quarta-feira, 14 de março de 2012

Bye, bye


Laerte, na Ilustrada. Saudações da gaiola...
Aproveito para anunciar uma breve parada deste blog. Questões particulares. Volto quando possível, espero que seja breve. E avisarei por e-mail meus 12 leitores. Enquanto isso, desconfie de tudo que a Presidente da República disser, não acredite no clima de mundo perfeito dos telejornais, leia apenas autores de língua portuguesa ou espanhola, não ouça música baiana em hipótese alguma e torça pelo Grêmio.
Abração, obrigado, e até mais...

sábado, 10 de março de 2012

O carnaval continua

Notícias palacianas nesta manhã fervente de sábado:
O ministro do Desenvolvimento Agrário foi demitido pela Presidência da República. É o 12º ministro a cair em pouco mais de um ano do governo Dilma. Ele era indicado pelo governador Jaques Wagner. E foi demitido por incompetência.
O PDT está dando discretos passinhos para trás em sua relação “institucional” com o Governo Federal, ou mais exatamente o PT. O partido fundado por Brizola está se articulando em vários Estados, principalmente em São Paulo, para ampliar sua participação partidária nos próximos governos municipais. Paulinho da Força está com votos e bagagens prontos para embarcar na candidatura de José Serra. Seria uma bala de prata contra o PT.   
José Dirceu voltou à cena política nacional. Reapareceu ontem na cerimônia de posse de José Sérgio Gabrieli, ex-Petrobrás, na secretaria de Planejamento do governo Wagner. Justo na Bahia. E a Bahia já tem o axé music, não precisava de outro enganador para enfeitar a vitrine.

sexta-feira, 9 de março de 2012

De olho na bola

Transcrito do jornal Estado de S. Paulo, coluna do escritor Ignácio de Loyola Brandão, lido e premiado aqui, lá e acolá. Nada entende de futebol, mas sabe de outros mistérios da vida.

Não levo meus netos para ver esse futebol
Sei que o mundo mudou e, se querem minha opinião, ficou chato. Sei que o futebol mudou e se posso opinar, ficou muito chato. Não sou cronista esportivo, nunca fui. Também não sou daqueles que olham um jogo e ficam sabendo que os zagueiros deveriam avançar, que a tática usada foi 4.3.3 ou 5. 2.4 ou 1.9. 1. Vou ao campo ver a bola correr, ver dribles, defesas, gols, lançamentos, passes, grande jogadas, beleza. Quando leio ou ouço os comentaristas descreverem as partidas, fico com a sensação de que vi outro jogo e me sinto humilhado pela minha falta de conhecimentos. Será que por causa de minha ignorância estou achando tudo entediante, monótono, aborrecido, rotineiro? Ou o futebol definhou?
(...)
Vale algum sacrifício ir ver o Adriano, o Valdivia, o Luis Fabiano, o Lucas, e outros celebrados em campo? Por Deus! Por mais que procure, e procurei até em livros de filosofia, de física quântica, de lógica e, vejam só, até em teologia, e juro que não entendi por que se contrata a peso de ouro certos "craques". Por que meu time foi buscar esse imperador? Qual é o império dele? Não o de Júlio César, nem o de Alexandre, nem o de Gêngis Khan. Pagam a esse moço a quantia de R$ 400 mil para quê? Quantos jogos ele jogou? Com esses 400 mil poderíamos acertar a minha Ferroviária lá em Araraquara, à qual permaneço fiel, ainda que a veja flácida, sem músculos, sofrendo de Alzheimer, sem forças, como a maioria dos times do interior.
E esse Corinthians líder que agora é humilhado por todos que brincam, zoam, gozam com suas goleadas "arrasadoras" de 1 x 0? Acabou o orgulho, o destemor, o querer dar espetáculo. Sabe por que não dão espetáculo? Porque não têm talento. O futebol que já foi Cirque Du Soleil hoje é um barracão coberto por lona podre, furada. Qualquer um que entre em campo e passe o pé sobre a bola três vezes é um craque procurado por empresários, agentes, assessores, treinadores, dirigentes, e um mundo de gente que quer fazer dinheiro.
(...)
Os técnicos são as grandes estrelas. Só que se juntarmos todos em campo, orientando uma partida, não darão a estatura de um Guardiola. Pegue o dedo do Scolari, o joelho do Mano Meneses, a boca do Leão, a arrogância do Luxemburgo, a apatia do Tite, a mudez do Muricy e tentem formar um técnico Frankenstein (este é para quem conhece literatura e cinema, tem certa cultura). Esse técnico não ganhará de ninguém. Está aí a seleção brasileira, inglória, sem provocar orgulho, sem nos fazer bater no peito. Batemos, sim, de raiva.
Sinto, não levei meus netos a um só jogo. Nem vou levar. Não tem por quê. Não quero deformá-los. Adoraria que crescessem dizendo: meu avô me mostrou a beleza do futebol! Não darei esse legado a Pedro, Lucas e Felipe, infelizmente. Ver o futebol que está aí é o mesmo que assistir ao BBB, A Fazenda, Mulheres Ricas, Zorra Total e pensar que se está vendo televisão. Nem esse campeonato é futebol nem esses programas e muitos outros são televisão pelo baixo nível, pela indigência, ausência de talentos, categoria, inteligência. São arremedos. E basta.

Ignácio de Loyola Brandão

Dilma Karlof

Enfim, Brasília se transformou num bazar a céu aberto. Bem, não tão aberto assim, as melhores ofertas ainda se encontram nos corredores, nos gabinetes, nos auditórios, nos plenários, etc., mas já se fazem negócios até nos estacionamentos e parques. Compra-se o que o dinheiro pode comprar e se vende inclusive os jardins da consciência.
A senha para a orgia geral do poder compartilhado foi dada a público na fragorosa derrota do Governo no Senado Federal. A presidente Dilma não conseguiu emplacar uma indicação pessoal. Isso era impensável até dias atrás, tanto pelos ritos litúrgicos das relações entre os poderes da República quanto pelo dito apoio da maioria dos senadores ao Governo Federal. Na realidade dos fatos, a partir de agora, vale dedo nos olhos, puxão de cabelos e até o terrível chute no saco.
A governabilidade do Governo Federal sob dona Dilma está na boléia do caminhão do desenvolvimento. Os companheiros da base aliada já ensaiam o corinho no Congresso Nacional:
- Ou dá ou desce.
Acredito que dona Dilma preferiria descer, mas deverá ser aconselhada a dar. O circo continuará esfuziante, iluminado, de lonas coloridas e retretas musicais e bichinhos amestrados, tudo pronto e animado para a matinê das 10, mas o público já está desconfiando que lá dentro o espetáculo, na verdade, virou um filme de terror.  

Oi, internautas...

A Presidente da República falou ontem à nação por conta do Dia Internacional da Mulher. Podia ter nos poupado de mais um recital de demagogias e oportunismos eleitorais. E principalmente devia respeitar a inteligência do povo brasileiro. Ela não é fiscal do governo, como tentou se identificar, mas sim Presidente da República. Ela é a responsável final por tudo que acontece nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança pública. Ela não pode fingir que faz uma convocação às mulheres para que denunciem os problemas nestas áreas como se ela não tivesse nada a ver com isso, como se ela fosse apenas a paladina do bem, apenas a escolhida para salvar os pobres e proteger as famílias desamparadas. Pareceu mais uma doida falando no pátio de um hospício. Não sei, não, mas estou achando que este roteiro presidencial pode nos levar direto para a pior de todas as histórias políticas que já ameaçaram este País.  

Fim de festa

O motor da economia nacional começa a tossir. Parece que tem água no carburador. A indústria voltou aos anos 50, conforme manchete na Folha de hoje, a inflação está colocando a cabeçorra de fora, os gênios estão mexendo nas taxas de juros e o povo descobriu que não tem como pagar os maravilhosos produtos eletrônicos que Lula aconselhou que comprasse. A crise econômica, conforme os governistas gritam todo dia na mídia, é de responsabilidade dos países desenvolvidos, não temos nada a ver com isso. Os especialistas apenas não dizem que seremos nós que vamos pagar o pato.  

Então vá...

Estivemos 48 horas sem telefone nem Internet cá no buraco onde moramos, nas franjas de Salvador. E durante este período, faltou energia várias vezes, às vezes por mais de duas horas. A Bahia, como nunca na história desse Estado, é só carnaval. Como não há outra saída, estou preparando uma carta para enviar ao Papa. E, como sou muito esperto, vou mandar uma cópia para o PMDB.

terça-feira, 6 de março de 2012

Olha o passarinho...



Foto de Ricardo Stukert, do Instituto Lula, publicada hoje no Blog do Noblat sob título Pneumonia Atingiu os Dois Pulmões de Lula


Desde que o presidente Lula foi diagnoticado com câncer, nunca mais o vimos em uma situação natural, como um ser humano normal. Não mais sequer ouvimos sua voz. O cara sumiu da frente dos microfones e câmeras e só aparece em fotos oficiais, do seu inestimável colaborador de sempre, Ricardo Stukert. E está sempre sorrindo. Sempre. Afinal, Lula está rindo de quê? De felicidade, por estar internado num hospital para combater um câncer? Ou será por que os idiotas da objetividade que cuidam de imagens políticas acreditam que a falsidade é mais importante do que a verdade para se comunicar com o grande público? Só pode ser isso. Uma receita de enganação política utilizada por regimes totalitários. Só não é possível entender por que um cara como Lula, assim-assim com o povo, como ele gosta de dizer, e ainda por cima enfrentando uma doença absolutamente real, aceita ser modelo fotográfico de fantasia política.         

Blindagem técnica

Nunca na história desse País um governo foi tão blindado pela mídia de comunicação. Nunca. Nem no tempo da ditadura militar, quando as empresas jornalísticas viviam ajoelhadas diante dos generais e certos artistas faziam números de circo mirabolantes (lembram do filmete do trapézio, de Nélson Pereira dos Santos, para exaltar o governo Médici?). A tal governabilidade que tanto justificou os desabridos golpes de caratê político de Lula nas relações institucionais parece ser o material principal dos escudos erguidos pelos telejornais, por exemplo, para evitar qualquer tipo de saia justa para o Governo Federal. A Globo, com certeza maior representante deste grupo de voluntários da pátria, faz jornalismo pontual nos impasses políticos, sem opinião, meio amórfico, quase distraído. Os governistas, na verdade, queixam-se de barriga cheia. O marco regulatório proposto pelos ex-guerrilheiros de festim do governo petista seria muito menos eficiente do que o atual silêncio da alienação.
Um exemplo. O noticiário de ontem, no Jornal Nacional, sobre a crise entre o governo brasileiro e a Fifa. A reportagem, conduzida por um veterano repórter do qual, graças a Deus, esqueci o nome, não abordou os dois principais pontos do assunto: o Brasil não está realizando as obras fundamentais de infra-estrutura viária e corre o risco de perder a Copa para a Inglaterra. Além de ter sido uma matéria claramente favorável à indignação do governo brasileiro e contra as críticas da Fifa, a reportagem passou ao largo dos pontos principais. A questão é política, complicada, cheia de nuances, mas está sendo fartamente debatida pela crônica esportiva. Há, pois, informações e opiniões suficientes para se compor um quadro compreensível para os queridos ouvintes. Felizmente, para todos nós que curtimos futebol, o caso deve dar em nada e a Globo continuará colocando generosas colheradas de açúcar no chazinho de boldo servido aos telespectadores todas as noites.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Nesta data querida

O jornalista Alberto Dines está fazendo 80 anos hoje. Seu nome está inscrito entre os grandes da Imprensa nacional. Passou por várias redações desde a histórica reforma do Jornal do Brasil e hoje está ancorado no Observatório da Imprensa. É dele esta definição conceitual da segunda mais antiga profissão do mundo:
- Como o jornalista, o artista busca a verdade, tem a coragem  de ser, e de enfrentar o desafio da perfeição contra o tempo. A escrita jornalística, não é novidade, é um gênero literário. Por isso o jornalismo subsiste: porque é arte. Se o registro histórico não for artístico, fica chato, vira um documento burocrático que você arquiva sem ler. Por isso, na pele de jornalista, me sinto também um artista.

Rebatida pontual

O sempre gracioso e bem informado Tutty Vasques, colunista do Estado.com, publicou hoje duas frases interessantes.
- Vladimir Putin chorando é quase tão pouco convincente quanto José Serra rindo.
- E se Bob Dylan pegar a gripe do João Gilberto no Brasil?

Arvoro-me a complementar as duas.

O aríete principal da oposição ao atual Governo Federal não foi bafejado pela virtude da simpatia, na verdade, ele a esqueceu no exílio chileno. Serra não sorri, apenas mostra os dentes. É o antipático mais votado da história da República.

A gripe de João Gilberto é Bob Dylan. Ou todos os  astros-vírus internacionais que vêm passar a sacolinha nas principais capitais do País. Se o País tivesse um Ministério da Cultura, e que não fosse apenas cabide de emprego para correntes políticas ligadas às “artes” nacionais, como batuqe de tambor e levatamento de copo, talvez pudessemos ouvir João Gilllberto sem ser assaltado numa bilheteria de teatro.

Boletim médico

O presidente Lula está novamente internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Desta vez é uma pneumonia leve, segundo os médicos, embora não haja previsão de alta. O resultado do Datafolha sobre as eleições municipais paulistas não tem nada a ver com isso. Ou tem?

A voz da dona

Eu assisti na TV Brasil ao pronunciamento da presidente Dilma Roussef em Fortaleza em cerimônia do projeto Minha Casa, Minha Vida. Fiquei assustado. Não acreditei no que estava vendo e ouvindo. Pensei em escrever um comentário, mas era impossível anotar o que Dilma dizia sem ficar estupefato. O colunista da Veja, Augusto Nunes, gravou e há uma análise disponível no site da revista, assinada por Celso Arnaldo, sob o título O Pior Discurso de Todos os Tempos, ou algo parecido. Leiam. É a presidente do Brasil falando sobre um mundo irreal e incompreensível. Não há texto –a papelada voou no início do discurso– é um improviso devastador da política em nome da demagogia desvairada. Lula, claro, fazia a mesma coisa, mas com bom humor e uma tonelada de carisma popular. Dilma apenas insulta a inteligência dos brasileiros.    

Pra boi dormir

Futebol. Neymar entrou em campo ontem, para o clássico com o Corinthians, com o filho bebê no colo e rodeado por dezenas de crianças e fotógrafos. De penteado novo e com caretas ensaiadas para as câmeras, a revelação-promessa do futebol brasileiro jogou coisa nenhuma. Ganso e Ibson jogaram muito e resolveram a parada. Ou Neymar entende que não é um pop star para consumo da mídia esportiva e dos patrocinadores ou precisamos encontrar urgente alguém que saiba e queira jogar apenas futebol. Como Lionel Messi, por exemplo.

A guerra dos beócios

O bate-boca desaforado entre o diabo e o demônio sobre os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de Futebol em 2014 está seguindo um caminho perigoso. Os dois belzebus têm razão: o cara da Fifa por criticar o ritmo inaceitável das obras dos estádios e também os sabujos governistas que rebatem a falta de educação e expressões de baixo calão contra nosso País. Ontem, foi a vez do perdigoto das relações exteriores, o amiguinho das Farc, secretário Marco Aurélio Martins (ou seria Garcia? Ou Gonçalves?) chamar o secretário da Fifa de vagabundo e boquirroto. O certo, até agora, é que o Brasil não aceita mais negociar com este representante da entidade máxima do futebol, e tal entidade já anunciou que não mudará o interlocutor. O próximo dia 12, quando o tal carinha mal-educado da Fifa volta ao Brasil para inspeções de rotina, é a data decisiva para a definição do impasse. O que vai acontecer?
Os analistas esportivos no Brasil e no mundo estão enxergando uma grande manobra internacional para reconduzir Ricardo Teixeira à representação brasileira nas negociações ou transferir a Copa para a Inglaterra.  Isso mesmo. Ou Ricardo Teixeira, recentemente afastado pelo Governo brasileiro da interlocução com os safados velhinhos da Fifa, reassume a ponta das conversações ou o Brasil perde a realização da Copa. Não acredito que vá acontecer nem uma coisa nem outra. É só uma questão de diplomacia esportiva, mas se sabe muito bem das inconstâncias políticas emocionais que açoitam o governo brasileiro e só isso já está deixando os torcedores brasileiros com o c(*) na mão.
Ah, sim, se o tal sargento Garcia quisesse realmente briga com a Fifa, era só suspender o visto diplomático do Zorro e não deixá-lo entrar no País.