domingo, 13 de novembro de 2011

Cala a boca, narrador!

Transmissões esportivas pela televisão. Não sei, não, mas parece que cada dia sai pior. Os narradores estão ali para informar o que estamos vendo na tela, mas todos eles, sem exceção, seja Globo, Bandeirantes, Sportv, Esporte Interativo, Espn, todos se dedicam a tentativa desvairada de extrair emoção do lance mais banal sem dar muita importância a realidade. Luis Roberto, ontem, no treino da Fórmula 1, passou o tempo todo anunciando aos gritos extasiados que Vettel podia bater o recorde de poles de Nigel Mansel. O que isto significa? Nada. Horas antes, na transmissão do treino livre, Lito Cavalcanti, comentarista da Sportv, disse com todas as letras que o homem a ser batido, em qualquer circunstância de corrida, era Lewis Hamilton. Bobagem crassa. Vetel ganha todas as divididas, como ganhou ontem de novo. Lewis é o homem a ser batido para quem quer ser segundo colocado. Este mesmo senhor Lito não consegue parar de falar, seja a besteira que for mesmo que esteja ocorrendo um acidente, chega a dar nos nervos. Cléber Machado, que transmitiu o jogo do Brasil e Gabão, é um chato entediado, interessado em explicar regras ou táticas sem dar muita bola para o que está acontecendo em campo. Os comentaristas de futebol, sem qualquer exagero, em todas as emissoras, são todos da pior qualidade. Quem, na verdade verdadeira, foram de fato grandes jogadores entre Casagrande, Caio, Edmundo, Denilson, Neto, Muller, Rai? Todos foram bons, lógico, mas com performances complicadas, alguns até desajustados socialmente, e não justificam hoje, no gogó, o conhecimento que tinham dentro das quatro linhas. Tostão e Falcão, sim, jogaram muita bola e sabem bem o que falam, sendo que o gênio mineiro até escreve com surpreendente desenvoltura e qualidade técnica. Mas os dois estão fora da telinha. E não se tem mesmo nenhuma alternativa. O melhor é tirar o som da tevê. Perde-se o som ambiente, mas não se ouve besteiras. Ontem mesmo um velho amigo de redação de jornal e quadra de futebol, Roberto Pontes, me ligou para se queixar do que estava vendo na tevê, Fluminense e América mineiro. Ficamos bons minutos esculhambando narradores e comentaristas e depois descobrimos que temos o mesmo método para ver tevê: sem som. E é assim, sem som, que assistimos quase tudo –até o Jornal Nacional. E não faz a menor falta. Experimente.    

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