segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Plóim, plóim

Pensei em listar as frases mais impressionantes proferidas por políticos, jornalistas e artistas a propósito das greves de Policias Militares na Bahia e no Rio de Janeiro para começar mais esta semana de tragédias e esperanças ao vento. Cheguei a recolher verdadeiras pérolas, como se diz em chavão jornalístico, da presidente da República (campeã mundial de non sense político, quer dizer, vice-campeã, o campeão vitalício todo mundo sabe quem é), do ministro da Justiça, dos governadores da Bahia e do Rio, dos jornalistas independentes, dos jornalistas chapa-branca, dos militares e até opiniões populares, mas desisti depois da manchete de ontem da Folha de S. Paulo. O caso é muito mais sério, muito mais grave, do que nossos parcos conhecimentos de sociologia, filosofia, jornalismo ou ciência política podem supor. Mais da metade das vítimas da violência nos dias da greve da PM em Salvador foram mortas com tiro na cabeça. Isso é extermínio. Não aconteceu nada parecido no Afeganistão, no Iraque ou no Oriente Médio. Nada. Mataram mais gente aqui do que normalmente se mata lá, com requinte de crueldade. Há de haver alguém responsável por isso. A Bahia não merece ser palco da barbárie e depois abrir suas perninhas sagradas para receber multidões alucinadas em busca de alegria animada por supostos músicos caça-níqueis. O carnaval não está acima de tudo, como parecem pensar os apresentadores de telejornais. A realidade da vida não pode ser edulcorada para os queridos telespectadores. Nós estamos, sim, dentro de um barril de pólvora. O resto é sorriso dissimulado de âncoras.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário