem trabalhar, Sílvio Santos usou música por 40 anos sem pagar o autor, o médico libanês estuprador continua foragido, os ministros Carlos Lupi e Mario Negromonte ainda são ministros, Corinthians ou Vasco, ui!, será o campeão brasileiro de 2011, o meia atacante Marcelinho Paraíba está preso por estupro, Ronaldo Gordo será o comandante do comitê organizador da Copa do Mundo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que futuro do PSDB é mais incerto que o do euro, a celebridade A deu pra celebridade B que é o verdadeiro pai da celebridade C que mandou matar a celebridade A porque quer todo dinheiro da família e no final todas as celebridades estarão sorrindo felizes na festa de fim de ano da Globo.
O mundo, então, nunca esteve tão hilariante e assustador. Agora é o primeiro mundo que sofre com a crise econômica, os emergentes são todos prósperos milionários. A revolta popular da internet chegou às portas de mais um palácio do mundo árabe, o governo sírio deve cair de podre nas próximas horas. Aumenta o número de gregos que vivem no berço da humanidade debaixo de monumentos artísticos nas ruas de Atenas. O povo iraniano invadiu e saqueou a embaixada britânica em Teerã. E deve ser mentira, claro, que Lula e Chavéz são juntos o maior câncer da história dessa América tão latina.   

Como te chamas?

O Estado de S. Paulo divulgou esta semana uma pesquisa muito interessante sobre os nomes dos brasileiros. Há revelações que desmentem verdades populares como aquela que diz que João é o nome mais usado no País. Não é. Perde feio para José e Antonio. E as Marias são absolutas. São mais de 13 milhões. Há outras surpresas. A lista dos primeiros 48, na ordem dos mais usados:
Maria, José, Antonio, João, Francisco, Ana, Luiz, Paulo, Carlos, Manoel, Pedro, Francisca, Marcos, Raimundo, Sebastião, Antonia, Marcelo, Jorge, Márcia, Geraldo, Adriana, Sandra, Luis, Fernando, Fábio, Roberto, Marcio, Edson, André, Sergio, Josefa, Patrícia, Daniel, Rodrigo, Rafael, Joaquin, Vera, Ricardo, Eduardo, Terezinha, Sônia, Alexandre, Rita, Luciana, Cláudio, Rosa, Benedito e Leandro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os alvos



Tira de Angeli, na Ilustrada de hoje, dia em que foi anunciada a absolvição de um PM acusado de matar a tiros, por engano, um menino de três anos de idade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vrrruuuummmm

A Fórmula 1 é o maior evento esportivo internacional que ocorre anualmente no País. O autódromo de Interlagos é um dos mais tradicionais de todo o circuito mundial e o que tem a pior infra-estrutura. Agora mesmo foram consumidos cerca de R$ 60 milhões em obras de restauração e soube-se hoje que o sistema de saneamento não é completo, falta rede de esgoto.  Os dejetos são depositados em fossas e a retirada por sucção libera um mau cheiro insuportável em toda a área. Um exemplo péssimo para um País que vai sediar a próxima Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de 2016. E também uma prova de que a incompetência administrativa não é privilégio dos governos do PT e de partidos da base aliada, está muito bem acomodada na oposição, no caso no PSD novinho em folha do prefeito Gilberto Kassab.    

Contramão da lógica

Não há coisa mais chata neste mundo de Deus do que Governo descompassado com a realidade do povo. O governo de Brasília, Distrito Federal, do qual nos acostumamos a ver envolvido em trambicagens e roubalheiras com os três últimos governadores, quer agora dar um drible no imaginário popular. Não satisfeitos em desviar dinheiro dos cofres públicos, os governantes querem impor imagens nos sonhos do povo. O estádio Mané Garrincha, reformado para a Copa do Mundo, corre o risco de ser rebatizado com o nome de Estádio Nacional de Brasília. Um insulto ao povo do país do futebol. Estádio Nacional é típico nome do tempo do totalitarismo soviético no leste europeu, coisa de comunista demagogo, coisa da gentalha sindicalista que está sangrando o país.   

Jingle béu


Fernando Gonzales, na Ilustrada, se divertindo com Papai Noel

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Petistas e brigadianos

A Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul sempre foi uma instituição séria. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul também. Mas as últimas décadas de intenso combate político ideológico na terra que já foi um país mudaram o caráter dos protagonistas e até mesmo a liturgia dos cargos públicos. Hoje, e isso não é piada, o governador do Estado assinou um decreto concedendo a Cruz de Ferro da Brigada Militar a ele mesmo. É. O governador Tasso Genro e o comando da Brigada passaram o ano às turras por conta de melhoria salarial e agora no apagar das luzes resolvem acender uma enorme pira em formato de pizza para festejar acordos políticos. Bento Gonçalves deve estar se virando na tumba como um galeto de padaria. Eu, de minha parte, como gaúcho, não vou sair de casa hoje nem atender telefone. Estou envergonhado.

Na praça e na banca

Manchete da Folha de S. Paulo de hoje é quase um três por quatro da nova realidade da política e da comunicação internacional. Quer dizer, mudou o comportamento das massas e dos redatores de jornais. O rapaz da Folha escreveu “Egípcios voltam às ruas, e governo pede para sair”. Isso é, sim, o retrato do novo mundo, na ação pública e na linguagem jornalística. Se ainda existisse o Jornal da Bahia, por exemplo, e lá estivesse eu e minha turma como centenas de anos atrás, a manchetinha talvez fosse algo como “Agora quem manda é a galera”. Venderia bem no Terreiro de Jesus, assim como a Folha deve ter esgotado na Mooca.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De bate-pronto

O anônimo voltou a comentar no post sobre futebol. Beleza. Ele agora veio fantasiado de viúva de Dunga, quem diria? Relacionou os grandes feitos do capitão do tetra como treinador, duas ou três vitorinhas para a alta capacidade do futebol brasileiro. Chamei Dunga de burro porque ele se revelou um sujeito autoritário, arrogante, intransigente e intolerante para comandar o maior time de futebol do mundo. Foi Dunga que manteve Júlio César no gol, fez de Felipe Melo o xerife do meio de campo, inventou Daniel Alves como meia-armador, Michael Bastos como laeral-esquerdo e Grafite como alternativa de centroavante. E foi a grande defesa armada por este gênio que tomou dois gols de linha de passe de cabeça dentro da área pequena em uma semifinal de Copa do Mundo. Dunga, nunca mais.

Galinheiro nacional

Os políticos, que até agora pareciam imbatíveis no ranking da corrupção, correm o risco de perder a vez para os juízes. A Corregedoria Nacional de Justiça anunciou que está investigando 67 juízes suspeitos de enriquecimento ilícito. A moeda, nos casos, é a sentença judicial. Pelo que se sabe extra-oficialmente nas esquinas da vida, esse número de acusados é mínimo. Só no Tribunal de Justiça da Bahia tem mais de uma dúzia. Imagina em São Paulo, Alagoas... Os policiais não entram nesta conta por que se caracterizam como caso de crime organizado.

Bola que rola

Futebol brasileiro. Está saindo melhor que a encomenda. Campeonato por pontos corridos, quando há equilíbrio de forças, é mais emocionante que mata-mata. Faltam apenas duas rodadas para o fim e há três times com chances reais de título. Não acredito que alguém arrisque o rico dinheirinho em alguma aposta se não for torcedor diretamente interessado, ou do Corinthians ou do Vasco ou do Fluminense. E vale o mesmo para a ponta de baixo da tabela. Cai quem não conseguir ficar de pé. Simples assim.
- Corinthians e Atlético Mineiro fizeram um jogo de alta tensão. O elenco do timão fez a diferença. Com três atacantes da categoria de Liedson, Emerson e Adriano fica mais fácil...
- Pouca gente fala ou sequer observa, mas Emerson, o Sheik, é com certeza o jogador mais importante desta arrancada final do time mais antipático do País. Nas três últimas partidas ele cavou os gols decisivos, marcando ou dando assistência.
- O Botafogo desandou como maionese em quermesse.
- O Internacional está beliscando uma das vagas para a Libertadores. Grande vitória de Dorival Junior e seu timinho de argentinos.
- O Fluminense vem que vem. Deco, Fred, Rafael Sobis e Marquinho fazem a diferença. A zaga é firme, os volantes são bons, os dois laterais são muito eficientes e o treinador tem estrela. Um time para ser campeão com méritos.
- O Figueirense vinha que vinha. Faltou elenco. Tem apenas um jogador de alta qualidade, o lateral direito Bruno. O treinador mostrou que é competente e merece treinar um clube mais estruturado, apesar do passado recente de capanga de Dunga, o burro.
- O Vasco está forçando ao máximo suas possibilidades de chegar ao título. Aparentemente não dá, mas craques como Dedé, Felipe e Juninho Pernambucano são capazes de decidir um campeonato.
- O Brasileirão é tão bom que o melhor time, o Santos, está em posição intermediária. Os melhores jogadores de todo o campeonato, Neymar, Ganso e Borges não estarão na vitrine final. Mas em compensação terão grande chance de brilhar no cenário internacional contra o supostamente imbatível Barcelona. Será um belo jogo para fechar um grande ano para o futebol mundial.
- E o Flamengo? Acho que está claro que Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves estão fora de posição, não são atacantes nem armadores, na verdade tática não podem jogar juntos. Os jogadores da base do clube são dos mais promissores do País, como Muralha, Tomaz, Adrian, Negueba, mas estão sendo sub-utilizados pelo treinador Wanderley Luxemburgo. Se ficar fora da Libertadores, roda todo mundo.

Meia volta, volver

A Anistia Internacional está de volta ao Brasil. A situação dos direitos humanos é muito melhor do que no tempo da ditadura militar, claro, mas surgem novas ameaças ao bem-estar comum. Nas últimas décadas, o Brasil cresceu, se robusteceu economicamente, e assumiu posição de destaque no cenário internacional. O gigante está despertando. E isso aumenta a responsabilidade dos governantes. E, lógico, o interesse das entidades internacionais para dar palpite na vida da gente.
A Anistia volta ao País para ajudar a enfrentar a gravíssima questão da segurança pública. O alvo da ONG mais famosa do planeta não é o tráfico de drogas, considerado pelas autoridades nacionais como nosso maior problema, mas sim as milícias nos subúrbios do Rio e São Paulo. Esses grupos paramilitares crescem mais, proporcionalmente, que o “exército” de traficantes e o efetivo das Polícias Militar e Civil.
A volta da Anistia ao Brasil é uma linda e vistosa saia justa para o governo, mas também serve como confortável camiseta de algodão para nós, os descamisados brasileiros.

Prato fundo

O apetite dos políticos profissionais pelo poder é insaciável. Eles são capazes de qualquer tipo de manobra para pegar mais uma fatiazinha do bolo. Sempre foi assim. Mas agora piorou um pouco, com a chegada à linha de frente da disputa política eleitoral nacional da ala sindicalista do Partido dos Trabalhadores. Estes são vorazes, famintos, se comportam no processo democrático como cães brigando por um pedaço de carne. Ética, moral, qualquer princípio de valores sociais valem coisa nenhuma. Os petistas acreditam que podem tudo, pois acreditam que seus objetivos são mais elevados do que o dos outros, eles querem um novo Brasil, mais justo, igual, generoso e soberano. Quem não concordar com isso, ou pelo menos desconfiar desses propósitos tão altos em um partido que usa a corrupção como instrumento político, está fora do barco do futuro, é inimigo.
Hoje, no noticiário político dos principais jornais (falo de Folha, Estado e Globo, realmente independentes do governo), há dois exemplos claros: A rede Canção Nova, emissora de TV a cabo do grupo católico Renovação Carismática, tirou do ar os programas apresentados por políticos e o ministro Fernando Haddad, da Educação!, mergulhou de vez na campanha pela prefeitura de São Paulo.
O primeiro caso é alarmante. O deputado Edinho Silva, presidente estadual do PT, estreou programa de entrevista justamente com seu mentor político e porta-voz oficial do ex-presidente Lula, ministro Gilberto Carvalho. Os católicos se revoltaram. A direção da emissora resolveu tirar todos os políticos do ar.
O segundo caso é exemplar. O ministro Haddad está em plena campanha eleitoral na capital paulista. Ele quase nem vai mais a Brasília e deve sair do Ministério antes da anunciada reforma de janeiro. Há quatro meses que Haddad despacha de São Paulo as decisões administrativas daquele que deveria ser o Ministério mais importante do Governo Federal.    
Agora imagine se esses dois casos fossem protagonizados por gente da oposição. No mínimo, o voz da época diria que esses ladrões são insaciáveis...

domingo, 20 de novembro de 2011

Em nome da verdade

O lançamento da Comissão da Verdade para debater a repressão aos movimentos extremistas na ditadura militar tirou mais um véu da vistosa máscara democrata progressista que o Governo usa nos eventos políticos históricos. Os reais interesses da democracia no Brasil esbarram na tênue relação entre guerrilheiros e oficiais militares de ontem com políticos eleitos e generais de carreira de hoje. Na sexta-feira, em uma reunião antes do lançamento da Comissão, a presidente da República e seus mais próximos colaboradores, como Cardoso, Amorim, Carvalho e Franklin, diante da suposta reação contrária dos militares à fala da filha do ex-deputado Rubem Paiva, morto pela repressão, decidiram que ninguém falaria na cerimônia, apenas Dilma. A explicação foi tão simples quanto incompreensível: os parentes de mortos e desaparecidos não falariam para que os militares também não tivessem direito à palavra. Uma decisão no pior estilo da política sindicalista. Afinal, houve uma guerra no País, é mais que natural que agora, em tempo de liberdade absoluta, haja um grande debate nacional sobre o que de fato ocorreu na ditadura militar, e que os dois lados sejam ouvidos. Por que, de repente, a democracia brasileira é relativa? Todos nós temos direito de saber o que houve de verdade nos anos negros da República. A decisão da presidente Dilma impõe uma pergunta objetiva:
O que um militar tem para falar que nós não podemos ouvir?

Tudo dominado

O Brasil caminha célere para ser o campeão mundial de nascimentos por cesarianas. Isso se já não for o primeirão, pois não há dados estatísticos internacionais a respeito. Hoje, a Folha publica em manchete de primeira página que pela primeira vez na história desse país, as cesarianas superaram os partos normais. Os números são impressionantes. As cesáreas já chegam a 80% no setor privado, quando o recomendável pela OMS é de 15%. Os motivos são claros: faltam leitos nos hospitais públicos e os planos de saúde preferem as cesáreas porque são mais rentáveis. Gravidez virou bom negócio para os comerciantes da saúde pública. Até o Ministério da Saúde considera que o SUS está contaminado e essas taxas refletem uma "epidemia".

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque hoje é sábado

Uma luz azul me guia até o caminho depois das pedras. Danço nas ruelas do Jardim das Margaridas como Mick Jaeger in the simpathy for the devil e ninguém repara. Não há ninguém nas ruas, só há pessoas. As manhãs já não servem pra nada como antigamente. As manhãs agora tem sentido, não se perde mais tempo em imaginar. Já não há antigamente. Estamos na vanguarda do futuro, com os mesmos hábitos. Deviam vender livros nas prateleiras das padarias. Crianças deviam brincar de samba de roda nas calçadas. As mulheres bonitas deviam andar nuas. De volta à luz azul, descubro que hoje é dia de festa da torcida Bamor, do Bahia, no clube em frente a minha casa. Ligaram o som. É axé... De hoje eu não passo.    

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Notícias da quitanda

O melhor indicador para medir situação política de um País é a relação entre o chefe do governo e a Imprensa. Se a situação é tranqüila, entrevistas, fotos, bate-papo informal, muito bom humor. Se a situação é intranqüila, portas fechadas, telefones mudos, fontes desaparecidas, cenhos franzidos. É batata.
A cerimônia de ontem, em Brasília, de lançamento de um programa nacional para pessoas deficientes acendeu em definitivo o sinal vermelho na relação entre Governo e Imprensa. Os repórteres simplesmente não tiveram acesso ao evento, apenas fotógrafos e cinegrafistas. Dilma não quer correr o risco de enfrentar alguma pergunta desagradável. Isso é um traço claro de autoritarismo e intolerância. Faz parte do receituário de ditadores e tiranos amedrontados, não tem nada a ver com democracia. É jiló.     

Bola que rola

Interessante o fecho da rodada de meio de semana do campeonato brasileiro. O Figueirense, quem diria, está no páreo. Hoje, há cinco times credenciados ao título e oito brigando pelas cinco vagas da Libertadores. A disputa por uma vaguinha na Sul-Americana também é uma guerra, mas não tão animada quanto a do rebaixamento. A ponta de baixo da tabela será disputada a tiros e facadas.
Ontem, o Flamengo não teve punch para bater os barrigas verdes. Jorginho, capanga de Dunga na última Copa, arrumou seu timezinho melhor que o do Wanderley e só não levou os três pontos por que o goleiro reserva do Fla pegou um pênalti.   
O melhor time do Brasil na atualidade, o Santos, está visivelmente incomodado com o notório equilíbrio de forças do Brasileiro. Ontem, com time completo, quase perde para o Atlético Goianiense.
O gladiador Kléber vai mesmo para o Grêmio. Acho bom negócio para um time que precisa de um centroavante eficiente, mas soube ontem à noite que grande parte da torcida do imortal está contra a compra. O polêmico atacante custará R$ 6 milhões por um ano de contrato, pagáveis a quinhentinho por mês. É muita grana. Vai ter que fazer gol até quando estiver dormindo na concentração.
Os juízes podem desequilibrar o jogo. Nunca se viu tanto árbitro incompentente. São, como se diz, erros clamorosos. é melhor a CBF encontrar uma solução rápida, antes que os torcedores tentem fazer justiça com as próprias mãos... 

A dança dos farsantes

Sexta-feira, mais um dia para achincalhar o ministro Carlos Lupi e o Governo Federal. As denúncias são de fonte cristalina, transparente e inesgotável. Lupi não é o pior dos quadrilheiros nem o mais cara de pau e nem o mais encrencado. Ele é, isto sim, o mais burro, o mais despreparado, o mais desqualificado e o mais truculento. Nada, absolutamente nada em seu currículo indica a mínima qualificação para ser ministro do Trabalho e Emprego. Sua expressão de débil mental caricaturado, sempre mentindo como um estelionatário autuado em flagrante, não convence ninguém. A única coisa realmente inexplicável neste episódio interminável é a falta de ação da presidente Dilma. Por que Dilma não demite Lupi? Na verdade dos fatos, parece que ela não tem esse poder. A fantasia que Lula emprestou até 2014 não dá direito a decisões. Dilma e seu governo, a cada dia que passa, parecem uma bruxa de pano brincando de roda com um bando de duendes e fadas falsificadas.      

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Filme matinal

Cena terrível às oito da manhã, hoje, no Bom Dia, Brasil. A câmera interna de um banco flagrou o assassinato de um homem que tentava fazer um saque eletrônico. Foi nos exibido então um filme de 30 segundos do mais puro terror por que passam pessoas atracadas na rua ou, como no caso, dentro de uma agência bancária. Viu-se claramente que o homem tentou impedir que o ladrão fugisse levando sua carteira de documentos e acabou recebendo dois tiros à queima-roupa. A seqüência da cena foi ainda mais terrível, flagrada agora pela câmera externa do banco. O homem sai cambaleando para a rua à procura de ajuda, mas não resiste, cai na calçada. Aparecem algumas pessoas. Uma mulher olha por dois segundos e depois entra no banco. Chegam mais pessoas. Dezenas. São apenas curiosos, ninguém sabe o que fazer. A vida segue. Menos para o homem estendido no chão. Ele já está morto. O ladrão assassino fugiu. E o noticiário seguiu atrás de outros assuntos. Não desceu o pano, este filme não tem fim.

Bola que rola

Futebol. O bicho está pegando bonito. Nunca se viu tanto equilíbrio assim. O Corinthians está com as mãos esticadas para a taça, mas ninguém aposta no alvinegro paulista. O Vasco rateou contra o fraco Palmeiras, mas tem fôlego –e elenco– para o sprint final. O Fluminense, com Deco e Fred, está chegando com sorriso de campeão. O Botafogo era mesmo só uma farsa e o Flamengo uma fantasia. Na ponta de baixo da tabela, dá pena de ver o esforço tardio do América mineiro e a sinuca de bico no Avaí. O Grêmio e o Bahia... Bem, esses dois são questão de paixão, dependem da grandeza do coração de cada torcedor.

O lobo e a ovelha

Minha mãe se habituou a dizer, há uns cem anos atrás, quando eu e meu irmão fazíamos alguma esculhambação em casa, que “esses meninos dão o tapa e escondem a mão”, e quanto a mim era ainda mais implacável: “esse guri tem outro por dentro”!  
Duas caras. Isso que minha mãe queria dizer com "outro por dentro". Quando a gente desconfia de alguém que não mantém a palavra ou que muda de opinião de uma hora para outra, costumamos dizer que o sujeito tem duas caras. Eu mesmo sempre desconfiei que Lula fosse esse tipo de gente. Há toneladas de exemplos de contradições evidentes entre o que ele disse em campanha eleitoral e o que fez realmente no poder. Sua relação com Sarney, Collor, Calheiros e os partidinhos da base aliada são provas irrefutáveis de manipulação de personalidade.
Hoje, ou melhor, desde ontem está provado que Lula tem mesmo duas caras. Dona Marisa Letícia caprichou no barbeador e revelou ao mundo a verdadeira face, limpa, escanhoada, do eterno presidente Lula. É até simpática, com aspecto mais jovem, ainda mais em pose com sorriso para foto oficial. Lula, como bem se sabe, ainda não foi capaz de tirar a fantasia de presidente e se manifesta através de notas e fotos oficiais, por isso não houve sessão de fotos nem entrevista coletiva. A questão agora é saber, de fato, qual é cara real de Lula, se a barbada ou a raspada.
Tenho a impressão de que esta cara sem barba nem cabelo é a cara que negociou fatias do governo com Sarney, empregou Antonio Palocci, José Dirceu, Erenice Guerra, Orlando Silva, Carlos Lupi e todo o resto da quadrilha, além de esvaziar o ensino público e a saúde pública. A cara com barba equilibrou as finanças nacionais de acordo com a evolução da economia internacional, estimulou a abertura do sistema de crédito para todos e estabeleceu programas assistenciais que melhorou a vida dos mais pobres e diminuiu, enfim, a desigualdade social que imperava “nesse País”.
Espero que a barba volte a crescer e que, afinal, prevaleça apenas uma cara na cara de quem manda mesmo no governo do Brasil.     

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O fim não começa hoje

Quarta-feira de cinzas. Aconteceu nada no feriadão. A Seleção brasileira jogou como se fosse a Seleção do Acre, ministros corruptos continuam agarrados no osso duro, descobriu-se que 17 Estados não cumprem a lei salarial do professor, protesto contra corrupção em Brasília reuniu 30 pessoas, estudante bêbado provocou acidente e fugiu pro bar. E o sol voltou a brilhar na Bahia. Começou o verão.