Deu a lógica. Dois terços da população do Pará não querem saber da divisão do Estado em três. A proporção da votação no plebiscito foi a mesma do contingente populacional das regiões. Hoje, na ressaca das urnas, os derrotados, principalmente do Tapajós, tentam descobrir onde erraram. É simples. Erraram ao se juntar ao movimento separatista de Carajás, a grande anomalia amazônica. Esta é uma região ocupada por exploradores de todas as bitolas, desde os garimpeiros aos madeireiros, onde houve até agora o maior desmatamento da história do País. Outro erro provável foi a contratação do publicitário Duda Mendonça para comandar a campanha de marketing a favor da divisão. Duda, como todo qualquer outro profissional, serve aos interesses de quem paga a conta. E quem pagava a conta da campanha era justamente o pessoal do garimpo e do agronegócio de Carajás. Duda, naturalmente, baseou a campanha na argumentação de Carajás, quando a legitimidade real da reivindicação estava em Tapajós. A divisão dos que lutavam pela divisão do Estado dividiu a votação a favor do NÃO. Eleição é bicho de sete cabeças, mas sempre obedece a uma lógica. E a lógica no Pará é de que a grande maioria do povo não é tão simples de ser enganada como os índios das reversas ambientais.
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