A vitória do Barcelona foi menor que a derrota do Santos. A derrota do Santos derruba milhões de torcedores brasileiros e latino-americanos, nada pode suplantá-la. Perder é uma coisa, levar quatro é outra. E levar quatro sem praticamente tocar na bola, sem dar um chute sequer a gol é, sei lá, acachapante, desmoralizante.
O Santos entrou para jogar com sete em seu campo de defesa e três no ataque. O Barcelona veio ao contrário, com três na defesa e sete no ataque. E isso com o detalhe decisivo de que todos os sete jogadores do meio para frente do time espanhol são muito superiores tecnicamente aos sete defensores santistas. Em pouco mais de vinte minutos o jogo tinha virado um treino no campo de defesa do Santos e mesmo assim o técnico Muricy Ramalho manteve o esquema até o fim. Podia e merecia e devia ter levado oito.
Espero que os profissionais do futebol brasileiro em todos os níveis tenham humildade para assimilar a aula que Neymar admitiu ter recebido e que milhões de torcedores foram obrigados a assistir.
A tragédia santista também acentua a fragilidade da crônica esportiva nacional. A primeira impressão é de que toda essa rapaziada sorridente não entende patavina nenhuma do que está falando e que os veteranos jogadores travestidos de comentaristas são meros palpiteiros, ninguém sabe exatamente o que está acontecendo no futebol moderno.
Afinal, foi o próprio Muricy quem conseguiu pelo menos fazer a melhor síntese tática do jogo:
- 3,7,0 é caso de Polícia!
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