Difícil encontrar um adjetivo para classificar este momento do campeonato brasileiro de futebol. Difícil. O certo, entretanto, é que está bom demais. O modelo de pontos corridos, com os quatro primeiros colocados garantindo vaga para a Libertadores e os quatro últimos sendo rebaixados para a série B, impõe alta competitividade entre todos. Ninguém vence ninguém antes do apito final. Quem chegar à frente, chegou, não há surpresas. E quem cair, caiu, também não haverá grandes sobressaltos. A cada rodada, as duas bocas deste funil maluco estão estreitando. Vi alguns jogos e li sobre todos. E meto minha colher virtual:
- O Fluminense sem Deco é um timeco. Ou pelo menos igual a todos os outros. O América mineiro, lá na outra ponta da tabela, parece ter uma melhor postura tática e muito mais combatividade de seus jogadores. O Engenhão lotado viu a carroça desfilar diante dos bois.
- O Bahia ganhou três pontos decisivos nesta altura do campeonato. Na casa do adversário, um Atlético bem conceituado pela crônica, o tricolor fez justiça ao aço do apelido. Fez seu gol no primeiro tempo e segurou o resultado até o fim.
- A Bahia deve ter dois representantes entre os 20 maiores clubes do futebol brasileiro no próximo ano. É uma espécie de volta ao futuro. A massa tricolor e rubro-negra espera que os dirigentes consigam montar times competitivos.
- O Flamengo foi a grande vítima ontem da tal igualdade entre todos os competidores. O time do Coritiba é muito bom. A defesa é firme e eficiente. O meio do campo marca como cão treinado e os armadores armam em velocidade, com Marcos Aurélio, Rafinha e Davi. O Flamengo levou dois nocautes logo no primeiro tempo, em jogadas de pura desatenção da defesa, mas também foi bastante prejudicado pelo árbitro, indeciso, confuso e mal preparado. Ronaldinho jogou coisa nenhuma e Thiago Neves conseguiu ser pior. Leonardo Moura merecia ter a cabeça raspada com máquina zero.
- O Corinthians está chegando ao título com vitórias homeopáticas. Tite sabe que o fundamental a esta altura é não perder. A vitória fica por conta da qualidade dos atacantes. Ontem, o Sheik resolveu de novo. Sem grandes jogadores, ninguém ganha título. Por isso eles valem as fortunas que ganham. E merecem.
- O Vasco parece ser o mais determinado na busca pelo título. Um bom elenco e uma aura mística sobre a comissão técnica estão levando o timezinho de São Januário aos chamados píncaros da glória. Dedé, o zagueiro arrogante e mascarado, está matando a pau, e nos enche de esperança quanto à zaga da seleção. Ele e Thiago Silva dispensam volantes.
- O Cruzeiro respirou fundo em cima do Internacional. Time por time, o colorado é bem superior, mas ontem estava sem seu centroavante de ofício, Leandro Damião, e não teve força para chegar ao gol. Tinga errou dois, cara a cara com o goleirinho Fábio.
- O Rio Grande não terá representantes na próxima Libertadores. Isso é sinal de decadência do futebol gaúcho. Fora os argentinos uruguaios comprados em promoção do mercado, Grêmio e Inter não tem caixa para contratar craques, ou seja, estão fora da briga por títulos.
- O que aconteceu no Olímpico ontem? Acertou quem respondeu algo como “o encontro das antas Scolari e Roth”. Os dois treinadores parecem que armaram seus times de olho no emprego um do outro. E é mesmo bastante provável que no próximo ano um enfrente o outro de camisas trocadas, Scolari no imortal e Roth no verdão. Quem duvida?
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