O sistema, afinal, se mexeu e a greve dos policiais militares na Bahia está também, como o resto do país, dominada. No início do movimento, o governo petista da presidente Dilma Roussef e do governador Jacques Walker e do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo rosnaram contra os grevistas igual faziam os coronéis da direita quando acossados por trabalhadores. Não aceitaram negociar e decretaram a prisão dos líderes. Não deu certo. O governo resolveu botar em campo a autoridade maior do Exército nacional. Também não deu certo. O clima piorou, a tensão aumentou, a tranqüilidade da população (e não apenas o carnaval) ficou sob ameaça real. Aí, então, entrou em campo o grande xerife da ordem e progresso nacional, o jornalista William Bonner e seu magnífico Jornal Nacional. Bastou uma reportagenzinha mal engendrada com confusas gravações telefônicas que supostamente comprovavam ações de vandalismo dos grevistas para colocar o movimento na rabeira da opinião pública. Vandalismo em greve? Isso não pode de jeito nenhum! Esqueçam o que sempre fez o próprio PT, a CUT e outras forças sindicais, e o que ainda faz na marra o MST. O bem e o mal, o certo e o errado, a direita e a esquerda, no País dominado por uma sofisticada organização criminosa, muda de lado ao sabor do vento, da cor da carteirinha partidária, das verbas publicitárias oficiais destinadas à mídia de comunicação e do cinismo das autoridades públicas e privadas. Nunca na história desse País viveu-se tão loucamente a farsa do pão e circo.
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