Enfim, Brasília se transformou num bazar a céu aberto. Bem, não tão aberto assim, as melhores ofertas ainda se encontram nos corredores, nos gabinetes, nos auditórios, nos plenários, etc., mas já se fazem negócios até nos estacionamentos e parques. Compra-se o que o dinheiro pode comprar e se vende inclusive os jardins da consciência.
A senha para a orgia geral do poder compartilhado foi dada a público na fragorosa derrota do Governo no Senado Federal. A presidente Dilma não conseguiu emplacar uma indicação pessoal. Isso era impensável até dias atrás, tanto pelos ritos litúrgicos das relações entre os poderes da República quanto pelo dito apoio da maioria dos senadores ao Governo Federal. Na realidade dos fatos, a partir de agora, vale dedo nos olhos, puxão de cabelos e até o terrível chute no saco.
A governabilidade do Governo Federal sob dona Dilma está na boléia do caminhão do desenvolvimento. Os companheiros da base aliada já ensaiam o corinho no Congresso Nacional:
- Ou dá ou desce.
Acredito que dona Dilma preferiria descer, mas deverá ser aconselhada a dar. O circo continuará esfuziante, iluminado, de lonas coloridas e retretas musicais e bichinhos amestrados, tudo pronto e animado para a matinê das 10, mas o público já está desconfiando que lá dentro o espetáculo, na verdade, virou um filme de terror.
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