Então, janeiro, o calor na Bahia revela até poesia, e também porque estou sentado a três metros do chão, quase queixo a queixo com a copa cerrada de um frondoso pé de jamelão, e o pensamento nos quintais de tempos atrás. Isto a seguir é de Manoel de Barros, tem título de Árvore.
Um passarinho pediu a meu irmão para ser a sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol,
De céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu pra santo
Mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida
No tronco das árvores só presta para poesia.
(...)
Meu irmão agradeceu a Deus aquela permanência em
Árvore porque fez amizade com muitas borboletas.
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