No tempo da ditadura militar, uma figura obscura aterrorizava o imaginário político dos militantes esquerdistas. Era o Cabo Anselmo, um especialista infiltrado pelos militares no movimento guerrilheiro. A estratégia deu certo à época, mas em seguida a figura obscura foi identificada e devidamente rejeitada pela sociedade civil. Hoje, em tempo de democracia plena, surgiu outra figura obscura que está fazendo o mesmo papel de traidor de movimento político em oposição a governo constituído. A representação hoje é política partidária, as armas são os mandatos eleitorais, mas o objetivo final, o poder, e o método, a traição, são os mesmos. Cabo Anselmo todo mundo sabe quem é e nem vale a pena ser citado por extenso. O novo Cabo Anselmo, este parido pelo processo eleitoral democrático, chama-se Gilberto Kassab. Não faz nada de muito novo no teatro político nacional, mas chama atenção porque atua no centro do palco. Depois de ter vencido o PT nas urnas, o que o credenciou a liderar um novo partido de suposta oposição, Kassab fez acordo com Lula, implodiu o DEM e agora apóia o candidato do PT a Prefeitura de São Paulo e amanhã seu partido apoiará o governo Dilma. Os protagonistas finais da grande disputa eleitoral nacional, inclusive desta de agora em São Paulo, continuam os mesmos, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, mas a cara arredondada, o jeito apalermado e a excepcional habilidade política de ser dois em um, seja lá para que lado for, fazem de Gilberto Kassab um novo ator da tragédia cotidiana nacional. Um ator canastrão e ruim, mas com inegável habilidade para se meter entre os papéis principais.
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