terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Provincianismos

Estava cá a tamborilar essas notinhas volantes, embalado pelo canto dos sabiás do quintal, um casal deles deu em fazer ninho bem na quina varanda e nada mais escandaloso que uma sabiá fêmea em defesa da cria, quando ouviu-se um estrondo e a luz foi-se embora. E as notinhas foram juntas. Minha paciência pôs-se na quietude da ânsia, só pude voltar agora ao teclado tambor já depois de meio dia, não há sinal do que estava escrito. É. O buraco donde eu moro, acossado pela agitação de obras de novos conjuntos residenciais, está cada vez mais buraco. Isso sem falar no buraco maior, Salvador, e na cratera Bahia que nos envolve, ambos aviltados pela incompetência política administrativa que destrói os serviços públicos.
Salvador é um cartão postal roído pelas traças. E a Bahia, mais do que nunca, é só um estado de espírito. Na capital baiana, por exemplo, onde moram mais de 2.5 milhões de pessoas, as escolas municipais não funcionam. O ano letivo já começou e a maioria das escolas não vai nem abrir. Isso é muito grave. Vai além do que se pode imaginar como simples má gestão. Isso é a privatização do ensino público na marra. O mesmo que aconteceu com a área da saúde, onde os felizes portadores de carteirinhas de planos de saúde são atendidos prioritariamente enquanto os doutores torcem o nariz para os infelizes amparados pelo SUS. Salvador, Bahia, antes um endereço inspirador, romântico, meio mágico, hoje é quase só a lembrança de um abadá colorido, de um amor que passou.

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