Quarta-feira. Cinzas. Ou muito me engano ou estou mesmo ficando doidinho da Silva, ou dos Santos, para ser mais exato, mas acho que há um clima bom no ar (na Bahia, falar mal do clima é heresia). Não, não fui contaminado pelo vírus da alegria governista que tanto enriquece sindicalistas, ex-comunistas e jornalistas chapa-branca pelo País afora. Apenas acordei às seis da manhã acreditando que a vida pode mesmo melhorar para todos nós. Sei lá por que. E olha que são quase nove horas, já vi o Bom Dia, Brasil (uma repórter disse com todas as letras que a apuração das escolas do Rio será hoje, depois do Vale a Pena Ver de Novo -para a Globo não existe hora nem relógio, apenas a grade de programação), o céu nublou e não tenho a menor idéia de onde andam os filhos, todos eles crianças acima dos trinta e pouco.
Ainda a folia. As autoridades baianas estão comemorando o fato de que houve 20 por cento menos incidentes (leia-se mortes, roubos, agressões, etc.) no carnaval deste ano. Só não explicam que também houve uma redução de 20 por cento no movimento das ruas em relação ao ano passado. Quer dizer, ficou tudo igual. Só o delírio das celebridades é que bateu todos os recordes. Nunca se viu tanta alegria turbinada por uma montanha de dinheiro.
O tumulto na apuração das escolas paulistas devia ser investigado com seriedade e profundidade. Todo mundo sabe que o carnaval deste ano eleitoral era visto como trampolim político para os companheiros da sofisticada organização criminosa que domina o País. E o companheiro líder desta mesma organização foi um dos homenageados pela escola de samba do Corinthians, os foliões que tocaram fogo no carro alegórico de uma das adversárias. Como dizem os personagens de romances policiais e o povo a meia boca: Aí, tem!
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