quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Qualquer negócio

O jornalista Augusto Nunes, da Veja, e um dos mais credenciados tecnicamente da Imprensa nacional, publicou ontem uma coluna-desabafo sobre o que ele chama de jornalistas a serviço do Brasil Maravilha. Nunes se mostra indignado com a atuação dos repórteres e blogueiros a soldo do governo petista para livrar o ministro dos Esportes da demissão iminente. Mas não citou um chapa-branca sequer. Na verdade, convenhamos, além dos pruridos éticos do colunista da Veja, é muito difícil identificar o pessoal do amém. Fora o permanente conflito ideológico profissional do povo da revista Carta Capital e de alguns ícones da quinta coluna do jornalismo nacional, como Paulo Henrique Amorim, é preciso prestar atenção ao noticiário diário dos portais e jornais para identificar os fiéis portadores da palavra oficial do Governo. Ontem, por exemplo, surgiram notas favoráveis ao ministro em meio as notícias no Uol, Terra e até no Estadão. Quem sopra o diapasão nesses casos é o Jornal Nacional. O espaço dado no telejornal é a medida da importância do fato e o conteúdo se expressa nas múltiplas versões. Ontem, o JN dedicou mais de cinco minutos ao assunto, com destaque para as denúncias, um referência clara de que lado está a verdade da notícia. Os jornalistas chapa-branca não são maioria e tem peso mínimo na mídia, Nunes sabe muito bem disso. Na verdade, servem apenas para irritar quem trabalha em nome da Imprensa e não do patrão. Essa gente tem tanta importância quanto às veteranas prostitutas de plantão nos hotéis de Brasília.

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