quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Na ponta da língua


Recebi isto de minha filha Joana Carmo, atriz e produtora teatral no Rio. Não conhecia o Criolo Doido e estava curioso depois que soube que Chico Buarque fez referência a ele, no show em Minas. Dizem que é o futuro da MPB. Duvido. Joaninha não vai gostar nem um pouquinho, mas achei que a base da criação é apenas intuitiva, não há elaboração técnica, ou seja, o grau de dificuldade é muito pequeno. O cara reconstrói versos de Chico Buarque em Cálice, o que, convenhamos, é no mínimo uma ousadia invasiva, para não dizer uma pretensão desvairada. E quando fala por si, chora o Nordeste, o preconceito contra os nordestinos, uma velha bandeira surrada e desbotada da cultura nacional, do cordel ao mangue beach. Devia ler os poetas de verdade. Como Haroldo de Campos, pois o “mestre que me ensinou já não dá ensinamento”. Mesmo assim, gostei um pouquinho desta Lantejoulas, com um bom verso, se bem me lembro, “até os inocentes sabem que o sonho do gandula é jogar”. Assim como o sonho de quem não tem nada melhor para fazer é se declarar poeta.

Um comentário:

  1. Hoje li na Piaui, na entrevista Do Davidocich, algo que talvez caiba aos seus comentários...

    O desafio é "tendo a técnica que os outros tem, o desafio é ter a ideia que eles não tiveram"

    O lance hoje não é mais dominar a técnica e sim desenvolver boas ideias pois nos ultimos 20 anos avançamos absurdamente no campo da tecnina e tecnologia, mas regredimos profundamente no campo das idéias...

    Estamos caminhando, aprendendo, dominando a tecninas... Aguarde...rs

    ResponderExcluir