sábado, 7 de janeiro de 2012

Metendo o bedelho

Vinha ontem mouseando distraído quando me deparei com uma chamadinha “Qual a notícia que você gostaria de ler na Folha daqui a 90 anos”. Não resisti, abri e redigi este textinho abaixo. A título de fuleria.  
Ninguém morre mais
O homem já pode ser restaurado dos pés à cabeça, inclusive com a regeneração completa dos dentes, este grande enigma da humanidade que sempre questionou a boa intenção da natureza com a criação ou mesmo a do próprio criador, que caso exista de fato teria sido relapso com a criatura lá no início dos tempos em injustificável favorecimento a outras espécies de animais, como os tubarões, por exemplo. O anúncio foi feito ontem em local e hora e por instituição ou pessoa que não estamos autorizados a revelar, de acordo com a edição XXIV do Novo Marco Regulatório Nacional do Comportamento Humano. O fato é que ninguém mais morrerá de hoje em diante. Basta dar uma passadinha no comitê central do Monumento ao Metalúrgico Desconhecido e pegar a vacina. Os pobres de espírito, os chatos, os intelectuais, os jornalistas, os meias-armadores canhotos, etc., esses não tem jeito, vão continuar morrendo a rodo. Os acidentes com o tele-transporte também ficam fora do novo e generoso programa da vacina da vida. Assim como imolações, afogamentos, soterramentos, esquartejamentos, tiro, faca e pedra e todas outras modalidades cotidianas de morte nos condomínios populares, nas alamedas remediadas e até mesmo nos invioláveis paraísos eternos dos grandes núcleos habitacionais que ornam os jardins urbanos desta pátria de prosperidade e felicidade.
A direção da Folha informa que esta notícia é publicidade comercial, matéria paga ou o secular jabá. Publicamos isso porque fomos obrigados por Lei e também por um avantajado contrato publicitário, mas reiteramos nossa disposição de bem informar à comunidade e ao mesmo tempo resistir à dominação integral do modelo político da excelência da ignorância e da má fé que se entronizou no País desde a época cruel da democracia.    
Até agora não responderam nem sequer acusaram recebimento. Acho que não gostaram da brincadeira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário