O jornalista Carlos Brinckman, nome de ponta da Imprensa nacional realmente independente, levantou em seu blog uma lebre do tamanho de um dinossauro. Uma lebre que pode causar mais estragos na horta de plantas carnívoras da política nacional do que um elefante distraído numa loja de cristais. Brinckman investigou o que estava por trás do cancelamento da compra de caças da Embraer pelo governo norte-americano, foi-se parar na promessa de compra de caças franceses pelo governo brasileiro e bateu de frente com o estranhíssimo acordo de cooperação entre Brasil e França para construção de um super-estaleiro em solo verde e amarelo.
O caso, ou os casos, compõem um excepcional jogo político internacional. O Brasil compraria aviões a preço de naves espaciais e a França cederia tecnologia para construção de navios e submarinos tupiniquins. Tudo bem, é toma lá, dá cá. Mas os Estados Unidos, que estavam investindo alto na compra de jatos da Embraer em troca da possibilidade real do Brasil comprar os jatos Boeing F-18 em vez dos caças franceses, não gostaram do acordo franco-brasileiro, suspenderam as negociações e o negócio chegou às páginas dos principais jornais do mundo.
Mas tudo isso tem pouca ou quase nenhuma importância diante do que Brinckamn descobriu. A França, num gesto inédito em negociações internacionais desse nível, exigiu que a construção do estaleiro brasileiro fosse feita por uma empresa brasileira, mais exatamente a Construtora Odebrecht. Isso mesmo. A França exigiu a Odebrecht em detrimento de qualquer processo licitatório. O que é isso?
Isso é a lebre gigantesca que citei acima. Os negociadores foram os presidentes Sarkosy e Lula. O francês é candidato a reeleição agora em maio e o volume do negócio altamente favorável a França deve render bons votos entre os conservadores. O presidente Lula é hoje o palestrante mais caro da história do Universo, com cachê pago pela Odebrecht. Repito: o que é isso?
Vou parar de racionar, por enquanto, igual fez Brinckman em seu blog. Voltarei ao tema quando a lebre começar a rugir. Apurem os ouvidos.
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